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Desde que assumiu a presidência, o projeto de Nuzman foi transformar a entidade em um grande centro organizador de eventos. O fomento do esporte, propriamente, ficou totalmente em segundo plano. Nuzman nunca teve interesse em massificar a luta, o remo, o peso, a canoagem, a esgrima, o tiro, a vela e o triatlon, por exemplo. Na verdade, ele não está nem aí para os técnicos e atletas. Tanto é assim que esses, os maiores interessados em ter acesso aos bilhões de dinheiro público destinados aos esportes olímpicos, não recebem dinheiro e a vida do dia-a-dia deles continua dificílima. O dinheiro do esporte olímpico fica, em grande parte, retido nas escrivaninhas da burocracia das Confederações que, parafraseando Lars Grael no programa “Segredos do Esporte”, são “Capitanias Hereditárias” em sua esmagadora maioria.

O projeto que Nuzman sempre teve para o COB é muito ruim para o esporte de massa e está mostrando-se também horroroso para o alto rendimento, que não tem mais aonde treinar, com todas as demolições e subutilizações de complexis esportivos. Entretanto, Nuzman é vitorioso naquilo que se propos a fazer. Começou no COB organizando campeonatos de verão na orla da praia e chegou aos Jogos Olímpicos. No início mandava construir tendas de lona. Hoje, constrói obras de muito vulto. Também nisso progrediu. E se esse é o seu programa de governo para o esporte olímpico do Brasil, venceu.

Eu, novamente, reitero minha opinião de que o projeto de Nuzman é errado e não beneficia em rigorosamente nada o esporte de base, visto como saúde pública, tampouco as modalidades olímpicas e suas reais possibilidades de crescimento consistente.

Fosse eu, com tanto dinheiro público, teria feito tudo muito diferente. Esse dinheiro público teria sido utilizado em benefício do Brasil.

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Texto de João Carlo Assumpção, no Lance de hoje.

Novas vozes na área

Recentemente o Brasil comemorou a eleição de Roberto Azevêdo para diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Sua candidatura teve apoio do governo federal e reflete a intenção de ganharmos maior espaço em importantes fóruns internacionais.

Sede dos Jogos de 2016, no entanto, seria bom que nos preocupássemos também com nossa representatividade (ou falta dela) no Comitê Olímpico Internacional. Carlos Arthur Nuzman, que completou 70 anos no ano passado, passou a membro honorário, e João Havelange retirou-se da entidade em 2011, em meio a denúncias de corrupção.

Na semana passada Alberto Murray Neto, advogado que faz oposição a Nuzman, enviou uma carta a presidente Dilma Rousseff em que lembra que no Congresso Anual do COI, em setembro, em Buenos Aires, é possível que o Brasil seja contemplado com a indicação de um novo membro no comitê. E insiste que a questão deveria ser amplamente debatida pela sociedade e pelo próprio governo, que é, afinal, quem banca o esporte olímpico no país, via estatais, leis de incentivo fiscal e também por meio das loterias. Com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Tendo a concordar com ele. Caso contrário, corremos o risco de ter, como diz Murray, um nome tirado do bolso do colete pela cúpula do grupo que comanda o esporte olímpico no país há quase duas décadas.

Nos bastidores, surgem dois nomes. O de Bernard, ex-jogador de vôlei e forte aliado da presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, indicado para chefiar a delegação brasileira em Londres-2012, e o de Marcus Vinícius, também da geração de prata do vôlei e que comandou nossa delegação nos Jogos de Pequim, em 2008. Ambos fazem parte do “establishment”, embora o primeiro, no momento, pareça ter mais força com a direção do COB.

Sem questionar os méritos dos dois, não acho que o Brasil tenha, necessariamente, que fechar com qualquer um deles. A sociedade civil e o governo poderiam pelo menos discutir outras alternativas e até pensar em começar a dar as cartas, já que somos nós que pagamos a conta.

No Congresso brasileiro Romário tem participado de debates com representantes da sociedade, entre os quais Ana Moser, Paula, Hortência, Raí e outros ex-atletas, muitos defendendo rotatividade de poder e limitação de mandatos de dirigentes, inclusive para oxigenar o esporte com novas vozes, ideias e lideranças.

