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Nuzman Anda Sumido.

outubro 28, 2013

Percebam como Carlos Nuzman anda sumido depois que foram veiculadas notícias de que a Presidenta Dilma Rousseff está muito desgostosa com o trabalho dele, a tal ponto que, em uma reunião havida no gabinete presidencial, após veemente reprimenda, fez o presidente do COB e do Co-Rio chorar, na presença de outras testemunhas. E ato contínuo nomeou o General Fernando Azevedo Silva para dirigir a Autoridade Pública Olímpica, com a função de colocar ordem na casa. Relembrem colunas publicadas por Juca Kfouri sobre o tema, há algumas semanas.

A partir daí, Nuzman desapareceu do noticiário, deixou de circular, justo ele, que é tão afeito aos holofotes e à badalação. Esse sumiço é sintomático, um aconselhamento de sua assessoria de imprensa, daqueles outros contratados para tentar melhorar sua imagem no Distrito Federal, conforme também noticiado pela Folha de São Paulo.

A opção pela momentânea atitude “low profile” de Nuzman é para ver se ele cai no esquecimento, ao menos por um período, de tal forma que os acirrados ânimos palacianos contra ele sejam amainados e ele consiga uma sobrevida.

Mas a situação do presidente do COB e do Co-Rio não é fácil. O Palácio do Planalto está decidido a fazer com que os Jogos Olímpicos de 2.016 não sejam uma repetição do escândalo que foram os Jogos Panamericanos de 2.007, 1.000% mais caros e sem legado algum para o Rio.

E para que isso não se repita, o Governo está convencido de que é necessário mudar aquela mesma gente que administrou o desastrado Pan 2.007 e que até agora tem, mal e mal, tocado o Rio 2.016.

Se Nuzman continuar, o que se projeta é que terá seus poderes e influência muito reduzidos.

Esportes olímpicos sob graves suspeitas de corrupção

José Cruz 24/10/2013 10:05

Depois de denúncias de irregularidades financeiras nas confederações de Tênis, Taekwondo e Ginástica, todas envolvendo uma bolada de dinheiro público, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) volta ao noticiário esportivo-policial. Porque, quem já deu calote em banco, como a CBB é, de fato, caso de polícia.

A situação é tão grave que a Eletrobras suspendeu patrocínio ao basquete, como revela em detalhes o companheiro Fábio Balassiano, em seu blog. Confira lá.

Ginástica

Esta semana, a Folha de S.Paulo também divulgou que a Confederação de Ginástica registrou “falhas graves, entre elas atraso em pagamento de anuidade à federação internacional da modalidade e falta de uma administração profissional”.

Depois dos problemas no laboratório de combate à dopagem, Ladetec, que foi descredenciado pela Agência Mundial Antidoping, agora uma instituição olímpica dá calote na entidade internacional à qual está subordinada.

É preciso lembrar que a Confederação de Ginástica tem patrocínio da Caixa Econômica. Estará a gerência de Marketing da Caixa agindo com o mesmo rigor da Eletrobrás, na fiscalização dos gastos de sua parceira, agora também suspeita de irregularidades com dinheiro público?

Leia os detalhes dessa reportagem

Tênis

Já o presidente da CBT (Confederação de Tênis), Jorge Rosa, foi investigado pela Polícia Federal e responde a processo, em segredo de Justiça, em São Paulo.

Rosa apresentou notas frias na prestação de contas de R$ 600 mil ao Ministério do Esporte, além de ter usado duas contas de laranjas para movimentar a grana da entidade que dirige.

E vem mais, porque no ano passado o Ministério do Esporte entregou R$ 2.018.000,00 – isso mesmo, dois milhões de reais – para a CBT, que já estava sob investigação, para realizar “treinamento multidisciplinar aos Jogos Rio 2016”.

Foi uma execução tão desastrosa, sem contemplar o total de atletas previstos, que o Ministério do Esporte não renovou a parceria.

Taekwondo

Recentemente, os companheiros da ESPN produziram um programa com manifestações de técnicos, atletas e dirigentes denunciando gestão financeira suspeita na CBTk (Confederação Brasileira de Taekwondo).

