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Nuzman não perde uma chance de alardear ao Brasil que “os Jogos Olímpicos são o maior legado que um país pode receber.” Hoje o twitter do Ministério do Esporte reproduziu essa frase do cartola. Os Jogos Olímpicos podem, sim, ser um legado importante ao país, mas não “o maior”.

Por outro lado, os Jogos Olímpicos também podem ser um legado tenebroso a um povo. Basta que não sejam bem organizados, que os custos das obras estrapolem, que existam superfaturamentos, que se construam elefantes brancos, que não se crie um progama social e esportivo de longo prazo que esteja atrelado aos Jogos. A conta que um país pode pagar por falta de competência de seus organizadores é imensa e dolorosa. Vejam a bela cidade de Montreal, por exemplo, que em 1.976 realizou bela Olimpíada, mas cuja falta de critérios financeiros rígidos impingiu ao seu povo uma dívida que foi paga por cerca de trinta anos.

Lembrem-se dos exemplos que ficaram dos Jogos Panamericanos Rio 2.007, em que os custos das construções foram superfaturados em 1.000% por absoluta incompetência de seus organizadores. Foram construídas obras mambembes, como a Vila Olímpica, por preço altíssimo, que hoje virou um lugar inóspito, impossível de se viver, em que inúmeros moradores lesados ajuizaram ações judiciais para tentar amenizar seus prejuízos. Não se esqueçam do velódromo caríssimo, cuja justificativa para o preço tão elevado foi que poderia servir para os Jogos Olímpicos caso o Rio viesse a vencer a disputa para futuramente sediar o evento. E que o velódromo caro foi inteiramente demolido para que construísse outro, ainda mais caro, no mesmo local e tudo com dinheiro do povo. Rememoremos que as poucas facilidades esportivas que sobraram do Panamericano Rio 2.007 viraram elefantes brancos, são subutilizadas e não estão à disposição do povo da cidade. Sem falar nas promessas de despoluição da Baía da Guanabara, que não obtstante os recursos públicos destinados para tal, nunca ocorreu. E todos os demais fatos graves que foram, ou ainda são, objetos de processos no Tribunal de Contas da União.

Por isso que Nuzman erra novamente ao generalizar que os Jogos Olímpicos serão, sempre, o maior legado para uma nação. Ele diz isso para tentar convencer o Governo e o povo desse conceito, sob o método da repetição, objetivando o convencimento.

Muito cuidado! Ao contrário, sem gente competente organizando e planejando os Jogos Olímpicos, eles podem ser um péssimo legado para o Brasil. E considerando que a mesma gente que organizou os Jogos Panamericanos Rio 2.007 está planejando os Jogos Olímpicos de 2.016, as chances de haver legado negativo para o Brasil são enormes.

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A boa matéria de Rodolfo Lucena, hoje, na Folha de São Paulo retrata uma das mais importantes obras já escritas na literatura olímpica brasileira. Não somente o livro, mas o trabalho de pesquisa que a professora Katia Rubio e sua equipe realizaram são de extrema importância para o Brasil, pois reúne os nomes e a história de todos os atletas que já representaram o País nos Jogos Olímpicos. Não se trata de uma pesquisa exclusivamente esportiva, mas também sociológica e jornalística. Ao longo dessa jornada, tenho tido o privilégio de compartilhar boas conversas com a Katia e dela ouvir histórias interessantíssimas das entrevistas feitas com os nossos olímpicos e com os familiares daqueles que já morreram. Claro que no livro não se pode reproduzir tudo aquilo que consta dos depoimentos gravados pelos atletas e pelos seus familiares, pois ele ficaria enorme. Mas há de se lembrar que, além daquilo que se poderá ler na enciclopédia olímpica, haverá, sempre, para a posteridade, os vídeos com as gravações dos personagens. Não acho que tenha havido até hoje no Brasil pesquisa tão abrangente sobre o nosso Movimento Olímpico.

Vamos relembrar que não muito tempo atrás, a professora Katia Rubio foi objeto de tentativa de cruel censura por parte do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Em uma de suas várias obras, Katia utilizou o termo “Olímpiada” no título. Recebeu uma ameaçadora notificação extrajudicial do COB, ameaçando a professora de ser processada civil e criminalmente caso não retirasse o livro de circulação, o qual, diga-se, nem tinha o intuito de ser comercializado, mas, sim, distribuído em escolas públicas e privadas pelo Ministério do Esporte. Tive a honra de, como advogado, representar a Katia nessa contenda contra o COB que não chegou aos Tribunais. Tamanha foi a repercussão negativa do mal feito do COB, no Brasil e no exterior, que o COB recuou e ainda por cima pediu desculpas à professora.

