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Pela primeira vez na história, o basquete masculino brasileiro ficará fora dos Jogos Panamericanos de Lima, em 2.019. Por ironia, isso ocorre justamente quando essa nobre modalidade está preparada para dar o grande salto de qualidade. O modelo de ter uma Liga dos clubes tratando dos campeonatos nacionais e deixar a Confederação nacional cuidando das seleções, da massificação e das categorias de base é ideal, moderno e é o praticado nos países mais desenvolvidos. Hoje, temos uma Liga nacional bem gerida, estruturada, consolidada. A Confederação acaba de ser inteiramente renovada e está iniciando um trabalho que, seguramente, recolocará o basquete do Brasil entre os grandes, lugar que ocupou por décadas. Mas isso levará tempo. A situação do basquete esteve tão degradada que a boa gestão que ora se inicia levará tempo para reerguê-lo. A não classificação para os Jogos Panamericanos é dolorosa, porém compreensível. É apenas mais um reflexo de seguidos anos de más administrações. A nova CBB não deve esmorecer em face desse infortúnios. A atual administração não tem culpa alguma pelo mau resultado na Copa América. O Brasil foi à competição com aquilo que tem melhor dentre os jogadores que atuam no País. E está claro que esse time renovado tem muito o que trabalhar. A diferença entre a equipe brasileira com os que jogam na NBA e com os que jogam no Brasil é abissal. É necessário que a Liga e a CBB, ambas conduzidas por pessoas competentes, atuem em conjunto para trazer novamente o basquete aos trilhos.

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No link, a matéria de Lúcio de Castro sobre novos fatos relacionados à atuação das autoridades brasileiras para angariar votos para a candidatura Rio 2.016:

http://agenciasportlight.com.br/index.php/2017/08/22/documentos-mostram-ofensiva-de-nuzman-cabral-e-paes-aos-votos-africanos-na-reta-final-e-a-influencia-de-lamine-diack/

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1421956484549007&id=100002040082109

http://agenciasportlight.com.br/index.php/2017/08/16/cupula-do-rio-2016-abriu-offshores-no-panama-durante-gestao-do-comite/

Henrique Nicolini.

agosto 14, 2017

Morreu hoje o professor Henrique Nicolini, dos mais influentes jornalistas esportivos que o Brasil já produziu. Nicolini foi dos primeiros jornalistas a sair da chata mesmice do futebol e dedicar-se ao estudo e à cobertura dos esportes olímpicos. Era o mais antigo funcionário da Fundação Casper Líbero. Seus artigos sobre outros esportes quebravam a monocultura do futebol. Os aficcionados por esportes olímpicos não deixavam de acompanhar suas materias na Gazeta Esportiva e, mais recentemente, na sua versão digital, autor que era do Blog “Além dos Fatos”. Nicolini era professor de natação e presidiu, por duas vezes, a Federação Paulista da modalidade. Colaborou com a organização dos Jogos Panamericanos em São Paulo, em 1.963. Cobriu vários Jogos Olímpicos, Panamericanos e outros certames esportivos de relevância. Era o presidente honorário do Panathlon Club do Brasil. Chefiou com denodo e brilhantismo a assessoria de imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro durante a gestão do Major Sylvio de Magalhães Padilha. Em 1.988, teve papel essencial para que o Brasil levasse a delegação completa aos Jogos Olímpicos de Seoul, uma vez que a verba disponível pelo governo (de um teste da loteria eaportiva) não era suficiente. Nicolini utilizou de seu prestígio pessoal para obter a verba complementar junto à Philips do Brasil. Importante ressaltar que Nicolini fez isso por amor ao Olimpismo e nunca ganhou nehuma recompensa financeira por esse ato. Nicolini era daquelas pessoas da época em que o esporte era coisa de gentlemen.

Neste link, o exemplar curriculum de Henrique Nicolini

https://blogs.gazetaesportiva.com/henriquenicolini/henrique-nicolini/

E aqui o relato de Nicolini sobre sua participação na questão da Philips nos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1.988:

https://blogs.gazetaesportiva.com/henriquenicolini/2011/07/18/dirigentes-de-ontem-e-de-hoje-iii-a-remuneracao-de-uma-amizade/

Por Laurete Godoy

PARA FICAR NA HISTÓRIA

      O dia 5 de agosto de 2017, marcou a história do esporte, com dois grandes acontecimentos.

