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Abaixo vemos licitações que só agora, que o COB está sob os holofotes, altamente pressionado pel mídia e pela sociedde em geral,  estão sendo levadas a cabo, talvez com medo do Ministério Público. Mas contratação de Escritório de Advocacia não foge à regra do artigo 4º do Decreto 5.139/2004. Tem que ser licitado também. Se essa contratação é feita sem licitação pública, ela é ilegal e também sujeita à revisão pelo Ministério Público.

Ninguém é bobo. Licitação de faz de conta não engoliremos. O texto abaixo é do website do próprio COB.

COB CONSTITUI ADVOGADO PARA ACOMPANHAR O CASO TIM MONTGOMERY
28.11.2008 :: 15h11

Com o objetivo de defender os interesses do esporte brasileiro, o Comitê Olímpico Brasileiro constituiu o advogado Sergio Mazzillo para acompanhar o caso Tim Montgomery, atleta americano que teria competido sob efeito de doping na prova do revezamento 4x100m nos Jogos Olímpicos Sydney 2000. Em Sydney 2000, o revezamento 4x100m do Brasil conquistou a medalha de prata, ficando atrás da equipe dos Estados Unidos.

Em consulta feita pelo COB na última quinta-feira, dia 27, a Agência Mundial Antidoping (WADA) e a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) informaram que, por se tratar de uma questão relacionada aos Jogos Olímpicos, o assunto está sob a responsabilidade do Comitê Olímpico Internacional.

Ainda na quinta-feira, em resposta à consulta do COB, o Comitê Olímpico Internacional informou que a entidade “cuidará deste assunto como parte do arquivo que se encontra ainda aberto do caso BALCO e tomará todas as medidas necessárias. Retrocedendo ao ano de 2004, o COI instituiu uma Comissão Disciplinar com o objetivo de investigar de que forma o caso BALCO pode ter afetado as competições dos Jogos Olímpicos. Nós apoiamos a posição do USOC em pedir ao atleta para seguir em frente e devolver voluntariamente a sua medalha.”

Abaixo três licitações em curso promovidas pelo COB no momento. Isso nunca ocorreu antes. Será que a luta de todos e a investigação do Ministério Público está fazendo com que algo mude? Vamos confereir esses editais e ver se isso não é jogo de cena. Sobre a agência de turismo, dou um doce a quem advinhar quem vai ganhar.

CO000282008 – Contratação de agência especializada em comunicação corporativa. Para maiores detalhes e obtenção das especificações, contatar a Gerência de Materiais e Tecnologia à Avenida das Américas, 899, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22631-000 ou pelos telefones: 21 -3433-5799, no horário comercial ou ainda pelo e-mail: bernardo.alvarenga@cob.org.br  Indicada nas especificações     01/12/2008

CV001562008 – Contratação de empresa para serviço de manutenção de ar condicionado preventiva pontual na central de água gelada – CAG do Parque Aquático Maria Lenk. Para maiores detalhes e obtenção das especificações, contatar a Gerência de Materiais e Tecnologia à Avenida das Américas, 899, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, CEP – 22631-000 ou pelos telefones – 21 -3433-5791, no horário comercial ou ainda pelo e-mail – gustavo.casanova@cob.org.br   Indicada nas especificações     01/12/2008

PR000032008 – Contratação de AGÊNCIA DE VIAGENS para o COB. Informações disponíveis também no site http://www.bbmnet.com.br. Para maiores detalhes e obtenção das especificações, contatar a Gerência de Materiais e Tecnologia à Avenida das Américas, 899, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22631-000 ou pelos telefones: 21 -3433-5799, no horário comercial ou ainda pelo e-mail: bernardo.alvarenga@cob.org.br

Hoje cedo, antes mesmo de abrir os jornais, fui verificar as minhas mensagens eletrônicas. Havia três, vindas do exterior, que tratavam exatamente do mesmo tema. De gente que acompanha o esporte no Brasil e com quem tenho mantido comunicação, à partir deste blog. Pessoas que cobrem o olimpismo no Brasil à partir do exterior e repercutem em jornais, e blogs de outros Países o que se passa no esporte brasileiro. Elas perguntavam minha opinião sobre a reportagem de página inteira do Estadão de hoje, que entrevista uma série de engenheiros e arquitetos os quais, unanimemente, dizem ser impossível fazer do Parque Aquático Maria Lenk uma praça esprotiva olímpica, nos termos exigidos pelo Comitê Internacinal Olímpico.

