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Gostei da entrevista que Cesar Cielo concedeu à reporter Mariana Lajolo, publicada hoje na Folha de São Paulo. Acho importante quando um atleta com a importância de Cielo dá entrevistas que fogem do trivial. Isso é raro no Brasil, em que atletas que se manifestam contra o establishment da cartolagem são retaliados.

Aliás, Cielo afirma na entrevista que as ações dos ex-atletas em favor de melhorias no esporte são sempre importantes, já que atletas em atividade podem ser facilmente atingidos, pejudicados. E Cielo diz isso com conhecimento de causa, pois foi enfrentado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos quando, ao retornar dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2.008, atacou, com razão, o sistema despotivo nacional.

Tomara que a iniciativa de Cielo empolgue e estimule outros atletas de ponta a fazerem o mesmo. É certo que os dirigentes atuais perseguem quem os confronta. Mas alguns atletas, pelo que já realizaram, estão acima das garras desses dirigentes e possuem meios de se defender.

Nuzman anunciou que neste ano o Prêmio Brasil Olímpico, aquela festança promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro, será em São Paulo. Justificou que o motivo é a celebração dos 50 anos dos Jogos Panamericanos realizados na capital paulista, em 1.963. Não é essa a razão.

Aliás, o cinquentenário do Pan de 63 passou e Nuzman não fez qualquer tipo de menção. O Pan de 63 foi feito dentro das possibilidades da cidade, sem obras grandiosas, deu lucro e há um legado esportivo até hoje muito utilizado, como noticiaram os meios de comunicação há alguns meses. Foi com o lucro desses Jogos que o Comitê Olímpico Brasileiro comprou sua primeira sede, a da Avenida Rio Branco, no Rio.

Muito diferente do que ocorreu no Pan de 2.007, cujo escândalo e a falta de legado são visíveis. Nuzman prefere não falar do Pan de 63 porque as comparações são inevitáveis.

Nuzman fará o Prêmio Brasil Olímpico em São Paulo, neste ano, para evitar um provável confronto com o bravo povo carioca, que saindo às ruas para protestar contra os desmandos, principalmente aqueles feitos com dinheiro público. O Prêmio Brasil Olímpico, por tudo que representa, com as presenças dis cartolas e do Governador Sérgio Cabral Filho, seriam um alvo certeiro para mais uma revolta do povo do Rio.

26/09/2013 – 03h44

TCU vê falta de planejamento da Rio-2016

DIMMI AMORA
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

A três anos da Rio-16, a falta de planejamento para o evento põe em risco suas obras e inviabiliza estimativas sobre o custo de projetos e identificação de seus responsáveis. A conclusão vem após fiscalização do Tribunal de Contas da União, que cobra providências do governo.

Com orçamento de mais de R$ 15 bilhões, as obras são responsabilidade de consórcio formado por governo federal, Estado e prefeitura, congregados na APO (Autoridade Pública Olímpica). O modelo de organização é inédito no país.

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Para o TCU, a APO tem sofrido um “esvaziamento do papel de coordenação”. O órgão de controle alerta sobre o pouco dinheiro colocado nas obras até o momento.

“Apenas 5% do total previsto pelos Orçamentos Gerais da União para a organização dos Jogos, no período de 2010 a maio de 2013, foram pagos efetivamente”, diz o TCU.

De acordo com o tribunal, isso “evidencia que a execução orçamentária não foi aderente ao planejamento prévio para a organização dos Jogos de 2016, tornando-se um risco potencial à adequada realização deste evento.”

Um dos exemplos de “baixa execução orçamentária” está no projeto básico de quase R$ 40 milhões para Deodoro, centro esportivo que será palco de competições de tiro esportivo, hipismo e rúgbi.

O relator da fiscalização, ministro Aroldo Cedraz, ainda ressaltou sua “preocupação” com o fato de que não há, até o momento, informações sobre os investimentos em turismo e hotelaria.