Londres – um estádio inteiro colocou-se de pé, para aplaudir a despedida do  jamaicano Usain Bolt. A flecha da Jamaica abandonava as pistas do atletismo que o viu brilhar, durante vários anos, com o fulgor de mais de mil estrelas. Lá, Bolt foi rei absoluto de provas de velocidade. Todos que com ele competiram, brigavam pela medalha de prata, porque o ouro sempre era do mesmo dono. Na despedida veio o bronze, mas ele continuou rei do estádio.

Nos ombros, entrelaçadas, as bandeiras da Jamaica e da Grã-Bretanha. Abraços, fotos, carinhos, afagos e a volta olímpica retardaram o momento do abandono definitivo. Aquelas pernas rápidas estavam, com vagar, dizendo adeus à pista sintética, percorrida velozmente, por tantas vezes, ao longo da vitoriosa carreira.

Grande e emocionante despedida! Conhecidos, desconhecidos, familiares e pessoas do mundo inteiro, ali estavam, prestigiando o Campeonato Mundial de Atletismo. Londres foi palco da grande festa do adeus de Usain Bolt. O gesto característico, o raio, os aplausos, o sorriso permanente, a despedida de um rei. A linda manifestação foi o coroamento de uma carreira gloriosa. Parabéns Usain Bolt! Parabéns, Garoto da Jamaica!

Paris – um estádio inteiro colocou-se de pé, para aplaudir a apresentação do brasileiro Neymar Júnior. Aplausos e o melodioso cantar de Neymar, Neymar, marcaram a chegada do astro do futebol ao Paris Saint-Germain Football Club.  O Parque dos Príncipes recebeu, com pompas e circunstâncias, o garoto do Brasil que, naquele momento, foi transformado em rei da França. Até a Torre Eiffell vestiu-se de verde e amarelo, para saudar o jovem santista que, antes de entrar em campo, já se transformara em ídolo do PSG. Um contrato milionário, fogos, música, alegria, aplausos, esperança, crianças, a volta olímpica e a camisa atirada para o público, marcaram a tarde do festivo sábado parisiense.

Neymar, espero que com sua genialidade nos campos, você devolva, por inteiro,  aquela fantástica aclamação. Por favor, em sua nova casa, encante o mundo com suas pedaladas, corridas, dribles, com assistências certeiras,  chapéus, cabeçadas e fazendo muito gols, para alegria dos amantes do futebol, não apenas dos torcedores do Paris Saint-Germain, mas de todo o planeta azul. Apesar das agressões que, por certo você irá sofrer, procure ser um bom exemplo dentro e fora do estádio. Sei que será difícil, mas seu público merece isso…

Que Deus o  proteja, Neymar Júnior, que já foi Garoto da Vila Belmiro e hoje é do mundo inteiro. Que sua estrada seja brilhante e sua trajetória repleta de glórias. Para que, daqui a vários anos, quando for despedir-se dos campos de futebol, você consiga receber do público internacional, uma calorosa e expressiva manifestação,  idêntica à que foi proporcionada a Usain Bolt.  Por coincidência, na mesma data em que você inciou sua vida esportiva no Paris Saint-Germain. Parabéns, Neymar! Parabéns Garoto do Brasil!

Por Usain Bolt e por  Neymar Júnior, pela linda e emocionante página que escreveram, o primeiro despedindo-se das pistas de atletismo e o segundo, apresentando-se ao novo clube de futebol, acredito que o dia 5 de agosto de 2017, deva passar para a História do Esporte Mundial.

 

Laurete Godoy  é pesquisadora e escritora

 

Um ano após a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2.016, reporto-me ao artigo que publiquei na FOLHA DE SÃO PAULO em 03 de outubro de 2.009. Avaliem se, na conta final, os Jogos Olímpicos foram bons para o Rio e para o Brasil vis-a-vis a gastança pública
TENDÊNCIAS/DEBATES

A escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 é uma boa notícia para o Brasil?

