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O poço da FIFA parece não ter fundo. É infinito. A cada dia surge uma novidade que ajuda a colocar vários pontos de interrogação sobre a lisura daqueles que comandam o futebol mundial. O tal do Jack Werner, manda chuva eterno da Concacaf, tornou público o e-mail que recebeu do Secretário Geral Jérôme Valcke, no qual ele escancara aquilo que já se desconfiafa: O Catar comprou o direito de sediar a copa do mundo de 2.022. Como direitos não se compram, está aí uma ilegitimidade. A FIFA deveria anular essas eleição e refazê-lá de forma transparente e tomando os devidos cuidados para que a picaretagem não se repita.

O Valckle faz uma ginástica semântica muito curiosa, estapafúrdia, sobre o que ele quis dizer quando escreveu que o Catar “comprara a Copa de 2.022”. Será que ele acha que as pessoas de bem acreditam nele? </p

O Jack Warner só foi punido pelo Comitê de Ética porque retirou o seu apoio a Blatter. Apesar de todos os males que fez ao futebol mundial, Werner permaneceria lindo e formoso, vivendo as custas do futebol, se ainda apoiasse Blatter. Bem manchetou a Folha ontem, ao estampar “Ética de Resultados”. A ética da FIFA é muito relativa. Blatter retaliou Werner, que retaliou Valcke, para atingir Blatter.

Essa gente está ocupada em alfinetar uns aos outros, em busca de dinheiro e poder. Não estão nem aí com as coisas do futebol. Hoje em dia desconfio de tudo que vem da cartolagem do futebol. Será que dentre os mais de 200 Países filiados à FIFA não exista um só que preste? Que possa iniciar uma campanha pela limpeza e reviravolta no futebol mundial? Tenho certeza de que quem fizesse isso, levaria consigo outros bem intencionados.

Tomara que na quinta-feira, na assembléia geral da FIFA, alguém levante a mão e deflagure a grande revolução ética pela qual o futebol necessita passar.

Se as coisas permanecerem assim, cedo ou tarde, a FIFA desmoronará, podre.

A desistência do qatariano Bin Hamman em disputar a presidência da FIFA tem cheiro de acordão e intimidação. Bin Hamman está sendo investigado pelo Comitê de Ética da entidade. Pode ser que tenham dado a Bin Hamman duas opções: (a) ou ele segue com a candidatura e o Comitê de Ética expões as mazelas do homem do Quatar; (b) ou ele retira a sua candidatura, deixa o caminho aberto para Blatter e o Comitê de Ética faz aquilo que sempre fez, põe panos quentes e deixa tudo como está.

Bin Hamman, cuja derrota na eleição já era praticamente certa, preferiu a segunda opção. Seguirá na FIFA sem ser molestado e organizará a sua Copa do Mundo. E Blatter será reeleito para o quarto mandato.

Mas Blatter não está sendo também investigado pelo mesmo Comitê de Ética? Puro jogo de cena. Blatter comanda esse Comitê e paga a remuneração de seus membros. Se não tivesse havido o acordo, certamente Bin Hamman seria o culpado e Blatter sairia ileso.

Embora difícil, tomara que até quinta – feira haja uma reviravolta no mundo do futebol e que Blatter também seja forçado a abandonar suas pretensões eleitorais.

À Justiça Suíça cabe o vital papel de seguir investigando e tornando pública as entranhas mal cheirosas do futebol mundial.

Hoje um amigo indagou-me se eu guardei minhas entrevistas e artigos nos quais disse que a preparação para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos seria um furdúncio. A razão da pergunta foi, claro, em tom de blague, para que eu possa dizer que tenho o dom de prever o futuro. O que eu falei e escrevi, pelo menos com relação ao torneio de futebol que o Brasil abrigará em 2.014, já é uma realidade.

Quando disseram que o mundial seria financiado totalmente com dinheiro privado e que o cronograma de obras seria rigorosamente cumprido, eu e vários outros duvidamos. Alguma vezes fomos chamados de antipatriotas. Não precisa de mais tempo para constatar que a historinha da Copa que nos contaram é um engodo.

O nosso dinheiro custeará a construção de estádios por todo o Brasil, que depois virarão “elefantes brancos”. As obras vão atrasar. Os orçamentos explodirão. Licitações (ou a falta delas) serão contestadas. As manchetes dos jornais estamparão os escândalos.

Por enquanto os Jogos Olímpicos estão fora dos holofotes. Os descalabros que permeiam o mundo do futebol são tantos, que falta espaço nas páginas esportivas para abordar tudo.

