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Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2.009.

Caríssimo Presidente Gesta,

Que bom poder ter um dirigente que tenha disposição em dialogar com a sociedade. Esse é um exemplo que deveria ser seguido.

Sobre sua gentil resposta, novamente, permita-me, por favor, comentar o que se segue:

1 – Sim, acho baixo o número de medalhas obtidos pelo Brasil nesses anos todos, não somente em Jogos Olímpicos, mas sobretudo em Campeonatos Mundiais. Podemos notar que nesses 25 anos, o avanço em termos de resultado foi mínimo, considerando o tempo decorrido (um quarto de século) e o fim do amadorismo (até o final dos anos 80 o Comitê Internacional Olímpico ainda impunha restrições ao profissionalismo), que possibilitou canalizar aos Atletas maiores recursos. Acho que poderíamos ter feito muito mais. Outros Países muito menores cresceram muito mais no atletismo.

2 – Concordo que a culpa não está, necessariamente nas Confederações. Concordamos, eu e Você, que o Brasil nunca teve qualquer tipo de política esportiva de longo prazo. E, como bem Você diz, não nos parece que algo vá mudar em um futuro próximo. Este governo, assim como os anteriores, são inoperantes com relação aos esportes. E as Confederações sempre ficaram à mercê de sua própria sorte. Estamos plenamente de acordo que são necessárias medidas radicais para que o nosso País possa iniciar uma jornada cujos resultados surgirão a longuíssimo prazo. Entretanto, as Confederações e o Comitê Olímpico deveriam unir-se para pressionar os governos a criarem essa tal política, tão desejada por todos. Sou contra as Confederações e o Comitê Olímpico bajularem Ministros incompetentes, preocupados com as próximas eleições, ou com a manutençãob de um empreguinho público qualquer. Não vejo o Comitê Olímpico mexer uma dedo sequer pela elaboração da política esportiva federal.

3 – Sobre a nossa participação em Pequin, sua análise é compreensível. Como disse, as estatísticas podem ser feitas sob vários ângulos. Pessoalmente, não acho correto justificar o nosso fracasso, comparando-nos com outros que também flahram. Não amâina a nossa situação de penúria dizer que, além de nós, a Suécia, China e Alemanha também foram mal. Isso apenas signfica que, nesses Países, que um dia foram potências esportivas, algo também está sendo feito errado no atletismo. Aliás, os Países que Você mencionou, muito mais avançados que o Brasil, há muito tempo deixaram de ser referência no atletismo. O foram no passado. A China nunca foi potência mundial no atletismo. Por outro lado, enquanto esses Países decaiam, novidades surgiam no cenário mundial, Jamaica e outros Países caribenhos em provas de velocidade e os africanos em provas de fundo e meio fundo. De qualquer forma, o fato é que, em minha opinião, vinte e cinco anos é muito tempo. Poderíamos ter criado muito mais. Se comparados os últimos 25 anos com os 25 anos anteriores, veremos que o avanço foi mínimo em termos de resultados internacionais e na massificação do atletismo.

4 – Sobre a ajuda financeira que Você e sua família deram à Confederação, é um ato também louvável e que não é raro na história do esporte nacional. Você não é o único. Aliás, essa é uma das razões pelas quais ainda estamos tão atrasados e mostra o descaso dos governos aos lomgo dos anos. Conheço muito bem essas histórias. Não foram uma, nem duas vezes que meu avô empenhou seus próprios bens pessoais junto à instituições financeiras para levar nossas delegações, no peito e na raça, a Jogos Olímpicos e Pan Americanos. Há algum tempo atrás a Folha de São Paulo fez uma boa reportagem sobre isso. Ainda bem que sua família, de posses, não teve que recorrer a bancos para sanear as contas da CBAt. Se voltarmos na história do esporte, veremos muitos exemplos de abnegação. No remo, por exemplo, os Atletas faziam das casas de barco a sua própria morada. Gastavm seu próprio dinheiro para treinar. E é por atitudes como esta que o esporte nacional, ignorado pelos governos, não desapareceu.

5 – Que bom que a CBAt está investindo em projetos sociais para descobrir talentos. Esse é o caminho. Esse é o primeiro passo. E não a intenção que o Comitê Olímpico tem de construir mais um “elefante branco”, o tal centro de excelência esportiva. Vamos começar ajudando esses Professores que já possuem seus trabalhos. Valerá muito mais do que a construção de mais uma obra megalômana, com dinheiro saindo pelos ralos. Os centros já existem espalhados pela nação.


6 – O correto é mapear os projetos sociais esportivos que existem no Brasil e ajudá-los a desenvolver não somente talentos, mas gerações que entendam que o esporte é elemento fundamental na formação da pessoa e, consequentemente, da nação. Uma ajuda aqui e ali fica com cara de coisa paternalista que não cria Atletas, maus quando muito uma clientela.

7 – Aliás, seria excelente se a CBAt publicasse sempre em seu sítio na internet os critérios para que um projeto social fosse atendido. Há inúmeros no Brasil que reclamam falta de assitência, sendo que vários deles, como demonstrei, já revelaram talentos.

8 – Em breve, pretendo enviar-lhe uma lista de vários projetos sociais de muita seriedade que estão absolutamente desasistidos. Quem sabe não poderão, também, integrar a lista daqueles que a CBAt ajuda.

9 – Alguns deles dizem não receber verbas porque não têm simpatias políticas seja pelo Comitê Olímpico, seja pela CBAt. Assim, estariam sendo discriminados. De novo, não posso citar as fontes, pois me pedem silêncio, de forma que as retaliações cessem.

