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Espero não estar errado. A escolha de Henrique Meirelles para presidir a Autoridade Pública Olímpica foi acertada. Se tudo seguir o curso previsto, Orlando Silva já é carta fora do baralho na organização dos Jogos Olímpicos. Nuzman, a quem Dilma faz grandes restrições, aos poucos ficará escanteado. As atribuições do Comitê Organizador será restrita à funções burocráticas e, o que se pretende, é que ali não se administre nada de dinheiro estatal. Portanto, sem dinheiro, perderá muito poder. Dilma tem sido sábia. Aos poucos vai descolando a sua imagem da de seu antecessor e afastando de si aquilo de que não gosta. A Presidenta sabe muito bem que os Jogos Panamericanos foram a farra do boi. E que legado algum sobrou para os cariocas. Que a vida do cidadão comum não melhorou após os Jogos, sem embargo dos milhões de dinheiro público que escoaram pelos ralos. Dilma está atenta para que na Copa do Mundo de Futebol e nos Jogos Olímpicos isso não se repita, em proporções muito maiores.

Quem conhece o assunto de perto sabe que Henrique Meirelles entra para, antes de tudo, por ordem na casa. Afastar os parasitas do esporte. Feito isso, terá condições bem melhores de entegar ao Rio e ao Brasil aquilo que, na candidatura aos Jogos Olímpicos, foi prometido (coisa que no Panamericano ficou longe de acontecer).

Por enquanto Dilma tem mostrado a que veio. Que siga assim. Que continue utilizando o seu passado como exemplo. E não como escudo.

Já escrevi aqui sobre o Museu Olímpico de Nuzman. Volto ao tema agora. Consta que a intenção de Nuzman seria dar ao tal Museu o seu próprio nome, em um ato de auto homenagem. Também consta que o Comitê Internacional Olímpico não aprovou a idéia, uma vez que o auto homenageado ainda vive. Tomara que realmente isso não ocorra. Há gente muito mais importante que Nuzman para nomear o Museu. Que tal Museu Olímpico Brasileiro Guilherme Paraense, o primeiro medalhista de ouro Olímpico do Brasil?

Mas Nuzman não quer reavivar, de verdade, a memória olímpica do Brasil. Já escrevi várias vezes e repito a história de que tão logo assumiu a presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, uma de suas primeiras atitudes administrativas, foi colocar um pôster qualquer para tapar a placa de bronze instalada na sede da Rua da Assembléia, na qual consta o nome daqueles que o sucederam naquele Comitê. Uma descortesia com João Havelange e com o seu próprio Vice Presidente, André Gustavo Richer, cujos nomes ali também estão inseridos.

Claro que tapar uma placa é o de menos em face de todas coisas erradas e mal feitas que ocorrem no esporte olímpico do Brasil. Mas não deixa de ser uma atitude sintomática do nosso Pajé Olímpico, de quem quer ser o primeiro e único. Este é apenas um exemplo de vários que presenciei, nos quais Nuzman impede que o passado do nosso Olimpismo seja veiculado.

Então, que espécie de Museu será esse? Mais uma vez, acho que uma obra dessa magnitude não pode ficar nas mãos e na cabeça de um sujeito só (ou de seus apaniguados, que têm medo de contrariá-ló). Ainda mais quando o cara faz tapar placas que remontam o passado. A criação do Museu Olímpico Brasileiro deveria ser amplamente discutida com a sociedade, com desportistas, antigos dirigentes, com as Universidades. E que cada centavo gasto com o Museu seja rigorosamente transparente. Que a verba destinada a ele seja gerida por uma comissão de gente engajada com a transparência no esporte e na cultura.

Apagar a história é um mecanismo que é largamente utilizado pelos déspotas.

O Museu Olimpico do Brasil deve ser um projeto nacional e não da cabeça de um qualquer.

BLOG DA KATIA RUBIO

Por dentro da Psicologia e dos Estudos Olímpicos

Atos e fatos para lembrar, mas não necessariamente comemorar
28.01.2011 | Comente.

