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O Santos Dumont Olímpico.

março 30, 2012

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Londres, é importante
relembrar fatos relacionados aos primeiros tempos do Movimento Olímpico.

Na primeira década do século XX a pessoa mais popular da França era o brasileiro
Alberto Santos-Dumont. Ele enfeitou os céus de Paris com seus balões e, neles,
sempre havia uma flâmula verde e amarela, a informar que ali estava um brasileiro.
Foi Santos-Dumont também, quem promoveu em Paris, no Parque dos Príncipes, a primeira
competição de triciclos a motor, os precursores das motocicletas.
Ele era considerado, na Europa, o maior esportista da América do Sul.
Em 1906 recebeu do Comitê Olímpico Internacional, o Diploma Olímpico do Mérito,
transformando-se no primeiro cidadão brasileiro a receber um prêmio olímpico.

Com relação a Santos-Dumont e a Roland Garros sugerimos o vídeo
postado no Youtube sob o título: Santos e o Centenário do Primeiro voo.

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Em 1.936 dois cidadãos da California, Bill Schroeder e Paul Helms, criaram a Helms Foundation, cujos objetivos eram promover os esportes, catalogar os melhores resultados obtidos nas modalidades, ressaltar expoentes, criar o Hall of Fame dos melhores atletas dos Estados Unidos e de outros continentes.

Dentre as iniciativas tomadas pela Helms Foundation foi outorgar um troféu anual àquele escolhido como o melhor atleta de cada continente, levando em conta todas as modalidades.

Em 1.939, meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, teve a honra de receber da Helms Foundation o troféu de Melhor Atleta das Américas. Fui verificar, por mera curiosidade, outros atletas que já ganharam a mesma láurea. Pois vejam outros nomes que, em anos distintos, também receberam o Troféu Helms: Avery Brundage, Ron Clarke, Jules Landoumegue, Emil Zatopek, Jim Thorpe, Jesse Ownes e Abebe Bikila.

Além de entregar um troféu a cada atleta anualmente nomeado, a Helms Foundation possui um troféu grande, que fica em sua sede, no qual estão gravados os nomes de todos aqueles desportistas que já receberam tal prêmio. Em viagem a Los Angeles com meu avô, ví esse troféu exposto.

Atualmente a Amateur Athletic Foundation, criada por ocasião dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1.984, abarcou o acervo e as atividades da Helms Foundation.

E na sua sede, também em Los Angeles, está exposto o troféu com os nomes dos maiores atletas do mundo em suas épocas.

Para quem gosta de pesquisar o esporte e o Olimpismo, a Amateur Athletic Foundation é uma excelente fonte de pesquisa.

 

http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/conteudo.phtml?id=1237077 

Ontem, sábado e hoje, domingo, houve um torneio interclubs/academias de esgrima, do Estado de São Paulo. São Paulo não tem um campeonato estadual da modalidade. Também não existe a Federação Paulista de Esgrima. O que restou da Federação é uma pessoa jurídica inativa, cheia dívidas. Por isso, na falta de uma entidade que congregue e coordene a esgrima em São Paulo, os poucos clubes, academias e escolas que mantêm a modalidade tratam de organizar e bancar torneios no Estado.

Quem monta as pistas de competição são os próprios técnicos, atletas funcionam como árbitros e mesários. E a assistência resume-se aos familiares dos competidores. Ou seja, não obstante o vultosos recursos públicos que são injetados nos esportes olímpicos, o Estado mais rico do país não consegue ter algum dinheiro para organizar uma Federação. Falta vontade política ao Comitê Olímpico Brasileiro, à Confederação Brasileira de Esgrima, ao Ministério do Esporte e às estatais patrocinadoras interesse, vontade política de criar um plano para tentar reerguer, sanear, a Federação Paulista de Esgrima. Cada uma das entidades mencionadas tem lá seus motivos para justificar essa falta de atitude. E São Paulo é o Estado que tem gerado os melhores esgrimistas, técnicos e o que há mais o maior número de praticantes. São Paulo não tem sequer voz, direito de voto, nas assembléias gerais da Confederação.

Se o Estado mais rico da Federação funciona assim, imaginem os demais, que não têm prática da esgrima, mas que gostariam de ter.

É um verdadeiro absurdo gastarem milhões de Reais em projetos megalômonos, enquanto a base esportiva continua sendo voluntária. E a esgrima é apenas um exemplo do que ocorre com a enorme maioria das modalidades esportivas olímpicas.

É a velha história de quererem construir a casa pelo telhado.

Março de 2.012 – O maior tenista do Brasil, Gustavo Kuerten, entra para o Hall da Fama do Tênis, como prêmio pelas vitórias internacionais e, sobretudo, pelas conquistas que obteve em Roland Garros, na França.

Março de 1.912 – Há cem anos, o corajoso piloto francês, Roland Garros, realizou o histórico primeiro vôo São Paulo – Santos – São Paulo, o que lhe rendeu um prêmio financeiro outorgado pelo governo paulista.

Guga Kuerten e Roland Garros, histórias de sucesso.

Bebeto de Freitas é um dos bons nomes do esporte brasileiro. Merece todo respeito e admiração como técnico de volleyball, como gestor esportivo e como cidadão. Sempre bom lembrar que foi ele o técnico daquela geração de prata do volleyball masculino.