Mas que ninguém se engane de que a preparação para os Jogos Olímpicos de 2.016 proporcionará calafrios nos brasileiros.

Ainda dá para mudar esse cenário? Dá, sim, para minimizar os estragos. Como? Se a Presidenta Dilma der uns murros na mesa, dar um basta nessa cartolagem e controlar o ralo do dinheiro público. Senão, os prejuízos que esses dois convescotes, Copa e Olimpíada, causarão ao Brasil, serão altíssimos.

Meu amigo disse-me, ainda, que por prever o futuro eu sou tal qual a Mãe Dinah. Nada disso. Não tenho esse dom premonitório.

É que algumas coisas são tão óbvias!

Quem buscar no youtube encontrará a tentativa de entrevista de Andrew Jennings com Jean Marie Weber, na Dinamarca, por ocasião do Congresso do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) que elegeu o Rio de Janeiro como sede olímpica em 2.016. Jennings se aproxima de Weber e pergunta-lhe como ele conseguiu uma credencial para estar alí, uma vez que as denúncias e provas de corrupção que envolveram seu nome o teriam banido do mundo do esporte. Weber enrubesce, perde um pouco do rebolado e desconversa. Levanta-se e vai embora, deixando Jennings (e o povo) sem resposta. Na coletiva de imprensa de Jacques Rogge, presidente do CIO, Jennings pergunta-lhe quem deu a credencial a Jean Marie Weber. Rogge diz que investigará. Até hoje, ao que me consta, o CIO não deu a resposta tão esperada.

No processo de falência da ISL, ficou provado e comprovado perante os Tribunais suíços o envolvimento de Jean Marie Weber com atos ilícitos no esporte mundial. Weber ficou mundialmente conhecido como “o homem da mala”. Ao menos em tese, Weber passou a ser figura non grata nesse meio. Afastou-se por um período. Ficou sumido. Sua volta gloriosa deu-se justamente no Congresso do CIO na Dinamarca. Devidamente credenciado, Weber circulou com desenvoltura entre os membros do CIO. Foi visto no saguão do hotel em que se hospedavam os membros votantes e as delegações das cidades candidatas e no centro de convenções aonde ocorreram as votações.

O que Jean Marie Weber estava fazendo lá? Qual era a função dele naquele congresso? Quem lhe deu a credencial? Por que esteve tão íntimo dos membros do CIO?

São perguntas que Andrew Jennings faz, cujas respostas todos nós queremos saber. E que a cartolagem insiste em não responder.

Direto ao Ponto

Pelo Jornalista Augusto Nunes

Os brasileiros caíram no conto da Copa

Em 15 de junho de 2007, numa cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula avalizou com um sorriso e aprovadores movimentos de cabeça o palavrório de Ricardo Teixeira, comandante perpétuo da CBF. “A Copa do Mundo é um evento privado”, garantiu o supercartola. “O melhor da Copa do Mundo é que é um evento que consome a menor quantidade de dinheiro público do mundo. O papel do governo não é de investir, mas de ser facilitador e indutor”
Quatro meses depois, Teixeira repetiu no Rio a manifestação de apreço pelos pagadores de impostos. “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”. Em 4 de dezembro de 2007, também no Rio, o ministro do Esporte, Orlando Silva, oficializou a promessa com o aval de Lula: “Os estádios para a Copa do Mundo serão construídos com dinheiro privado. Não haverá um centavo de dinheiro público para os estádios”.

Três anos e meio depois da discurseira, está claro que os brasileiros foram vítimas do conto da Copa. Lula queria transformar a festa esportiva em trunfo eleitoreiro. Ricardo Teixeira queria ampliar o cacife para disputar a presidência da FIFA ─ e continuar prosperando. Orlando Silva também queria continuar prosperando, e para tanto era necessário convencer os crédulos de que todo delinquente é recuperável. Como a farra dos Jogos Panamericanos de 2007, que deveria custar R$ 450 milhões, acabara de engolir R$ 5 bilhões, o campeão brasileiro de despesas superfaturadas achou prudente jurar que a Copa sairia de graça.

Conversa de vigaristas, confirmou a performance do ministro nesta quarta-feira. Com a arrogância dos condenados à impunidade, subiu a voz alguns decibéis e passou a exigir que o governo de São Paulo e a prefeitura da capital arranjem o dinheiro que falta para a construção do estádio do Corinthians. “Quando você se candidata a receber a abertura de uma Copa, eu imagino que você saiba das responsabilidades que possui”, falou grosso Orlando Silva.