10 – Que bom que Você é a favor da ampliação do colégio eleitoral. Ocorre que dificilmente essa legislação será aprovada no Congresso Nacional. Até porque o Comitê Olímpico faz lobby contrário a ela. Tudo que for para demoratizar o esporte, o Comitê Olímpico é contra. Fez de tudo para impedir a CPMI Olímpica quando todos questionam porque o Pan Americano foi super faturado em 1.000% e não deixou uma única estação de metro para a Cidade do Rio de Janeiro, luta bravamente para que não haja limite de reeleições para os poderes desportivos e mantém aquele artigo 26 em seus estatutos, que é um escárnio, um deboche sem precedentes. Sendo Você a favor, permita-me sugerir que na CBAt implante, desde já, a ampliação do colégio eleitoral, o limite de reeleições a vigorar já para o atual mandato. Saia na frente. Seja vanguardista. Se o Congresso Nacional é tacanho, deixe-o falando sozinho. Modernize a CBAt. Se assim o fizer, suas atitudes serão muito bem recebidas pela sociedade, pela imprensa. Deixe de lado o Comitê Olímpico e seus interesses imediatistas e pessoais, suas obras elitistas. Deixe para trás o conservadorismo e alinhe-se àqueles que desejam mudanças. Não é necessário temer o Comitê Olímpico, hoje uma entidade sem credibilidade entre os Atletas e Técnicos. O que ouço é que de 1.995 para cá o Comitê Olímpico passou a ser ema entidade organizadora de eventos, com o intuito de dar lucro e promover a imagem pessoal do seu presidente. E distribuidora de camisas. Essas palvras não são minhas,mas de renomado e atuante Técnico dos nossos esportes. O Comitê Olímpico não é transparente.Tem medo de debater. Já fugiu de debates comigo, com Juca Kfouri (este muito melhor do que eu) e não dá entrevistas a quem não lhe seja simpático. 

11 – Se Você também acha que o esporte brasileiro precisa de mudanças extremas e a criação da tal política esportiva, não hesite em levar adiante as mudanças que disse ser favorável. Vamos acabar com aqueles que descobriram os cagros de dirigentes esportivos como fonte de renda pessoal e que vivem indevidamente em torno dele, como agências de turismo, corretoras de sguros, consultorias no Brasil e no exterior, venda de ingressos, tudo sem licitação pública. Tenho muita fé de que os processos ora em curso no Ministério Público Federal punam os culpados.

Mais uma vez obrigado pela atenção.

Muito cordialmente.

Alberto Murray Neto

Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2.009.

Carlos Nuzman,

Estamos no último dia do ano. Sinceramente, espero que daqui um ano, Você não mais esteja à frente do Comitê Olímpico Brasileiro.

Sei que seu atual mandato termina no final de 2.012, após os Jogos de Londres. Mas gostaría muito que Você saísse antes. Não somente eu. Pode ter a certeza de que meu pensamento é o mesmo da maior parte da imprensa especializada, a esmagadora maioria dos Atletas, Técnicos e da comunidade esportiva em geral.

Se Você desse chance aos nossos desportistas de votarem livremente sobre a sua permanência, não tenho dúvidas de que as urnas demonstrariam a vontade de renovação.

Ocorre que quem no Brasil depende do esporte para viver, tem medo de Você. Acham que se expressarem livremente suas opiniões, serão perseguidos. Eles devem ter seus motivos reais para pensar assim. Confesso que se fosse eu o presidente do Comitê, teria vergonha de ser visto dessa maneira. Tenho ojeriza a qualquer tipo de autoritarismo e me faria muito mal saber que sou temido simplesmente pelo poder que um cargo poderia me conferir.

Você também sabe que nem mesmo as Confederações Olímpicas o apoiam unanimente. Elas nunca lhe dirão isso, pelos mesmos motivos dos Atletas e Técnicos. Mas de bobo Você não tem nada. E, certamente, já percebeu que há muito tempo deixou de ter a simpatia irrestrita do seu colégio eleitoral. Se houver entre eles alguém corajoso, que resolva enfrentar-lhes nas urnas, Você sabe que não terá vida fácil. Desde que, claro, da próxima vez, as eleições sejam feitas às claras, com editais publicados em jornais de grande circulação e como manda o figurino democrático.

Não vamos tapar o sol com a peneira. Você sabe que as duas últimas eleições pecaram pela falta de transparência. Por mais que Você tenha seus argumentos, no fundo, lá no fundo, Você sabe que não agiu de maneira democrática. Assim não fosse, não teria toda a imprensa do Brasil sentado-lhe o cacete, criticando-lhe severamente a respeito da maneira como conduziu os dois mais recentes pleitos. Vamos falar de homem para homem, corajosamente. Sem que se tenha que inventar compromissos de última hora para não debater comigo no Senado Federal.

Você deve ter a humildade de entender que a vitória do Rio 2.016 não lhe dá salvo conduto para fazer o que quiser e achar que a presidência do Comitê lhe é um cargo vitalício. Tenho na memória uma pergunta que lhe fez um competente repórter da ESPN Brasil logo após a vitória do Rio, na Dinamarca. Queria saber o Jornalista se em 2.016 Você ainda seria o presidente do Comitê. Além de não lhe ter respondido, Você olhou para o perguntador com ar de desprezo, como quem diz id“que pergunta idiota”. A falta de educação não foi apenas com quem ali tentava executar o seu ofício. Mas, também, com todos os seus pares, membros do Comitê, presidentes de Confederações Olímpicas, como se nenhum deles tivesse condições de assumir tão importante cargo.

Peça à sua assessoria de imprensa para fazer-lhe uma coletânea na internet de todos os jornalistas sérios e demais amantes do esporte que possuem seus Blogs na rede. Pode deixar de fora este boboca aqui que ora lhe escreve. Mesmo após a vitória do Rio 2.016, não há um único que tenha lhe dado um voto de confiança. Alguns louvam a vitória Olímpica, mas ainda assim acham que a coisa andaria melhor sem a sua presença. A experiência do Pan Americano foi traumática, sobretudo no que diz respeito à prestação de contas do dinheiro público. Não é exagero meu, não. Procure saber o que os colunistas escrevem a seu respeito. Basta dar um “google” e Você encontrará uma profusão de artigos a seu respeito.

É claro que ao esperar que Você deixe o Comitê já em 2.010, portanto antes do final do seu mandato, não significa que estou propondo um golpe de estado. De forma alguma. Estou sugerindo que Você tenha a grandeza de, ao ler o que escrevem a seu respeito, fazer um exame de consciência e compreender que a sua hora chegou. Renuncie. E ao fazê-lo, proponha mudanças profundas nas diretrizes do Comitê.

Mude os estatutos, principalmente aquele famigerado artigo 26 que Você colocou para ter garantias de perpetuação no poder, dando a impressão de que o Comitê é um órgão com fim em si próprio. Amplie o colégio eleitoral. Como escreveu o corajoso nadador olímpico do Pinheiros, Eduardo Fischer, quem não deve não teme. Então não tema. Proponha dar voto aos Atletas, aos clubes formadores, às Federações dos Estados, a representantes da imprensa especializada, das forças armadas e da sociedade civil, todos que formam a grande comunidade esportiva no Brasil.

Sugira acabar com os atuais critérios de distribuição de verbas públicas que Você recebe da Lei Piva, do Ministério do Esporte, em que os mais ricos ganham mais e as Confederações que Você julga sem tanta importância recebem bem menos.

