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Acreditem, eu gosto de ver a propaganda eleitoral. Ela é péssima, desigual, a maioria dos candidatos é caricata, outros corruptos conhecidos, mas ainda assim gosto de ver. Talvez gosto de assistir aos debates. Eles estão cada vez piores, herméticos, os candidatos parecem papagaios que insistem em repetir o que dizem seus publicitários. Dá para saber de cor as perguntas e as respostas de cada um.

Ainda assim, em meio a uma profusão de carências nacionais que cada candidato, ou candidata, diz que solucionará, nenhum deles fala em esporte. Até agora não ouvi, ou lí, nenhum candidato a presidente, ou a governador, pelo menos no meu Estado, falar em programas para o esporte. No debate da TV Record, o candidato Eduardo Jorge, a quem considero um político sério, disse que a solução da saúde passaria necessariamente pela relação interministerial entre várias Pastas. Citou uma porção delas. Mas esqueceu de mencionar o Esporte, talvez a que mais tenha a ver com a prevenção de doenças. Nunca é demais repetir a equação da Organização Mundial da Saúde, que acertadamente diz que a cada dolar investido no esporte, serão três economizados na saúde.

Será que o esporte não faz parte do projeto de governo de nenhum candidato? Acho que não está. E isso porque não vivemos em um País com mentalidade esportiva. Claro que esporte não se resume a Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos. Ao contrário, políticas esportivas de base passam ao largo desses dois eventos. Mas mesmo assim, nem mesmo sediando duas competições tão importantes, nenhum candidato é tentado a tocar no tema esporte. E partir daí perceber que é necessário ao Brasil o estabelecimento de uma política de Estado para o esporte, integrada às àreas da educação e da saúde, pelo menos.

Nos Países socialmente mais avançados, com melhor IDH, o acesso democrático da população ao esporte é questão de Estado, sobretudo na escola, em que a educação física tem a mesma relevância que as demais disciplinas.

É desalentador ver que os políticos brasileiros não pensam no esporte. E que a cartolagem olímpica só quer saber de medalhas a partir de atletas fabricados, talentos esporádicos e não na construção de um trabalho sério e de longo prazo.

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Nesta semana estive no Tribunal de Contas da União (“TCU”), a convite do órgão. Os Auditores do TCU estão ouvindo a sociedade e as entidades do sistema desportivo nacional para fazer um levantamento do esporte de alto rendimento, cujo objetivo desse levantamento é identificar o montante de recursos investidos no esporte de alto rendimento, a aplicação desses recursos (destinação, finalidade e modalidade), controles e transparências e objetivos e métricas para avaliação de resultado. Vários especialistas têm sido convidados para esses chamados painéis de referência. Os Auditores estão, também, promovendo encontros em entidades do sistema desportivo nacional, tais como o Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paraolímpico Brasileiro. O que se espera dessa rodada de debates é discutir o modelo do esporte no Brasil, se ele é adequado, compara-lo com os de outros Países, verificar o papel do Estado no esporte de alto rendimento, critérios de prestação de contas, controles de transparência por parte das entidades desportivas, estratégias de desenvolvimento esportivo, como medir o desempenho esportivo do Brasil e outros.

Tive a honra de participar de uma mesa coordenada pelos Auditores Marcelo Bemerguy e Ivan André Pacheco Rogedo, tendo como debatedores Carolina Diniz (da Câmara Federal), Alexandre Sidnei Guimarães (do Senado Federal), Ricarda Lima (medalhista olímpica de vôlei em Sidney 2.000), Ernesto Jova (professor de educação física, antropólogo e ex-técnico da seleção cubana de ginástica olímpica). Paulo Corbussi (do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o excelente Jornalista José Cruz, dos mais respeitados do Brasil na área olímpica. Os debates foram do mais alto nível. Todos os participantes convergem em um mesmo ponto, de que o atual sistema desportivo brasileiro é falho e que parece ter um fim em si mesmo, que falta política esportiva de estado para o País, que não há apoio á base, tampouco acesso das populações mais pobres à prática esportiva. também opinam de que falta transparência aos órgãos que compõem o sistema desportivo nacional e que os resultados olímpicos do Brasil ficam muito aquém de suas possibilidades e que o número de medalhas tão alardeado pela cartolagem nacional deve ser analisado com muitas restrições. Foram vários os aspectos levantados pelos debatedores, as críticas formuladas, os gargalos e desperdício de dinheiro daquelas entidades que dirigem o esporte nacional, da mesma maneira que foram apontadas soluções para que o esporte nacional saia desse caminho tortuoso.  Toda a reunião foi gravada e não sei se o TCU tornará o vídeo disponível em seu sítio na internet. Seria muito bom.

