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Um dos maiores atletas olímpicos do Brasil. O primeiro atleta brasileiro a ser finalista olímpico em provas de atletismo, em Berlin, 1.936. Primeiro colocado no ranking mundial nos 400 metros sobre barreiras no final dos anos 30 e início dos anos 40. Recordista Sulamericano por mais de 25 anos. Vencedor por duas vezes do World Helms Trophy, conferido ao melhor atleta de todas as Américas, de todas as modalidades. Criador e Diretor do Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo, aonde estabeleceu as bases do esporte de base no Estado e regulamentou a profissão do professor de educação física. Presidente da Organização Desportiva Panamericana. Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Membro e Vice Presidente do Comitê Internacional Olímpico. Mas sobretudo um educador no esporte, uma vida olímpica, por um esporte para todos.

http://www.sylviodemagalhaespadilha.com.br

Sylvio de Magalhães Padilha - Enviado em 28.08.14

Estive alguns dias ausente do Brasil, com pouco acesso à internet em virtude de conexões precárias. Lí, ao retornar, que a Confederação Brasileira de Vôlei (“CBV”) resolveu abrir as portas para conversar com jornalistas. Claro que isso é bom, pois desde que surgiram as contundentes e comprovadas denúncias feitas pelo Jornalista Lúcio de Castro, a CBV viu-se no olho do furacão e, por isso, fechou-se em copas, esperando que o assunto caísse no esquecimento.

Mas não foi isso que ocorreu. As denúncias não foram esquecidas, pelo contrário, foram ampliadas, em excelente trabalho investigativo do Lúcio de Castro. E, pelo visto, ainda há outras mais para serem descortinadas. Pressionada, mesmo contra vontade, à CBV não sobrou outra opção senão fingir-se de democrática e convidar a imprensa para debater.

Há de se notar que a CBV fez o que pode para postergar qualquer conversa com a sociedade. E, ao contrário do que quis fazer parecer, só o fez porque as denúncias de Lúcio de Castro reverberaram de tal forma que até mesmo os órgãos governamentais intervieram, para apurar possíveis irregularidades.

É bom saber que a Corregedoria Geral da União está analisando a questão, que o Banco do Brasil exige explicações e que o Ministério do Esporte reduziu substancialmente o repasse de verbas. É ruim para a modalidade, mas não podemos aceitar que tanto dinheiro público continue financiando um esporte recheado de denúncias que precisam urgentemente ser esclarecidas.

E como vem insistindo José Cruz, as ações e investigações por parte do governo na CBV devem retroagir à meados da década de setenta, quando esse mesmo grupo político tomou o poder naquele esporte.

Do Blog do Juca Kfouri.

http://blogdojuca.uol.com.br/2014/08/um-menino-de-carater/

Ouvia agora há pouco na rádio CBN uma boa matéria que contrastava a situação do esporte no Rio de Janeiro. A reportagem mostrava que, ao mesmo tempo em que a capital do Estado será sede dos Jogos Olímpicos de 2.016 e em que o Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) está gastando uma enormidade de dinheiro público na preparação da equipe nacional, as modalidades estão jogadas ao esquecimento.

O campeonato estadual masculino de basquete no Rio, em 2.013, foi disputado por apenas três equipes. Para 2.014, por enquanto, há apenas dois times inscritos. No feminino, desde 2.007 não há torneio estadual. E a reportagem foi mostrando que, enquanto o COB vai gastando mais dinheiro público, outras modalidades, além do basquete, também entraram em decadência. O próprio volleyball do Rio vem declinando.

Ouvi entrevistas com o técnico campeão mundial de basquete feminino, Miguel Angelo da Luz, que disse “que no Rio estão sendo produzidos sempre mau dirigentes”. O ginasta Diego Hipólito afirmou que “o que fizeram foi um desrespeito com profissionais”. Bruno Rezende, capitão da equipe nacional de volleyball foi contundente:”Têm coisas que não dão para aguentar”.

Esta penúria e decadência das modalidades esportivas não é restrita ao Rio de Janeiro. É uma questão nacional.

Eu venho dizendo e escrevendo que a “política” do COB para o esporte olímpico está asfixiando as modalidades no Brasil. O dinheiro público tem sido restrito à sustentar a própria estrutura do COB, gigantesca, cara e desnecessária e ao alto rendimento na esperança de não dar vexame em casa nos Jogos Olímpicos de 2.016. Não tem nenhuma preocupação com a boa manutenção das modalidades, dos campeonatos estaduais e nacionais, sobretudo a base. E essa má gestão do COB é feita sob a inércia do Governo, que se furta em propor uma política esportiva de Estado para o esporte do Brasil. Converso com muita gente do esporte e há uma grande preocupação sobre essa “política” do COB e questionam se depois de 2.016 ainda haverá esporte no Brasil. Não veem programas de longo prazo.

Que a visão do COB sobre o esporte é ruim, já sabemos há muito tempo. Porém, é uma pena que o Governo, que financia essa gente, siga sem fazer uma política esportiva de longo prazo para o esporte do Brasil.

