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http://jovempan.uol.com.br/esportes/mais-esportes/pan-toronto-2015/opositor-da-presidencia-do-cob-critica-desempenho-do-brasil-no-pan-e-pede-sinal-amarelo-ligado.html

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Roberto Gesta de Melo presidiu a Confederação Brasileira de Atletismo (“CBAt”) por longuíssimos vinte e sete anos, sob o beneplácito de Carlos Arthur Nuzman. Seria tempo mais do que suficiente para fazer muita coisa, não fazer nada, ou arrebentar com a modalidade.

O resultado do atletismo no Panamericano de Toronto ficou muito aquém do esperado. Se comparado com 2.011, em Guadalajara, o atletismo do Brasil reduziu, percentualmente, em 90% as medalhas de ouro. No número total de medalhas houve uma redução de 43%. No quadro total o Brasil caiu para a oitava posição, atrás de países como Cuba, Jamaica, Trinidad e Tobago e Colômbia, com populações e investimentos muito menores do que os nossos.

Se não computarmos as provas que têm finais diretas, no masculino, a equipe brasileira foi a cinco finais. Em Guadalajara foram nove finais. Em vinte e quatro provas disputadas, o Brasil piorou seu desempenho em quinze delas se comparadas à Guadalajara. Percentualmente, a equipe masculina do Brasil piorou 62% em relação ao Pan de 2.011.

No feminino o Brasil foi a cinco finais em Toronto 2.015, igualmente sem computar as provas com finais diretas.. Em Guadalajara 2.011 o nosso feminino disputou nove finais. Em vinte e três provas, o Brasil piorou seu resultado em 15 delas, se comparado a Guadalajara. Isso significa uma piora percentual de 65%

A conclusão é que após vinte e sete anos de mandato, Roberto Gesta de Melo entregou terra arrasada ao seu sucessor, que não pode ser absolutamente culpado pelos resultados do atletismo. Ele está no comando apenas há pouco mais de dois anos. Conheço o atual presidente desde minha época de atleta, sei de seus planos e as ideais que ele tem para  o atletismo nacional. Não serão em quatro, nem em oito anos, que se corrigirá a gestão paternalista e elitista de Gesta de Melo.

Gesta de Melo em instante algum preocupou-se em massificar o atletismo no Brasil. Restringiu seu longo mandato à campings no exterior, análises de lactato e outros factoides de impacto. Não que sejamos contra isso. Mas não desse tipo de coisa que o Brasil necessita. E em vinte e sete anos ele não viu isso.

Não houve um trabalho de massificação do atletismo nas escolas, de um trabalho intenso de competições de base, nas comunidades em que as crianças não podem ter acesso ao esporte. Quantos Joaquim Cruz não devem haver espalhados pelo Brasil que Gesta de Melo deixou de descobrir? Gesta de Melo não mudou a mentalidade do atletismo e teve tempo para isso. O germe de um esporte forte, incluindo mas não se limitando ao atletismo, é a escola, principalmente  a pública, que no mandato de Gesta de Melo foi solenemente ignorada. Nesse longo tempo, poder-se-ia ter atuado em conjunto com o Ministério da Educação, Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro para a construção de pistas de atletismo (baratas), para que meninos e meninas do Brasil pudessem ter iniciação nesse esporte, espalhadas por todo o território nacional. Daí certamente os professores capacitados teriam pinçado talentos que, ao longo do tempo, teriam sido burilados para chegarem, hoje, em condições concretas de disputar medalhas com fruto de um trabalho planificado. Mas o que Gesta de Melo fez ao longo desses foi tentar buscar medalhas isoladas, aqui e acolá, sem qualquer preocupação com o futuro da modalidade. E que não se diga que não cabe à CBAt atuar na base, nas escolas, porque esse é um discurso que se desmorona quando comprovamos que se trata de uma entidade que subsiste com dinheiro público e, portanto, tem que haver a contrapartida social. Mas a ideologia do mandato de Gesta de Melo foi de elitizar o esporte, de dar atenção exclusivamente ao topo. Quando o topo acaba, o que se vê é que também não há base.

Que a gestão de Gesta de Melo sirva como exemplo daquilo que não se deve fazer no esporte nacional, porque senão estaremos fadados a continuar vivendo de talentos esporádicos que surgem espontaneamente e que, de vez em quando, nos dão algumas alegrias nas pistas.

