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Até Quando Engenhões?

março 27, 2013

Se as estruturas do Engenhão estão despencando, a decisão acertada é realmente interditar o estádio. Não há outra coisa a fazer. A questão, entretanto, não é somente essa.

Um estádio que custo quase R$ 400 milhões aos cofres públicos, em tão pouco tempo, precisa ser inteditado. Isso tem que ser objeto de investigação. E eventualmente punição dos responsáveis pela obra. O Engenhão é uma obra recente que, até pouco tempo, os políticos e a cartolagem bradavam ser um exemplo de modernidade. Ao que parece, as falhas estruturais no Engenhão não são decorrentes do desgaste natural do uso e do tempo. São, sim, em virtude do projeto de engenharia mal sucedido e construção mal feita.

A sociedade não deve simplesmente, mais uma vez, pagar a conta das reformas que forem necessárias. O governo tem a obrigação de ser transparente e explicar ao povo porque, em tão pouco tempo, vai gastar mais dinheiro com isso. Se é o povo que pagará a conta, tem que saber o que e porque está pagando.

Vamos acompanhar o caso e prestar atenção em três pontos essenciais: (a) se o governo da Cidade do Rio dará explicações precisas sobre as razões dessas falhas na cobertura do Engenhão; (b) se esse mesmo Governo terá coragem de peitar a construtora responsável pela obra; e (c) quanto vai custar essa reforma.

São as heranças malditas do glorioso Pan de 2.007.

A Helms Athletic Foundation, dentre outras atividades, por meu de seu comitê, dava anualmente ao melhor atleta do continente americano e ao melhor atleta do mundo, o chamado Troféu Helms. Atualmente a Helms Athletic Foundation foi abarcada pela LA 84 Foundation, criada por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1.984. A LA 84 Foundation está com todo o acervo da Helms. Sylvio de Magalhães Padilha ganhou o Troféu Helms por duas vezes. A primeira em 1.936, como melhor atleta do continente americano. E em 1.939, como mais destacado atleta do mundo. Alguns outros nomes que também ganharam o Troféu Helms: Avery Brundage, Ron Clarke, Jule Landoumegue, Emil Zatopek, Jim Thorpe, Jesse Owens e Abebe Bikila. Abaixo a fotografia do Troféu Helms dado a Sylvio de Magalhães Padilha em 1.939.20130324_231414 20130324_231514

No final dos Jogos Olímpicos o Brasil, por seus governos e autoridades olímpicas, utilizou largamente a imagem do nosso índio, querendo mostrar ao mundo que aqui há respeito aos nativos, preservação da cultura e diversidade. Pois bastou representantes da comunidade indígina serem obstáculo para os planos megalômanos da patota olímpico futebolística para sentarem o safarro neles. E o cara de pau do governador do Rio, o parlapatão Sérgio Cabral (o filho), mentiu. Disse que desalojar os índios do museu ao lado do Maracanã era uma exigência da FIFA que, oficialmente, negou.

A verdade é que a cartolagem olímpica e do futebol não queria nas cercanias do “templo do futebol” uma comunidade “maltrapilha e uma casa caindo aos pedaços.” O governo do Rio e a cartolagem querem envernizar a cidade e, para eles, índio não é motivo de orgulho. É racismo, preconceito, crueldade, segregacionismo de uma elite que faz muito mal ao Brasil. Essa mesma elite que passa por cima de famílias instaladas nos caminhos do “progresso esportivo brasileiro”, pondo abaixo casas, escolas para construir “elefantes brancos” super faturados. Foi assim no Panamericano de 2.007. Está sendo assim na Copa do Mundo. E será igual nos Jogos Olímpicos.

No mesmo local em que índios do Brasil foram tirados de seu lar debaixo de vara, será construído um museu olímpico. Um local que certamente será objeto de polêmica, de contas obscuras, como é tudo que fazem para “fomentar o esporte brasileiro.” Tamanho contrasenso. Acho que os representantes das comunidades indígenas do nosso País deveriam enviar protesto formal à FIFA, ao COI e à ONU.

E muita atenção !!!! A intenção do Pajé Olímpico é dar o nome de Carlos Arthur Nuzman ao Museu Olímpico! O COI já havia manifestado seu desagrado. Não podemos permitir isso. Será outra briga.

Não se trata mais de concordar, ou não, com a administração Marin na CBF. Trata-se de discutir qual é s cara que o Brasil quer ter na maior festa do futebol mundial. Se o Governo Federal já não gostava do antecessor, o atual representa uma época tétrica da política nacional, que fez muita gente sofrer.