Parabéns à Katia Rubio por mais esse livro.

E que venham muitos outros.

Por Ricardo Ebling, especial para o 247

A mão que balança o berço

(Quem paga a notícia)

Dizem que existe uma diferença básica entre o jornalista e o publicitário: o primeiro, quando mente, sabe que está mentindo. O publicitário, por sua vez, passa a acreditar com convicção na própria mentira. Já os assessores de imprensa reproduzem as mentiras de qualquer um, desde que paguem.

A relação entre os assessores de imprensa (ou na sua versão mais perversa, os “consultores de imagem”) e os jornalistas e os veículos de comunicação – e como esta interação promíscua já matou o jornalismo – é o que trataremos a seguir. Estamos falando do “jornalismo premium”, como se autodenominam os jornais não populares, que ainda circulam, e alguns nichos nas revistas e tevês.

Do início dos anos 70 até o final da década de 80, o jornalismo brasileiro viveu uma época de fartura. Foi o ciclo mágico do pleno emprego nas redações e do financiamento absoluto da produção jornalística pelas próprias empresas do meio. Havia até excesso de produção, que muitas vezes ia parar na imprensa alternativa. Que também se aproveitava da capacidade ociosa do imenso parque gráfico adquirido pelos grandes grupos de mídia — graças às inúmeras benesses do regime militar — para rodar sua produção subversiva.

Paralelamente, os chamados assessores de imprensa eram os feios, sujos e malvados que tinham que pedir audiências, nem sempre atendidas, aos jornalistas. Os press releases eram material radioativo nas redações. Não se devia aceitar essas mentiras oficiais, mal escritas, com a indisfarçável intenção de manipular os santos, puros e eticamente irrepreensíveis agentes do interesses público.

O mundo girou, a lusitana rodou, o regime militar caiu e o capitalismo emagreceu. Ajustes começaram a ser feitos no início dos anos 90 e até hoje os passaralhos ainda sobrevoam em nuvens as redações. Mas nossa economia aberta e a democracia em vigor geraram uma nova demanda. Profissionais de comunicação encontraram um novo nicho: produzir informações para quem antes não tinha problemas em colhê-las. Já em meados dos anos 90, cerca de 60% da produção dos veículos “premium” eram produzidos fora das redações, principalmente pelas assessorias de imprensa que começaram a nascer da própria necessidade de abrigar os profissionais que caíram da grande nave mãe.

Dos jornalistas em atividade no país, hoje, depois de todos os enxugamentos dos últimos 20 anos, apenas 10% estão nas redações. Noventa por cento estão fora, produzindo matérias para quem ficou. Seriam 10 assessores de imprensa para cada jornalista. O cálculo é grosseiro, mas o número pode ser até modesto. Como os veículos estão diminuindo ou sumindo, e as empresas de assessoria não param de aumentar, está se criando um impasse: fazer intermediação entre quem se faltam personagens? Esta-se na iminência da trabalhar para o vácuo.

Alguns serviços prestados pelas assessorias estão se mostrando inúteis, como as análises de mídia. Perguntam-se os clientes: é necessário analisar diferenças entre poucos veículos que publicam a mesma matéria, sob o mesmo ponto de vista editorial? A principal tarefa dos analistas hoje é descobrir qual foi a assessoria que “plantou” a sua matéria integralmente.

Até algum tempo atrás, assessorias convenciam os veículos a publicar pautas que atendiam interesses de seus clientes, políticos ou privados. Ou seja, lançamento de produtos ou invenção de personalidades. Mas os repórteres e editores tinham que trabalhar. Hoje, isto não é mais possível. Quem não chegar com o produto apurado e já editado está de fora deste mercado. Não há força de trabalho para cumprir as sugestões das assessorias.

Mas estas não têm limitações financeiras ou de mão de obra. Contratam profissionais por altos salários para fazer todo o trabalho do jornalista “premium”. A desproporção no número de profissionais em cada lado do balcão (ainda existe isto?) também está nos salários. Jornalistas que recebem 5 mil por mês recebem informações de vários assessores que ganham entre 20 a 120 mil paus. Por mês.