Em vários momento fui – e tenho sido crítico – do TCU com relação a Votos que envolveram os superfaturados Jogos Panamericanos do Rio em 2.007 e sobre outras mazelas do nosso esporte. Mas minhas criticas foram sempre apontando o dedo para os Votos dos Ministros, enquanto, ao mesmo tempo, sempre soube elogiar o trabalho técnico dos Auditores, que esquadrinham com muita competência a má administração do dinheiro público no esporte. A questão é que na hora de votar, quem o faz são os Ministros, normalmente indicações políticas. Que essa rodada de debates promovida pelo TCU faça com que os votos dos Ministros também estejam mais atentos daqui para frente, de forma que se evite, pelo menos, que os Jogos Olímpicos de 2.016 não tenham o seu orçamento extrapolado, como ocorreu nos Jogos Panamericanos.

Parabéns aos Auditores do TCU pela iniciativa. Como é boa a democracia e esse foi o sentimento que tive ao participar daquela Sessão, de poder debater livremente. O Congresso Nacional e os Ministério do Esporte e da Educação deveriam ter iniciativas iguais e chamar a sociedade, a oposição e a situação, para questionar e debater o esporte.

 

Professor Pedro Barros Silva.

setembro 24, 2014

Soube, hoje, que no dia 29 de agosto morreu o professor Pedro Barros Silva. Atleta exemplar, foi jogador de basquete e graduou-se em Educação Física. Foi professor universitário e fez parte de uma geração de professores de educação física que fincaram as bases do esporte educacional no Estado de São Paulo.

Foi um dos mais importantes colaboradores do meu avô no Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo, o D.E.F.E. e no Comitê Olímpico Brasileiro. Um de seus amigos mais próximos.

Ajudou a criar e organizar as mais importantes competições de base em São Paulo, como Jogos Abertos do Interior, Jogos Regionais, Campeonatos Colegiais e tantos outros torneios cujo objetivo era massificar e democratizar a prática do esporte nas escolas públicas. Tinha a visão de que o esporte é, antes de tudo, elemento de educação e saúde. Ajudou a levar o esporte para a escola pública, quando isso sequer existia no Brasil.

No Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) também foi um colaborador muito próximo ao meu avô, com atuações marcantes. Foi Chefe e Sub-Chefe de várias missões brasileiras a certames olímpicos, panamericanos e sulamericanos e membro do Conselho Fiscal. Serviu ao Comitê Olímpico Brasileiro por muitos anos, sempre com competência e dedicação, sem qualquer interesse financeiro.

Integrou a Comissão Organizadora dos Jogos Panamericanos em São Paulo, em 1.963, tendo papel preponderante na realização daquela competição, considerada um sucesso e cujo legado para a Cidade se vê até hoje, um evento em que se gastou quase nada de dinheiro público.

Recentemente, a produção que fez o documentário sobre a vida do meu avô quis entrevistar o Professor Barros, para ter seu depoimento no filme, já que sempre trabalharam tão próximos. Mas àquela altura a família dele disse que já não reunia condições de dar entrevistas. Ficava muito emocionado. A última grande entrevista que me lembro do Professor Barros foi dada ao ótimo Jornalista Edgar Alves, à Folha de São Paulo, pouco antes dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2.007.

O Barros fez parte de uma geração de Professores de Educação Física que entrou para história do esporte de São Paulo e do Brasil. Foram os precurssores da organização da prática esportiva nas escolas e da regulamentação da atividade do professor de educação física.

O Comitê Olímpico do Brasil, que tem o dever de manter viva a memória do nosso esporte, deve render ao Professor Barros as maiores homenagens.

Barros fez parte de uma época em que o esporte era coisa de gentlemen.

 

A  Polônia jogou melhor e mereceu vencer. A partida foi boa, com grandes jogadas.  A comissão técnica do Brasil deve refletir sobre o que pode melhorar até 2.016 para a conquista do ouro.

Fora das quadras a situação está claríssima. Esse mesmo grupo que há quarenta anos comanda a Confederação Brasileira de Vôlei (“CBV”), sob as batutas de Nuzman e Ary Graça, tendo o tal Toroca como figura de palha, tem que sair imediatamente. Só os incautos, aqueles que não conheciam as coisas como elas são, achavam que administração da CBV era “profissional”, “moderna”, ou seja lá que outro adjetivo aquela gente quis dar. Precisou Lúcio de Castro, grande jornalista, comprovar, anos depois, como as coisas sempre ocorreram na CBV, desde 1.975. Então, se alguém que babava ovo para a cartolagem do vôlei ficou chocada com as revelações incontestáveis de Lúcio de Castro, era porque era mal informada.