Peça ao seu sucessor que faça um Comitê menos elitista, que elabore um projeto que abrigue uma agenda social ampla, que promova a inclusão social através do esporte na escola elementar e nas comunidades pobres. Algo que gere frutos para as gerações futuras e nada de imediatismos. Tanto dinheiro público que o Comitê recebe não pode ter seu destino dirigido por uma só pessoa.

Também saia deixando abertas as portas das construções feitas para o Pan Americano para que se estabeleça naquelas praças de esporte escolas para que a população carioca possa usufruir, com Professores de Educação Física ensinando a nadar, correr, pedalar, arremessar. Isso também gerará mais empregos e valorizará o profissional da Educação Física, Classe que também não lhe nutre grandes simpatias.

Já que os Jogos vêm aí,  o Rio 2.016 pode ser uma excelente oportunidade para a Cidade e para os esportes, desde que feito de forma tranparente, competente, social, para agradar os brasileiros e não a cartolagem internacional. Os especialistas na questão, com todo respeito, não acreditam que Você seja a pessoa mais capacitada para coordenar esse projeto. Não é possível que todos estão errados e somente Você esteja certo.

Saia do Comitê. Curta seus últimos três anos como membro do Comitê Internacional Olímpico, antes de completar 70 anos.

Peça demissão e convoque eleições democráticas, amplas.

Tenho certeza de que esse pensamento é acompanhado pela enorme maioria que vive o esporte.

Seja grande nesse final. Há muita gente competente no esporte para tocar o Comitê e o Rio 2.016.

Saudações Olímpicas.

Alberto Murray Neto

Prezado Dr. Murray :

   Li, há pouco, em seu blog, os comentários feitos à mensagem que lhe enviei sobre o seu artigo “A Jovem Campeã Mundial e o Marketing do Rio 2006”.
   Realmente, considero o debate salutar e imprescindível para o esclarecimento de fatos e a busca da verdade. Suas posições, como as de todos que discutem as coisas do desporto, apontando possíveis falhas e indicando prováveis correções de rumo, serão sempre por mim recebidas com a devida atenção. 
   Assim, passo a prestar-lhe as seguintes informações :
1. De início, gostaria de corrigir um equívoco. A atleta Bárbara Leôncio obteve o título de campeã mundial de menores no dia 15 de julho de 2007, e não em 2005, em Ostrava, na República Tcheca, e ela vem sendo contemplada no “Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Jovens Talentos” desde 1 de janeiro daquele ano. Ou seja, seis meses antes de seu notável feito. Portanto, na verdade, a CBAt antecipou-se na ajuda à atleta, cabendo melhor, no caso, o dito popular “É melhor prevenir do que remediar”.
2. Igualmente, uma segunda correção. O excelente trabalho social feito pelo professor Paulo Servo vem recebendo ajuda financeira da CBAt anteriormente à conquista da Bárbara. Com a criação do “Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos”, em 1 de janeiro de 2006, esse Projeto, entre outros, vem sendo auxiliado. Novamente : “Deus ajuda a quem cedo madruga”.
3. Concordo inteiramente com suas colocações do item 3 de seus comentários. É para mim inacreditável que não haja uma política nacional para o desporto, especialmente no âmbito escolar, em todos os seus níveis. E não percebo (oxalá esteja equivocado), uma mudança radical imediata nesse estado de coisas, apesar dos esforços de algumas autoridades constituídas, de forma isolada. 
   E exigir-se de Confederações nacionais, que deveriam ter nas escolas a base fundamental na formação de sua futura elite desportiva, resultados exponenciais, a nível olímpico, é de um primarismo que entendo não ser compartilhado de sua parte. Mais adiante, voltarei a esse assunto.
  Por conseqüência, depende-se do trabalho de poucos profissionais abnegados dispersos pelo país, com precárias condições locais e ações isolados de clubes, prefeituras etc. Além dos Programas e recursos das Confederações, irrisórios para suprir essa imensa lacuna, que não é de sua responsabilidade direta.
4. Assim que a CBAt, em 2006, obteve recursos para a criação do “Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos”, vários Projetos foram considerados.
   Em 2006, foram atendidas 12 Entidades, assim como em 2007 e 2008; e em 2009, 20.
   Todas as vezes, a exemplo do que ocorre com os demais Programas implementados pela CBAt, foram estabelecidos critérios prévios, para recebimento do benefício.
   Para resumir o assunto, na medida do possível, em 2010, serão apoiados diretamente 20 (vinte) Centros, quais sejam :
   Categoria “A “
1. Projeto Atletas com Futuro – Abreu e Lima/PE
2. Mexam-se Talentos – Guariba/SP
3. Instituto Lançar-se para o Futuro – Curicica/RJ
4. Correndo para o Futuro – Sertãozinho/SP
5. Esporte Guarulhos – Guarulhos/SP
6. Ribeirão Preto – Ribeirão Preto/SP
7. Mangueira – Rio de Janeiro/RJ
8. Pé-de-Vento – Petrópolis
9. Organização Campineira de Atletismo-Orcampi/UNIMED – Campinas/SP
10 Rio – Rio de Janeiro/RJ
11 CASO – Sobradinho/DF
12 Associação Metodista de São Bernardo do Campo – São Bernardo do Campo/SP
13 Caldeira de Alvarenga – Santa Cruz/RJ
   Categoria “B “
1. Da Rua para a Pista e da Pista para o Brasil – Paranavaí/PR
2. Projeto Atletismo Campeão – Recife/PE
   Categoria “C “
1. Russas – Russas/CE
2. Barra do Garças – Barra do Garças/MT
3. Sorriso – Sorriso/MT
4. Atletismo Esperança – Campo Mourão/PR
5. Touros – Touros/RN
Obs. : Além desses, a CAIXA apóia alguns Centros diretamente, ou por intermédio de agências, como é o caso do Centro de Joaquim Cruz, em Brasília, e do Professor Eugênio, em Londrina.
         Também, algumas Federações Estaduais auxiliam outros Centros com recursos repassados pela CBAt no “Programa de Apoio a Federações Estaduais”. Outras, como a Paulista, têm um Programa complementar ao da CBAt, com a participação de outros patrocinadores.    
   A decisão sobre os critérios adotados partiu de Comissão instituída pela CBAt para tratar especificamente de Programas de Apoio e Centros de Treinamento para Jovens Talentos e de Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, que se reuniu duas vezes em 2009, e está assim constituída :
   Coordenador : Carlos Alberto Cavalheiro
   Atletas medalhistas olímpicos : Arnaldo de Oliveira Silva
                                              Claudinei Quirino da Silva
                                              Edson Luciano Ribeiro
                                              Vicente Lenilson de Lima
   Treinadores : Adauto Domingues
                      Roberto Ribeiro de Andrade
                      João Paulo Alves da Cunha
                      Émerson Perin
                      Paulo Servo Costa
                      Marcelo dos Santos Lima
                      Vânia Maria Ferreira Valentino da Silva
                      Tânia Fernandes de Paula Moura
                      Adriano da Costa Vitorino
                      Anselmo Antônio Pereira
                      Osvaldo Luiz Milani
                      Leandro Aparecido Cardoso
Obs. : Os treinadores que constituem essa Comissão tiveram atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e/ou de Juvenis, no período de 2005 a 2009.
   Os critérios estabelecidos pela Comissão, em 26 de setembro de 2009, foram depois referendados pelos demais atletas medalhistas olímpicos e treinadores das seleções adultas, em 27 do mesmo mês, e finalmente aprovados no IV Fórum “Atletismo do Brasil”, realizado em São Paulo, no início deste mês, por votação eletrônica, pela comunidade atlética nacional (constituída por cerca de 130 pessoas : atletas das seleções que participaram dos últimos Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais de Adultos; seus treinadores; treinadores de atletas medalhistas em Mundiais de Menores e de Juvenis; atletas medalhistas olímpicos; representantes dos clubes melhor classificados no Troféu Brasil de Atletismo anterior e Presidentes de Federações Estaduais).
   Os critérios são os seguintes :
   Categoria “A ” – Projetos que tiveram atletas medalhistas nos Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, no período de 2005 a 2009.
   Categoria “B ” – Projetos que tiveram atletas integrantes de seleções brasileiras em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, no período de 2005 a 2009.
   Categoria “C ” – Outros Centros selecionados pela acima referida Comissão.
   Os Projetos “Medalha de Ouro”, de Pernambuco, e “Crescer – Corrida para um Futuro Melhor”, do Ceará, também foram analisados pela Comissão. Por sinal, o primeiro está sendo contemplado no corrente ano. Foi decidido que, no momento, como não se sabe os valores que a CBAt vai dispor em 2010, 20 Centros estão assegurados. Caso se consiga recursos superiores ao previsto, outros polos poderão ser incluídos no Programa. De qualquer modo, no que se refere a Pernambuco, em que há uma das Federações de Atletismo mais atuantes do país, o Presidente Warlindo Carneiro da Silva Filho ficou de nos dar uma posição sobre apoio local ao Projeto. No caso do Ceará, onde a CBAt tem o seu principal Centro de Treinamento de Jovens Talentos, em convênio com a Universidade de Fortaleza – UNIFOR, e para onde estarão, em poucos dias, se deslocando dois treinadores cubanos, a idéia é procurar esses Projetos isolados para encontrar soluções compartilhadas, sem dispersão.
   Mais ainda, a CBAt espera contratar alguns dos jovens treinadores brasileiros com atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis para percorrer o Brasil visitando centenas de pequenos Centros e competições locais, em uma garimpagem de talentos, já que não podemos contar com a rede escolar para esse fim. Claro que este não é o trabalho ideal, mas é a ação possível de se executar. Vimos conversando com esses técnicos e o entusiasmo é enorme.
 