Na semana passada o excelente Jornalista Lúcio de Castro deu mais um furo de reportagem, envolvendo a Confederação Brasileira de Vôlei (“CBV”). Se vivessemos em um país cujas questões do esporte e dinheiro público fossem tratadas de maneira séria, haveria muitos dirigentes daquela Confederação em palpos de aranha. As instituições democráticas da República já teriam agido com rigor. Mas o que nos parece é que os dirigentes estão pouco ligando para o que é denunciado e comprovado. E isso é assim porque eles têm segurança de que cada lhes acontecerá.

Nos últimos quase quarenta anos, a CBV teve apenas dois presidentes, Nuzman e Graça e um único vice, o Laranjeira. Por princípio, isso está longe de ser a tal “gestão modelo” que esses carolas do vôlei apregoam, o que não passa de um malfadado slogan de marketing. Dois presidentes e um vice em quarenta anos definitivamente está longe de ser um modelo democrático, ao contrário, é uma ditadura. E não existe “gestão modelo” sem alternância democrática no poder.

A cartolagem do vôlei escuda-se nos resultados das seleções nacionais para sustentar a existência dessa tal “gestão modelo”. Isso é um factóide, uma cortina de fumaça, que serve apenas para esconder a falta de democracia na administração daquela Confederação. Quem ganha medalhas e troféus são os atletas, nas quadras, assessorados pela equipe técnica. Os cartolas atrapalham, na medida em que essas comprovadas denúncias jogam os holofotes para cima dessa modalidade, suspeitas, o que pode afetar o desempenho dos atletas.

Desta vez, Lúcio de Castro comprovou que o genro do ex-presidente da CBV, Ary Graça, contrataou a empresa do próprio genro para confecção de camisas. A mesma empresa foi contratada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. É evidente o conflito de interesses. A CBV recebe repasses de dinheiro do orçamento da União Federal e patrocínio vultoso do Banco do Brasil S.A.

É difícil compreender como o governo consegue ser tão leniente quando em sua frente são apresentadas provas incontestáveis de ações suspeitas feitas com o dinheiro público.

As investigações e a auditoria na CBV devem começar em 1.975 e vir até a data de hoje. E essa auditoria deve ser pública e independente, cujos resultados devem ser de amplo conhecimento da sociedade.

Desse jeito, dá a impressão de que o governo tem medo dos cartolas, tem rabo preso com eles.

Nuzman Fica com Ouro 1

Nuzman Fica com Ouro 2

Nuzman Fica com Ouro 3

Nuzman Fica com Ouro 4

Rio-2016, a Olimpíada que o Brasil já perdeu

http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2014/08/05/rio-2016-a-olimpiada-que-o-brasil-ja-perdeu/

Fábio Balassiano

05/08/2014 – 00:002

No dia seguinte à derrota da seleção brasileira para a Holanda na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo de futebol o jornal O Globo, um dos maiores do país, surgiu com a capa: “Faltam 754 dias para as Olimpíadas” (imagem ao lado).

A publicação falava dos cronogramas, dos prazos para conclusão das instalações (ginásios/arenas) e das obras de mobilidade urbana já atrasadas, mas sequer tocava em um ponto fundamental – a herança esportiva que os Jogos de 2016 deixarão, ou não, para o Brasil.

Três dias depois, o foco mudou. Voltou a se falar de futebol (que surpresa!). Com o perdão da palavra, mas as discussões que eu vi, com raríssimas exceções, beiram a mediocridade tão rasteiras/tacanhas (intelectualmente) que são. Discute-se o periférico, mas não a essência do problema (que é sistêmico, e não pontual ou exclusivo da seleção). Discute-se o boné usado em apoio ao Neymar, discute-se a forma de falar do Dunga, discute-se o bigode do Gilmar Rinaldi. Com todo respeito, este não é o motivo central pelo qual o futebol brasileiro está na lama há, brincando, uma década. E todos que pisam em um estádio sabem. É o Mito da Caverna, de Platão, nos dias de hoje. Não se falar o que deve ser falado TODOS os dias só ajuda a turma da CBF a permanecer com as mesmas ideias. Se não há incômodo (no sentido de incomodar quem está no poder) não há evolução. Meio óbvio isso, não?

dilmaE aí, no meio deste furacão alguém, ou algum jornal, lembra que haverá uma Olimpíada em pouco mais de dois anos no Brasil (o Meligeni falou disso muito bem também). Caramba, agora é que descobriram? Quando foi mesmo que o país foi escolhido como sede? Foi em 2009, certo? Por aqui o atraso (em qualquer esfera) é tão grande que até as cobranças são… atrasadas. Fiscalizar agora, ou a partir de agora, é justo, é lícito, mas não é o mais bacana a se fazer. Todos deveriam estar de olho há justamente cinco anos.