As declarações que Bernardinho deu depois da final de hoje, de que a Federação Internacional “joga muito baixo” deve ser levada a sério em sua total plenitude. Bernardinho sabe o que está dizendo. Tem credibilidade, muito mais do que o brasileiro Ary Graça, presidente da Federação Internacional e que, com Nuzman, há quarenta anos comanda os destinos dessa modalidade em nosso País, para o infortúnio de todos. Perguntem aos atletas, ex-atletas, reservadamente, o que eles pensam da dupla Ary-Nuzman.

Ocorre que essa cartolagem quer que os resultados das quadras mascarem a administração temerária da CBV. Só quem é bobo, ou mal intencionado, entra nessa onda.

Bernardinho escancarou que o brasileiro Ary Graça, presidente da Federação Internacional, está deliberadamente querendo prejudicar a seleção brasileira.

Se juntarmos as declarações de Bernardinho, as entrevistas que o capitão Bruno deu durante o mundial à jornalistas estrangeiros sobre as ações praticadas pela Federação Internacional e as provas que Lúcio de Castro nos mostrou sobre as peripécias da CBV, não restam dúvidas de que há muita coisa errada nos bastidores do vôlei. Do vôlei que tanto dinheiro público recebe do Banco do Brasil S.A. da Lei Piva e do Ministério do Esporte.

Se o governo federal continuar sem fazer nada é porque é conivente com tudo isso.

Enquanto isso, a candidata Dilma Rousseff, em vez de pronunciar-se sobre os desmandos, prefere tomar atitudes eleitoreiras e tirar fotografia com cartola e atleta no Palácio do Planalto. Ela não entende nada de esporte, assim como seu Ministro terceirizado Aldo Rebelo, que não têm projeto algum para a construção de um projeto de Estado para o desenvolvimento e massificação do esporte no Brasil.

É uma gente que se merece, embora a candidata  da cartolagem não é a Dilma, mas Aécio Neves. É ele que detém a simpatia da cartolagem.

Governo abandona projeto para o ‘principal legado social’ da Rio-2016

Vinicius Konchinski Do UOL, no Rio de Janeiro

02/09/2013

Quando o Rio de Janeiro se candidatou à sede da Olimpíada de 2016, a capital fluminense disse ao COI (Comitê Olímpico Internacional) que deveria receber os Jogos porque era a cidade para qual o megaevento traria o maior legado entre todas as candidatas. Faltando menos de três anos para a Olimpíada, entretanto, o próprio governo estadual abandonou um projeto o qual ele mesmo informou ser o “principal legado social” que a Rio-2016 deixaria para o Estado.

A iniciativa era o Projeto Rio 2016, criado em 2009, logo depois de a capital fluminense ser escolhida sede da Olimpíada. A ação tinha como objetivo disseminar a prática esportiva em todo Estado, inclusive, em comunidades carentes incluídas no programa de pacificação de favelas. Em quase quatro anos, a iniciativa chegou a atender mais de 150 mil pessoas, em quase de 800 núcleos, instalados em 73 dos 92 municípios. Mesmo assim, foi encerrado em agosto.

O fim do projeto foi anunciado pelo próprio secretário estadual de Esporte e Lazer, André Lazaroni, em seu perfil em uma rede social. Ele informou que a SEEL (Secretaria Estadual de Esporte e Lazer) já está trabalhando em um plano de um novo projeto para substituir o Rio 2016. Não disse, porém, como os beneficiários do projeto poderão manter suas atividades físicas hoje, após o fim da ação.

Em entrevista ao UOL Esporte, Lazaroni explicou que o Rio 2016 acabou pois “já estava para acabar”. O projeto era um convênio entre a SEEL e a Farj (Federação de Atletismo do Rio de Janeiro), que contratava técnicos e professores para aulas de 53 modalidades esportivas. O convênio, contudo, tinha com prazo definido. “O prazo terminou e o projeto não foi renovado”, resumiu o secretário.