5. Sobre os corredores de saltos que tratei, de raspão, em minhas primeiras considerações, apenas para enfatizar a questão da Bárbara, procurarei explicar-me melhor. Claro que esse gesto isolado nada significa. A idéia, no entanto, é motivar as autoridades constituídas a fazer algo de concreto em favor do Atletismo, principalmente nas escolas.
   Certamente, o ideal, nesse aspecto é a construção de várias centenas de pistas Brasil afora, algumas não necessitando inclusive de possuir material sintético, pelo seu elevado custo. Entretanto, no mínimo, é possível sonhar que, ao menos, um corredor de saltos possa ser feito em muitas escolas e que isso estimule governantes a complementar essa obra com a edificação de uma pista completa.
   Nada menos que a campeã olímpica de salto em distância, Maurren Maggi prontificou-se a ser a madrinha do projeto e a  deslocar-se aos mais longínquos rincões para apoiar essa iniciativa. A CBAt está preparando, também, uma pequena cartilha elucidativa de como construir esses corredores.
   Além disso, a CBAt está pretendendo, a exemplo do que já fez em duas vezes anteriores, reunir os Secretários Estaduais do Desporto (já os de Educação, parece-me fugir de nossa alçada) para discutir o Atletismo e os planos para 2016, de forma abrangente, almejando um trabalho conjunto. Esse assunto foi tratado na Assembléia Geral Extraordinária da Confederação realizada no corrente mês, porém se chegou à conclusão que é melhor agendar esse Encontro para 2011, pois, em razão das eleições no próximo ano, poucos resultados práticos iríamos obter, eis que muitas autoridades estarão se afastando de seus cargos para disputar outros postos.
6. A realidade deve ser encarada de frente e, de fato, não é possível o Brasil pretender tornar-se uma nação olímpica sem criar um sistema desportivo integrando todos os segmentos do desporto, com ênfase para o escolar. Essa é, no meu entendimento, a tarefa principal do Ministério do Esporte ou de qualquer outro órgão equivalente.
   A propósito do Atletismo, nesses últimos 23 anos, gostaria de fazer algumas considerações, que penso só fazem reforçar algumas de suas teses, com exceção das conclusões 
   Quando assumi a CBAt, em janeiro de 1987, encontrei a Entidade falida, sem recursos para pagar o aluguel da sede e os poucos funcionários no final do mês, que estava próximo. Muito mais ainda, havia que ser reposta uma quantia significativa à época, gasta indevidamente. Não havia perspectivas de obtenção de patrocínio, não existia qualquer desportista cadastrado e nenhum critério sequer para convocação de atletas para compor seleções nacionais. Desportistas atingiam índices para Campeonatos Mundiais e para Jogos Olímpicos e não viajavam.  Não havia uma única pista sintética em condições normais de sediar um evento ou cronometragem eletrônica. Era o caos absoluto e muitos estão aí como testemunhas vivas do que ocorria. 
   Nesses primeiros anos, foram empresas de minha família que assumiram o pagamento de diversas obrigações e me garantiram cumprir todos os compromissos de campanha, entre os quais o de que nenhum atleta que obtivesse índice deixaria de representar o país, evidentemente nos eventos internacionais de responsabilidade da Confederação.
   Depois, começaram a surgir patrocínios isolados, alguns para atividades específicas como o Troféu Brasil, outros que só se concretizavam no final do ano, quando já se fazia muito tarde para a temporada.
   A partir de 1995, as coisas começaram a melhorar. O C.O.B. passou a atender  as Confederações e, na medida do possível, a auxiliá-las, criando mecanismos para captação de recursos, como se deu posteriormente com a Lei Agnelo/Piva. Mas isso, é claro, não era suficiente.
   A situação da CBAt passou a se estabilizar somente em 2001, com o patrocínio sistemático e progressivo da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL às nossas atividades. No entanto, como é notório, o Atletismo e outras modalidades só poderão alcançar outro patamar com u’a mudança nos rumos do desporto, mormente educacional. Essa deve ser a prioridade de nossas autoridades, e não o estabelecimento de metas ilusórias de conquista de medalhas em competições de altíssimo nível, sem a necessária mudança no sistema.
   De qualquer sorte, como ilustração, aponto os seguintes fatos, ocorridos nos últimos 23 anos :
   Medalhas olímpicas obtidas de 1988 a 2008 (20 anos) – 6
   Medalhas em Campeonatos Mundiais de Adultos, Indoor, de Juvenis, de Menores, de Meia Maratona e de Maratona em Revezamento e Copas do Mundo de Atletismo e de Maratona (1987 a 2009) – 48
   Esses dados, comparados com vários outros países, não é tão irrelevante. 
   Levemos em conta, por outro lado, os Jogos Olímpicos de Beijing, última edição do evento, em que se pode ter uma clara visão das dificuldades na obtenção de medalhas no Atletismo, mesmo por países possuidores de invejável sistema de organização desportiva. Em exemplo que costumo destacar, o Brasil, dentre 202 países que competiram no Atletismo, com mais de 2.000 atletas, obteve u’a medalhas de ouro (a primeira de u’a mulher sul-americana em toda a história da competição). 
   A Alemanha, que tinha 69 medalhas de ouro, a Finlândia 49, a Suécia 21, e a França e o Canadá 14, não obtiveram em Beijing uma sequer. Da mesma forma que a China, que organizou os melhores Jogos da história, dispondo de recursos incalculáveis na preparação de seus atletas.
   Somando a medalha brasileira a sete finais,  tomando em conta as condições desfavoráveis que enfrentamos e comparando esses dados com os de outras nações, não creio que se possa desmerecer o trabalho realizado, a duras penas, pelo Atletismo.
   Da mesma forma penso quanto a todo o período citado.