O vídeo sobre essas denúncias está aqui:

O que diz o COB

As denúncias sobre a CBTk são graves e consultei o COB sobre o assunto. A resposta foi a seguinte:

“O Comitê Olímpico Brasileiro, após receber grupo de Dirigentes e Atletas praticantes de Taekwondo, estudou detalhadamente as questões que lhe foram apresentadas e concluiu não ser cabível a criação de uma “Comissão Especial Temporária”, como anteriormente anunciado através de “Nota à Imprensa” divulgada em 21 de junho, tendo em vista se tratar de divergências entre a Confederação Brasileira de Taekwondo e algumas de suas filiadas. O Comitê Olímpico Brasileiro informa que, dentro dos estritos limites de sua competência, continuará verificando a correta aplicação dos recursos repassados à Confederação Brasileira de Taekwondo e acompanhará eventuais demandas, judiciais e / ou administrativas, que possam estar relacionadas com a referida Entidade, de modo a, se necessário, adotar as providências cabíveis.”

Enfim, são muitas fontes de recursos públicos (sete estatais, orçamento federal, Lei de Incentivo, Lei Piva, Bolsa Atleta), e o Ministério do Esporte não tem estrutura para acompanhar a execução de centenas de convênios nem fiscalizar com rapidez as prestações de contas.

Já o COB fiscaliza especificamente a aplicação dos recursos da Lei Piva, por ele administrada. Mas não pode fechar os olhos às denúncias de suas filiadas, que são várias e de longa data.

Como já é de ciência de todos no mês de maio o Ministério da Educação em parceria com
o Ministério do Esporte lançou o Programa Atleta na Escola:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-07/lancado-programa-que-desenvolvera-talentos-para-os-esportes-olimpicos

Programa que, diga-se de passagem, já deveria ter sido lançado há muito tempo.

Mas o Programa Atleta na Escola supre as necessidades ?

A resposta é não !

Senão vejamos:

1) O Programa Atleta na Escola é um programa DE SELEÇÃO e com duração limitada.
Não é um programa continuo e com calendário de competições e atividades durante
TODO PERÍODO LETIVO como ocorre nos programas de esporte escolar dos EUA e de
Cuba, por exemplo.

2) O Programa Atleta na Escola não é um programa obrigatório no currículo das escolas
como o programa de atletismo escolar da Jamaica ou o de natação escolar do Reino
Unido:

http://www.swimming.org/asa/news/school-swimming/asa-delighted-that-confirmed-national-curriculum-includes-swimming-and-wate/17638

Como o programa não é obrigatório, o número de escolas que aderiram ao programa e participaram das atividades foi irrisório.

Levando-se em conta o número total de escolas (do programa podem participar escolas municipais, estaduais, federais e privadas), para que se tenha uma idéia da adesão, vejam que nas duas maiores cidades da região metropolitana de Porto Alegre (Porto Alegre e Canoas) os números são estes:

– Porto Alegre – de um universo de 1.042 existentes no município de Porto Alegre, apenas 24 escolas aderiram ao programa e participaram das ativi-
dades:

– 8 da rede pública municipal (de um total de 96 escolas municipais) ,

– 15 da rede pública estadual (de um total de 258 escolas estaduais) ,

– Uma federal (de um total de 5 escolas federais) e

– Nenhuma privada (de um total de 683 escolas privadas).

– Canoas – de um universo de 159 existentes no município de Canoas (vêr planilha em
anexo), apenas 26 escolas aderiram ao programa e participaram das atividades:

– 18 da rede pública municipal (de um total de 72 escolas municipais) ,

– 8 da rede pública estadual (de um total de 36 escolas estaduais) ,

– Nenhuma federal, e

– Nenhuma privada (de um total de 50 escolas privadas).

A lista de escolas que aderiram ao programa pode ser conferida aqui:

http://atletanaescola.mec.gov.br/simecescolas.html

3) O Programa Atleta na Escola em seu primeiro ano só ofereceu o atletismo e no ano seguinte estão previstos o judô e o vôlei. Ao passo que em países como Cuba e EUA, as escolas de rede pública oferecem uma gama de 20 a 25 modalidades olímpicas à escolha dos seus alunos.

