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  Depoimento do atleta olímpico Márcio Wenceslau agora pouco no programa Histórias do
 Esporte da ESPN:

  “…os meus resultados estão vindo de acordo com o que eu investi com verba do meu
   próprio bolso. Cheguei a vender meu carro, fazia rifas junto com meu irmão Marcel, já
   fui office boy, vendedor de jóias, tudo para arrecadar dinheiro para investir em
   competições e intercâmbios internacionais.”

 
  Títulos e medalhas conquistadas por Márcio Wenceslau:

  – Vice-campeão mundial – Madri – 2005 ;
 
  – Tri campeão pan-americano – (2010, 2008, 2006) ;
 
  – Vice-campeão dos Jogos Pan-Americanos – Rio de Janeiro 2007 ;
 
  – Terceiro colocado no ranking mundial e eleito pelo COB o melhor atleta de taekwondo
    do Brasil em 2010

   

31/05/12
O “DESCASO” no Brasileiro Júnior/Sênior: rumo a 2016?

Olá caros amigos…

Prometo nas próximas palavras não inventar e principalmente, não aumentar nada em todos os relatos que citarei.

Estamos em Brasília no Campeonato Júnior/Sênior, provavelmente, nossa próxima geração olímpica que estará representando o Brasil em 2016, sendo assim, ainda esbarramos em algumas “poucas” dificuldades que todos clubes, treinadores, e atletas estão a mercê quando é colocado um Campeonato desorganizado e desestruturado desta magnitude em uma cidade como Brasília.

Bem, segue abaixo alguns relatos do que estamos encontrando aqui em Brasília:

1) Congresso Técnico com o representante “tapa buraco” como ele disse da CBDA: Sérgio Silva

2) Foi dado aos técnicos um balizamento, que na verdade, não valia nada pois o mesmo foi feito antes dos cortes… ABSURDO!!!:

3) O novo balizamento é dado em todas as etapas para os técnicos… e mesmo assim, sempre com problemas;

4) No Parque Aquático, piscina de competição semi-fria, tanque de soltura gelada e sem raias;

5) Caixa de som estourada, distorcendo o som e atrapalhando em muito os aquecimentos e o entendimento do que se fala no Complexo;

6) Placar apenas com 1 display e colocado em um lugar que a única pessoa que não consegue ver o resultado é o atleta que nadou…

7) As placas da cabeceira oposta da piscina soltas e sem o cabo necessário para uma simples homologação de tempo na abertura de revezamento, isso falado pelo Árbitro Geral quando indagado: “Esqueceram os cabos…”

8) Balizas sem lixa ou placas, destreinando equipes que possuem saídas de revezamentos 0.10 e menores, e desclassificando no olho, irregularmente times provado em filmagens;

9) Iluminação do complexo extremamente fraca e prejudicando a mesma dentro da piscina

10) Banheiros inutilizáveis pelos nadadores e com muita falta de higiene.

Todos podem acreditar que esta é a realidade que estamos vivendo aqui em Brasília, hoje após as eliminatórias da segunda etapa foi feita uma reunião entre os técnicos pressionando os responsáveis contra tudo isso citado acima, pois está interferindo diretamente no resultado dos atletas, mas alguém sabe quem é o responsável? Todos vocês imaginam como vai acabar isso né? Enfim, quero dar aqui meus PARABÉNS para iniciativa do GRÊMIO NÁUTICO UNIÃO, que ao invés de estar aqui sofrendo tudo isso, utilizou esta verba e foi para uma competição INTERNACIONAL NA ARGENTINA… ahhh que inveja! Iniciativa que deveria ser copiado por todos NÓS, clubes que desenvolvem natação com amor, suor e investimento.

Vamos ver até quando a geração 2016 sofrerá o DESCASO imposto por nossos comandantes… será esse o caminho? Será através de Campeonatos como este que estaremos alimentando a nossa nova geração olímpica? Será que o CTN esta realmente sendo ouvido e respeitado? Alguém consegue responder esta pergunta ou vai fugir da alçada de todos?

Aguardem, pois já dizia um eterno e grande amigo meu: “NADA ESTÁ TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR!”

Pelo ex-nadador olímpico e treinador Marcelo Tomazini

Uma parcela significativa de dinheiro público das loterias federais será destinada diretamente aos clubes formadores de atletas. Acho justo. Os clubes são a célula mater do esporte brasileiro. O repasse do dinheiro será feito por meio da Confederação Brasileira de Clubes. A forma como isso acontecerá ainda depende de regulamentação por parte pelo Congresso. Espero que isso ocorra rapidamente.

Além de ter que prestar contas de cada centavo de dinheiro público que receberem, ainda acho que os clubes terão que ser obrigados a dar à sociedade a contrapartida. Em minha opinião, isso deverá ocorrer obrigando os clubes a aumentarem o contingente de sócios militantes em seus quadros. Sei que muitos clubes já dão atenção a isso e possuem militantes. Mas ao receberem dinheiro do povo, é uma obrigação moral, social – e, espero, venha a ser também legal – aumentar esse número.

Muitos clubes ainda enfrentam o problema de que sócios que não têm apreço pelo esporte, reclamam do dispêndio de dinheiro para a manutenção dos sócios atletas. Mas sem isso, o esporte brasileiro estaria ainda mais atrasado.