Ou começa-se a massificação já, ou será sempre mais do mesmo.

Os fracos resultados do atletismo e a difícil possibilidade de melhorar a curto prazo tem nome e sobrenome: Roberto Gesta de Melo.

Já escrevi sobre isso aqui. Mas vale relembrar, em época de Jogos Panamericanos. Há não muito tempo atrás, as missões do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) aos Jogos Olímpicos, Panamericanos e Sulamericanos eram lideradas por Marcus Vinícius Freire. De uns tempos para cá passaram a ser chefiadas por Bernard Rajzman. E isso tem um motivo.

Nas últimas eleições para presidente do COB houve um grupo de cerca de dez Confederações que se reunia para lançar uma chapa de oposição a Carlos Nuzman. Esses encontros dos presidentes descontentes com Nuzman ocorriam no Clube Marimbás, na divisa entre Copacabana e Ipanema. As Confederações opositoras buscavam achar um nome que fosse palatável às demais, que tivesse bom trânsito com todas as modalidades e conhecesse o que estava ocorrendo no COB. Dois nomes surgiram dessas reuniões, o de Marcus Vinícius Freire e o de Ary Graça. Ambos tiveram seus nomes veiculados na imprensa como aceitáveis por todos para defenestrar Nuzman de sua cadeira. Ary, amigo de Nuzman de longa data, ficou com um pé em cada canoa, deixando a água rolar para ver onde aquela história iria dar. Em momento algum desautorizou que seu nome fosse veiculado. Marcus Vinícius, então membro eleito da assembleia do COB, foi elogiado publicamente por vários dirigentes e atletas.

Nuzman ficou furioso. Nuzman não gostou, sobretudo, que dois nomes pudessem ser considerados melhores que ele. Sentiu-se ofuscado e ele não suporta isso. Nuzman chamou Ary Graça e lhe fez prestar apoio público à sua reeleição. Com respeito a Marcus Vinícius, Nuzman, assim que terminou aquele mandato, não o incluiu como membro de sua chapa para a gestão seguinte. Ou seja, Marcus Vinícius não é mais membro eleito do COB. Passou a ser empregado do COB, contratado para exercer o cargo de superintendente de esportes. E por não ser membro eleito do COB – e sim empregado da entidade – fica, pelo estatuto, inelegível para o cargo de presidente, ou vice-presidente. E, de quebra, Nuzman ainda ceifou de Marcus Vinícius as chefias das delegações brasileiras.

Mas aí alguém pode perguntar: se Carlos Nuzman ficou furioso com Marcus Vinícius, por que o manteve no COB, como empregado da entidade? A resposta para essa pergunta é objeto para outro artigo.

PS 1 – Vale lembrar que o atual membro do Comitê Olímpico Internacional (“COI”) no Brasil é Bernard Rajzman e não Carlos Nuzman. Nuzman aposentou-se do COI em Londres 2.012 por idade e, conforme o estatuto, passou a ser membro honorário, sem direito de voto. Em seu lugar entrou Bernard Razjman. Nuzman não gosta que comentem isso, porque também acha que ofusca. Querem que ainda pensem que ele é o membro atual do COI no Brasil. Mas não é.

Tendo em vista que a cartolagem brasileira é abnegada e que está sempre disposta a doar seu tempo e dinheiro para o bem do esporte brasileiro, sem qualquer outro interesse, nada mais justo do que incentivar o Plano Bolsa Cartola:

O PLANO BOLSA CARTOLA

As categorias disponibilizadas serão:

1) Bolsa iniciante – para presidentes de federações, confederações e comitês
em 1º ano de mandato.

Valor do benefício: R$ 10.000 mensais

2) Bolsa aspirante a Medalhão, ou Cacique – para aqueles que já estão há, no mínimo, 5 anos no exercício dos seu cargos.

Valor do benefício: R$ 30.000 mensais

3) Bolsa medalhão – para aqueles que já estejam há 10 anos no execício dos
seu cargos.

Valor do benefício: R$ 50.000 mensais

4) Bolsa Cacique – para os dirigentes com mais de uma década no comando
de suas entidades.

