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TEXTO DE CARLOS MARTINS

Remo no País do Futebol.

Por Carlos Martins

Depois do vexame do futebol na Copa de 2014, vamos torcer pelas Olimpíadas 2016.
A desastrosa atuação do futebol do Brasil não chegou a ser uma tragédia, mas podemos dizer que abalou o ufanismo futebolístico. Afinal, sete a um não deixa dúvidas nem permite individualizações. Muita coisa tem que mudar, mas infelizmente os nossos dirigentes, com honrosas exceções, são incapazes de formular propostas para o futuro, por que antes de se interessar por esporte, se interessam por política, interesses pessoais ou por se manter no poder.
O desastre na Copa talvez sirva para melhorar a gestão dos esportes no Brasil. Os economistas Mark Skidmore, da Universidade de Wisconsin, e Hideki Toya, da Universidade de Nagoya, analisaram 89 países entre 1960 e 1990 e concluíram que, em longo prazo, desastres podem levar ao crescimento. Primeiro se recebe ajuda para se reconstruir. Nesse momento há entrada de investimentos. Quem já havia perdido a competitividade desaparece, mas outros emergem mais eficientes. Isso porque o desastre força a atualização. É como uma destruição criativa. Os pesquisadores descobriram que os desastres levariam sociedades a investir mais em pessoas e menos em coisas materiais.
O vexame do futebol nos obriga a lembrar do remo nas próximas Olimpíadas. Afinal, Botafogo, Flamengo e Vasco, são clubes de regatas que surgiram no Rio de Janeiro na época em que o remo despertava o maior interesse. Ainda hoje o que acontece com o departamento de futebol nesses clubes pode refletir no departamento de remo. Mas, como o remo não desperta a mesma atenção de antigamente, alguns dirigentes do remo são esquecidos ou se isolam imaginando que já sabem tudo. Alguns não gostam de críticas.
O saudoso jornalista João Saldanha já dizia em 1963 que os clubes de futebol tinham estrutura arcaica e obsoleta: -“As bases dos clubes são muito frágeis, a partir de um modelo viciado que se mantém graças aos talentos individuais”. Raros são os exemplos de uma equipe construída, desde a base, dentro de um mesmo clube. Em 2009, assim que o Rio de Janeiro foi escolhido para o local das Olimpíadas apelamos para que a Confederação de Remo liderasse um grande mutirão no Brasil de olho nas Olimpíadas, a exemplo do que fez a China e a Grã-Bretanha, com ajuda de clubes, escolas, universidades, instituições militares etc. Como falta pouco tempo certamente não faltará desculpas. Perdemos o bonde?
– “A renovação do remo no Brasil praticamente não existe. Eu percebo isso quando chego nas competições e noto que nunca vi os atletas argentinos antes. Enquanto nós brasileiros somos sempre os mesmos. Só agora que a Confederação Brasileira está começando a se planejar” – destacou Fabiana Beltrame, o maior nome na história do remo do Brasil, em entrevista dia 26/7/2014 para o site Globo esporte.
Numa conta rápida, o Brasil tem uma população maior que a Argentina e o Uruguai, mas enquanto cada um dos nossos queridos vizinhos já ganhou quatro medalhas olímpicas, o Brasil até hoje não ganhou nenhuma.
Infelizmente não podemos dizer que o esporte no Brasil é organizado. É mais fácil dizer que o esporte no Brasil é explorado. As Confederações e Federações, em diversas modalidades, com honrosas exceções, funcionam como parasitas do esporte.
Assim como aconteceu na Copa, quando se gastou bilhões de reais em obras, o governo acaba de divulgar que gastará 600 milhões de dólares (R$ 1,3 bilhão) neste ciclo olímpico. Quem controlará a aplicação desses recursos? Recentemente o Tribunal de Contas da União criticou a falta de transparência sobre os gastos e questionou o fato da Matriz de Responsabilidades Olímpica não dispor de qualquer informação detalhada.
Segundo estudo do jornal Estadão, publicado esta semana, a dívida líquida dos clubes é de 5,682 bilhões de reais. Não dá para dizer que não circula dinheiro nos clubes. Um projeto de lei em andamento na Câmara dos Deputados, se aprovado, diz que os clubes serão punidos esportivamente e os dirigentes, responsáveis pela má gestão financeira dos clubes, serão responsabilizados.
Como aconteceu no Pan2007 e agora na Copa2014, provavelmente teremos muitas despesas em obras (superfaturadas?), mas qual será o legado para o desenvolvimento do esporte nacional? No caso do remo, por exemplo, falam das obras nas arquibancadas e na raia da lagoa Rodrigo de Freitas. Não se fala de investimento em remo nas escolas, nas universidades, nas cidades, remo como ferramenta de educação, contra as diferenças de gêneros, inclusão social etc. Quando acabar as Olimpíadas, o remo do Brasil continuará como está hoje.
Pouco antes de começar a Copa2014, a Colômbia apresentou em fórum realizado no Brasil um Plano decenal, até 2024, utilizando o esporte como ferramenta de transformação social para lutar contra o preconceito, a violência, a desigualdade e para desenvolver a juventude colombiana.
Enquanto isso aqui, onde serão as Olimpíadas 2016, os presidentes do Vasco, Flamengo e Botafogo, os maiores clubes de remo, não se manifestam nem fazem nada contra a ocupação do Estádio de Remo da Lagoa pelo Shopping Lagoon, no local onde poderia ser o Centro de Treinamento do Remo do Brasil. Como no futebol, antes do vexame na Copa, os presidentes devem pensar que não falta nada ao remo do Brasil.