Tomara que a injeção de dinheiro público nos clubes formadores não seja apenas um movimento para acomdar interesses políticos. O Comitê Olímpico Brasileiro reclamou muito quando surgiu a ideia de dar aos clubes formadores uma parcela do dinheiro público das loterias federais. O Comitê não queria ter sua parcela de dinheiro diminuída. E conseguiu que o dinheiro público dos clubes não saísse de sua quota. E também não queria o Comitê que dinheiro público fosse enviado diretamente para os clubes. A intenção do Comitê Olímpico Brasileiro era a de monopolizar os recursos públicos em sua caixa, para não perder poder. Por isso é que eu digo, também, que o Comitê Olímpico Brasileiro não pensa no esporte, mas nele próprio. Nesse pleito, felizmente, o Comitê Olímpico Brasileiro fracassou.

Espero que o dinheiro público que vá para os cofres dos clubes formadores faça parte de uma política de estado para o esporte brasileiro.

É comum ver atletas brasileiros que durante o ciclo olímpico saem-se muito bem em várias competições. E ao chegarem à Olimpíada não têm peformance satisfatória. Vários fatores podem contribuir para isso. Mas um deles, em especial, deve ser notado.

As competições desportivas no Brasil e na América do Sul das variadas modalidades olímpicas são, na grande maioria das vezes, muito mal organizadas. A comida é ruim, o transporte é falho, o cerimonial é pobre, as provas impontuais e a pouco público que aparece para assistir é mal acomodado, apenas para citar alguns aspectos. quem
freqüenta as competições desportivas no nosso país e continente sabem do que eu estou falando.

Isso é fruto da imprevidência. O grande problema é que atletas, técnicos e mesmo dirigentes, em vez de reclamar e agir para melhorar a organização desses campeonatos, acabam por improvisar, viram-se como podem e, ainda que involuntariamente, acostumam-se com as coisas ruins.

Quando esses mesmos atletas chegam aos Jogos Olímpicos encontram cenários completamente distintos. Uma organização quase perfeita, rígida, regras, pompa, circunstância e platéias bem acomodadas nas praças esportivas, formada por gente que está acostumada a ver esportes e, portanto, têm mentalidade olímpica.

Acredito que esse mundo totalmente distinto provoca algum impacto emocional em nossos atletas. Acostumados com a desorganização de casa, quando entram em eventos grandiosos, sentem-se feito um peixe fora d’água. É como um morador de rua que é convidado para um banquete no palácio real. A pessoa chega lá achando que aquele não é o seu habitat.

Que não se diga que a participação dos atletas brasileiros em competições internacionais supre essa falha. Ainda são muito poucos aqueles que têm a possibilidade de vivenciar experiências em grandes
competições fora do Brasil. E, como já citado, ainda que vivenciem um pouco as provas no exterior, o fato é que, na própria casa, no Brasil, aonde os atletas tiveram sua formação, a desorganização prevalece.

A cartolagem nacional e sulamericana deveria ter o cuidado de fazer as competições muito mais organizadas. Isso ajudaria muito o esporte e os atletas.

Quando o governo federal teve certeza de que a Copa do Mundo de Futebol, se não houvesse alterações de rumos, seria vejatória e escandalosa, decidiu interferir. Botou o Ricardo Teixeira para correr. Deu novas diretrizes ao Ministério do Esporte, uma vez que Orlando Silva, defenestrado do cargo antes de Teixeira, estava altamente comprometido com tudo aquilo que a Presidenta Dilma não queria mais. Foram ações tardias. Mas melhor fazê-las do que deixar a vaca da Copa ir direto para o brejo. A partir daí as coisas melhoraram um pouco, nem que seja simplesmente a imagem.

Pois a Presidenta deveria fazer o mesmo com relação ao Comitê Olímpico Brasileiro e aos Jogos Olímpicos de 2.016. A questão é que o Brasil não tem mentalidade olímpica. A monocultura do futebol tem ofuscado a Olimpíada. As autoridades estatais brasileiras não têm noção do que são os Jogos Olímpicos. Não têm idéia da complexidade que é organizar uma competição como essa (não têm mesmo!). Tenho a impressão de que as autoridades brasileiras veem Jogos Olímpicos como uma “grande gincana”. A falta de cultura olímpica dos governantes é um dos fatores que fazem os Jogos Olímpicos de 2.016 ficarem em segundo plano.

Quando a Presidenta Dilma, quem julgo estar bem intencionada, aperceber-se de que será necessário, também, intervir no Comitê Olímpico Brasileiro (que vive de dinheiro público) e na organização dos Jogos Olímpicos, será tarde.

Apenas para citar um exemplo, hoje a Folha de São Paulo traz mais uma matéria sobre o escândalo jurídico e financeiro que querem imputar ao povo do Rio de Janeiro, ao insistir na construção do campo de golfe na tal Riserva Uno. Esse é um escândalo tão grande quanto àqueles que levaram a Presidenta Dilma Rousseff interferir na Copa do Mundo.

Uma vez que o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos em 2.016, é importante que o país adquira educação olímpica. E uma das maneiras de se fazer isso é mostrando na televisão campeonatos nacionais das diversas modalidades. É muito bom ver que os principais jogos do Novo Basquete Brasil são transmitidos ao vivo, mesmo que ainda seja em televisão fechada.

Lembro-me que durante os Jogos Panamericanos do Rio 2.007, no atletismo, enquanto um atleta de outra nação concentrava-se para saltar, o estádio inteiro gritava, para atrapalhar o competidor. Eese comportamento não é adequado para o atletismo. Cada esporte tem suas próprias características, inclusive a maneira de torcer.

Será excelente se a intenção de transmitir modalidades olímpicas não se restrinja a poucas. E nem que sejam ocasionais. Até 2.016 será de bom alvitre se a população conhecer a maior parte das modalidades que integram o programa olímpico. Todo esporte tem a sua beleza e emoção. Quando a população tem contato com vários esportes, isso também é um estímulo das pessoas a praticá-los. Esse também é um dos caminhos para massificar os esportes. De onde, mais tarde, podem surgir campeões.

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