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Estou há alguns dias sem escrever, porque desde a semana passada estou no campeonato sulamericano de esgrima, em Antofagasta, no Chile.

Antes da Copa das Confederações escrevi neste Blog e propaguei nas redes sociais o meu inapelável desejo de que a seleção brasileira levasse uma sonora e retumbante surra nos caros gramados construídos pelo Brasil. Achei que vitórias do futebol ofuscariam as evidências aberrações que os preparativos para essa Copa das Confederações e para a Copa do Mundo do ano que vem causaram ao Brasil. Se o governo federal reavivou o slogan da ditadura, da “Pátria de Chuteiras”, dei-me ao direito de reavivar o sentimento que, também naquela mesma ditadura, dizia que o “futebol é o ópio do povo”.

Enganei-me redondamente. O povo brasileiro não caiu da esparrela dos governos federal, estaduais e municipais e reagiu à altura contra, indo às ruas em quantidade de gente nunca antes vista na história desse País.

A tal “Pátria de Chuteiras” foi quem deu a esplendorosa surra nos políticos que, atônitos, enfiaram as cabeças nos buracos mais próximos, feito os avestruzes.

Pouco importa-me agora o resultado do jogo de amanhã. Por mim o Brasil pode até ganhar da Espanha. O povo já deu seu recado e mostrou que está descontente.

E que continue mobilizado, pois no ano quem tem Copa do Mundo e no seguinte Olimpíadas.

Nas Olimpíadas há toneladas de dinheiro público e, tenham certeza, as promessas de melhorias de infraestrutura não serão cumpridas, a começar pela despoluição da Baía da Guanabara.

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A presidenta Dilma Rousseff equivicou-se ao dizer em rede nacional que não há dinheiro público investido na construção dos estádios para a Copa do Mundo. Há, sim. E muito.

Os tais empréstimos a que Dilma se referem, foram feitos pelo banco estatal de fomento, o BNDES, com juros subsidiados, muito abaixo do aqueles praticados pelo mercado. E foram feitos por Estados, em sua esmagadora maioria, cujos históricos nem sempre são de honrar suas dívidas com o BNDES. E mesmo que paguem, é dinheiro que sai do Governo Estadual para o Governo Federal. Ou seja, tudo dinheiro público.

O Governo Federal também abriu mão de receber tributos das empresas que executaram, ou estão executando, as obras da Copa do Mundo. Deu a elas isencões fiscais de todo gênero. Assim, como também deu isenção fiscal à FIFA e suas empresas quando contratarem, no Brasil, diretamente, trabalhadores. Esses trabalhadores, por sua vez, pagam seus impostos. Somente a FIFA recebeu esssas regalias. E isso é em decorrência de uma lei do governo Lula.

Tudo isso sem falar das insenções fiscais estaduais, municipais e do Distrito Federal, que usou dinheiro do próprio orçamento para construir o seu superfaturado “elefante branco”. Aliás, a empresa estatal do governo do Distrito Federal que ergueu o caríssimo Mané Garrincha, tem como sócio o próprio governo federal.

Se o governo federal, os estaduais, municipais e as empresas tivessem a mesma vontade política para construir escolas que têm para construir estádios de futebol, o Brasil estaria muito melhor.

Portanto, ou Dilma Rousseff não leu antes aquilo que lhe puseram no teleprompter, ou ela está muito mal informada sobre esse segmento de seu governo.

Eu escrevo há anos que a Copa e a Olimpíada, juntas, serão o maior escândalo financeiro da história do Brasil. O dispêndio exagerado de dinheiro público nas duas competições é um dos motivos dos protestos da nação. Os Jogos Panamericanos Rio 2.007 já foram financeiramente escandalosos.

A equação dos políticos e da cartolagem é um estádio padrão FIFA construído com dinheiro dos brasileiros para cada clube de futebol e um hospital padrão porcaria para cada milhão de pessoas.

Enquanto o governo Dilma Rousseff e Aldo Rebelo achou que o slogan da ditadura de Médice, “a pátria de chuteiras”, seria suficiente para aplacar a ira do povo, enganaram-se redondamente. O povo não engoliu.

Se ao olharmos para o Congresso vemos políticos despreparados e descomprometidos, ao olharmos para o Comitê Olímpico Brasileiro e para a Confederação Brasileira de Futebol, enxergamos dirigentes velhacos, ultrapassados, que mamam nas tetas do Estado.

Para evitar que Copa e Olimpíada sejam um escândalo ainda maior, sugiro que o povo que estiver no Rio de Janeiro dirija seus protestos, também, para as portas do Comitê Olímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Futebol. Façam um protesto pacífico, mas veemente, exigindo que aqueles cartolas sejam transparentes com o uso do dinheiro do povo, democratizem as entidades, convoquem eleições democráticas e deixem seus cargos.