Outro ponto criticado diz respeito à chamada matriz de responsabilidade, documento que reúne obras, custos, prazos e responsáveis.

Sem ela, até a fiscalização fica ineficiente. “A ausência da matriz de responsabilidade impossibilitou que a equipe de auditoria precisasse todos os projetos essenciais a serem implementados para o evento esportivo.”

Editoria de Arte/Folhapress

PROVIDÊNCIAS

A decisão do TCU não traz punições, mas determina ao Ministério do Esporte e à APO que se articulem para publicar a matriz de responsabilidade. O tribunal chama a atenção ainda para o legado da Rio-2016, deixado até agora em segundo plano.

“No que se refere à ausência ou indefinição quanto à utilização do legado olímpico, entendo ser necessário que o Ministério do Esporte dê início, imediatamente, aos trabalhos do Grupo de Trabalho Legado”, diz o relator.

OUTRO LADO: ENTIDADES DIZEM QUE NÃO TIVERAM ACESSO A RELATÓRIO

O comitê organizador da Rio-16 afirmou ontem, por meio de uma nota, que “a contribuição do TCU é muito importante para que os Jogos sejam realizados no prazo e dentro do orçamento.”

Mas, como não tivera acesso ao documento do tribunal até a conclusão desta reportagem, não poderia comentá-lo.

“A transformação do Rio de Janeiro faz parte de uma jornada de médio prazo e o papel dos Jogos é ser o agente catalisador deste processo”, acrescentou o comitê organizador.

As assessorias do Ministério do Esporte e da Autoridade Pública Olímpica também disseram que esperariam a notificação do Tribunal de Contas da União para se manifestarem sobre o assunto.

O TCU determinou que os dois órgãos se articulem para publicar a matriz de responsabilidade, que determina as responsabilidades dos envolvidos na organização do evento olímpico.

Texto do Painel FC da Folha de São Paulo de Hoje.

Substituição. Sem presidente efetivo desde a saída de Márcio Fortes, em agosto, a Autoridade Pública Olímpica tem um candidato para ocupar o posto. Em Brasília, é defendido o nome do general do Exército Fernando Azevedo e Silva para assumir o comando da entidade.

Balança. Azevedo e Silva tem bom trânsito com o diretor de operações da Rio-2016, o também general Marco Aurélio Costa Vieira. No entanto, se assumir a APO agora, é ponderado o fato de que o general poderá perder uma oportunidade de promoção no Exército, que começa todo mês de março.

Ontem o Jornalista Paulo Roberto Conde, da Folha de São Paulo, fez excelente matéria que comprova que a Confederação Brasileira de Ginástica não apoia as categorias de base. A seleção brasileira pré-infantil e infantil convocadas para o sulamericano da Colômbia são apenas convocadas, mas os técnicos e atletas não têm apoio financeiro algum da Confederação que, por sua vez, tem em seu orçamento pelo menos cerca de R$ 3 Milhões da Lei Piva. O argumento da Confederação, de que não tem recursos para essa categoria é irreal. Tem, sim. O que a Confederação Brasileira de Ginástica não possui é vontade política de ajudar a base. O COB, por sua vez, é hipócrita ao dizer que não ajuda financeiramente os atletas da base porque a Confederação Brasileira de Ginástica não apresentou nenhum projeto para eles. A verdade é que o COB não estimula as Confederações a terem projetos para os jovens atletas. Não há vontade política das autoridades desportivas do Brasil em dar assistência à base, à formação dos atletas para as gerações futuras. Não há projeto para o esporte de base no Brasil. O COB deveria planejar com as Confederações que parte do dinheiro do povo que recebem seria para as seleções da base.

E o que acontece com a Confederação Brasileira de Ginástica é a realidade de quase todas as modalidades. É muitas vezes vergonhosa a apresentação das seleções brasileirags de base, que nem agasalho têm, enquanto Países supostamente menos desenvolvidos tem, pelo menos, “cara de delegação”.

