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Nada mais ridículo do que o discurso oficial de que o Brasil fará “a Copa das Copas.” Não fará, não somente porque as construções prometidas para melhorar as cidades não foram feitas, bem como porque a roubalheira que envolveu a construção dos estádios indignou o povo do País. São manchas indeléveis de uma Copa odiosa, feita ou por bobalhões desfrutáveis, ou por gente muito mal intencionada.

Os políticos estão mais uma vez atemorizados com os movimentos populares que virão das ruas em repulsa às aberrações da organização da Copa e ao despêndio fácil de dinheiro. Com o dinheiro de um estádio poder-se-ía construir pelo menos dois hospitais públicos de boa qualidade em lugares em que o povo é desasistido de saúde. Como disse-me essa semana um amigo estrangeiro, ligado ao esporte, “nós pensávamos que o Brasil era o país do futebol e que pela Copa o povo aceitaria tudo. Mas vimos que não é bem assim.” Acho que os políticos também avaliaram mal. Pensaram que “a pátria de chuteiras” engoliria a roubalheira e as promessas não cumpridas.

A Copa das Confederações foi um aperitivo do que será durante a Copa do Mundo. Não restam dúvidas de que durante a Copa do Mundo o brasileiro sairá às ruas não somente para torcer (como é comum em qualquer Copa), mas para veementemente protestar em alto e bom som, para o mundo inteiro ver o seu sentimento de indignação pelo despautério que terá sido a preparação da Copa.

A lógica dos políticos foi um estádio superfaturado para cada time e um hospital vagabundo para cada milhão de pessoas. Não há como não se revoltar contra isso.

E a revolta não será apenas contra o partido do poder federal, mas contra todos os políticos, de todos os partidos que, desavergonhadamente, uniram-se em torno dessa falácia chamada Copa do Mundo que, por tão mal organizada, deixará, tenham certeza, lacunas gravívissimas na sociedade e na economia do Brasil. Poucos políticos tiveram coragem e dignidade de criticar a organização da Copa do Mundo.

Repito e não me cansarei de fazê-lo, como faço desde o primeiro dia: A Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos juntos serão o maior escândalo financeiro e moral da história da República.

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É Sintomático.

janeiro 24, 2014

Nuzman já há muito tempo não vinha sendo recebido pela Presidenta Dilma Rousseff, o que lhe deixa muito incomodado. Pediu ao Governador Sérgio Cabral que intercedesse em seu nome junto à Presidenta, para ser recebido. Não adiantou e Nuzman seguiu encostado.

Com a vinda de Thomas Bach ao Brasil, presidente do COI, não havia como Dilma recebê-lo e proibir a entrada de Nuzman no Planalto.

Mas antes da reunião e das fotografias protocolares, a Presidenta teve reunião de portas fechadas com seu staff, o Presidente do COI, o Presidente da Autoridade Pública Olímpica, General Fernando Azevedo Silva e o Governador Sérgio Cabral. Nuzman não entrou na sala.

A atitude da Presidenta é sintomática com relação ao presidente do COB.

Hoje dois brilhantes jornalistas, Juca Kfouri e Bernardo Itri, denunciam na Folha de São Paulo que despesas no importe de R$ 870 milhões que deveriam ser do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (“COL”) foram repassados aos Estados e às Cidades. Isto é, quem pagará essa conta será o povo brasileiro, como se já não bastassem os excessivos gastos com os estádios megalômanos que, sem dúvidas, em sua grande maioria, serão elefantes brancos.

Tão grave quanto repassar essa conta ao povo é o COL e os governos fazerem isso escondidos. Não fosse a competência dos dois jornalistas e do jornal, talvez nunca soubéssemos disso.

Eu acho que a tentativa de fazer isso na calada da noite é mais uma demonstração de que a organização dessa Copa não é nem um pouco transparente.

Feita essa denúncia, o povo tem que protestar e cobrar explicações. O governo e a FIFA estão morrendo de medo que na Copa do Mundo repitam-se os protestos populares da Copa das Confederações. Desse jeito, os protestos deverão ser muito maiores.

O meu mantra de alerta tem sido “Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas juntas serão um dos maiores escândalos financeiros da história da República.”

Alberto Murray Olímpico

Começo dizendo que aquele que concordar com este texto que, por favor, divulgue-o na internet. Vamos fazer um grande movimento popular pela derrubada de Carlos Arthur Nuzman.

Um mês fora do Brasil. Baterias regarregadas. Nada como recomeçar meus escritos dando, como de costume, uma traulitada na administração de Carlos Nuzman na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”). Alguns jornalistas, por quem tenho enorme apreço dizem-me “não bate muito, diretamente, porque o cara pode por-se na condição de vítima, do perseguido, injustiçado.” Como técnica jornalística eles têm razão. Tem que minar o cara pelas bordas. Mas duas razões me fazem ousar desrespeitar os ensinamentos desses grandes mestres: (a) não sou jornalista e, tampouco, tenho pretensão de sê-lo. Não tenho categoria para isso; e (b) Nuzman, o caricato, é o meu personagem favorito. Para meu deleite, ele tem o perfil exato para traçar cartoon. Seus trejeitos, piscadelas, sacudidas de cabeça, desejo descomunal…

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Ano Novo No Esporte.

janeiro 13, 2014

Começou 2.014 e assim me pergunta um amigo:

1) O Nuzman já caiu (ou pediu o boné) ?

