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Baseado na Lei da Transparência do Reino Unido, o inglê Paul Charman obteve o direito de ter acesso a todos os contratos assinados entre o Comitê Organizador Londres 2.012 e o Comitê Olímpico Internacional.

Em seguindo a negativa do Co-Rio em tornar públicos os contratos relativos ao Rio 2.016, o mesmo poderia ser intentado no Brasil.

Todos os contratos do esporte que envolvem dinheiro público, inclusive o das estatais, deveriam ser públicos.

No link abaixo a matéria publicada na revista Vanity Fair sobre o precedente havido na Inglaterra.

http://www.vanityfair.com/culture/2012/06/international-olympic-committee-london-summer-olympics

LOC- A REPÓRTER IDHELENE MACEDO, JORNALISTA DA RÁDIO CÂMARA, TEM DETALHES SOBRE A PROPOSTA.
IDHELENE MACEDO: ENTIDADES ESPORTIVAS QUE RECEBEM RECURSOS PÚBLICOS PODERÃO TER APENAS UMA ÚNICA REELEIÇÃO DE SEUS DIRIGENTES. A MEDIDA ESTÁ PREVISTA NO PROJETO (PL 4397/09) DO DEPUTADO MAGELA (PT/DF), APROVADO COM ALTERAÇÕES NA COMISSÃO DE TURISMO E DESPORTO DA CÂMARA. ALÉM DE IMPOR O LIMITE DE UMA ÚNICA REELEIÇÃO PARA DIRIGENTE ELEITO DE CONFEDERAÇÕES, FEDERAÇÕES E CLUBES ESPORTIVOS QUE RECEBAM DINHEIRO PÚBLICO, O TEXTO APROVADO TAMBÉM TORNA INELEGÍVEIS, NA SUCESSÃO DO DIRIGENTE, O CÔNJUGE E PARENTES ATÉ O SEGUNDO GRAU, INCLUSIVE PARENTESCO POR ADOÇÃO. RELATOR NA COMISSÃO DE TURISMO E DESPORTO, O DEPUTADO JOSÉ ROCHA (PR-BA) DESTACOU EM SEU PARECER QUE A PROPOSTA ORIGINAL NÃO MENCIONAVA QUE A ENTIDADE DEVERIA RECEBER RECURSOS PÚBLICOS PARA SER OBRIGADA A OBEDECER A REGRA DA REELEIÇÃO ÚNICA. ELE ALTEROU O TEXTO PORQUE A CONSTITUIÇÃO CONSIDERA AUTÔNOMAS AS ENTIDADES PRIVADAS COMO A CBF E CLUBES DE FUTEBOL E, SENDO ASSIM, UMA LEI ORDINÁRIA NÃO PODE INTERFERIR NA ELEIÇÃO DE SEUS DIRIGENTES. O RELATOR JOSÉ ROCHA EXPLICA QUE OS CLUBES DE FUTEBOL QUE PARTICIPAM DO TIMEMANIA OU RECEBEM PATROCÍNIO DE EMPRESAS PÚBLICAS, POR EXEMPLO, DEVERÃO SE SUBMETER À REELEIÇÃO ÚNICA.
JOSÉ ROCHA: COMO TODOS ESSES CLUBES TÊM A QUESTÃO DA TIMEMANIA, QUE É RECURSO PÚBLICO, E AS ENTIDADES DE ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO, AS FEDERAÇÕES E CONFEDERAÇÕES QUE TAMBÉM RECEBEM RECURSOS DA LEI AGNELO/PIVA, TODAS ESSAS ENTIDADES ESTÃO AÍ DENTRO DESSE PROJETO DE NÃO REELEIÇÃO POR MAIS DE UM MANDATO.
IDHELENE MACEDO: PARA O DEPUTADO POPÓ (PRB/BA) A MEDIDA É BEM VINDA.
ACELINO POPÓ: LÁ NA BAHIA TEM UM PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE BOXE, SÓ PARA VOCÊ TER UMA IDEIA, TEM 20 ANOS NO CARGO E NÃO DEIXA NINGUÉM (ASSUMIR). CONTROLA TUDO. EU CONCORDO, SE QUISER UM APOIO MEU NO PROJETO, EU ESTOU AÍ PARA AJUDAR TAMBÉM, MAS EU CONCORDO COM DOIS MANDATOS: UM DE 4 ANOS E MAIS 4 ANOS.
IDHELENE MACEDO: A REELEIÇÃO ÚNICA DE DIRIGENTES ESPORTIVOS AGUARDA VOTAÇÃO NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA DA CÂMARA E, DEPOIS, SEGUE PARA ANÁLISE NO SENADO. DE BRASÍLIA, IDHELENE MACEDO.