Nas últimas campanhas eleitorais, as matérias contra candidatos chegaram prontas às redações. Muitos jornalistas “investigativos” apenas assinaram algumas. E distribuíram-se prêmios, outrora veneráveis, para farsas eleitorais, plantadas por candidatos e candidaturas. Acontece o mesmo na guerra concorrencial ou no lançamento de produtos, que recebem espaços jornalísticos para ganhar mercado e, depois, sair de fininho. Tradicionalmente, as assessorias participavam de 10% do bolo das verbas de comunicação (publicidade, promoção e eventos ficam com a parte do leão). Esta proporção está aumentando gradativamente.

Quando chegar a 20%, quem quiser informações já poderá ligar diretamente para as assessorias de imprensa, como representantes do grande capital e da alta e baixa política. Todas as informações estarão lá. As que serão publicadas e as que serão limadas das edições.

As assessorias miraram e migraram para o setor público. Está havendo uma grande terceirização de mão de obra _ e só isto. O agente público foi transformado num fornecedor de serviços, com diferenças de tratamento entre quem recebe diretamente do Estado e quem recebe indiretamente. Criou-se uma área cinzenta, já objeto de escândalo como o ocorrido no Ministério da Fazenda.

Nos anos 50 e 60 praticamente não existia salário para jornalista. As empresas jornalistas encaminhavam os profissionais para receberem de órgãos públicos, da administração direta, legislativo e autarquias. Terceirizavam a folha salarial. Os veículos forneciam uma carteirinha e um “vá à luta” aos novos jornalistas.

O desequilíbrio ocorrido entre as partes envolvidas no mesmo negócio pode gerar a necessidade de as assessorias começarem a pagar salários para manter jornalistas dentro das redações. Para ter com quem interagir. Para deter a onda incessante de passaralhos. Para segurar o jornalismo “Premium”.

A imagem do primeiro parágrafo é quase uma brincadeira. Mas concedam as exceções de praxe e levem a sério. Quando surge a notícia de que alguém contratou um “consultor de imagem”, e que este teve sucesso em sua missão, podem ter a certeza que a evolução da humanidade recuou algumas casinhas…

Um Governo Bipolar.

fevereiro 7, 2015

Há pouco mais de um ano Dilma Rousseff sacou da Autoridade Pública Olímpica (“APO”) um presidente fantoche para dar ao órgão perfil técnico para planejar mas, sobretudo, impedir que nos Jogos Olímpicos de 2.016 se repetissem os escândalos financeiros e falta de legado do Pan de 2.007.

Assumiu a APO o discreto General Fernando Azevedo Silva que, mesmo sem o apoio da cartolagem olímpica, vinha conseguindo implantar seu rítimo de trabalho nos moldes pretendidos pela presidente Rousseff. A cartolagem do COB e do Co-Rio 2.016 empenhou-se muito pela não nomeação do General Fernando. Queria emplacar um títere que não lhes ameaçasse. O General Fernando milita na administração esportiva há muitos anos, no meio militar.

Pois bem, pouco mais de um ano, o governo tira o técnico General Fernando e para seu lugar pretende por o político Edinho Silva. Não me parece que Edinho Silva tenha experiência para conduzir a APO, uma vez que sua experiência no campo da administração olímpica é zero. Os políticos têm aquela pretensão arrogante de achar que entendem de tudo, que caem bem em qualquer lugar. Ora estão cuidando da educação, ora na pesca, ora previdência e por que não a APO? Edinho Silva tem o fato negativo em seu cirriculum de ter sido tesoureiro da campanha da Rousseff à presidência da república. Ou seja, arrecadador de dinheiro para campanha política. E isso não cheira bem.

Difícil compreender a guinada governamental na APO. É um governo bipolar.