Fui ler o jornal. Um dos entrevistados diz que “O COB vendeu ao COI gato por lebre”, ressaltando que é tecnicamente mpossível transformar aquele Parque Aquático em uma praça olímpica, quase dobrando o número de expectadores. E sem falar nas demais adaptações, que serão necessárias.

Se os leitores voltarem alguns posts, verão que eu já havia escrito que não somente o Parque Aquático Maria Lenk, mas as demais obras que sobraram do Pan-Americano, haviam tornado-se “elefantes brancos” e que, além de não atenderem às especificicações olímpicas, não estavam à serviço da população do Rio.

Aliás, para saber o que fazer com essas obras mal planejadas (não pelos Arquitetos e Engenheiros), mas pelo próprio COB, foi anunciado que o Comitê Nacional contrataria empresas de consultoria internacional para saber o que fazer com elas. Devem ser essas consultoria, contratadas com dinheiro público, sem licitação, por milhões de Reais.

O fato é que nem o Maria Lenk, nem as demais instalações que restram, não obtante o altíssimo preço dessas obras, prestam para Jogos Olimpicos. Há cerca de um ano e meio atrás, eu também escrevi isso na Folha de São Paulo, como um dos argumentos pelos quais o Rio de Janeiro não estaria apto a receber Jogos Olímpicos. Mesmo sabendo disso, àquela altura, minha esperança é que, ainda assim, essas praças esportivas seriam colocadas a serviço da população do Rio de Janeiro, que fossem criadas escolinhas de esportes em cada um deles. Mas nem isso foi feito. Viraram, mesmo, alvíssimos “elefantes”, construídos à preço de platina.

Há, ainda, a questão do direito autoral. Se os Arquitetos, autores das obras, não quiserem que sejam alterados os seus projetos originais, eles têm direito de pleitear na Justiça a manutenção do projeto. Há de se ver se eles já deram, ou dariam essa autorização. De qualquer forma, eles mesmos dizem que, independentemente disso, a ampliação do Parque Aquático Maria Lenk é tecnicamente inviável.

Nunca ví tamanha incompetência e falta de planejamento. Que , agora, pelo menos, o COB, que administra essas praças desportivas,  abdique da intenção de contratar consultorias esportivas e crie, em cada um delas, métodos de massificar o esporte, dando acesso à população pobre do Rio de Janeiro de frequentá-los. Tome como exemplo o que há anos é feito com os Conjuntos Desportivos Baby Barioni e Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo.

Agora vou responder aos meus e-mails e afirmar que meus interlocutores têm razão. O Maria Lenk não é e nem poderá ser praça esportiva olímpica. Aliás, nem precisa mesmo, porque o Rio de Janeiro não tem chances de vencer o pleito para 2.016.

As notícias no Brasil correm o mundo. A mentira não dura muito.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Procuradoria da República no Distrito Federal

PORTARIA Nº 39/2008

O Ministério Público Federal, no uso das
 atribuições constitucionais conferidas
 pelo art. 129 da Constituição da
República, e considerando:

 

a) o rol de atribuições elencadas no art.
6.º da Lei Complementar nº 75/93;
b) a incumbência prevista no 7º, inciso I, da mesma
Lei Complementar;

 

c) o disposto na Resolução nº 23, de 17 de
setembro de 2007, do Conselho Nacional do
 Ministério Público;

d) o recebimento e distribuição de

 peças de informação com o seguinte

 teor:

 

Peças de Informação: 1.16.000.003459/2008-13

Autor da Representação: ALBERTO MURRAY NETO

Pessoas citadas: MINISTÉRIO DOS ESPORTES – COMITE OLIMPICO BRASILEIRO

Objeto: SUPOSTAS IRREGULARIDADES NA APLICAÇÃO DE VERBAS DESTINADAS À CANDIDATURA RIO 2016 AOS JOGOS OLÍMPICOS POR PARTE DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO. CONVÊNIO Nº 121/2008 PELO QUAL O MINISTÉRIO DOS ESPORTES DISPONIBILIZA MAIS R$3.644.498,09, SOMANDO AOS R$85.000.000,00 ANTERIORMENTE DADOS, PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS, NO BRASIL E NO EXTERIOR, PARA A CANDIDATURA RIO 2016 AOS JOGOS OLÍMPICOS. NÃO REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES.

Determina:

 

1 – A instauração de Procedimento Preparatório para apurar eventual irregularidade descrita nos fatos noticiados na presente peça de informação.