4) O MEC e o Ministério do Esporte não poderiam fimar convênios e parcerias com as AABBs, com o SESC e com o SESI, para que o Programa Atleta na Escola fosse ampliado e
um número maior de estudantes fosse atendido, tendo em vista a infraetrutura esportiva de que dispõem estas instalações (pistas de atletismo, piscinas olímpicas e semi-olímpicas, quadras poliesportivas, ginásios para a prática da ginástica ar-tística, quadras de tênis, etc…) e assim criar um programa de esporte escolar similar ao dos EUA ou ao de Cuba, por exemplo ?

Não está faltando um pouco de visão aos nossos entes públicos ?

Mais detalhes sobre estas instalações nos links abaixo:

http://www.significados.com.br/aabb/

http://www.sesc.com.br/portal/lazer/Esportes/

http://www.portaldaindustria.com.br/sesi/canal/atleta-do-futuro-home/

Cabe questionar também:
1) Porque em 17/05/2006 os nobres deputados da CTD (Comissão de Turismo e Desporto da Câmara do Deputados) votaram UNANIMIMENTE pela rejeição do Projeto de Lei nº 1.875-A/03?

http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/integras/395989.htm

Projeto de Lei este que se viesse a ser aprovado, implantaria em nossa rede pública de ensino os Centros de Ensino Esportivo, revolucionando o esporte escolar no Brasil, pois não só daria acesso ao esporte a TODOS os estudantes da rede pública de ensino (com a possibilidade de optarem por diversas modalidades olímpicas), bem como disponibilizaria a nossa rede pública de ensino, a infraestrutura que não dispõe para a prática de diversas modalidades esportivas.

2) Um dos óbices apresentados pelo parecer do relator do PL 1.875-A/03 foi o de que o PL contraria o artigo 34 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Pelo fato de que tornaria obrigatória a presença dos estudantes em novo turno escolar, implementando a jornada escolar em tempo integral nas redes de ensino público municipal e estadual e qual o malefício traria tornar obrigatória a presença dos estudantes em novo turno escolar, implementando a jornada escolar em tempo integral nas redes de ensino público ?? Muito antes pelo contrário, a presença dos estudantes em atividades esportivas no contraturno escolar os afastaria do ócio, da criminalidade e do contato com as drogas.

Sendo assim, não seria de bom grado uma alteração na LDB ?

Deixo as questões aqui levantadas para análise de cada um.

Aldo Rebelo ensaiou ser candidato a governador de São Paulo pelo PC do B, cujo programa partidário, ao menos em tese, segue o regime comunista que foi aplicado na Albânia. Como comentaram José Trajano e Juca Kfouri na ESPN Brasil, seria curioso verificar Aldo gerindo o Estado conforme as regras da Albânia. Mas a candidatura natimorta do Ministro do Esporte não durou nem uma semana. E São Paulo perdeu a chance de, mesmo que Aldo não ganhasse, saber mais, durante a campanha eleitoral, qual seria sua proposta albanesa de governo. Aldo ganhou da Presidenta Dilma Rousseff a promessa de que, se reeleita, seguirá Ministro durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Assim, ao que tudo indica, Aldo não será candidato nem a Deputado Federal. É uma aposta arriscada. Orlando Silva havia recebido as mesmas garantias e bastou um escândalo para ser defenestrado.

Tenho repetido neste espaço que não acho Aldo Rebelo um mau político. Ele sabe fazer política, composições, engolir sapos, negociar aqui e ali, transitando com certa destreza em setores que vão desde os comunistas albaneses até os ruralistas da UDR. Se assim não fosse, não teria sido presidente da Câmara dos Deputados, nem Ministro responsável pela articulação política do Lula. O que Aldo Rebelo não conhece é esporte. E a garantia de que ele seguirá Ministro da Pasta por vários anos, em caso de reeleição da Presidenta, não é bom para o segmento. Aldo, pessoa de bom trato, definitivamente não é do ramo. Fez com que o cargo de Ministro do Esporte mais parecesse com o de fiscal de obras, ao perambular pelo País com um capacete vistoriando os “elefantes brancos” erguidos para a Copa. E as mesmas atribuições parecem que continuarão lhe cabendo com relação às obras dos Jogo Olímpicos.