O Comitê Olímpico Brasileiro quer levar os medalhistas olímpicos àquela tradicional visita à Presidência da República. Até aí, nada de novo. Isso é rotina. Ocorre que desta vez Nuzman está realmente preocupado com as proporções que têm tomado no Planalto as sucessivas manifestações por mudanças no Movimento Olímpico do Brasil. E está tramando como fazer dessa visita um grande ato de sedução e, ao mesmo tempo, deixar a impressão de que está cada vez mais fortalecido aos olhos da Presidenta. Nuzman acredita que um encontro presidencial com glamour arrefeceria os ânimos daqueles que mais têm estimulado o governo federal a interferir nos destinos do Comitê Olímpico Brasileiro.

Nuzman também está muito atento aos movimento no Congresso Nacional, de gente empenhada a alterar as leis de forma a impedir reeleições sucessivas indefinidas dos gestores do esporte. Está insistindo bastante com Sérgio Cabral e Eduardo Paes para que entrem em campo para acalmar as coisas para o seu lado. Mas se em algum momento tiver de haver uma definição, se houver um embate, não existirá dúvida de Cabral e Paes ficarão ao da Presidente.

Confirmou-se o que há muito se suspeitava, que Lance Armstrong, um dos maiores ciclistas do mundo, era uma farsa (assim como são uma farsa as milhas da TAM, vide post anterior). Doping não é apenas a ingestão de substâncias proibidas. É um caso de polícia, da Interpol. O tráfico internacional de doping é tão perigoso e lucrativo como o de drogas e armas.

Sou favorável à punições exemplares para atletas dopados e, sim, ao banimento para aqueles que insistem no doping, os reincidentes. É um trapaceiro que, para exercer o seu ofício, utiliza-se de meios ardilosos, ilegais, subterrâneos, inaceitáveis.

Não é porque Lance Armstrong se disse cansado que as investigações devem parar. A agência norte americana anti dopagem deve aprofundar a questão, cada vez mais.

Doping não é “privilégio” de Armstrong. Há muito doping no esporte. Deixa de hipocrisia. Quem foi atleta, quem é, que convive nesse meio sabe que existem pressões enormes para que um atleta de boa performance ingira substâncias. A sedução vem de várias vertentes, técnicos, dirigentes, médicos, empresários e atravessadores mau intencionados estimulam atletas a tomarem essas porcarias. E o atleta tem que ter muito equilíbrio, sensatez, para afastar de si essas pessoas e não cair na tentação. Afinal de contas, são décimos, centésimos que podem mudar a vida dele. E sempre há aquele discurso de que “se tomar agora e mascarar amanhã não dá nada, pode confiar. Veja o fulano de tal, que tomou, foi bem e não deu nada.”

Sim esse tipo de atitude existe, e muito, a toda hora, no mundo todo, incluso e no Brasil.

Já disse e escrevi algumas vezes e aqui reafirmo que doping é caso de polícia. Não adianta ficar só com agências, Comitês Olímpicos, Confederações e Federações. Isso não inibe o tráfico. Tem que pegar na origem e não simplesmente punir quem é pilhado.

A Farsa Das Milhas da Tam.

agosto 22, 2012

Esse post não tem nada a ver com esporte. Talvez a relação entre a farsa das milhas e a dissimulação do dopping tenham alguma similitude. Por conta do meu trabalho de advogado, sempre viajo muito. Assim, pagando por minhas passagéns aéreas, acumulo milhas na companhia aérea TAM. Também possuo cartões de crédito em que na medida em que o utilizo, ganho milhas, as quais também transfiro para a TAM. Em ambos os casos, há larga veiculação publicitária no mercado estimulando os viajantes a escolherem a TAM.

Pois desde que a TAM passou a integrar a Star Alliance, ficou praticamente impossível utilizar as milhas acumuladas. Existem regras rígidas, que impõem uma série de empecilhos que, no frigir dos ovos, raramente faz o viajante frequente utilizar as indigitadas milhas nas datas e para os trechos de sua preferência. Fazer upgrade de classe, então, nem pensar. Quem tem milhas e as pretende usá-las sabe que é bem isso que estou dizendo. A TAM — e penso que outras companhias aéreas também — seduzem o mercado com propagandas que, na prática, não são bem assim.

Sabendo que em outubro deste ano teria que fazer determinada viagem, pedi à TAM, com cerca de um ano de antecedência, que me arrumasse uma maneira de usar as muitas milhas que tenho acumuladas. Pedi com antecedência, justamente porque a desculpa que eles dão é que a solicitação é “feita muito em cima da hora”, pelo que “não tem mais lugar com milha”. Ah,tá!