Hoje esse blog faz um ano!!
Seria um bom motivo para comemoração não fosse o fato dele ter nascido como desdobramento de uma arbitrariedade. Sendo assim, fico na dúvida entre comemorar e refletir sobre o passado e o futuro.
Como trabalho com memória e história oral quero deixar registrada minha lembrança sobre esse episódio para que no futuro ele não seja lembrado como uma situação que gerou muita polêmica, mas que não passou de um mal entendido.

Há exatamente um ano eu recebia uma notificação extra-judicial do Comitê Olímpico Brasileiro determinando que eu recolhesse meu livro Esporte, educação e valores olímpicos pelo uso, SEM AUTORIZAÇÃO, da palavra “olímpicos” na capa. O passo a passo dessa história pode ser visto nesse blog, inclusive com as cópias de todos os documentos recebidos e enviados.

Em alguns momentos penso que esse episódio está perdido em minha história. Em outros parece que foi ontem. Não vou discutir a arbitrariedade porque na época várias pessoas me ajudaram a gritar a plenos pulmões sobre isso, entre eles Alberto Murray Neto, Juca Kfouri, José Cruz, no Brasil, Barbara Schausteck, Wanderley Marchi Jr., companheiros da ALESDE, Andrew Jennings, na Inglaterra, Gustavo Pires, em Portugal, apenas para citar os mais próximos. Laercio Pereira do CEV, que me deu esse blog de presente.Sem contar os muitos colegas dos Estudos Olímpicos por esse mundo afora como Andy Miah da Inglaterra, Holger Pröess, da Alemanha e meus queridos Profs. Roland Renson, da Bélgica e Horacio Capel, da Espanha, que pautaram o tema em diferentes fóruns internacionais. Do ponto de vista concreto vejo a questão como a extrapolação do poder de determinar quem pode ou não estudar, pesquisar, divulgar, publicar um tema tomado como valor universal, na concepção de Pierre de Coubertin. Para quem estuda o Olimpismo e suas transformações ao longo do último século bem sabe o quanto as questões comerciais e materiais alteraram a ordem das coisas no mundo olímpico, transformando os valores também em objeto de consumo e não de reflexão e análise.

Há também o outro lado da questão que não é da ordem do material, mas do sensível.

Falo daquela sensação amarga de viver uma espécie de terror ao longo dos 7 dias que o processo durou. Da impressão de pequenez e fragilidade diante de uma instituição poderosa e onipotente capaz de dobrar as colunas mais rígidas de nossa sociedade. Do terror pelo sofrimento das pessoas mais próximas e queridas que nada entendiam sobre o que estava acontecendo. Da voz trêmula de meu pai perguntando se eu corria mesmo o risco de ser processada e presa e, juntamente com minha mãe, assistir ao programa do Juca, na ESPN, e perguntar ao final se aquilo tudo tinha mesmo acabado. Curioso perceber que para essas lembranças o tempo parece não ter passado. Tudo parece ter ocorrido ontem, muito embora eu desejasse acreditar em mim mesma quando digo que tudo passou. Talvez tenha passado sim, mas a lembrança permanece viva.
Sigo em frente, pesquisando, publicando sobre temas olímpicos. Tenho uma predileção pela história de todos aqueles que marcaram seu tempo e seu grupo social com algum feito diferenciado, seja ele micro ou macro. Acredito na capacidade de transformação desse mundo por conta da determinação de quem se envolve com o que acredita. Por isso estudo a história dos atletas olímpicos, de cada um deles, em diferentes momentos da história, tenham eles conquistado medalhas ou não.

E credito que continuarei a fazê-lo após 2012, 2016, 2020, independente do local onde os Jogos Olímpicos irão acontecer, de quem será o diretor da EEFE, o presidente da República ou do COB. O tema olímpico permanecerá ao alcance de todos aqueles que tiverem interesse, e compromisso, por desvendá-lo.

E sobre a determinação em seguir e perseguir nossos ideais, sou levada a acreditar que esse (ou aquele) episódio provou que independente do tamanho ou da força de uma instituição o compromisso com os valores é uma força capaz de agregar, multiplicar e transformar. Por isso sigo adiante.

