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Oi Alberto,

Desde o final da tarde andam circulando em alguns blogs alguns números discrepantes com
os números computados na análise que te envie ontem sobre o Mundial de Esportes Aquáti-
cos recém encerrados.

Um esclarecimento:

Acho que esse pessoal computou como duas as provas em que DOIS nadadore(a)s brasilei-
ro(a)s chegaram à uma semi-final ou a uma final.

Por isso na contagem dele os números de SFs e Fs – tanto em Roma quanto em Xangai –
terem dado um pouco maior em relação aos números da análise que eu enviei.

Mas contando só o número de PROVAS que o Brasil chegou à SFs e Fs ( e esse é o nº cor-
reto, já que estamos falando de PROVAS ) o nº é esse mesmo da minha análise.

A contagem foi conferida depois de fechada… e revisada !

Em todo caso, se quiser fazer o computo “manual”, acompanhe por aqui:

Roma 2009

http://omegatiming.com/index_home.htm#swimming/racearchives/2009/Roma2009/index.htm

Xangai 2011

http://omegatiming.com/index_home.htm#swimming/racearchives/2011/shanghai2011/SW_Shanghai2011_by_events.htm

http://esportesocial.com/2011/07/31/algumas-coisas-sobre-os-jogos-militares-que-voce-deveria-saber/

 

Restando apenas a última noite de finais em Xangai, como o Brasil não classifi-

cou-se para nenhuma das finais restantes, este é o rescaldo da participação

brasileira no Mundial de Esportes Aquáticos de 2011:

O Brasil conquistou medalhas de ouro em 4 provas em Xangai.

Em termos de medalhas de ouro, a melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de

Esportes Aquáticos.

ENTRETANTO APENAS UMA DAS PROVAS É OLÍMPICA ( 50m livres ).

Natação feminina

Na natação feminina, se o Brasil havia chegado a 5 semi-finais e a 4 finais na última edição

do mundial (Roma 2009), em Xangai 2011 a única nadadora brasileira que passou das elimi-

natórias, foi Daynara de Paula, na prova dos 50m borboleta ( prova não olímpica ).

Natação masculina

O Brasil chegou a 5 finais em Xangai 2011.

Uma redução de 50% de participações em finais, se comparado ao desempenho do último

mundial (Roma 2009), onde o Brasil chegou a 10 finais.

Já nos revezamentos se o Brasil havia chegado a duas finais em Roma 2009, desta feita não

nos classificamos para NENHUMA final.

Saltos Ornamentais

Se em Roma 2009 o melhor desempenho havia sido o 5º lugar de César Castro na final do

trampolim de 3m, neste mundial o principal nome brasileiro nos saltos ornamentais, sequer

passou das eliminatórias da prova, ficando na 23ª posição:

http://esportes.r7.com/esportes-olimpicos/noticias/cesar-castro-fica-fora-da-semi-do-trampolim-no-mundial-20110721.html

Pólo Aquático

Campanha das nossas seleções na fase de classificação:

Masculina                                     Feminina

Brasil  5  x  14  Croácia                 Brasil  4  x  15  Rússia

Brasil  11  x  13  Japão                  Brasil  8  x  13  Grécia

Brasil  9  x  13  Canadá                 Brasil  4  x  12  Espanha

O Brasil perdeu TODOS os jogos pela fase de classificação dos torneios masculino e femini-

no de pólo aquático no mundial de Xangai 2011.

Restou às seleções brasileiras de pólo aquático, disputar o torneio de consolação (de 13º a

16º lugares).

http://www.sportresult.com/sports/waterpolo/WCH2011/res.asp?layout=

Conclusões

Excluindo fenômenos como Cesar Cielo e Felipe França, que surgem esporadicamente em

nosso esporte, os esportes aquáticos do Brasil – não só não evoluiram no mundial de 2011 –

como tiveram um retrocesso em relação a última edição do mundial, disputada em Roma,

dois anos atrás.

A leitura dos argumentos que levaram o Tribunal Arbitral do Esporte ( “CAS”) a proferir o laudo sobre o caso doping dos nadadores brasileiros reforça a minha opinião de que Vinícius Waked foi severamente prejudicado. Vinícius foi o único que sofreu, na prática, uma punição.

Para proferir o laudo arbitral, diz o Painel do CAS que se baseou em documentos que efetivamente comprovam a existência de contaminação cruzada. O CAS afirmou que, em face das provas carreadas ao processo pelos quatro nadadores, a eles não coube culpa, nem negligência. Dolo, então, nem se fale.

Ora, se não há dolo, não há culpa, não há delito. Se Waked não cometeu, segundo o próprio CAS, nenhuma transgressão, absolutamente injusto o atleta ficar um ano fora das competições. A decisão é juridicamente despropositada, uma inegável desinteligência.

Em havendo nos autos provas de que a farmácia Anna Terra é a responsável por essa punição, não sobram dúvidas de que Vinícius Waked e os demais têm uma boa demanda de indenizção pelos prejuízos morais e materiais sofridos.

A Presidenta Dilma nomeou Pelé Embaixador do Brasil para
a Copa do Mundo.

É uma função decorativa. A organização ficará
integralmente a cargo do Comitê Organizador Local (“COL”), comandado
por Ricardo Teixeira. Muito mais do que nomear Pelé para o posto, pode haver
uma sinalização clara de que a Presidenta Dilma, naquilo que lhe couber, agirá
de maneira independente, mesmo que isso contrarie as vontades e os interesses
do COL.