Conforme o combinado, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab estão investindo R$ 350 milhões em obras no entorno do local onde será erguido o estádio. O aprendiz de extorsionário acha pouco. Como a Odebrecht acaba de anunciar que o colosso orçado em R$ 650 milhões vai custar R$ 1 bilhão, quer que os paulistas banquem a diferença. E invoca o precedente aberto pelo governador Sérgio Cabral, que espetou nos bolsos dos fluminenses a conta da reforma do Maracanã. Deveria custar R$ 600 milhões. Acaba de saltar para R$ 950 milhões.

Como a Odebrecht, o consórcio que age no Maracanã aumentou a gastança em R$ 350 milhões. A quantia talvez tenha resultado da soma das comissões, propinas e taxas de sucesso. Até agora, a corrupção era medida em porcentagens. A bandidagem esportiva pode ter descoberto que fixar um preço para a roubalheira dá mais dinheiro e menos trabalho.

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/os-brasileiros-cairam-no-conto-da-copa/

O Feitiço Do Tempo.

maio 20, 2011

Passo alguns dias fora do Brasil e tento evitar o acesso a sítios de notícias do País. Ao atualizar-me sobre o que há de novo na nossa terra, noto, mais uma vez, que não há nada de novo. Sinto-me como Bill Murray no filme Feitiço do Tempo. Todos os dias a mesma festa, as mesmas pessoas. Se ainda pudesse utilizar a mesmice em meu favor para mudar a realidade do Brasil.

Há meses o Comitê Organizador da Copa do Mundo, os políticos e a FIFA engendram uma interminável discussão sobre o cronograma de obras, atrasos, o Itaquerão e aonde será, afinal, o jogo de abertura. Enquanto as manchetes se repetem, os aliados da perversão regojizam-se com o aperto do tempo. Quanto mais o grande evento se aproxima e quanto mais o País patina na imprevidência de quem decide, mais felizes ficam aqueles que querem motejar as licitações públicas.

A FIFA, a Copa, os políticos e cartolagem mal intencionada, é tudo um fenomenal engôdo. Estão todos fazendo jogo de cena. Não estão nem um pouquinho preocupados com o povo brasileiro. O que lhes irriquieta é saber se os tenebrosos planos que têm darão certo. O País, pensam eles, que se dane!

Alguém algum dia duvidou de que o plano dessa gente sempre foi construir um novo, moderno e caro estádio em São Paulo, com dinheiro público?

Quanto mais estádios novos, melhor será a Copa, para eles.

Que sentido faz gastar cerca de 500 milhões de Reais, ou mais, para enguer um campo de futebol em regiões do Brasil que carecem de saneamento básico, apenas para citar um exemplo?

Quem diz que um País fica mais rico com Copa do Mundo, ou Olimpíada, equivoca-se. Basta conferir os números. Essas competições esportivas podem trazer felicidade à nação e colocá-las em evidência, por um espaço de tempo. É imperativo discutir até que ponto essas duas coisas valem a pena, vis-a-vis o maciço investimento público em setores não prioritários, em detrimento do bem estar do povo. Eu acho que não vale a pena.

As notícias se repetem todos os dias. É a crônica de um escândalo anunciado.

Essa gente ruim parece querer enfeitizar a todos nós, com uma bola de futebol

Ah, como eu gostaría que a Inglaterra tivesse coragem e realmente deixasse a FIFA. Isso poderia ocorrer, sem prejuízo de se continuar as investigações sobre as denúncias de corrupção. A Inglaterra, por certo, teria o apoio maciço daqueles que almeijam o esporte limpo, transparente. Acho que outros Países seguiriam a iniciativa a iniciativa inglêsa.

Se a Inglaterra abandonasse a FIFA, teria que se estabelecer uma nova ordem no futebol mundial. A pressão para se abrir os escaninhos do futebol seria tanta, que ficaria penoso à cartolagem lutar contra os ventos da modernidade.

Imaginem uma nova entidade para organizar o futebol mundial, regida com regras claras de governança corporativa, dando publicidade imediata a todos os documentos relacionados a ela.

Ainda que no início alguns Países relutassem em aderir à essa nova ordem, na medida em que a nova entidade fosse dando mostras de suas boas intenções e da forma inovadora de administrar, seria uma tendência natural o esvaziamento da FIFA.

Se não for bravata, uma das coisas mais importantes que aconteceram no esporte mundial é a manifestação inglesa para deixar a FIFA.

Os ingleses podem reinventar o futebol.

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