José Maria Marin não somente militou na política ao lado dos arenistas, mas também teceu loas de forma pública a figuras execráveis da política do Brasil. Marin, queira, ou não, é o retrato ambulante de uma época da qual o Brasil tem muito a se envergonhar. Talvez, hoje, Marin esteja arrependido por um dia ter apoiado o lado errado, tenebroso, sombrio, das trevas, maléfico. Mas não há o que fazer. Marin apoiou gente que fez muito mal aos que têm estado no poder desde o restabelecimento da democracia no Brasil.

A biografia de Marin já corre o mundo. Na Europa menciona-se que ele teve ligações com a ditadura. A própria FIFA não está feliz com isso.

Portanto, para a imagem do Brasil, é necessário que não seja José Maria Marin aquele a representar o futebol brasileiro em sua maior festa.

Carlos Nuzman também foi filiado à Arena e militou no partido da ditadura. Foi candidato a Vereador no Rio pela Arena. Perdeu a eleição. Não se tem notícia de nenhum discurso de Nuzman elogiando torturadores. Mas o fato é que naquela época, quem quisesse meter-se em política tinha duas alternativas, a Arena da ditadura. Ou a oposição.

A página ‘Locais de Treinamento Pré-jogos’ do site oficial do Rio 2016:

http://www.rio2016.com/pregamestraining/pt

Informa o seguinte locais disponíveis para treinamentos pré-jogos Olímpicos Rio 2.016.

Vejam nas páginas a seguir, dois dos locais sugeridos para
“treinamentos pré-jogos”:

http://www.rio2016.com/pregamestraining/pt/estadio-de-atletismo-celio-de-barros

http://www.rio2016.com/pregamestraining/pt/parque-aquatico-julio-delamare?fromPartner=642

Pois o primeiro foi interditado e transformado em canteiro de obras para
o novo estacionamento do Maracanã e, em breve, será demolido. O segundo terá o mesmo
destino.

Qual é a credibilidade que essa gente do Co-Rio tem, considerando que se trata do mesmo grupo que organizou o Pan de 2.007?

Brincadeira de mal gosto o que esses caras estão fazendo com a estrutura de base do esporte do Rio.

Esses Conclaves de Cardeais para eleger o Papa lembram-me muito as eleições do Comitê Internacional Olímpico (“COI”). Assim como no Vaticano, o COI tem muitos dignatários, rituais, protocolos, suspenses, coisas boas e ruins. Quem já conviveu eleições no COI sabe o que estou dizendo. O COI também tem suas facções internas, os mais progressistas e os conservadores. E é muito corporativista de tal forma que acaloradas discussões que ocorrem lá dentro ficam nas salas de reuniões. Fora de lá, os membros são unidos e fazem questão de mostrar ao mundo exterior que, acima de tudo, são coesos. O COI também tem seus membros honorários que, aos setenta, ou oitenta anos (dependendo da data em que entraram para a entidade, perdem o direito de voto e de serem votados. Podem assistir às sessões calados e, quando solicitados pelo presidente, manifestam-se como aconselhadores. Este é o caso de Nuzman que, ao fazer setenta anos em março de 2.012, perdeu o assento de membro ativo de COI. Os honorários sentam no fundão dos auditórios em que ocorrem as sessões plenárias.

A apresentação no novo presidente eleito é solene. Após votarem, os membros reunem-se todos em um palco. O chefe do protocolo tira de um envelope o nome do novo mandatário e o anuncia ao planeta.

O anúncio da primeira eleição de Jacques Rogge para seu mandato inicial como presidente do COI aconteceu dessa forma. Enquanto o nome de Rogge era anunciado e ele aplaudido por todos, lembro-me de Nuzman em pé, umas duas fileiras atrás dele, esticar-se todo, dar um passinho à frente, espremer-se entre outros dois membros e dar una tapinhas nas costas do novo presidente, querendo cumprimentá-lo pela eleição. Claro que Nuzman queria, naquele gesto, aparecer nas televisões do mundo e mostrar-se próximo ao escolhido. A hora do cumprimento e a forma foram totalmente inapropriadas, fora de contexto e constrangedoras. Mas Nuzman não se preocupou. Eu já o ví, ao vivo e em cores, tomar atitudes assim em outras ocasiões. Já escrevi sobre elas no Blog. Uma foi no México, em que se enfiou entre o Samaranch e o Mario Vazquez Rana no momento em que ambos adentravam o salão de conferências da ODEPA, tendo pedido para um fotógrafo registrar a cena. Foi patética. O Richer também viu e olhou para mim em sinal de desaprovação. Outra vez foi em Sidney, em que ao ver o filho de Samaranch entrar no lobby do hotel, saiu correndo do restaurante em que estava e foi atrás dele no elevador, subindo e fazendo salamaleques quaisquer.

Nuzman foi, por duas vezes, candidato à membro da Comissão Executiva do COI. Perdeu as duas.

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