Bebeto de Freitas é criticado e marginalizado pelo establishment do esporte brasileiro justamente por suas qualidades. Ser malhado por essa gente é um elogio.

Bebeto não “baba ovo” para cartolagem vaidosa. Tampouco faz parte
desse emaranhado de negócios que gravitam no entorno do esporte de alto rendimento, em que muita gente ganha um contrato, um afago, um mimo financeiro.

Tendo em vista a sólida formação e conhecimentos que Bebeto de Freitas possui, está aí um excelente nome que poderia compor a equipe de Aldo Rebelo.

Lí agora na internet que João Havelange está internado em estado grave, fruto de uma infecção generalizada. Quando eu era ainda muito garoto, Havelange ainda não tinha netos, ele vinha a São Paulo, passava em minha casa, levava-me para passear e só me devolvia à noite. Havelange, João, ou o “Princês”, como minha avó Yvonne o chamava, sempre teve conosco relação familiar muito próxima. Ele e meu avô conheceram-se nos campos do esporte do Fluminense, na década de trinta. Quando meu avó foi à sua primeira olimpíada como atleta, em 1.932, defendia o escudo do tricolor carioca. Mais ou menos na mesma época em que meu avô, militar, foi transferido para o 4 Batalhão de Caças da Infantaria, no bairro de Santana, em São Paulo, Havelange
também muda-se para a capital paulista, para trabalhar como advogado trabalhista da Viação Cometa. Ambos passaram a defender o Clube Espéria, uma das potências esportivas da época, meu avô, o Capitão Padilha, no atletismo e Havelange na natação. Em 1.936 ambos integraram a delegação nacional que foi aos Jogos Olímpicos de 1.936, na tenebrosa Alemanha nazista. Meu avô era o então recordista sulamericano dos 110 e 400 metros sobre barreiras e, em Berlin,
tornava-se o primeiro atleta do continente a atingir uma final olímpica nessa modalidade. Havelange era o campeão brasileiro dos 1.500 metros nado livre. As carreiras como dirigentes também seguiram caminhos próximos, embora cada qual tivesse métodos absolutamente opostos de administrar certas coisas. Meu avô, em 1.939, é nomeado diretor do Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo e, ao mesmo tempo em que ainda era atleta de destaque mundial, empenhou suas atividades em programas de massificação do esporte. Na mesma época Havelange assumia a diretoria de natação do Espéria e, em seguida, a presidência da Federação Paulista de Natação. O tempo passou. Havelange tornou-se presidente da CBD. Meu avô assume a presidência do COB, também mais ou menos na mesma época. Ambos
chegaram ao COI com apenas um ano de diferença. Meu avô é eleito vice – presidente do COI, enquanto Havelange é eleito presidente da FIFA.
Como já ressaltei, havia entre os dois divergências profundas na forma de administrar as coisas do esporte. Um olimpistas puro, amador, meu avô nunca admitiu que do esporte se tirasse qualquer proveito financeiro. Mesmo tendo ocupado os cargos mais importantes da estrutura do esporte mundial, meu avô, Major Padilha, morreu em 2.002 recebendo seus proventos de militar reformado do exército brasileiro e aposentadoria como professor aposentado de educação física do Estado de
São Paulo. Sua preocupação era com o esporte educação. Havelange, por sua vez, transformou a FIFA em um das maiores multinacionais do planeta, cujo PIB era equiparado ao de muitos países. Em 1.970 Havelange insistiu muito que meu avô fosse ao México chefiando a equipe que viria a ser tri campeã mundial. Assim como inúmeras vezes Havelange convidou meu avô a integrar o Comitê Executivo da FIFA. O Major Padilha, sempre com educação, recusou tudo isso. Por razões de foro íntimo preferia não se envolver nas coisas do futebol. Mantinha-
se ligado, exclusivamente, aos chamados “esportes amadores”, ou “olímpicos”. Não obstante as diferenças que pautavam a forma de administrar o esporte, meu avô e Havelange nunca deixaram de ser amigos. Havelange tem uma qualidade importante, que é ser leal às suas amizades, desinteressadas, mesmo com aqueles que porventura discordem dele em muita coisa. Quando meu avô, em uma reunião da Comissão de Elegibilidade COI teve um acidente vascular cerebral, Havelange imediatamente cancelou toda a sua agenda internacional e dirigiu-se ao Hospital Universitário de Lausanne, para vê-lo e emprestar sua amizade. Essa relação próxima, respeitadas as diferenças ideológicas, fez com que eu também tenha convivido de maneira próxima com Havelange e sua sempre amável mulher, Anna Maria. O casal é meu padrinho de casamento. Convidei-os para meus padrinhos pela amizade que sempre nos dispensaram. E não porque tive quaisquer outros interesses, até porque, além de realmente não tê-los, minha condição pessoal e profissional prescidem desse tipo de artifício. Nunca escondi dele, nas incontáveis vezes em que conversamos sobre esporte, o que acho, o que penso e como entendo que o esporte deva ser. Mesmo em minhas críticas mais ásperas, Havelange deixou de ser cordial comigo. Não me afasto um milímetro sequer de minhas posições claras sobre as coisas do esporte. Da mesma maneira como prezo bastante a amizade que João e Anna Maria Havelange sempre nos dispensaram.

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