Tanto a Confederação Brasileira de Futebol, bem como o Comitê Olímpico Brasileiro têm sedes bem visíveis e portentosas, pelo que é fácil identificá-las e, na frente delas, fazer uma manifestação importante.

Se a Presidenta Dilma não se apequenar diante das artimanhas Olímpicas, ela pode dar um jeito nisso. Se continuar sendo complacente, será também culpada pelo escândalo financeiro. Tomara que esses protestos nas ruas a faça mudar de atitude também com relação a isso.

http://www.youtube.com/watch?v=ZApBgNQgKPU

O dia 17 de junho de 2.013 já está na história do Brasil. Mais de 200 mil pessoas sairam às ruas para protestar, para pedir uma basta contra tudo isso que está aí, há anos, massacrando a alma do povo. Como é bom ver um político malandro com cara de bunda pilhado fazendo alguma falcatrua. Melhor ainda é vê-los atônitos, andando em círculos, pressionados pelo povo a fazer algo. Impossível ignorar, minimizar, ou partidarizar os movimentos de ontem.

As manifestações não foram somente contra a classe política, mas contra todos aqueles que, de alguma forma, exercem algum tipo de poder e cujo trabalho influencia na vida do brasileiro. Por isso que a cartolagem espúria e velhaca pode ter certeza de que ela também era alvo dos veementes protestos de ontem.

Eu e tantos mais temos ressaltado as barbaridades que estão sendo cometidas no esporte, com dinheiro público, destinados à construção de elefantes brancos, em detrimento dos interesses mais legítimos da população. Falta segurança, casa, comida, saneamento, transporte, educação, saúde, esporte para todos, mas não falta grana para construir estádios megalômanos, para demolir velódromos e erguer outro muito mais caro, piscinas, ginásios monumentais e outra série de coisas que são uma frontal agressão ao povo.

Se os protestos são contra a falta de vergonha dos políticos, nada comprometidos com a nação, também o são contra a falta de transparência na administração das entidades desportivas, que são verdadeiras capitanias hereditárias nas mãos de gente que se diz privada, mas que saboreia a doçura interminável do dinheiro público.

Cartolas, não pensem que de agora em diante será fácil para Vocês ludibriar o povo, usar e abusar de dinheiro público, construir complexos esportivos caros, inúteis e mal feitos. Vocês, cartolas, estão na alça de mira. Não achem que o povo vai se contentar em cercar Palácios e Assembléias. Vão sitiar, pacificamente, a sede da Confederação Brasileira de Futebo, do Comitê Olímpico Brasileiro, do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2.016, das demais Confederações. Aliás, deveriam fazer isso rapidamente, para oxigenar essa casta que é das mais conservadoras do Brasil, a da cartolagem esportiva do Brasil.

Será que depois da vaia que tomou no sábado e das manifestações que se seguiram, a Presidenta Dilma continuará sendo silente ao que faz a cartolagem olímpica e do futebol? O povo mostrou-se indignado com Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e Dilma Rousseff tem que agir para defenestrar essa gente. Senão é ela e não eles que levará mais vaias.

Vale ressaltar o discurso patético feito ontem pelo fraco Ministro Aldo Rebelo, que um dia também saiu às ruas para protestar e hoje está completamente domesticado pela FIFA, com medo das reações que Blatter pode ter contra ele.  Aldo Rebelo, espumando, babando de raiva, disse a um jornalista que “não vamos tolerar manifestações que impossibilitem a realização da Copa do Mundo e dos Jogos”. Ele me lembrou aquela gente da época da ditadura, que prometia reprimir a qualquer custo manifestações populares. Aldo Rebelo, que hoje integra com orgulho a bancada da bola e apoia a anistia aos clubes de futebol pensando exclusivamente na eleição do ano que vem, tem se mostrado cada vez mais uma pessoa fraca, muito despreparado.

Protestos e Vaias.

junho 15, 2013

O aumento das tarifas de ônibus em São Paulo não é a causa principal dos protestos na cidade e que se alastram pelo País. Talvez tenha sido o pequeno motivo que faltava para os brasileiros darem o grito de basta. O que está havendo no Brasil é muito mais profundo e não pode ser resumido a um pleito de R$ 0,20.