2) O Governo Federal já implantou a tão pedida política de Estado de esporte ?

3) Já criaram um programa de esporte escolar (a exemplo do que existe em Cu-
ba e EUA) ?

4) Já criaram um programa de esporte universitário (a exemplo do que existe nos
EUA) ?

5) Já criaram um circuito de competições escolares e universitárias (durante TO-
DO período letivo) a exemplo do que existe nos EUA ?

6) Já anunciaram parceria(s) e/ou convênio(s) com as AABB, com o SESI e o
SESC para que os estudantes da rede pública de ensino possam aproveitar a
infraestrutura esportiva dessas instalações ?

7) Já democratizaram as transmissões esportivas (sobretudo dos esportes olím-
picos) praticamente secretos para a maioria da população ?

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos, o USOC é o mais poderoso do mundo, esportiva e politicamente, conseguindo concessões do COI que nenhum outro sequer sonha em obter.

Pois bem, o USOC tem a salutar tradição de alternar seus presidentes, como é normal em qualquer ambiente democrático.

De 1.995 até hoje o USOC teve seis presidentes, conforme informações que recebi por escrito do próprio órgão. São eles:

– LeRoy T. Walker;
– William J. Hybl;
– Marty Mankayer;
– William C. Marty;
– Peter Victor Ueberroth; e
– Lawrence R. Probst, III.

Nuzman, que está na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro desde 1.995, justifica publicamente que é necessário que um cartola fique por muito tempo no cargo para ganhar respeito, credibilidade e ficar conhecido, para o bem do esporte do país.

Na falta de outra bobagem, Nuzman usa esse argumento débil, como se nós todos fossemos tontos em acreditar que quanto mais ele ficar no COB melhor será para o olimpismo do Brasil.

O USOC prima pela excelência e, apesar de não receber dinheiro público, também faz questão de ser transparente em seus contratos privados de patrocínio. Toda vez que houve suspeita de falta de transparência nos negócios do USOC, seus presidentes e CEOs contratados sairam. No Brasil, em que o COB é sustentado com dinheiro federal, os contratos não são publicados e não sabemos quanto os brasileiros pagam de salários para os altos executivos, ou para consultores externos sabidamente caríssimos, como Steve Roush e Sue Campbell.

E para complementar a lambança, não há alternância de poder no comando do COB.

As diferenças entre os Comitês Olímpicos dos EUA e do Brasil mostram como a nossa patota olímpica é atrasada e, por isso, os resultados obtidos são muito aquém do que se poderia ter.

Há cerca de um ano ouvi no rádio, em Barcelona, que eleições haviam se realizado para a presidência do Comitê Olímpico Espanhol. Tinha um candidato único. Mas chamou minha atenção o número de vontantes no colégio eleitoral. A matéria ainda dizia que, apesar de candidato único, a votação fora secreta e que o presidente teve vários votos contrários à sua reeleição. Desde 1.995 até hoje, o Comitê Olímpico Espanhol teve quatro presidentes, a saber: (a) Carlos Ferrer Salat; (b) Alfredo Goyeneche Moreno; (c) José Maria Echevarria y Arteche; e (d) Alejandro Branco Bravo.

O Comitê Executivo do Comitê Olímpico Espanhol é composto por 25 pessoas. Os membros da Assembleia Geral são 124 pessoas, com direito a voto. Esses membros são representantes de variados setores, dando à Assembléia ampla legitimidade.

No Brasil, no mesmo período, temos tido como presidente do nosso Comitê Olímpico, exclusivamente, Carlos Arthur Nuzman, que faz de tudo para não deixar o cargo. O colégio eleitora que o elege é composto somente pelas Confederações dos esportes olímpicos, o que resulta em um diminuto número de eleitores, fazendo do pleito um verdadeiro voto de cabestro. Além de tudo, Nuzmam ainda insere no estatuto no COB cláusulas casuísticas para, senão impedir, dificultar em muito que surjam outras candidaturas.

Se Nuzman adora comparar sua gestão com os mais avançados Comitês Olímpicos do mundo, deveria espelhar-se naqueles que apregoam a democracia e transparência, como ocorre nos Países europeus, nos Estados Unidos, Canadá e outros.

Nuzman mais parece presidente de Comitê dessas republiquetas de bananas, de regime ditatorial, coisa que o Brasil definitivamente não é. Por isso que Nuzman é o atraso no Brasil moderno. Precisamos arejar as estruturas do esporte brasileiro.

O exemplo da Espanha é apenas um deles. Há muitos outros no mundo.

Vejam o link da estrutura administtativa do Comitê Olímpico Espanhol e comparem com a capitania hereditária do Nuzman.

http://www.coe.es/2012/COEHOME2012.nsf/FCOE2012?OpenForm

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