Certamente, pela vontade do COL e da CBF, Pelé ficaria
fora de qualquer cargo de destaque na Copa do Mundo.

A Presidenta poderia fazer o mesmo para as Olimpíadas de
2.016. Desde já, nomear um grande atleta Olímpico do Brasil para ser o nosso
Embaixador (ou Embaixadora) para assuntos relacionados ao tema. Há nomes de
pessoas mundialmente respeitadas que poderiam assumir a posição. Apenas para
citar alguns: Lar Grael, Joaquim Cruz, Paula e Ana Moser.

Consta que Dilma não gosta da nossa cartolagem. Já é um
excelente sinal. Não basta simplesmente detestá-los. Como Presidenta da
República ela tem, sim, mecanismos legais para substituí-los por gente mais
qualificada.

Tomara que ela faça isso.
Seguramente não será pelas mãos de Orlando Silva, comprometido do dedão do pé
até o último fio de cabelo com o establishment conservador que a cartolagem do
País nos tem enfiado goela abaixo.

Mesmo sem Orlando Silva, se quiser, a Presidenta da
República poderá modificar severamente as estruturas obsoletas do esporte
nacional.

Com a ajuda do Mestre José Cruz, levantei quanto a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”) recebeu de recursos públicos desde o campeonato mundial de Roma, em 2.009, até hoje. Vejamos:

Patrocínio da estatal Correios:

2010/2011 – R$ 10 milhões

2010/2011 – R$ 10 milhões

Fonte: Correios e Imprensa

Lei De Incentivo – Renúncia Fiscal – Valores Captados

Maratonas Aquáticas – R$ 488.076,00

Polo Aquático – R$ R$ 1.439.315,00

Natação – R$ 2.268.782,00

Saltos Ornamentais – R$ 475.084,00

Nado Sincronizado – R$ 1.058.554,00

Coordenadores – R$ 578.339,00

Total: R$ 6.308.150,00

Fonte: Ministério do Esporte/Lei De Incentivo ao Esporte

2.009 – R$ 2.576.703,00

2.010 – R$ 3.143.056,00

2.011 – Valores Ainda Não Divulgados Pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Mas Não Será Inferior A 2.010

TOTAL GERAL: R$ 32.027.909,00 – DINHEIRO PÚBLICO

Até agora, os resultados obtidos pela CBDA no mundial de Shanghai são bem piores do que os de Roma, dois anos atrás. Não se enganem com as medalhas de ouro. Analisem globalmente.

As três medahas que o Brasil obteve até o momento custaram aos bolsos do Brasileiro R$ 10.675.970,00. Lembrem-se de que não estão computados aqui o que a CBDA já recebeu em 2.011 da Lei Piva, dado esse que o Comitê Olímpico Brasileiro faz questão de manter em segredo (mais dinheiro público).

Está bom o valor, ou querem mais?

Pois bem, mesmo em face de tanto dinheiro público, além de os resulados do Brasil serem bem piores, até o momento, hoje vemos uma delegação que depende de dois atletas que, brilhantemente, vêm cumprido aquilo que deles já se esperava.

De resto, não houve qualquer avanço. Pelo contrário. Regrediu-se.

Isso para ficar somente na natação masculina. Natação Feminina, Saltos Ornamentais, Nado Sincronizado e Polo Aquático Masculino e Feminino continuam à míngua de resultados um pouquinho mais expressivos..

Portanto, muito cuidado com os ufanistas de plantão. Vão fazer fanfarranice com o seu dinheiro.

Recursos, fica comprovado que há. O que falta é competência para gerí-los adequadamente.

Enquanto a cartolagem e o governo não enfiarem na cabeça que esse dinheiro acima deve ser aplicado substancialmente na formação de atletas, na massificação do esporte, vamos ficar olhando eles comemorarem poucas medalhas, quando poderiam ser muitas mais, em um trabalho de longo prazo.

Em 21 de julho de 2.009 eu escrevi o seguinte sobre a primeira medalha do Brasil no mundial de desportos aquáticos: <a href="https://albertomurray.wordpress.com/2009/07/21/brasil-ganha-a-primeira-medalha-em-roma-no-campeonato-mundial-de-desportos-aquaticos/

“>https://albertomurray.wordpress.com/2009/07/21/brasil-ganha-a-primeira-medalha-em-roma-no-campeonato-mundial-de-desportos-aquaticos/</p&gt;

De lá para cá não mudou muita coisa, a não ser o aumento de dinheiro público injetado na Confederação. Não se deixem enganar pelas medalhas que Cesar Cielo poderá ganhar novamente. Isso não reflete a realidade da natação do País. Continuamos ganhando medalhas aqui e acolá, resultados de valores isolados e não de uma plataforma de massificação do esporte.

Por enquanto, o que vimos o Brasil conquistar em Shanghai era o que já se sabia. Por outro lado, esperava-se muito mais nadadores atingindo semi finais, o que não ocorreu.

Aguardemos o final do campeonato para a análise.

Por ora, o que se vê é muito pouco em face do dinheiro público e das expectativas criadas.

Façam as contas verão quanto terá custado de dinheiro público cada medalha obtida pelos desportos aquáticos do Brasil.

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