Carlos Martins

Visite e divulgue: http://www.remo2016.com.br

TEXTO DO JORNALISTA JOSÉ CRUZ EM SEU BLOG NO UOL.

CBV esconde resultados da auditoria sobre suspeitas de falcatruas

José Cruz 29/07/2014 11:16

Há uma disputa interna na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), entre os que querem esconder e os que desejam dar transparência à auditoria da Price Waterhouse, que investigou sobre denúncias de irregularidades nas finanças da entidade, que divulguei, em março.

Recentemente, a CBV contratou assessoria da Fundação Getúlio Vargas para formular proposta de gestão transparente no vôlei. É um recurso para, de forma discreta, tentar ajudar esquecer problemas.

Apoiado pelo Banco do Brasil há 23 anos, o vôlei conquistou 19 medalhas olímpicas e mais de 50 títulos mundiais na quadra e na areia, em todas as categorias. Estamos falando de uma potência esportiva dentro e fora das quadras.

Segredo

Mas, o que apurou a auditoria da Price? Segredo, como sugere a assessoria da CBV:

“O relatório foi entregue oficialmente à Confederação e está nas mãos do departamento jurídico da entidade. Algumas providências já foram tomadas e outras estão sendo analisadas. O relatório é interno”.

Memória

Em quatro décadas, entre 1975 e 2012, a CBV teve apenas dois presidentes, Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça. E o atual, Walter Pitombo Laranjeira, foi vice-presidente desses dois dirigentes. Pitombo conhece muito bem os bastidores e a história desse esporte. Silenciará diante das denúncias, permitindo que seu nome figure entre os suspeitos de práticas ilegais, como as já denunciadas?

Enquanto isso…

Em março, por ocasião das denúncias, a direção do principal patrocinador assim se manifestou:

“A direção do Banco do Brasil condicionou a manutenção do apoio ao vôlei ao pronto esclarecimento dos fatos denunciados e à imediata adoção de medidas corretivas” … “Apesar de não ter responsabilidade legal ou contratual para fiscalizar a aplicação dos recursos do patrocínio, o Banco do Brasil entende que é necessário a CBV adotar novas práticas de gestão que tragam mais transparência para a aplicação dos recursos…”

Agora, ao ser indagado sobre os resultados da auditoria da Price, disse o Banco:

“O Banco do Brasil entende como positivas a contratação da auditoria externa e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e permanece acompanhando atentamente as ações decorrentes das apurações realizadas.”

Indagado, o Ministério do Esporte não se manifestou.

Finalmente

E o que dizem os atletas e o próprio técnico Bernardinho, modelo de liderança e caráter, sobre essa questão?

Afinal, são eles que, por seus resultados, dão sustentação à parceria da CBV com o Banco do Brasil. Ficarão omissos nessa questão, contrastando os brilhantes resultados no esporte com suspeitas de desmandos de bastidores?

Tags : audotiria Price Vôlei

Educação e Esporte.

julho 28, 2014

Hoje encontrei-me com um amigo de longa data, Mauro Brant que, como eu, integrava a equipe de atletismo do Esporte Clube Pinheiros, na década oitenta, quando éramos atletas do infantil. E ganhávamos tudo, do Mirim ao Adulto, em que tínhamos como estrela maior João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.

Mauro me lembrava que nas conversas que tinha com meu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha, que costumava ir assistir aos nossos treinos, sempre ouvia que “o Brasil não tem que investir em Olimpíada, gastar dinheiro com isso. O Brasil deve investir em educação e no esporte de base, nas escolas e para a população.”

Meu amigo me dizia que as palavras do Major Padilha, então Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e importante membro da Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional lhe vem à mente quando vê, hoje, o Estado gastando os tubos com Copa do Mundo e Olimpíada, enquanto se há tanto por fazer. E Mauro ainda ressaltava para mim, “justo ele, o Presidente do COB, preocupado com a educação e não com gastos em Olimpíada.”

Hoje em dia isso parece absurdo. Nossos dirigentes Olímpicos estão absortos por realizar grandes eventos, em detrimento do esporte para todos, do esporte educação, coisa com a qual sequer têm preocupação.

Como já escrevi aqui, desde 1.995 até hoje, se considerarmos todo dinheiro público que já foi investido no esporte olímpico do Brasil e dividirmos pelo número de medalhas ganhas, veremos que cada medalha custou ao bolso do brasileiro mais de R$ 312 Milhões. É muito dinheiro público para resultados parcos. Nessa conta ainda não estão os gastos com os Jogos Olímpicos.