Já são, desde a confirmação do Rio de Janeiro como cidade-sede, cinco anos para arrumar ginásios e obras de infraestrutura, mas há algo maior que sequer está sendo mencionado: como o país está se preparando esportivamente para receber o evento olímpico? Ou melhor: o Brasil se preparou para receber a Olimpíada de 2016 devidamente? Porque agora, com todo respeito, já era, já passou. Hoje, exatamente hoje, restam apenas dois (anos) para que os Jogos comecem (menos de 750 dias portanto).

rio1Desculpe, mas se você está PENSANDO em cobrar resultados (medalhas) dos atletas, esqueça. É pouco sincero e inteligente de sua parte. Você, nos últimos meses, sabe como a turma da esgrima tem treinado? E o pessoal do remo? Como está o time de tiro com arco? E o handebol, campeão do mundo, ganhou a força tão prometida para ter uma liga decente? Como estão os irmãos Falcão depois da brilhante Olimpíada de 2012? Você sabe quais são os feitos de Robert Scheidt nos últimos 20 anos? Tem noção do que a galera do judô consegue sem ter 30 segundos/centímetros de espaço para divulgação?

Vale a pena cobrar dos atletas, que treinam muito mesmo em condições precárias, ou de quem não lhes dá o necessário subsídio para que eles duelem em condição de igualdade contra americanos, australianos ou chineses ?

dilma4Medalhas em Olimpíadas são conseguidas por atletas de ponta, atletas da elite do esporte mundial. Não é algo que cai do céu da noite para o dia, não. Qual é a condição (de treinamento, psicológica e financeira) que um atleta brasileiro tem hoje? Esqueça o vôlei, até mesmo o basquete, e pense em todos os esportes que compõem a Olimpíada. Veja o exemplo da abnegada do pentatlo moderno que conquistou uma medalha de bronze heroica em 2012. Hoje NINGUÉM lembra da menina. O Google tem menos menções (143 mil) a Yane Marques (lembrava do nome dela?), um mito brasileiro por ter conseguido algo tão improvável dentro de um dificílimo esporte, do que qualquer jogador ruim que atua no seu time de futebol. Sintomático isso, não?

Sem querer ser ainda mais chato, sem querer colocar água no chope desde já, mas não se formam equipes olímpicas em dois anos. Não se formam equipes olímpicas se duvidar nem em dez anos. Não se forma uma nação esportivamente olímpica (e não só futeboleira) em menos de duas décadas de trabalho esportivo sério, responsável e minucioso (algo que definitivamente não é feito aqui desde sempre – ou seja, a culpa não é exclusiva dos que agora estão no poder).

BAdoraria terminar este texto de forma diferente, mas não é possível. Infelizmente o Brasil já perdeu a chance de se transformar em uma potência esportiva (dos esportes olímpicos, claro) com a vinda dos Jogos para cá em 2016. Pode ser que vire algum dia, com uma mentalidade diferente, mas para daqui a menos de 800 dias é IMPOSSÍVEL.

O Brasil (como um todo) perdeu a chance de modificar a relação de poder que há nas Confederações (quase todas elas corroídas com gestões tenebrosas – e quem acompanha este espaço sabe da de Basquete, a CBB…). Perdeu a chance de colocar o atleta como figura central e respeitada na sociedade esportiva. O Brasil, mais do que isso, perdeu a chance de mudar a sua (inexistente) política esportiva como um todo, conciliando (e massificando) esporte e educação como os países mais desenvolvidos do mundo sabem fazer há séculos (Austrália e Estados Unidos, por exemplo). Colocar o esporte na escola, com as Olimpíadas no horizonte, deveria ter virado a ordem do dia, deveria ter virado o objetivo número um (objetivo anterior à conquista de medalhas, por exemplo).

brasil1Mas, bobagem, nada disso foi feito. O Governo/Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro pensaram apenas nas medalhas (e é só ver aqui, aqui e aqui o que o COB falou na semana passada). Mirou-se, portanto, no resultado imediato e não na preparação para deixar algo plantado para o longo prazo. Mirou-se apenas no objetivo final, e não no caminho que leva a um objetivo (algo mais trabalhoso).

O Governo investiu milhões e milhões nas Confederações (nunca jorrou tanta grana no esporte, isso é inegável), os resultados podem até vir (e torcerei por eles, diga-se), mas não há nada idealizado para a base da pirâmide, para meninas e meninos deste país que começam a praticar esporte com 10, 11 anos. Erro bobo, mas esperado de quem só pensa no tiro curto, na medalha, em vencer rápido e não em COMO se preparar para vencer por muito tempo (sustentabilidade). E todos têm culpa nisso (Governo, Confederações, Atletas, sociedade mesmo).

brasil1Para quem ama esporte (meu caso, seu caso), é doído, duro, é chato dizer isso, mas só um lunático acredita no contrário. O fato é: hoje é dia 5 de agosto de 2014, faltam exatamente dois anos para os Jogos e o Brasil já perdeu a chance que tinha com a Olimpíada de 2016.

A chance de se transformar em um país que faz esporte de alto nível já foi pro ralo. E isso não tem mais volta.

Tags : Olimpíadas Rio-2016

Texto de Fábio Balassiano, no UOL, no link http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2014/08/05/rio-2016-a-olimpiada-que-o-brasil-ja-perdeu/

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