2 – A publicação e registro da presente Portaria,

 bem como sua imediata conclusão para a análise

das diligências iniciais.

 

Brasília, 11 de novembro de 2008.

 

CARLOS HENRIQUE MARTINS LIMA

Procurador da República

O paisinho que ainda tem o que aprender

Ao liberar R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Lula protestou, em tom indignado: “Qual a explicação para que nunca tenhamos tido uma Olimpíada na América do Sul? O Brasil não é um ‘paisinho’ qualquer”. E concluiu: “Em qualquer critério que venha a ser analisado, o Brasil se coloca entre os 10 maiores países do mundo”.

É verdade, não somos mais um “paisinho”. Houve progressos expressivos, deve-se reconhecer. Mas é exagero afirmar que estamos entre os 10 do mundo “em qualquer critério”. Como disse o poeta, “tudo depende do ângulo com que se mira o cristal”. E, então, teremos várias cores e tonalidades variadas.

E já que estamos falando de esportes, vamos mirar a afirmação do presidente Lula sob esse enfoque. No critério olímpico não estamos entre os 10 do mundo. Aí, a realidade é mais dura. Exemplo batido, mas é preciso citá-lo: há 24 anos o nosso atletismo não ganhava uma medalha de ouro olímpica. Esse triste recorde de um quarto de século era de Joaquim Cruz. Na Olimpíada de Sydney, em 2000, chegamos ao último dia de prova dependendo do desempenho de um cavalo para ganhar uma, uma só medalha de ouro. E o cavalo, Baloubet de Rouet, empacou.Mais uma virada no cristal e observaremos que não temos política de esportes. Em qualquer “paisinho”, socialista ou capitalista, de ontem e de hoje, a atividade física na escola é programa elementar. Não no Brasil, onde faltam equipamentos, instalações e incentivo aos professores, desmotivados pelo abandono da classe nos últimos anos.

E estamos nessa situação mesmo contando com ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde. No entanto, que programas integrados de governo temos para nossa juventude, culminando com a identificação de atletas? Olhando o cristal sob esse enfoque somos, sim, um paisinho. E não é por falta de dinheiro. Ocorre que o brasileiro desconhece o potencial de seu país e se contenta com pouco. Um pódio olímpico é motivo para festa espetacular. Como se fôssemos os melhores, imbatíveis. Uma medalha na natação é manchete nacional e festa que dura uma semana. E estamos falando de um “paisinho” de 33 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas…

Mas não sabemos como encaminhá-las para explorar os seus potenciais, seja no esporte, nas artes, enfim. Isso porque falta aos ocupantes do Ministério do Esporte compromissos com o setor. São políticos de passagens transitórias pela Esplanada. Logo, suas prioridades são outras, como a própria projeção de seus partidos.

Enquanto isso ,

…. quando se tem alguma iniciativa para se tentar fazer um mínimo com o dinheiro disponível, a corrupção aparece em primeiro lugar. Nesse ponto sim, presidente Lula, estamos, com certeza, entre os 10 países do mundo. Mas esse, sabe-se, é o pódio da vergonha.

Querem ver? Há muito tempo a imprensa vem denunciado que o programa Segundo Tempo, destinado a manter as crianças na escola por mais um turno é uma enorme farsa. Provas sobre isso não faltam.

A mais recente é um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que está dando dor de cabeça enorme a técnicos do Ministério do Esporte, para tentar explicar onde foi parar o dinheiro que não chegou ao seu destino.

O relatório é sobre auditorias em instituições do Rio de Janeiro que recebem verba do Segundo Tempo. Os dados que ali constam são de arrepiar. Lá pelas tantas diz que o Ministério do Esporte destinou à ONG Viva Rio recursos para atender 50.248 crianças. No entanto, só encontraram 34 mil crianças cadastradas. Que fim levaram os recursos que atenderiam 16.248 crianças ?

Os auditores também constataram que foram pagas despesas por serviços que não realizados, além de convênios com instituições que não tinham estrutura mínima para desenvolver o Segundo Tempo.

Em outro convênio, pagou-se R$ 60 mil por material esportivo adquirido de uma empresa – acreditem – fornecedora de alimentos. Pior: pagou-se e os tênis não foram entregues. Em que categoria o presidente Lula enquadraria o nosso Brasil diante dessa evidência de corrupção ?

