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Fui ao primeiro jogo das finais da NBB. Em jogo emocionante o Paulistano saiu na frente e fez um a zero na série contra o Bauru. Além do jogo, o que gostei muito foi o ginásio Antonio Prado Júnior lotado, as torcidas vibrantes e com transmissão ao vivo nas televisões aberta e fechada. É o basquete, novamente, movimentando multidões. Lembro-me, na década oitenta, assistir às finais do campeonato paulista no Ibirapuera, com ingresso pago. As finais do campeonato estadual enchiam ginásios. O basquete era objeto de debates acalorados, as equipes tinham torcedores, os jogadores eram reconhecidos nas ruas e cada jogo era uma festa. A partir dos anos noventa o basquete sofreu derrocada brutal, saiu da pauta, desmoralizou-se pelo mundo e enfrentou, no Brasil, administrações terríveis que o levaram à bancarrota. A única coisa boa que surgiu, anos depois, foi a criação da Liga, que deu novo alento à modalidade. Acho que esse é o modelo correto. Acredito que a organização do campeonato nacional deva ser entregue aos clubes, com o apoio da Confederação. À Confederação cabe massificar, organizar os torneios das categorias de base e cuidar das seleções principais, estabelecendo políticas gerais de desenvolvimento da modalidade. No basquete, atualmente, temos uma Liga competente e bem gerida. Na CBB, assumiu uma nova geração, que vem para moralizar, modernizar e trazer novos ares ao basquete. Acho que o trabalho conjunto entre a Liga e a CBB darão muitas coisas boas ao basquete brasileiro. Os jogos dos play offs da NBB já deram mostra da nova era que vem por aí. E que o basquete feminino também possa voltar a brilhar.

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O Co-Rio 2016 tem a natureza jurídica de sociedade limitada empresária, portanto, com finalidade de lucro. Nuzman é o administrador dessa sociedade, que tem como sócio majoritário o Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) e as demais quotas distribuídas entre as Confederações Olímpicas do país. Portanto, é uma empresa como outra qualquer, que pode distribuir lucros,  ou pode até falir. O Co-Rio 2.016, muito mal gerido, acumula dívidas privadas ao redor de R$ 200 Milhões. Impossível precisar o valor do rombo porque os gestores não divulgam os números. Pelos planos originais, cumprido seu papel de organizar os Jogos Olímpicos, a sociedade Co-Rio 2.016 deveria ser legalmente liquidada. Mas isso não será juridicamente viável. As dívidas e inúmeras ações ajuizadas contra a empresa a fazem ter um patrimônio jurídico negativo vultoso que impedirá sua extinção, enquanto isso não for resolvido. E, para desespero dos credores, ao menos por ora, não há luz no fim do túnel. Nuzman tentou pedir ao governo federal que lhe desse dinheiro a fundo perdido, para tapar o buraco. Claro que lhe foi negado. E não existe outra fonte de renda. A solução seria Nuzman responder, como administrador da empresa, responder com seus bens pessoais. Se restar comprovado que Nuzman geriu mal a sociedade, criou confusão patrimonial, agiu em detrimento à lei e ao contrato social, é possivel que os Magistrados desconsiderem a personalidade jurídica do Rio 2.016 e determinem que seu administrador empenhe os próprios bens para satisfazer os credores. Quem sabe, até, poderiam os credores propor uma Medida Cautelar para que Nuzman, desde já, abstenha-se de negociar seus bens, para que uma futura sentença judicial favorável aos credores não seja em vão. E vejam que estamos falando, apenas, dos credores privados. Deve ser investigada a situação fiscal da Rio 2.016. Se a empresa não está pagando os credores particulares é bem possível que não esteja recolhendo tributos. O fato é que, com tudo isso, a empresa não pode fechar. E corre o risco, inclusive, de ter sua falência requerida pelos credores. Isso lembra os Jogos de Montreal, em 1.976, em que o comitê organizador ficou pagando seis débitos por mais de trinta anos. Com o agravante de que alguns de seus gestores foram presos.

A prisão de políticos importantes de Brasília (dois ex governadores, um ex vice governador e o atual assessor especial da Presidência da República) é mais um relevante marco na apuração das gritantes irregularidades que ocorreram nas obras para a Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Especialmente no caso do estádio de Brasília, a existência da roubalheira era patente. Ao longo desses anos, coube à Polícia Federal angariar provas para deflagrar a operação de hoje. É uma ação exemplificativa da Polícia Federal. As investigações sobre as mazelas do esporte não podem – e não irão – terminar por aí. Há muito mais a ser desvendado, apurado, desnudado e explicado.

A prisão desses políticos de Brasília, que ajuda na limpeza do Brasil, particularmente no estádio de Brasília, merece um reconhecimento especial ao excelente trabalho do Jornalista José Cruz. Por anos, José Cruz investigou e escreveu sobre as suspeitas de propina nas obras do Mané Garrincha, sempre com precisão e trazendo elementos muito sólidos que, seguramente, deram suporte para os trabalhos das autoridades.