O encerramento, porém, surpreendeu a própria Farj. De acordo com presidente da federação, Carlos Lancetta, até pelo nome do projeto, a expectativa era de ele que fosse mantido. Em anos anteriores, por exemplo, o convênio do Rio 2016 já tinha sido renovado, mas isso não aconteceu desta vez. “Como um dirigente esportivo, lamento que tenha terminado. Afinal, ele atendia muita gente“, afirmou Lancetta.

 

Um atento amigo do esporte, que prefere o anonimato, escreve para mim o seguinte, sobre a terceira fase campeonato mundial de vôlei masculino, ora em curso:

” O regulamento do Mundial de vôlei prevê que na 3ª fase não podem cair no mes-

mo grupo dois 2º colocados da 2ª fase e que o 1º colocado de cada grupo na 2ª

fase teria o direito de jogar em dias alternados.

No sorteio para a 3ª fase cairam 2 segundo colocados na chave do Brasil.

E ainda rasgaram o regulamento e colocaram o Brasil para jogar em dias conse-

cutivos retirando a vantagem que prevê o regulamento (jogar em dias alternados e

por consequência dar mais tempo de descanso para os atletas).

A CBV como era de se esperar sequer se manifestou e com o resultado de hoje

acho que o Brasil está virtualmente eliminado. Mesmo tempo feito a melhor cam-

panha durante toda competição. ”

Eu gostaria imensamente de ouvir as explicações do presidente da Federação Internacional de Vôlei, o brasileiro Ary Graça Filho. Não entendo a prerrogativa de alterar o regulamento da competição no meio dela. Não restam dúvidas de que essa mudança, além de antijurídica, prejudicou pontualmente a seleção brasileira.

Ary Graça acumulava a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei, da qual apenas licenciou-se, mas na prática continuava mandando, com a Federação Internacional da modalidade. Após as estripolias financeiras que foram cabalmente comprovadas na Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça, coincidentemente, deixou a presidência da entidade, ficando, apenas, na Federação Internacional.

Fico elocubrando se a mudança do regulamento da competição, que prejudicou o Brasil, não seria uma espécie de vingança de Ary Graça contra o técnico Bernardinho. Talvez Bernardinho tenha feito algo que tenha desagradado Ary Graça. Sei lá. É apenas um pensamento.

Nenhum candidato, ou candidata, a Presidência da República trata seriamente da questão do esporte. É como se o assunto não existisse. É uma pena. Isso pode nos fazer imaginar que o Ministério do Esporte, qualquer que seja o governo, continuará sendo objeto de escambo político, sem programa, tercerizado a algum Partido em troca de votos no Congresso. É assim que tem sido. Nenhum dos governos recentes preocupou-se em escolher um Ministro comprometido com o setor, disposto a coordenar uma política de Estado para o esporte nacional, de longo prazo, que trabalhe em conjunto com as Pastas da Educação e da Saúde. Temos visto políticos oportunistas ocupando o cargo de Ministro do Esporte, uns suspeitos, outros caricatos e sem nenhum comprometimento com a nação. É gente preocupada em utilizar o cargo para autopromoção, pensando sempre nas eleições seguintes, adotando “políticas” tacanhas, cujo prazo de validade é o mesmo da duração de seus mandatos.

Um País que tem o esporte como prioridade é uma nação melhor. Em que o esporte é democratizado e inserido na grade escolar com a mesma relevância que as demais disciplinas. Em que a prática da atividade física é estimulada também na vida adulta e na terceira idade. Nunca é demais repetir o dado da Organização Mundial da Saúde de que cada dolar investido no esporte serão três dolares economizados na saúde.

Temos, hoje, no Brasil, muito dinheiro público sendo investido nas entidades do Sistema Desportivo Nacional, mas muito mal administrado e também mal fiscalizado, haja vista as recentes peripécias financeiras descobertas na Confederação Brasileira de Vôlei, largamente financiada com dinheiro do Banco do Brasil.

Os candidatos e as candidatas a Presidente deveriam incluir em seus programas uma plataforma de disseminação do esporte pelo Brasil de forma que as escolas públicas tenham instalações esportivas minimamente aceitáveis, com professores de educação física bem remunerados. Hoje, somente cerca de 12% das escolas públicas têm praças esportivas e, ainda assim, em condições precárias. Nenhum candidato, ou candidata, atenta-se para isso. Eles pensam que “política esportiva” é organizar Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos.

Também acho que o novo governo que assumir a partir do ano que vem, deve fazer uma devassa, uma auditoria completa, em todas as estatais e entidades desportivas que dela recebem dinheiro. E caso achem coisas erradas, tomar as medidas legais cabíveis para responsabilizar os gestores.

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