Valor do benefício: R$ 100.000 mensais

Como percebem, optamos pela experiência e o know-how adquiridos para
conceder o benefício de forma meritória e progressiva. Um incentivo para que se eternizem no poder.

No 1º dia de disputas do Pan, um dado já chama a atenção:

Em várias modalidades (mesmo contando com seus principais atletas) o Brasil
involuiu em relação ao último o Pan.

Cito 3:

Nado Sincronizado

Em Guadalajara 2011 o Brasil conquistou medalhas de bronze no dueto e nas
equipes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nado_sincronizado_nos_Jogos_Pan-Americanos_de_2011#Medalhistas

Hoje, no Pan de Toronto, acabamos em 4º lugar nas duas provas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nado_sincronizado_nos_Jogos_Pan-Americanos_de_2015#Medalhistas

Triatlon

Em Guadalajara 2011 o Brasil conquistou a medalha de bronze na prova femini-
na:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Triatlo_nos_Jogos_Pan-Americanos_de_2011#Medalhistas

Hoje, em Toronto, nossa melhor triatleta terminou na 10ª colocação:

https://en.wikipedia.org/wiki/Triathlon_at_the_2015_Pan_American_Games#Medalists

Saltos Ornamentais

Em Guadalajara 2011 o Brasil conquistou a medalha de bronze na prova do
trampolim individual masculino:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Saltos_ornamentais_nos_Jogos_Pan-Americanos_de_2011#Medalhistas

Na prova encerrada instantes atrás, em Toronto, nosso melhor saltador termi-
nou na 4ª colocação:

http://results.toronto2015.org/IRS/en/diving/results-men-s-3m-springboard-1-01.htm

http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2015/07/o-jeitinho-brasileiro-adapta-se-ao-novo-modelo-olimpico-para-ganhar-podios/

Os Jogos Panamericanos começam hoje, em Toronto, no Canadá. É uma das competições mais importantes que o Brasil participa. É o nosso torneio continental. Assim como há os Jogos Asiáticos, Europeus, temos o nosso Panamericano. O Brasil vai com força máxima e, assim, ganhará muitas medalhas. Que bom! Mas que ninguém ache que uma boa performance brasileira nos Jogos Panamericanos significa uma prévia do que veremos no ano seguinte, na Olimpíada. Os Jogos Panamericanos já tiverem nível técnico melhor. Hoje, trata-se de uma competição de nível médio e, em alguns casos, bem abaixo do médio se comparado com resultados mundiais. É muito comum ver um campeão pan-americano sequer obter índice para os Jogos Olímpicos. As maiores potências continentais, como os Estados Unidos e Canadá, não vão com suas equipes principais aos Jogos Panamericanos. Utilizam essa competição regional como plano de amadurecimento de atletas mais jovens. Em matéria no UOL de hoje lê-se que somente 6% da equipe dos EUA que vai ao Jogos Panamericanos já subiu em pódio olímpico. Ou seja, 94% da equipe do país esportivamente mais poderoso do planeta é jovem, está em formação.

A maior parte da população brasileira não está afeita aos assuntos dos esportes, que não sejam aqueles do futebol. Então o povo que gosta de esporte – embora sem entendê-lo – pode achar que as mais de cem medalhas que o Brasil certamente ganhará em Toronto significará que definitivamente estamos inseridos no contexto das maiores forças do esporte mundial, ao lado do próprio Estados Unidos, Rússia, Japão, China, Coréia do Sul, França, Inglaterra, Itália, Austrália e outros. Será uma conclusão errada. Deve ser observado que nos Jogos Panamericanos estaremos competindo com as equipes B, ou C dos Estados Unidos e Canadá, com o melhor de Cuba, México e Argentina, e com países sem tradição esportiva na América do Sul e Central, tais como Bolívia, Honduras, El Salvador, Nicarágua e outros.

Muito cuidado com ufanistas de plantão e com a cartolagem que poderá tentar dar a impressão de que os Jogos Panamericanos são algo diferente daquilo que realmente são, para dar a impressão de que o vastíssimo dinheiro público empregado nos esportes olímpicos está dando resultados muito além dos esperados.

É muito bom estar bem colocado nos Jogos Panamericanos. Mas isso não significa muito em nível mundial.

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