 Por José Cruz

Não sei se mais patetica foi a apresentação do COB na Câmara dos Deputados, ou a atuação dos próprios, com rarissimas exeções. Ficaram lá debatendo o resultado brasileiro em Pequin, se o suposto 23º lugar é bom e esqueceram, ou não quiseram, tocar nas feridas.
O COB tem que explicar aonde foi investido cada centavo de dinheiro público repassado para ele. E não ficar convencedo Deputado de que o resultado em Pequin foi bom.
E Deputado está lá para perguntar sobre as denúncias quase que diárias expostas na imprensa. Ainda que o Brasil tivesse ganho 100 medalhas douradas, isso não justificaria a falta de transparência na aplicação do dinheiro público e o descumprimento da lei de licitações, apenas para citar um exemplo.
Eu quero louvar a atitude do Deputado Silvio Torres que, até o momento, está lutando pela criação da CPI Olimpica no Brasil. Que ele continue assim. Vamos ficar de olho.
E o Deputado Juvenil?
O Deputado  Juvenil (Juvenil é o nome dele, mesmo. Não é sacanagem), disse que a apresentação do COB na Câmara  “foi altamente esclarecedora para o Brasil”.
Nobre Deputado Juvenil, V. Exa. entende de esporte? Leu V. Exa. o relatório e o voto do TCU sobre as contas do Jogos Pan-Americanos Rio 2.007? Conhece V. Exa. o Decreto que regulamenta a Lei Piva que exige que o COB licite todas as suas obras e serviços, sem exceção? Conhece V. Exa. , Deputado Juvenil, os milhões que ja foram investidos de dinheiro público nessa candidatura Rio 2.016 com contratação de consultorias? Sabe V. Exa. quantos milhões de Reais do povo já foram pagos em consultoria para o Rio 2.016? Qual é a sua Deputado Juvenil, com todo o respeito?
Enquanto isso, a nossa medalhista olímpica de judô esta aí, na situação abaixo. Esse é o grande Brasil Olimpico, do COB, do Ministro e do Deputado Juvenil.
O Deputado Juvenil ficou contente. Tão entusiasmado com o olimpismo brasileiro que, talvez, ele até comece a treinar para conseguir uma vaguinha na equipe olímpica no Rio de Janeiro 2.016.

27/11/2004

O bronze não mudou nada 
 por Daniel Brito 
 
Primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em esportes individuais, a judoca Ketleyn Quadros está desiludida. Ela acreditava que a medalha de bronze conquistada em Pequim, há menos de quatro meses, faria sua vida mudar para melhor. Mas não foi isso o que aconteceu.
 
Assim que chegou da China, ainda em agosto, a brasiliense apresentou propostas de patrocínio a 40 empresas de Belo Horizonte, onde mora desde 2006. Ouviu 40 vezes o “não” como resposta. Cada um à sua maneira. “Algumas empresas disseram que era por causa da crise nos Estados Unidos, outras falaram que já tinham fechado o orçamento para 2009, ou que faltava verba para o final deste ano”, relata ela, em entrevista ao JT. “Sinceramente, não sei mais o que um atleta precisa fazer para conseguir apoio financeiro no Brasil.”
 
Ketleyn sobrevive com R$ 1,2 mil mensais, a ajuda de custo que recebe de seu clube, o Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte. Isso a impede de ser contemplada pelo Bolsa-Atleta, programa do governo federal para atletas sem patrocínio. A agremiação mineira ainda dá alojamento, alimentação, curso superior e passagens para competições no Brasil.
 
“Muita coisa mudou para mim depois da Olimpíada. O assédio das pessoas nas ruas, a mídia fica toda em cima… Só não teve diferença em termos financeiros”, lamenta.”Fiz o meu papel. Fui lá e ganhei uma medalha. Agora estou até um pouco descrente.”
 
Dinheiro sempre foi problema sério na carreira de Ketleyn, de 21 anos. Ela não tinha patrocínio quando competia em Ceilândia, cidade-satélite das mais pobres do Distrito Federal. Ainda assim, a judoca conseguiu uma seqüência de resultados expressivos nas categorias de base e foi isso o que a levou ao Minas, em 2006.
 
Para ela trocar de federação, a mãe teve de pagar R$ 1,5 mil. Só conseguiu depois de fazer uma rifa entre amigos. Os mesmos que ajudaram Rosemary, a mãe da judoca, a angariar R$ 6,3 mil para viajar à China e ver a filha competir. Na porta do ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde ocorreram as disputas do judô, ela perambulou com um cartaz escrito em mandarim pedindo ingresso para acompanhar a trajetória de Ketleyn das arquibancadas. Conseguiu após dois dias de tentativas.
 
 
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