   Outrossim, muitos de nossos atletas são extremamente preparados e temos treinadores de primeira grandeza. Nélio Alfano Moura (único técnico campeão olímpico, na mesma prova do Atletismo, no masculino e no feminino), Luiz Alberto de Oliveira (que treinou medalhistas olímpicos de ouro de diferentes países), Carlos Alberto Cavalheiro (no Qatar, e voltando para o Brasil para somar esforços), Ricardo Antônio D’Ângelo, para citar apenas alguns, são respeitados em todo o mundo e altamente requisitados para proferir palestras e seminários. Há anos, a CBAt propicia a muitos deles a participação em campings de treinamentos com outros especialistas estrangeiros, ou traz para o país experts em diferentes especialidades atléticas. Mas precisamos mesmo muito e muito mais de intercâmbio e evolução.
   Agora, com os reflexos positivos do RIO 2016, a CBAt está encontrando diversos parceiros para colocar em prática os seus projetos. Em Uberlândia, já se encontra o Professor Luiz Alberto e cinco treinadores cubanos em atividade em um novo Centro de Treinamento de Alto Nível, que conta com a inestimável parceria do SESI de Minas Gerais. Em São Paulo, a CBAt está assinando, com o Dr. Walter Feldman, Secretário Municipal de Esportes, convênio para instalação de outro Centro de Treinamento, a funcionar no mês de março, com a conclusão da pista sintética, no Centro Olímpico, comandado pela Magic Paula, sob o controle técnico do Professor Nélio Moura. No Rio de Janeiro, já foi assinado convênio com a Marinha do Brasil para Centro de Treinamento no CEFAN, em modernas instalações.
   Novo técnico cubano, Justo Navarro, consagrado em seu país, foi liberado, poucos dias atrás, por CUBADEPORTES, para vir ao Brasil unir-se  na preparação de nossos atletas. Apresentei ao C.O.B. o nome de outros cinco cubanos, que nos interessam sobremaneira, formadores de medalhistas olímpicos. Dois ucranianos, indicados por Sergey Bubka, estão vindo no início do próximo ano, assim como dois poloneses, apontados por Irina Szewinska, a atleta com maior número de medalhas olímpicas no Atletismo e atual Presidente do Comitê Olímpico Polonês, assim como Bubka é do Ucraniano. Estão em vias de acertar conosco um treinador holandês indicado por Carlos Alberto Cavalheiro e outro bielorusso referendado por Luiz Alberto de Oliveira.
   A idéia central é dar suporte permanente e não apenas eventual a essa notável geração de novos treinadores brasileiros e seus atletas. Em princípio, os atletas permanecerão com seus técnicos, acompanhados pelos treinadores chefes de grupos de provas. 
   Sobre o medo de atletas e treinadores, o Atletismo nada tem a temer. Pelo contrário, pergunto qual é a entidade desportiva que reúne os principais integrantes de todos os seus segmentos e os consulta, nos Fóruns “Atletismo do Brasil “, por meio de escrutínio secreto, para decidir soberanamente sobre os seus programas e aplicação de recursos. Porquê alguém teria medo de apresentar sugestões de interesse de todos ? Pessoas que pensam diferente devem, essas sim, temer expor as suas idéias, que certamente protegem interesses individuais ou localizados. Não sei de melhor maneira para afastar proposições descabidas, que mereceriam imediatamente o repúdio de ampla maioria.  
7. Tratando das questões do Atletismo, que são de responsabilidade direta da CBAt, posso lhe afirmar que toda boa idéia é bem vinda e temos muito a aprender. Se você tem ou sabe de alguma sugestão concreta sobre qualquer ponto em relação a nossas ações, por favor, ajude-nos apresentando-as. Elas serão analisadas e, se as respostas não agradarem, podemos submetê-las à discussão da comunidade atlética nacional. Porquê não mudar, se algo melhor se apresenta ?
   O que penso, pessoalmente, sobre os Jogos Olímpicos no Brasil, é que podem ajudar muito na evolução do desporto nacional. É talvez a grande oportunidade de se iniciar uma mudança na mentalidade olímpica de muitos. Certamente, e disso não tenho a menor dúvida, bem mais difícil seria pensar em transformações radicais sem esse desafio.
8. Sobre o desporto escolar, já me alonguei em alguns dos itens anteriores.
9. Sobre a minha opinião a respeito da realidade do desporto nacional, também já discorri acima, em alguns momentos.
10 Eu jamais imaginei a trajetória da atleta Bárbara Leôncio como “cor de rosa”, o que seria tolice de minha parte ou de qualquer outro. Muito pelo contrário, pelo que tenho acompanhado, é uma história dificílima de superação e que está longe das condições ideais. O que coloquei sobre o assunto foi apenas a ajuda que a CBAt tem dado, direta ou indiretamente, à atleta em sua carreira.
   Fala-se, há muito, de lei para o esporte, disciplinando o voto dos atletas. Já levei essa questão, da qual sou partidário, várias vezes à Assembléia Geral da CBAt para discussão. A maioria decidiu por aguardar a regulamentação em lei, que nunca sai. Assim, propus e consegui aprovação para que os Fóruns “Atletismo do Brasil “, com todos os segmentos representados (atletas de alto nível, treinadores de seleções adultas e de atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, medalhistas olímpicos, representantes dos principais clubes e Presidentes de Federações Estaduais – cerca de 130 pessoas) decidam as questões fundamentais da modalidade, como a aprovação dos Programas e a aplicação de recursos. E essas pessoas é que podem dizer se estão ou não satisfeitas com a administração atual, pronunciando-se nas votações secretas, procedidas eletronicamente, ou da forma que bem entendam.
   Por fim, não creio que segmentos especializados da imprensa devam votar em pleitos de Entidades esportivas e nem penso que jornalistas o queiram, para não perderem a sua condição de críticos isentos, que podem se manifestar livremente sobre quaisquer assuntos.
   Atenciosamente.
   Roberto Gesta de Melo
   Presidente da CBAt   