Amanhã vai ao ar o primeiro programa Histórias do Esporte do ano de 2.011, inédito, na ESPN Brasil. Vale a pena conferir. Sempre são programas espetaculares.

Os egípcios saíram às ruas para protestar contra a ditadura de Osni Mubarak. É possível que até a semana passada ninguém acreditasse que o poder soberano de Mubarak seria publicamente contestado. O povo do Egito sofria há tempos, calado, com medo das represálias. Quando um grupo tomou a frente para questionar o ditador, toda população o seguiu. E a história política do Egito, tenhamos certeza, começou a mudar.

Muita gente está desgostosa com os rumos do esporte no Brasil. Recebo inúmeros e-mails de gente que me relata as coisas erradas de suas modalidades, ao mesmo tempo em que me pedem que seus nomes não sejam revelados, seguros que são de que sofreriam represálias.

Os Atletas não sabem a força que têm. Ou se sabem, não a utilizam. Quando cada Atleta começar a protestar publicamente contra aquilo que está errado, não tenho dúvidas de que muitos outros sentir-se-ão encorajados a encampar a luta. E as coisas irão mudar.

Se Vocês voltarem uns dez anos e escarafuncharem o noticiário da época, verão que o então (e atual) presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”) Coaracy Gentil Nunes Filho, disse que aquele seria o seu derradeiro mandato e que gostaría que o medalhista Olimpico Gustavo Borges fosse o seu sucessor. Quem acompanha esses esportes deve lembrar-se desse episódio.

Pois bem, os anos passaram, Coaracy continua comandando os desportos aquáticos no Brasil e o Gustavo Borges segue sendo apenas uma referência de grande Atleta que foi. Digo “apenas”‘ porque gostaria que o Gustavo, assim como outros ex nadadores, fossem aproveitados na administração dos esportes aquáticos. Acho que a equipe de alto rendimento da natação brasileira melhorou nesses anos. Há mais gente disputando as primeiras colocações no ranking mundial. Isso não resulta necessariamente em mais medalhas. Medalha pode ser decidida
por um mero detalhe. É muito mais importante ter um número maior de pessoas nas semi finais e finais, do que uma, ou duas medalhas isoladas e mais nada.

Não obstante a melhora no alto rendimento, acho que se poderia ter avançado bem mais. O dinheiro investido pelos Correios nas modalidades aquáticas é muito alto. Se ex nadadores, como Gustavo Borges, ou Manoel dos Santos, apenas para citar dois exemplos, tivessem sido chamados a, efetivamente, colaborar com desenvolvimento da natação, o Brasi estaria em situação melhor.

Enquanto o alto rendimento teve algum progresso nesses 15 anos, a natação de base, nas escolas, para crianças, piorou muito. As condições para as crianças pobres que querem iniciar-se na natação são quase inexistentes, inescrupulosas. Isso é péssimo. Se o alto rendimento teve avanços em seus resultados, isso certamente não se deu em virtude da massificação da natação em todo território nacional. Os bons nadadores que surgiram, são, portanto, ainda fruto de talentos naturais pinçados e devidamente lapidados.

O nado sincronizado, os saltos ornamentais e o polo aquático ainda carecem de muitos investimentos e estão anos luz atrás das potências.

Voltando ao título deste post, acho que a hipótese de Gustavo Borges presidindo a CBDA deveria retornar à pauta.

Quando a Academia de Cinema, em Los Angeles, anunciou que “O Discurso Do Rei” estava concorrendo ao Oscar, houve um tremendo reboliço na hostes desportivas do Brasil.

O dito cujo representante da autêntica cartolagem nacional logo concluiu que se tratava, merecidamente, de um de seus discursos, prestes a ganhar a cobiçada estatueta.

Ao que consta, na hora em que ditava para a sua assessoria de imprensa uma nota de agradecimento, um assessor lhe cochichou ao ouvido que, provavelmente, a indicação não se referia a ele e nem aos discursos.

Muito contrariado, o cartolão foi verificar se realmente não era ele. Afinal, tanto “Discurso”, quanto “Rei”, pensa o cartola, não lhe poderiam cair melhor.

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