Há anos o brasileiro mais pobre, ainda que tenha havido alguns avanços, vem sendo açoitado pelos sucessivos governos e partidos que se revezam no poder. Quem depende de serviços públicos neste País está ferrado. Tudo que o Estado brasileiro oferece (Federal, Estadual e Municipal)é de péssima qualidade. Quem tem dinheiro acaba dando um jeito de defender-se. Quem não tem, normalmente se dana. Até a Justiça faliu, lenta e tantas vezes corrupta. Quem tem dinheiro, há muito tempo abandonou a Justiça estatal e elegeu a arbitragem (a privatização da Justiça) como a cláusula de resolução de conflitos.

Claro que deixando de lado alguns aproveitadores, os protestos que temos acompanhado no Brasil são sérios e legítimos. Aliás, o brasileiro deveria ter o costume de sair mais às ruas para manifestar-se contra o que o incomoda.

A vaia que Blatter e Dilma receberam hoje é a extensão do descontentamento do povo com uma série de coisas. O estádio de Brasília é a corporificação do que de pior essa Copa do Mundo fez ao Brasil. É um elefante branco superfaturado. Não muito longe dali, em um hospital público do Distrito Federal não tem remédios e sondas para seus pacientes. Os enfermeiros pedem àqueles que visitam os pacientes para irem à farmácias adquirir itens que o hospital público não tem dinheiro para comprar.

Evidente que a vaia de hoje foi para Dilma. Mas foi, também, para toda a classe política e cartolagem que, naquele momento, estavam, aos olhos da platéia, representados na figura da Presidência da República. O Brasil rechaça o loteamento do governo, os quarenta ministérios, as alianças espúrias, a falta de atitude contra os desmandos da cartolagem. Não adianta muito ter fama de durona e, ao mesmo tempo, deixar o trem da alegria andar solto, alimentar essa base aliada glutona. Qualquer outro político que estivesse ali hoje seria vaiado, de qualquer vertente e partido. O Brasil está cheio dessa gente.

Também não posso deixar de lamentar a atitude grotesca da Polícia Militar do Distrito Federal, violência que, ao que me pareceu, totalmente desnecessária.

Não ví o jogo Brasil Vs. Japão porque realmente o assunto não me interessa. Detestável esse slogan oficial “pátria de chuteiras”. O governo está tentando enfiar na goela do povo esse slogan para escamotear as verdades dessa Copa das Confederações e Copa do Mundo. É mais uma atitude sórdida dos políticos. Está querendo ofuscar as bobagens e a gastança irresponsável de dinheiro público.

Como sempre falo e escrevo, Copa do Mundo e Olimpíada juntas serão o maior escândalo financeiro da história do Brasil.

Ainda que os protestos e vaias tenham começado tarde, tomara que agora eles não parem.

Nada poderia ser mais providencial para a cartolagem olímpica brasileira do que a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. O Brasil, aí incluído a imprensa, os políticos e os cidadãos comuns, estão muito mais preocupados se o Brasil colocará em campo um volante marcador, ou um que sairá para o jogo, de tal forma que são discussões desse quilate que preencherão os espaços da mídia esportiva até, pelo menos, o final da Copa do Mundo de futebol. As atuações da selação brasileira na Copa das Confederações darão o tom da crônica esportiva no próximo ano. Evidente que há exceções, de gente que estará permanentemente atenta às mazelas dos outros esportes. Mas será uma voz sufocada pelo frenetismo do futebol.

Quando o futebol sair da pauta e for a vez dos Jogos Olímpicos, como sempre digo e escrevo, já será tarde. Se a Copa das Confederações e a Copa do Mundo já estão consumindo muito dinheiro público, a Olimpíada é um evento muito mais público do que os os outros dois juntos e será um escoadouro de recursos governamentais. E será ótimo para a a cartolagem olímpica que os holofotes não estejam virados para si, pois poderão, sem fiscalização efetiva, cometer todos os erros que sabemos que irão cometer.

Será nesse clima péssimo da “pátria de chuteiras” que a cartolagem olímpica nadará de braçadas, gastará os tubos e aproveitará para tentar emplacar no COI, como membro, um brasileiro que a nação não deseja e desconfia.

Se o Brasil irá certamente lamentar o mau uso do dinheiro público e os elefantes brancos que ficarão para trás após a Copa do Mundo, lamentará muito mais quando tiver se dado conta que o rescaldo olímpico será não apenas ruim, mas mil vezes pior. E que se somadas, Copa e Olimpíada, serão o maior escândalo financeiro já feito com dinheiro público na história desse País.

A festa, em si, poderá até ser legal. Mas não tenham dúvidas de que o rescaldo será um descalabro de proporções gigantescas.

Se o que sobrou dos Jogos Panamericanos 2.007 foi uma conta superfaturada de construções demolidas, imaginem na Copa e na Olimpíada.

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