Imaginem se todo esse dinheiro estatal tivesse sido usado, de maneira planejada, como muitas vezes propôs meu avô, na educação, no esporte de base, nas escolas e nas universidades.

Estaríamos em um patamar muito melhor.

É uma excente notícia saber que a Polícia Federal apreendeu documentos na sede da Confederação Brasileira de Taekwondo. Há muito que jornalistas importantes, como José Cruz, do UOL e Marcelo Gomes, da ESPN Brasil insistem na necessidade de se verificar como são utilizadas as verbas públicas que vão parar nos cofres dessa Confederação.

Há alguns meses o Comitê Olímpico Brasileiro anunciou que faria uma auditoria nessa modalidade. Porém, como esperado, recuou. Afinal de contas o nosso Comitê não quer brigar com membros de sua assembleia geral, que são aqueles que elegem a diretoria.

Certamente há muito cartola olímpico preocupado com o que aconteceu no Taekwondo. Há muito dinheiro público investido no esporte olímpico que padece de explicações e transparência. Se o governo federal agir com rigor, muita gente que dirige o esporte do Brasil estará em palpos de aranha.

Bastará ver, agora, se a Federação Internacional de Taekwondo e o Comitê Olímpico Internacional dirão que essa devassa na Confederação Brasileira de Taekwondo será considerada uma intervenção estatal nos rumos do Movimento Olímpico, o que para eles é inadmissível.

Se isso ocorrer, o governo do Brasil não pode se curvar à cartolagem internacional.

Aliás, a investigação não pode e não deve resumir-se ao Taekwondo, mas abarcar muitas outras modalidades e o comando central.

Parece que agora o governo federal interessou-se pelo futebol, com interferência direta da própria Presidenta da República. Isso é bom. Antes tarde do que nunca. As reuniões e movimentos feitos até o momento são positivos. Tomara que não seja mera pirotecnia eleitoreira. O futebol brasileiro exige mudanças profundas, que não se resumem à escolha de um novo técnico para a seleção nacional.

O que é ruim é ignorar que o futebol não é o único esporte no Brasil que merece reformas radicais. A monocultura futebolística absorve as atenções do governo e das mídias. São poucas que abrem espaços importantes para os esportes olímpicos. Temos pela frente, daqui a dois anos, os Jogos Olímpicos, que serão realizados no Rio. As obras estão muito atrasadas. Algumas delas, promrtidas no dossiê de candidatura, sequer ficarão prontas. Há indícios fortíssimos de que o superfaturamento que ocorreu nos Jogos Panamericanos de 2.007 serão repetidos em 2.016, com obras sendo feitas na correria e entregues em cima da hora, por preços muito mais caros e tudo pago com dinheiro público.

O governo e a Presidenta da República teriam que aproveitar o momento em que se debruçam sobre as mazelas do futebol, para fazer o mesmo com as do olimpismo brasileiro. E deve fazer isso enquanto há algum tempo. No futebol, o governo quer agora juntar os cacos e começar uma nova era. Então que não se esperem os fracassos de 2.016 para investigar o olimpismo. Que se comece a fazer isso imediatamente.

No Olimpismo há duas frentes a serem atacadas. Uma é a organização dos Jogos Olímpicos em si, atentando para que as coisas sejam feitas nos prazos e preços corretos, com rigorosa transparência e sempre com licitações públicas. A outra é a estrutura organizacional das Confederações e do Comitê Olímpico Brasileiro, que devem ser cobrados por administrações modernas e arejadas, com projetos sólidos de longo prazo incentivando as categorias de base. Parafraseando meu dileto amigo Lars Grael, com raríssimas exceções, o comando do esporte olímpico brasileiro é comparado às capitanias hereditárias.

Como escreveu José Cruz, o governo não pode ignorar as graves denúncias feitas e comprovadas pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, sobre pagamentos suspeitos feitos pela Confederação Brasileira de Vôlei. Essa Confederação é dirigida há quarenta anos por dois indivíduos de um mesmo grupo político, Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça Filho. A Presidenta da República não pode se esquecer de que a Confederação Brasileira de Vôlei é sustentada por uma importante empresa do governo, o Banco do Brasil S.A. Há muito dinheiro público envolvido aí.

Sem dinheiro, obras do Parque Olímpico param em agosto

TERESA PEROSA

19/07/2014 09h30

PARQUE OLÍMPICO As construtoras cobram dinheiro da Caixa para continuar as obras em Jacarepaguá.

O governo não tem mais tempo para comemorar o êxito da Copa. O consórcio Rio Mais ameaça suspender as obras do Parque Olímpico de Jacarepaguá, caso a Caixa Econômica Federal não libere dinheiro para o projeto. Pelo modelo de PPP no qual o parque está sendo construído, o financiamento cabe à Caixa. Já foi dado um ultimato: se os recursos não saírem, os canteiros pararão em agosto. A Prefeitura do Rio diz desconhecer o impasse. A Caixa explica que o empréstimo precisa atender requisitos de enquadramento, ter garantias e boas condições negociais.

Matéria CAP - 0002Pini 4

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