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Os dirigentes do COB são muito ruins, não têm a simpatia e nem a aprovação do Brasil, principalmente, da comunidade esportiva. Os atletas têm todo brilho e assim que os Jogos Olímpicos começarem todos os olhos e as coberturas jornalísticas se voltarão para as competições, o que deixará um pouco de lado as mazelas da desorganização do Co-Rio.

Bem ou mal, a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil marca a história do esporte nacional. O legado (que já deveria existir antes mesmo de seu início), está muito longe do esperado. Isso é culpa da incompetência e imprevidência dos organizadores. O país ganhará muito pouco com os Jogos Olímpicos. O grande receio é que após os Jogos Olímpicos haja muitos técnicos e atletas desempregados, uma vez que os recursos para o esporte vão minguar. Deveria ser justamente o contrário. Os Correios, por exemplo, já anunciaram que vão reduzir drasticamente seus investimentos no esporte.

A partir do dia seguinte aos Jogos Olímpicos um novo ciclo começa no esporte nacional. Não será fácil conduzir esse desafio. Com o fim dos Jogos Olímpicos, encerra-se, também, o ciclo de Nuzman à frente do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). A sociedade vê isso com clareza. É necessário que Nuzman também perceba isso, que esteja desapegado de sua enorme vaidade e compreenda que é chegada a hora de dar espaço a gente mais nova, com energias renovadas, pessoas dinâmicas, com ideias diferentes, democráticas, que sejam do agrado dos atletas e que saibam conduzir os destinos do esporte com equilíbrio.

Cabe às Confederações do desporto nacional também essa compreensão, de que novos rumos devem ser dados ao COB após 2.016. Que a renovação do Movimento Olímpico brasileiro seja um grande legado dos Jogos Olímpicos.

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O Co-Rio e o prefeito Eduardo Paes minimizaram as falhas estruturais na Vila Olímpica. Eduardo Paes chegou ao ponto de debochar da delegação da Austrália e desdenhar da Vila de Sidney, afirmando, em um misto de ignorância com arrogância, que “a do Rio é a melhor de todas”.

As justificativas de que “todas as obras necessitam de ajustes que somente são descobertos quando se muda” e “que todas as Vilas apresentaram problemas” são toscas. Os organizadores dos Jogos e o prefeito falam como se estivessem construindo um lugar para uso próprio. Não é assim. a Vila Olímpica não é a casa deles. Se essa gente permite-se ser irresponsável com suas obras pessoais, não podem sê-lo com a Vila Olímpica. Há sete anos esses organizadores sabem que terão que construir e entregar uma Vila apta a receber com dignidade atletas e oficiais do mundo todo. Portanto, injustificável que tudo não tenha sido testado e retestado antes de o primeiro atleta por o pé na Vila Olímpica. Ainda mais considerando o elevadíssimo custo dessa obra.

Pirotecnias não bastam para agradar às delegações estrangeiras. De nada adianta a Vila ter uma zona internacional atrativa, um cinema confortável, ou uma mini praia com guarda sóis novos em folha se o essencial está horroroso. Quartos, cozinhas e banheiros estão inabitáveis e isso é um desrespeito com os que vieram de longas viagens para habitar a Vila Olímpica.

Se os organizadores dos Jogos Olímpicos e o prefeito Paes são imprevidentes e acham que não tem problema alguém viver em um lugar cujas obras ainda não terminaram, devem entender que outros não pensam assim. Espero que todos os erros cometidos até agora na Vila Olímpica sejam sanados rapidamente. E que isso não seja um prenúncio de uma desorganização generalizada dos Jogos Olímpicos.

Começaram muito mal.

Documentário O OURO DO ESPORTE, de Ana Cristina Koda, com Guilherme Murray, Penta Campeão Brasileiro e Campeão Sulamericano de Esgrima

 

As provas que a WADA entregaram ao COI de que a Rússia utilizou o doping como política de Estado é mais uma prova contundente daquilo que, muitas vezes, já frisei. Os mecanismos de controle de doping não podem estar circunscritos ao âmbito das entidades esportivas e aos seus Tribunais. O combate ao doping deve ser tratado com o mesmo rigor do tráfico de drogas, ou do tráfico de armas. O esporte é um dos principais mercados do planeta, que atrai diariamente milhões de pessoas e movimenta muito dinheiro. Daí que muitos desonestos querem tirar proveito de modo impróprio dessa visibilidade que o esporte proporciona. E utilizam o doping para obter vantagens indevidas. Como se não bastasse, verifica-se que a Rússia põe seu poderoso aparato estatal a serviço dessa prática repugnante. Sou favorável a punições severíssimas à Rússia, exemplares, mesmo que isso atinja, eventualmente, atletas “limpos”. Será o ônus de ser atleta/cidadão de um país que adota práticas criminosas.

Entretanto, punir exemplarmente a Rússia e seus atletas não será suficiente. É necessário que o COI e a WADA sensibilizem os governos dos países membros do Movimento Olímpico e as entidades internacionais, como a ONU, que o combate ao doping deve ser uma questão de Estado. Os países, em cooperação com seus Comitês Olímpicos e agências locais antidoping devem formular políticas austeras de vigilância do doping. As nações (de governo para governo) também devem trocar informações entre si sobre as medidas tomadas para coibir a propagação do doping. As polícias federais de cada Estado e a Interpol devem estar envolvidas para investigar e prender os traficantes de substâncias dopantes, os facilitadores, os distribuidores, os estimuladores, os que fazem vistas grossas, os usuários, todos aqueles que, de alguma forma, fazem parte dessa teia maléfica e milionária.

O tráfico e o uso do doping devem ser criminalizados, pelo que os processos legais envolvendo essas questões não podem restringir-se ao âmbito da Justiça Desportiva. Os traficantes de doping devem ter o mesmo tratamento de um traficante internacional de drogas. É equivocado dizer que o usuário de doping é “dependente químico”, Não é. O usuário de doping age dolosamente, ingere substância proibida como intuito deliberado de obter vantagens atléticas indevidas, que possivelmente lhe proporcione resultados melhores, que resultarão em mais dinheiro.

Quando o combate ao doping tornar-se questão de Estado e quando o tráfico e uso dessas substâncias for criminalizado, terá sido dado um enorme passo para erradicar esse mal do esporte. O esporte é um meio de vida saudável e não uma propaganda para a morte, para a trapassa.

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