Ao fazer a solicitação com um ano de antecedência, meu pleito foi igualmente recusado pela TAM, sob o argumento de que “o sr. está pedindo com muito tempo de antecedência. Volte a ligar quando faltarem seis meses para a sua viagem”. Incrível! Pois faltando seis meses para a viagem, voltei a ligar. Claro, a TAM disse que não havia lugar para trechos com milhas. Como eu não desisto nunca, insisti, muito, bem como meu competente agente de viagens. Enfim, a TAM dignou-se a me responder que sim, eu poderia usar a totalidade de minhas milhas, em classe executiva. Que bom!

A ressalva era uma só: para chegar ao país de destino e voltar a São Paulo, eu teria que pegar SEIS vôos, passar por CINCO cidades e QUATRO países. Minha intenção é apenas ir e voltar, alguns dias depois, para uma única cidade, em um único país.

A proposta da TAM — que conseguiu essa proeza com empresas parceiras da Star Alliance — é um convite para não utilizar as milhas.

Ou seja, as milhas da TAM são uma farsa, assim como tantas outras coisas neste país.

OLIMPÍADA

 

SIM – Mesmo antes do Rio de Janeiro conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, um novo ciclo no esporte brasileiro já havia iniciado. Mais precisamente em 2003, com a criação do Ministério do Esporte. Depois de anos de batalha em busca da consolidação de políticas públicas para o esporte nacional, a criação do ministério abriu um novo horizonte de possibilidades para o desenvolvimento do setor. O avanço pôde ser percebido com as inúmeras conferências nacionais sobre o tema e o surgimento de programas federais de capilaridade.

A existência de uma Secretaria Nacional de Esportes de Alto Rendimento contribuiu para criação de diversos programas de estímulo à atividade atlética, à infraestrutura desportiva das cidades e aos financiamentos, como o Bolsa Atleta. Este sistema de financiamento ao esporte foi reforçado com a lei Agnelo/Piva e a lei de incentivo que, em parceria com a iniciativa privada, aumentou o quantitativo de recursos investidos no setor.

Na atual Cidade Olímpica, três vetores formam a base das políticas públicas do município do Rio de Janeiro: esporte educacional, de participação e de rendimento. Enquanto o município financia, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) coordena a parte técnica do projeto em parceria com as Confederações Brasileiras Olímpicas e demais entidades esportivas. Assim, os atletas selecionados trabalham com uma equipe multidisciplinar e recebem bolsa mensal. O COB também atua na compra de materiais e equipamentos para a prática do esporte e logística para viagens e competições financiadas pela Prefeitura.

Dentre os investimentos de base necessários para formar um atleta, o Rio, além da prática esportiva nas escolas, oferece 20 Vilas Olímpicas situadas em diferentes zonas da cidade, sendo três em fase de construção, como forma de ampliar o acesso ao esporte. Nestes equipamentos podem ser praticadas 28 modalidades olímpicas como natação, judô, futebol, basquete, vôlei e atletismo.

 

“O avanço pôde ser percebido com o surgimento de programas federais”

Romário Galvão

Secretário Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro

 

NÃO – A participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres foi ruim. Não por inaptidão dos atletas, que atuaram no limite de suas possibilidades. Os resultados foram fracos em face do volume brutal de dinheiro que foi injetado no esporte de alto rendimento. Em mais de dez anos de Lei Agnelo Piva, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) arrecadou mais de R$ 10 bilhões, sem contar os repasses que recebeu do Ministério do Esporte.

Não seria justo analisar a performance do País com base exclusivamente em uma Olimpíada. Londres 2012 é um reflexo das políticas equivocadas que foram adotadas no Brasil ao longo da década pelo COB e pelas autoridades públicas. O Brasil não tem se saído bem em certames olímpicos sucessivos.

É inadmissível que os resultados brasileiros sigam sendo os mesmos da época em que o esporte vivia à míngua. Pior, neste ciclo olímpico houve involução. O número de finais disputados pelo Brasil reduziu-se de 41 para 35. O Governo Federal, como grande financiador do esporte olímpico, tem o dever de investigar a razão de tantos malogros.

E não basta apenas trocar os dirigentes. Há de se modificar os conceitos que norteiam a administração do COB. Além disso, o governo tem que encarar o esporte como uma questão de Estado e estabelecer políticas de base para o segmento, envolvendo escolas, universidades e Forças Armadas. O Ministério do Esporte não pode mais ser preenchido por políticos que desconhecem o assunto.

E que o Brasil não se iluda, porque para 2016 não há mais tempo para modificar a estrutura e seguirá dependendo do esforço individual de valores esporádicos. Precisaremos de 15 anos para construir uma geração olímpica vencedora. Se não houver mudança de mentalidade, não adianta injetar dinheiro porque os resultados em 2016 serão a mesmice que temos observado ao longo de repetidos ciclos, muito aquém das possibilidades de um país de 200 milhões de habitantes.

 

“Se não houver mudança de mentalidade, não adianta injetar dinheiro”

 

Alberto Murray Neto

Advogado e ex-membro do COB e da Corte Arbitral do Esporte

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