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

OLHO NO NUZMAN !

O intragável Carlos Artur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, uma das figuras mais afetadas que já tive o desprazer de conhecer, disse hoje no Rio, com veemência, que todo o processo para a realização dos jogos Olimpicos de 2016 no Rio “será tão transparente quanto foram os dos Jogos Pan Americanos”.  Ah tá, como bem lembrou o jornalista Ricardo Boechat no “Jornal da Band” se com essa “transparência” ocorreu uma porção  de irregularidades imagine se não houvesse sido transparente. Eu definitivamente não confio num COB que tenha à frente Nuzman e seus asseclas. Olho nele !

Postado por Ricardo Soares às 20:59
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Denúncia feita por este Blog ao Miniatério Público Federal gera mais um Inquérito Civil por falta de licitação pública em contratação feita nos Jogos Pan Americanos.

http://www.prdf.mpf.gov.br/generic/ExibirPortaria.action;jsessionid=74B43A1F9D060FC6618412DB1ECD6655?portaria.id=1.16.000.003449%2F2008-70_3200

1 – Resposta de Roberto Gesta de Melo – Presidente da CBAt

Senhor Murray,

Tomei conhecimento, por intermédio do blog do jornalista José Cruz, no UOL, de artigo de sua autoria, intitulado “A Jovem Campeã Mundial e o Marketing do Rio 2016”.

A propósito, faço os seguintes esclarecimentos:

1. A atleta Bárbara Leôncio da Silva, que é a nossa jovem campeã mundial, tem 18 anos, completados em 07 de outubro último.

Ela iniciou-se no Atletismo em 2005, no Projeto “Correr, Saltar e Lançar-se para o Futuro”, criado pelo professor Paulo Servo Costa, na Escola Municipal Silveira Sampaio, em Curicica, no Rio de Janeiro.

O professor Paulo Servo, por sinal, desenvolve, há muitos anos, projetos sociais ligados ao Atletismo, que têm recebido o reconhecimento nacional e internacional, e revelado muitos atletas para as seleções brasileiras de base.

No momento, depois de muitos esforços, enfrentando dificuldades e condições adversas de treinamento, o projeto está utilizando as instalações da Vila Olímpica de Mato Alto, com pista sintética, graças à ação conjunta do Professor Paulo, do Professor Carlos Alberto Lancetta, Presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, e da Prefeitura do Rio.

2. A atleta Bárbara Leôncio recebe ajuda financeira da CBAt, desde janeiro de 2007, por intermédio do Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Jovens Talentos”. Em 2008 e 2009, essa ajuda vem sendo de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) mensais.

3. O Projeto “Correr, Saltar e Lançar-se para o Futuro”, no qual a atleta está inserida, é, por seu turno, atendido, pelo Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos”, desde a implantação deste Programa.

O Instituto “Lançar-se para o Futuro”, que é coordenado pelo pro fessor Paulo Servo, conforme informações prestadas pela Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, auxilia a atleta com o pagamento do aluguel da casa onde reside com sua família, alimentação, assistência médico-odontológica e acompanhamento nutricional.

4. Outrossim, o seu treinador Paulo Servo é partícipe do “Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Treinadores”, recebendo atualmente R$ 1.100,00 (hum mil e cem reais) mensais, justamente na qualidade de técnico específico da atleta Bárbara Leôncio.

5. Durante os Campeonatos Mundiais de Atletismo em Berlim, contatei com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a CBAt colocou à disposição da Prefeitura material sintético idêntico ao utilizado em Jogos Olímpicos para a construção de cinco corredores de salto em estabelecimentos de ensino do Rio. O primeiro a ser instalado será exatamente na Escola Silveira Sampaio, que revelou a Bárbara.

6. A atleta competiu em todos os Camp eonatos Brasileiros realizados nos últimos anos, não procedendo absolutamente a informação de que a mesma não dispunha de recursos para participar sequer de uma competição nacional, o que pode ser facilmente comprovado pela própria atleta. Em 2008, ela tomou parte em diversas competições estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo, dos Campeonatos Brasileiros de Menores, de Juvenis e Sub-23, das Olimpíadas Escolares, dos Campeonatos Sul-Americanos de Menores e de Juvenis, de dois Torneios Internacionais na Bolívia e dos Campeonatos Mundiais de Juvenis.