É por essa razão, por causa dessa visão errada, de querer começar a construir a casa pelo telhado que, apesar de tanto dinheiro público fluindo nos cofres do Comitê Olímpico Brasileiro e das Confederações, nossos resultados são pífios. É uma falta de visão de longo prazo. Os cartolas e os políticos querem o pódium imediatamente para tirar fotografias ao lado dos atletas. Volto a dizer que se tivéssemos gente competente e com visão de futuro no Comitê Olímpico Brasileiro e nas Confederações, com essa dinheirama toda, em talvez três, ou quatro, Olimpíadas, estaríamos bem melhores.

Apesar do passo importantíssimo que foi dado com a aprovação pelo Congresso Nacional da lei da transparência no esporte, o serviço ainda não está completo. É necessária a sanção presidencial que, acredito, será mera formalidade uma vez que a Presidenta da República apoia firmemente a medida.

Mas não se pode abaixar a guarda. Não se pode menosprezar a capacidade de lobby da cartolagem que, garanto, está preocupadíssima com o assunto.

As razões de preocupações dos cartolas são dissimuladas em argumentos bobos como, por exemplo, “precisamos nos eternizar para ficarmos conhecidos no exterior” e outra bobagens. Na verdade, isso é apenas falatório. O que os dirigentes não desejam é perder os seus cargos, pelos benefícios que isso lhes traz.

Desde que Nuzman assumiu o COB, o presidente do Comitê Olímpico dos EUA já trocou umas três, ou quatro vezes. E nem por isso o esporte norte-americano deixou de ser importante no cenário mundial. Assim, o argumento de que um cartola tem que ser perene para fazer seu esporte crescer é tolo.

A rotatividade de dirigentes ocorre nas maiores potências olímpicas no mundo.

Dia Histórico.

setembro 17, 2013

Não gosto das expressões “dia histórico”, “momento histórico”, “fazendo história”. Acho que são utilizadas de maneira banal e muitas vezes preenche espaços daqueles que não têm outra coisa para dizer.

Hoje, porém, na falta de expressão mais apropriada e porque o dia é realmente histórico, vou utilizá-la.

O Senado Federal aprovou a Medida Provisória que limita as reeleições dos dirigentes espotivos de entidades subsidiadas com dinheiro do povo, tais como o Comitê Olímpico Brasileiro e todas as Confederações e Federações dos esportes olímpicos, exceto o futebol. Esse é um golpe duríssimo para vários dirigentes. E é também uma evidência prática de que a estrutura conservadora que tem comandado o esporte nacional deu sinais de debilidade.

A famigerada “Bancada da Bola”, sustentáculo no Congresso Nacional dos interesses mais espúrios da cartolagem, sempre teve mecanismos fortes para barrar todas as tentativas legítimas e legais de avanços na área do desporto. Desta vez, falhou. As entidades dirigentes do esporte brasileiro têm lobistas em Brasília D.F. Isso é um absurdo, inaceitável, até porque essa gente é remunerada com dinheiro público, que deveria ser destinado aos atletas. Essa gente, tão bem paga, fracassou.

Não desmereço a capacidade de fazer o mal que essa gente possui. Claro que os cartolas, lobistas e toda gente que vive ao redor deles, tais como “agentes de turismo”, “corretores de seguros”, “empresas de catering”, “intermediadores” e “consultores” não medirão esforços para tentar anular os progressos obtidos. Mas será muito mais difícil. Sob a liderança da ONG Atletas do Brasil e vigilância constante da imprensa, o povo está atento.

Que a Medida Provisória aprovada hoje seja apenas o passo inicial de uma grande reformulação dos conceitos do esporte. Vedar reeleições indefinidas é importante. Mas não é tudo. Precisam deixar de querer construir a casa pelo telhado e criar uma política de Estado para o esporte do País, pensar o esporte como um elemento formador do desenvolvimento humano e de saúde pública. Podiuns olímpicos, de verdade, são coisas de menor relevância e consequência natural, a longo prazo, de um trabalho de massificação bem conduzido por todos envolvidos.

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