Isto quer dizer que a Pasta do Esporte seguirá à mercê de sua própria sorte, terceirizada a um partido político que a receberá de porteira fechada, como fruto de um entendimento político em troca de votos no Congresso Nacional. O Ministro continuará viajando pelo Brasil trajando seu indefectível capacete de fiscal de obras, enquanto todos nós ainda teremos que esperar alguns anos para termos a esperança de ver brotar um plano nacional de desenvolvimento do esporte, que comece pela base, até chegar ao topo da pirâmide, compartilhado com o Ministério da Educação. A altura do vértice da pirâmide será inversamente proporcional ao tamanho de sua base.

Que o capacete do Ministro o proteja das pedras das construções caríssimas e do sol do Brasil. E que pelo menos os índices de inflação estejam sob controle.

A função de uma Organização Não Governamental, o chamado terceiro setor é suprir deficiências do Estado em áreas de interesse social. Ou seja, em áreas em que o setor público é carente, a sociedade civil organiza-se para preencher essa lacuna. A natureza lógica e jurídica dessas ONGs é que elas sejam municiadas com fundos privados, de seus membros e apoiadores.

É frequente ver no Brasil ONGs que abocanham porções gigastescas de dinheiro público para suas atividades, seja por convênios firmados com a administração direta (ministérios, por exemplo), seja com estatais. No Brasil, isso é muito comum na área do esporte. O ápice dos convenios entre o Ministério do Esporte e essas ONGs deu-se durante a gestão de Orlando Silva, em que milhões de Reais foram repassados para entidades privadas para realizar aquilo que deveria ser tarefa do próprio Ministério. Houve um caudal de denúncias de mau uso desse dinheiro que culminaram com a demissão do Ministro. O mesmo ocorre com empresas estatais que investem no esporte. Elas confiam muito dinheiro do povo a instituições privadas que, em nome delas, administram essas quantias.

ONGs, por princípio, devem recusar-se a receber dinheiro público. E o Estado, incluindo as empresas estatais, não podem terceirizar ao setor privado e ao mesmo tempo financá-lo, aquilo que é sua obrigação. Isso é um desvirtuamento da função das ONGs e do próprio Estado.

Quando da demissão de Orlando Silva, havia mais de sessenta processos de irregularidades nesses repasses de dinheiro público para ONGs privadas sendo analisados da Corregedoria Geral da União.

Também acho que o dinheiro público repassado pelas estatais à órgãos privados fomentadores do esporte deveriam ter prestação de contas mais apurada.

As ONGs brasileiras são mais uma de nossas jaboticabas.

Sylvio de Magalhães Padilha - Final 400 metros com barreiras - Berlin 1.936

Em breve a Presidenta Dilma Rousseff sacionará a Medida Provisória 620, que impõe novas regras de transparência na administração das entidades dirigentes do esporte no Brasil.

O momento da sanção presidencial deverá ser solene, com a presença de várias pessoas destacadas no esporte, sobretudo atletas e ex atletas.

Por questões protocolares, acho que o cerimonial da Presidência da República convidará o pessoalzinho do COB e alguns presidentes de Confederações para a solenidade. Será curioso saber se essa cartolagem que tanto esforço fez para barrar a MP 620 atenderá ao convite presidencial. E, se aceitar, como se comportarão no evento.

A Presidenta da República sabe que esses dirigentes estão desgostosos com essa nova legislação, assim como extremamente preocupados com os novos rumos que o Governo deseja dar à APO.

Imaginem, então, a Presidenta da República sancionando a nova lei e a cartolagem batendo palmas para ela.

Ou será que essa gente terá coragem de enfrentar o Governo, que paga as contas de suas modalidades?

Será uma cena curiosa.

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