Em 2009, ela participou de 18 (dezoito) eventos estaduais; 2 (dois) Campeonatos Brasileiros – os de Juvenis e Sub-23 -, do Troféu Brasil de Atletismo e dos Campeonatos Sul-Americanos de Juvenis, em um total de 22 (vinte e duas) competições.

7. No momento, o Prefeito Eduardo Paes, aí sim em um dos primeiros efeitos do RIO 2016, está elaborando, com sua equipe técnica, um ousado programa d e apoio a atletas, nos quais está incluída com destaque Bárbara Leôncio.

Atenciosamente,
Roberto Gesta de Melo – Presidente da CBAt”

2 – Comentários de Alberto Murray Neto

Meu Caro Gesta,

Em primeiro lugar louvo seu espírito democrático. Sempre que necessário, Você vem a público, expor suas idéias, não fugindo ao debate democrático. Essa não tem sido a regra no comando do olimpismo nacional.  Nuzman não quis debater comigo no Senado Federal, como foi largamente anunciado. Agradeço pela resposta.

No mesmo tom, permita-me, pois, elaborar alguns comentários sobre sua resposta:

1 – Excelente saber que em 2.007 a CBAt incluiu Bárbara Leôncio e sua família em um programa de incentivo. Embora ela tenha obtido o título mundial em 2.005 e a ajuda tenha vindo somente dois anos depois, a verdade é que nunca é tarde para começar.

2 – Que bom que o trabalho social feito pelo Professor Paulo Servo tenha finalmente obtido reconhecimento e, principalmente, ajuda financeira. Como disse, nunca è tarde para começar, embora sempre tenha sido da opinião de que o amparo a esse sério projeto desenvolvido na Escola Municipal Silveira Sampaio já deveria ter começado há mais tempo. Não somente apenas após o grande resultado da Atleta Bárbara Leôncio.

3 – O trabalho do Professor Paulo Servo é mais uma prova daquilo que sempre professo. Os resultados esportivos obtidos no Brasil não são fruto de uma plataforma político esportiva, desenvolvida pelas nossas autoridades esportivas, que vá da escola elementar até as universidades, passando pelas forças armandas. O esporte vive de abnegados, como o Professor Servo que, lutando contra todas as adversidades, conseguem realizar algo e, após muito esforço, obter algum reconhecimento. Enquanto esse for o “módulo esportivo” do Brasil, continuaremos patinando em nosso resultados internacionais.

4 – A propósito, tomo a liberdade de indagar à CBAt, se além da ajuda dada ao trabalho competente do Professor Paulo Servo, o mesmo tratamento é conferido a outros projetos sociais no atletismo, igualmente sérios? Há muito deles no Brasil. Vou citar apenas dois, que já revelaram recordistas estaduais e fundista de nível nacional: (a) Projeto Crescer – Corrida Para Um Futuro Melhor, em Aratuba, Ceará; e (b) Projeto Medalha de Ouro, em Igarassú, Pernambuco.

Esses dois projetos, como escrevi acima, já revelaram talentos. Ainda não um campeão mundial. Mas poderiam revelar. Vivem de forma paupérrima, enfrentando as piores dificuldades existentes em um Pais como o nosso, em que o esporte social é relegado ao segundo plano e aonde não há mentalidade Olìmpica.

Valeria à pena, Caro Gesta, uma visita sua a esses dois locais. Temos tentado contacto com ambos ultimamente e ainda não obtivemos respostas. Nosso receio (nosso porque o receio é de um grupo que pensa no esporte social) é que ambos não tenham sobrevivido à agruras e tenham fechado as portas, o que seria um crime lesa atletismo.

5 – Sobre as construções dos cinco corredores de saltos no Município de Rio de Janeiro, claro que não podemos ignorar. Mas, convenhamos, cinco corredores de saltos em um País que será sede Olímpica e quer construir campeões, não significa rigorosamente nada para massificar o atletismo. É um grão de areia tão pequeneninho que dizer que isso já seria legado do Rio 2.016 chega a ser até desumano, considerando que o grosso, mais de 85% da população pobre da Cidade não tem acesso à prática esportiva de qualidade. E essa é uma questão que deve ser encarada de frente, com coragem. Se o Rio 2.016 não elaborar uma agenda social ampla, de inclusão social através do esporte e dos pilares dos ideais olímpicos, será mais um caminhão de dinheiro público jogado no lixo, ou nos bolsos de alguém, como foi a terrível experiência com os Jogos Pan Americanos, em que nem uma só estação de metro foi construída, não obstante o super faturamento de 1.000%, cujas contas são objeto de processos no Tribunal de Contas da União Federal e de Inquérito Civil em trâmite perante o Ministério Público Federal, em Brasília D.F. Joaquim Cruz, que tem um projeto social no atletismo no Distrito Federal, até hoje espera a sua tão decantada pista de atletismo. Vide matéria de José Cruz.

6 – Você sabe que não ligo muito para medalhas Olímpicas. Prefiro ter um País de praticantes de esporte do que parcas medalhas e mais nada. De qualquer forma, temos de convir que apenas uma medalha de ouro nesses 25 anos, acrescidas de poquissímas pratas e bronze, signficam que algo deu errado. É quase nada. E não podemos ignorar esse fracasso. É claro que poderão haver estatísticas de toda ordem e, em algumas delas, dizer-se que o atletismo nacional prosperou. Com todo acatamento, não acho isso. Nesses vinte e cinco anos, o seu, nosso atletismo, patinou, sofreu com a legislação e com a falta de programas. Os resultados em Olimpíadas e Mundiais são irrelevantes para um Pais de enorme potencial, como é o Brasil. Nossos Atletas são despreparados. Foi comum ouví-los dizendo após a fracassada jornada em Pequim “que a prova estava muito forte e a classificação ficou difícil”. Ora bolas, pensavam eles que iriam competir em Jogos Abertos? Claro que as provas são fortes. Nosso Técnicos, muito competentes, não ganham o que merecem e lhes falta mais intercâmbio. Claro que nunca irei revelar as fontes, que têm medo de retaliações. Mas se um dia, um único dia sequer, pudessem os nosso Atletas e Técnicos falar livremente, na frente da imprensa, o que ouviríamos não seria diferente do que eu escrevo aqui. O mundo esportivo vive sob a égide do medo. Assim, ficam calados.