Olimpíada do Rio nem começou e já tem seu 1º ‘elefante branco’

Texto do Jornalista Vinicius Konchinski Do UOL, no Rio de Janeiro 29/01/2015 Pavilhão Cidade Olímpica está pronto, mas tem serventia duvidosa na Olimpíada de 2016   Faltam 554 dias para o início da Olimpíada do Rio de Janeiro, mas o evento já tem seu primeiro “elefante branco”. O tal “elefante” é, na verdade, um pavilhão construído por causa dos Jogos num terreno público exatamente ao lado da Prefeitura e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio-2016. Oficialmente pronto, o espaço não tem qualquer serventia hoje. O pavilhão, batizado de Pavilhão Cidade Olímpica, foi construído por iniciativa da ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), com recursos captados com um dos patrocinadores da Olimpíada de 2016, a Bradesco Seguros. Recebeu também o apoio administração municipal, que cedeu gratuitamente um terreno para a construção. O espaço foi idealizado para servir como um centro de divulgação de projetos olímpicos do Rio. Hoje, entretanto, não passa de um prédio fechado cercado de tapumes. Se estivesse funcionando, o pavilhão deveria abrigar pelo menos quatro exposições a relacionadas à Olimpíada do Rio de Janeiro. Serviria também como o local de exposição da chamada Bandeira Olímpica, flâmula que viaja por cidades-sede dos Jogos Olímpicos e que está no Rio desde 2012. Foi justamente em 2012 que começou a construção do tal pavilhão. Inicialmente, foi divulgado que ele seria aberto ao público em 2013. Por causa de problemas na execução da obra, a inauguração foi adiada para 2014. O ano de 2014 acabou e o pavilhão não abriu. Segundo a prefeitura, a inauguração do espaço foi novamente adiada, agora para o fim do primeiro semestre de 2015. Quando ele abrir, entretanto, em nada ele terá o que ver com a Olimpíada. A prefeitura informou que o espaço abrigará a exposição “Rio 450 Inimaginável – Civilização e Paisagem”, que integrará a programação especial de eventos para celebração o aniversário de 450 anos da capital fluminense. Essa exposição ocupará o pavilhão até fevereiro de 2016. Aí então, faltando cinco meses para o início dos Jogos, o espaço deve ser utilizado no evento. A prefeitura informou nesta tarde que jornalistas sem um credencial da Olimpíada poderão usar o espaço para trabalhar. A ACRJ foi procurada na segunda-feira para comentar a situação do Pavilhão Cidade Olímpica e sua utilização. Não respondeu.

Se alguém disser que o Catar passou a ser uma potência no handball pelo vice campeonato mundial estará equivocado. O Catar, jogando em casa, com medo de dar vexame, naturalizou nove atletas para compor sua seleção e, por isso, fez boa campanha. O desenvolvimento do handball do Catar na sua base continua, entretanto, fraco como sempre foi.

O que o Catar fez com sua equipe de handball não é novidade. Tem sido prática corrente em vários países e inúmeras modalidades.  Países do Golfo têm contratado a peso de petrodólares atletas africanos para disputar provas de atletismo, de fundo e meio fundo.

Países da Comunidade Europeia têm feito a mesma coisa.

Nos Jogos Panamericanos, EUA, Canadá, República Domenicana já contrataram chineses para disputar orovas daquela competição.

Os cartolas do Brasil vem, há alguns anos, importando atletas de outras nacionalidades para compor sua equipe olímpica de 2.016, com o objetivo desesperado de atingir o número de medalhas que prometeu ao governo. Isso é um fato grave, porque em vez de fomentar a base e o real desenvolvimento dos atletas genuinamente brasileiros, a cartolagem olímpica nacional gasta parte do dinheiro público que lhe é destinada para naturalizar estrangeiros e pagar-lhes os altos salários que cobram para competir por outra nação.

Conhecemos os mercenários de guerra, aqueles que ficam perambulando pelo oriente médio até que uma organização, ou célula, os contratem para uma função pontual. Cumprida essa tarefa, voltam a ficar por aí, até que outro os contratem novamente. Esses atletas são parecidos. Não obtêm vagas nas equipes de seus verdadeiros países e, assim, ficam à disposição de outros países que os queiram contratá-los/naturalizá-los para disputar uma competição internacional importante.

Sou contra isso e acho que o Comitê Olímpico Internacional e as Federações Internacionais devem tomar providências. Uma coisa é o atleta que, nascido no exterior, tem pai, mãe, ou ambos, brasileiros. Este é brasileiro por direito. Outra coisas é sair pelo mundo em busca dos “mercenários” do esporte, dispostos a competir por um país completamente estranho ao seu, por um punhado de dinheiro. Sem contar com “empresários” e intermediadores, que ganham com isso.

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