Recentemente foi noticiado na imprensa que o Congresso Nacional articulava-se para a criação de uma CPMI Olímpica, para investigar toda a estrutura do esporte olímpico do Brasil, a aplicação dos recursos, prestação de contas, a longevidade dos dirigentes no poder e tudo mais. Essa iniciativa teve como ponto de partida a ida de atletas, técnicos e dirigentes ao Congresso, debater a delicadíssima condição da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, em que seus principais dirigentes estão presos. A CMPI dos Esportes Olímpicos é muito necessária. Há oito anos eu estive na Comissão de Esporte e Educação do Senado Federal discutindo a debilidade administrativa dos esportes olímpicos. Saímos de lá com número suficiente de assinaturas para a instauração do esporte Olímpico. Dias depois a CMPI foi sufocada por duas razões:  o fortíssimo lobby que os esportes olímpicos exercem no Congresso e o escândalo dos chamados Atos Secretos do Senado, que envolviam diretamente o seu presidente, José Sarney. O esporte ficou, mais uma vez, relegado ao plano secundário. Hoje, o esporte olímpico está em condições muito piores, a perplexidade é muito maior. Mas a investigação do esporte olímpico, em vista de tantas outras desonras, pode, novamente, ser relegada. Por isso que é muito importante que todos fiquem atentos para que os Deputados e Senadores interessados em desnudar os meandros do Olimpismo no Brasil não deixem de levar adiante esse ato. O esporte, assim como os outros segmentos no Brasil, também deve estar recheados de coisas erradas.

Nos links abaixo estão a minha participação no Senado Federal:

https://youtu.be/N5bDm0BgrnU

https://youtu.be/56t-1Dudzl8

https://youtu.be/8-HKMorfYkE

Parabéns ao Club Athletico Paulistano por estar na final da NBB. É um campeonato muito difícil, equilibrado, com excelentes equipes e treinadores. O Paulistano apostou em uma equipe jovem e talentosa, com competente comissão técnica, conduzida pelo Gustavinho, sempre muito concentrado no jogo. A diretoria do Club também merece os aplausos, assim como a gerência de esportes, na pessoa do Charles Eide, que dão todas as condições para que essa modalidade esteja sempre cumprindo seus objetivos. É um motivo de muito orgulho para o Paulistano e para o basquete de São Paulo os resultados dessa brilhante equipe. Não posso deixar de registrar um fato deselegante ocorrido quase no final da partida, em que um indivíduo vestido com a camisa do Paulistano cuspiu em alguém do banco do Vitória. A televisão flagrou o ato e mostrou repetidas vezes. Não sei se essa pessoa é associada do Club. Se for, merece ser punida pela direçã do Paulistano e, também, pela NBB. Essa atitude não representa o esporte, não representa o simpático torcedor do Paulistano e muito menos o espírito de congraçamento do desporto. Nada – nada mesmo – justifica uma cusparada em alguém. Parabéns aos diretores do Paulistano que providenciaram a imediata retirada dessa pessoa do ginásio. Viva a NBB, o basquete e o esporte.

http://espn.uol.com.br/noticia/494905_lado-b-das-olimpiadas-atleta-e-dirigente-major-peitou-getulio-maluf-e-ditadura

Muitas Confederações esportivas estão modernizando seus estatutos, fugindo das estruturas engessadas que as transformaram em verdadeiras capitanias hereditárias. Recentemente, a Vela e o Atletismo fizeram modificações importantes em seus estatutos, democratizando as modalidades. Isso incomoda muito o Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Claro que o COB negará essa afirmação. Mas tenham certeza que esses movimentos inquietam bastante o COB. Quanto mais atrasado, quanto mais conservadora for a carcaça do esporte, mais fácil é para o COB manter o seu status de poder. O estatuto do COB admite que somente aqueles que tiverem sido eleitos para um dos poderes da entidade e que nele permanecerem por, pelo menos, cinco anos (na prática são dois mandatos), podem ser candidatos a presidente e vice presidente. Ou seja, no caso prático atual, somente quem houver sido eleito para um poder do COB na chapa do Nuzman e com ele permanecer no poder por, pelo menos, cinco anos poderá almejar a presidência e vice-presidência do COB. Se a pessoa foi eleita na chapa de Nuzman e com ele permaneceu no poder por cinco anos, evidente que as chances de surgir alguma chapa de oposição são extremamente diminutas. Ou passam a ser nulas, quando o mesmo estatuto obriga que uma chapa, para ser aceita, deve contar com o apoio formal de, pelo menos, dez confederações. Todas essas idiossincrasias olímpicas foram inseridas no estatuto durante a gestão de Carlos Nuzman, temeroso que é de perder o poder. Pudesse qualquer pessoa ser candidata ao COB, como reza a democracia, certo que Nuzman já teria sido defenestrado de lá faz tempo. Nuzman não tem estofo para enfrentar, democraticamente, alguns nomes consagrados da nossa administração desportiva. É anacrônico que uma entidade como o COB, que recebe milhões de dinheiro público por ano, não possibilite que qualquer cidadão brasileiro no gozo de seus direitos possa ser candidato a presidente e vice-presidente.

O COB, ao promover encontros com atletas para debater governança corporativa, finge que quer mudar algo. Faz esses encontros para enganar. Se o COB realmente quisesse promover alguma modernização, proporia, de imediato, uma mudança profunda nas regras estatutárias, tornaria a escolha da Comissão de Atletas por voto direto e não por escolha de Nuzman, faria eleições diretas também para a Academia Olímpica Brasileira e não por escolha pessoal de Nuzman, publicaria no website todos os contratos que assina com terceiros para revelar as cifras envolvidas (não deve haver cláusula de sigilo quando se contrata com dinheiro público) e um monte de outras coisas.

Posso assegurar a Você que o COB torceu o nariz para ótima decisão da Vela, de dar o poder maior da assembleia geral aos atletas e à parte técnica da modalidade. Vai que a moda pega e o COB é forçado a fazer o mesmo. Nuzman tem que sair e da seu lugar a gente com cabeça arejada.

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