7 – É por isso tudo, porque tudo está inquestionavelmente errado, é que sou favorável a mudanças profundas nos conceitos que hoje norteiam o esporte Olímpico no Brasil. É necessária uma revolução que derrube a orientação elitista que se dá ao esporte. Uma rebelião aonde não bastará, apenas, cair de quatro, mas mergulhar de cabeça para modificar uma ideologia que se mostrou fracassada. Jogos Olímpicos no Brasil são uma  boa coisa? Se seguirmos o exemplo do Pan Americano, a resposta clara é não. E como são exatamente as mesmas pessoas que organizaram o Pan Americano que, pelo menos por enquanto, estão à frente do Rio 2.016, nada leva-me a crer que será algo diferente. Ninguém fica competente de um dia para o outro. O Brasil não precisa de investimentos maciços em “elefantes brancos” superfaturados. Há um povo pobre que quer bem mais, inlcusive, o direito de praticar esportes.

8 – A solução do esporte no Brasil está nas escolas. Não adianta nada o Comitê Olímpico Brasileiro contratar (sem licitação pública) um consultor norte americano para tentar forjar campeões. É tempo perdido, ignorância, ou má fé, o governo federal criar uma Agência de Governo (e não uma Agência de Estado), para descobrir fórmulas mágicas para brotar medalhistas olímpicos.

9 – Somente quando o Comitê Olímpico Brasileiro (hoje uma entidade rica, às custas do dinheiro do povo) e o governo federal deixarem de lado suas vaidades para, ao contrário do que se faz hoje, desenvolver uma política de base, de longo prazo, poderemos sair desse estágio letárgico em que se encontra o esporte brasileiro. Enquanto isso perdurar, os esportes, o atletismo também, vão viver de ações isoladas, de abnegados, como aqueles que coordenam os projetos sociais listados acima neste texto. E vão continuar passando anos e anos sem ganhar nada. Repito que uma medalha de ouro em 25 anos significa um modelo equivocado. Sem medalhas e sem o povo praticando esportes. É tudo muito ruim.

10 – Sobre a trajetória “cor de rosa” da Atleta Bárbara Leôncio, com todo respeito, acredito que deva haver uma discrepância de informações entre a história oficial e o que se ouve, em off, de gente ligada ao Atletismo. Aliás, é necessário dar voto aos Atletas e Técnicos, bem como a segmentos especializados da imprensa, para as eleições dos poderes desportivos do Brasil. Certamente eles têm melhores condições do que nós de dizer se estão felizes, ou não, com a admnistração que recebem. É muito triste conversar com um Atleta e ele, ou ela, dizer-lhe: “Mas não publica em meu nome porque eles podem me prejudicar.” Sobre a proposta de dar voto e voz a Técnicos, Atletas e representantes da imprensa esportiva não somente nas eleições, mas na administração das verbas recebidas do governo federal, já manifestei-me sobre isso em ocasiões anteriores, inclusive neste Blog. Se as administrações forem boas, não há porque temer a ampliacão dos colégios eleitorais.

 
Agradecendo mais uma vez por sua audiência e atenção, envio os votos de Feliz 2.010.

Saudações Olímpicas.

Alberto Murray Neto

Uma das melhores jogadas de marketing da candidatura carioca aos Jogos Olímpicos de 2.016 foi levar à apresentação final, na Dinamarca, aquela jovem atleta, de 16 anos, campeã mundial de atletismo.

Não fossem as intenções meramente eleitoreiras, o ato, apesar de midiático, poderia ser elogiado.  A interpretação que se poderia dar seria de que, ao expor nossa jovem talento ao mundo,  o Brasil iria, finalmente,  cuidar de sua juventude, dar aos pobres condições e acesso à pratica de esportes e lapidar os destaques para representar o País em competições internacionais.

Mas, na prática, toda a simbologia que se pretendeu dar é absolutamente mentirosa. O que os nossos organizadores olímpicos queriam era somente usar a garota para sensibilizar os corações do colégio eleitoral. Nada além disso.

Não muito antes da apresentação havida na Dinamarca, que selou o Rio de Janeiro como sede olímpica para 2.016, aquela mesma jovem atleta não dispunha de dinheiro para participar de uma competição nacional. Quem é do atletismo sabe disso, pois circularam e-mails a esse respeito. O que mudou na vida daquela jovem campeã mundial? Nada, coitada. Ganhou um título importante, revelou-se um talento a ser cuidado, teve sua imagem explorada para o marketing de 2.016 e,, nem por isso, foram-lhe dadas condições melhores de vida e treinamento. Ela foi usada como instrumento de merchandising e, na sua inocência pueril, deixou-se entusiasmar pelos homens do poder. Tentem ver como anda a vida dela e de sua família hoje. A catolagem e a politicalha que estavam com a campeã na Dinamarca, nunca tiveram qualquer influência na sua carreira. Ao usá-la, quiseram fazer parecer que teriam sido os grandes responsáveis pelo seu sucesso.

E como ela, há muitos jovens talentos no Brasil, que não têm, absolutamente, qualquer apoio dessas autoridades. Na nossa ONG Sylvio de Magalhães Padilha trabalhamos com jovens da comunidade de Paraisópolis. Cooptamos jovens que nunca haviam visto uma pista de atletismo, usado sapatos de prego e, vários deles, sequer posto os pés em um tênis de corrida. Damos a eles iniciação esportiva e educação olímpica verdadeira. Muitos dos nossos jovens Atletas já despontam na provas estaduais, obtendo resultados extraordinários. Uma Atleta, em especial, tem um talento nato para o atletismo. Vivendo em Paraisópolis, passou a integrar a nossa Equipe e, pouco tempo depois, já era campeã brasileira na categoria menores, tendo sido convocada para servir a seleção brasileira. Se alguém disser que essa menina surgiu como fruto de uma política esportiva do Brasil, estará mentindo. Como todos os outros, é um talento que foi achado, que está sendo cuidado e lapidado por nossa equipe técnica. Nossa grande preocupação vai muito, mas muito além dos extraordinários resultados que ela vem conquistando. Claro que se for possível, sentiremos orgulho em ter ajudado a formar uma Atleta Olímpica. Mas o que damos a ela é uma educação olimpica, a consciência de que pelo esporte pode-se formar gerações melhores, independentemente de medalhas. Ela pode, sim, estar no Rio 2.016. Está sendo formada para isso, também. Fazemos um trabalho junto à família da Atleta, tentando minimizar as dificuldades que enfretam no dia a dia. Quem nenhum político, ou cartola, ouse dizer que tem alguma influência na formação pessoal e atlética dessa jovem talento. Aliás, dessa gente que está aí, queremos distância.

Alberto Murray Olímpico

www.espn.com.br/albertomurrayneto

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