NÃO

Uma grande hipocrisia

ALBERTO MURRAY NETO

A DECISÃO do Comitê Olímpico Internacional foi indigna. Mais do que isso, foi hipócrita. Tentaram fazer história à custa do desespero dos pobres. Não acredito que haja no COI alguém que ignore os gravíssimos problemas sociais do Brasil.
Se essa pessoa existe, não merece estar lá. Ou melhor, merece, sim.
Quem achou que fez história ao “dar os Jogos à América do Sul, em razão de seu caráter universal”, não pensou no movimento olímpico. Pensou em si mesmo e nos próprios interesses. Daí a hipocrisia.
O Brasil e o Rio são carentes de tudo. Não há escolas, hospitais, moradia, transporte público, alimentação para os pobres, luz elétrica, saneamento básico, esporte etc. As pessoas continuam morrendo de sede, de frio, de bala perdida etc. O Rio é a porta de entrada para o Brasil, o que nos dá visibilidade no exterior. A cidade tem tido a má sorte de, há anos, ser maltratada por políticos incompetentes e mal-intencionados.
Se alguém acha que daqui a sete anos o Rio estará livre dos traficantes de droga e dos tiroteios, que o trânsito será fantástico, que haverá hospitais de qualidade, escolas públicas de excelente nível para todas as crianças, praças esportivas populares espalhadas pela cidade, pessoas morando condignamente, só para citar alguns exemplos, escolha uma bela praia e espere deitado. Para não se cansar.
Nada, rigorosamente nada vai mudar. A baia da Guanabara, por exemplo, vai permanecer um dos locais mais poluídos do mundo. Bela, mas de cheiro insuportável. Uma coisa, na cabeça dessa gente, é certa: o povo, pobre povo do Rio de Janeiro, que se lixe!
Tudo isso é assunto que deverá ser acompanhado de perto. Sei que gente boa do Rio criou algumas ONGs para fiscalizar o uso do dinheiro público.
Que elas trabalhem muito e façam o papel que os organizadores não terão coragem de fazer.
Que essas ONGs escancarem os números, as licitações públicas e quem estará por trás de cada empresa vencedora -isso quando houver a tal licitação. Que o TCU e o Ministério Público não se apequenem e cumpram o seu papel constitucional.
População carioca, assim que a festança acabar, cobre, fique de olho. Não se deixe enganar. Quero ver a patota olímpica fazer em sete anos o que já deveria ter sido feito há mais de 20.
Ainda assim, acho que os atuais administradores do esporte olímpico devem sair. A renovação, salutar em quaisquer circunstâncias, deve ser feita com muito mais razão, até para dar maior transparência ao que ocorrerá à partir de agora. Se permanecerem os mesmos, o final da história já se sabe. Basta ver o Pan e multiplicar por mil o tamanho do escândalo.
Que venha a lei que limita as reeleições indefinidas, já valendo para os atuais mandatários. Já que o COI cometeu essa ignomínia, que se ponha gente do bem para administrá-la.
Nada do que foi escrito e falado sobre a candidatura por quem a ela se opôs é inútil. Tudo, agora com muito mais razão, deverá ser aplicado e observado. A doutrina olímpica da honestidade vai sempre prevalecer.
Venceram, pela coragem do que disseram, tantos e tantos nomes da imprensa, do esporte e da sociedade civil criticando essa manobra olímpica. Que todos continuem seu belo trabalho de fiscalização, agora redobrado.
As obras olímpicas serão muito mais caras, haverá denúncias, escândalos, atrasos nas construções e, acima de tudo, não vão entregar o que prometeram.
Aqueles que gravitam no entorno do movimento olímpico brasileiro vão ficar ouriçados. Viva a agência de turismo! Bravo para a corretora de seguros! Estupendo para a empresa que comercializa os ingressos! E a empresa de marketing esportivo, que vibre muito! As construtoras vão dividir a fatia do bolo? Vai ter construtora falida reerguendo-se à custa desse projeto megalômano? Haverá licitações públicas? Os fornecedores de serviços terão que contratar “consultorias” de terceiros estranhos ao negócio?
Disseram aos brasileiros e aos cariocas que os Jogos Olímpicos seriam a solução dos seus problemas. “Olimpiator Tabajara”, seus problemas acabaram. O Nuzman agora vai virar o “Seu Creysson”.


ALBERTO MURRAY NETO , 43, advogado, é árbitro da Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha.

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