Uma das dificuldades, porém, é que o futebol e a Copa do Mundo no Brasil acabam ofuscando a questão olímpica. Com a atenção da mídia esportiva voltada para a Copa das Confederações, que começa dia 15, e o Mundial de 2014, os esportes olímpicos e os Jogos de 2016 seguem na sombra. O que é complicado, já que não queremos repetir o exemplo do Pan de 2007, quando o orçamento dos Jogos acabou multiplicado por dez e o legado se apequenou.

Ainda há tempo para o governo acordar, porque, por mais que tenha injetado dinheiro no esporte, muitas vezes ele mal chega aos atletas. O recente desabafo do ginasta Arthur Zanetti é apenas uma prova disso.

Cesar Castro ganhou uma medalha de ouro inédita para os saltos ornamentais do Brasil, ao vencer a prova do trampolin de 3 metros, navesrapa do Gran Prix, de Porto Rico.

Além de ser um excelente atleta, Cesar Castro tem sido uma das vozes atuantes em defesa dos interesses dos desportos aquáticos do nosso País.

Em entrevista que deu ao portal Globoesporte.com, Cesar Castro falou da medalha, reiterou seu desagrado pela destruição do complexo aquático Júlio Delamare, agradeceu ao Fluminense por ter treinado no clube paea essa competição e, seguindo outros olímpicos, anunciou que está indo embora do Brasil, treinar nos Estados Unidos, pelo menos até mais importante competição deste ano, porque aqui não tem condições.

A mais importante, emblemática, sintomática e verdadeira declaração de Cesar Castro foi que o Brasil vive “um retrocesso olímpico, em benefício da ganância de poucos”.

E é isso mesmo que estamos assistindo. Enquanto a cartolagem vibra muito com a demolição e a construção de grandes complexos, não somente esportivos, o esporte vai sendo cada vez mais massacrado, relegado e os atletas passando por muito mais dificuldades, mesmo com tantos bilhões de dinheiro público

Resposta da Presidenta da República

Linha… Até a presidente Dilma Rousseff está sendo acionada para que o Brasil tome alguma atitude sobre a ausência de representantes do país no COI.

…direta. Alberto Murray, neto do ex-presidente do COB, Sylvio de Magalhães Padilha, enviou um ofício ao Planalto dizendo que não é justo que o país organizador da próxima Olimpíada não tenha membro no comitê internacional e pedindo para que Dilma atue no caso.

Memória. O Brasil possuía dois integrantes no COI: João Havelange, que renunciou, e Carlos Arthur Nuzman, que precisou se aposentar compulsoriamente por causa de sua idade.

Recusa. O Comitê Olímpico Brasileiro tentou a contratação do campeão olímpico Joaquim Cruz para ajudar nos preparativos da Rio-2016. Mas o namoro, que já durava algum tempo, esfriou de vez.

Carta Presidenta da República – 20.05.13

Com a renúncia de João Havelange e a aposentadoria compulsória de Carlos Nuzman, por ter completado setenta anos, desde Londres 2.012 o Comitê Olímpico Internacional está sem nenhum representante brasileiro. Esse é um fato inédito, principalmente porque o País sediará a próxima edição dos Jogos Olímpicos. É bem provável que na próxima sessão do Comitê Olímpico Internacional, em setembro, na Argentina, um novo brasileiro sejs escolhido membro da entidade.

O que pretendo é dar abrangência nacional à discussão de quem será esse novo e importante membro. O silêncio do tema é benéfico a Carlos Nuzman que, sem pressão, pode tranquilamente tirar o seu candidato fantoche do bolso do colete e enfiá-lo goela abaixo do povo brasileiro. Por isso, é extremamente necessário que os órgãos de imprensa, atletas, técnicos, clubes formadores, universidades, tragam a questão ao amplo de democrático debate nacional. Que opinem, sugiram nomes e, importante, que façam os ecos dessa salutar discussão chegar às escrivaninhas do Comitê Olímpico Internacional.

O próprio Governo Federal deve manifesrar-se. Será errado se a Presidenta Dilma e o Ministro Rebelo tratarem do assunto como um tema privado, já que são eles que, com dinheiro público, tornarão possível que a festa olímpica se realize no Brasil, daqui a três anos e meio. O Movimento Olímpico pertence ao povo brasileiro e não é feudo de um grupinho de elite.

Ou nós escancaramos essa discussão agora e levamos nossas sugestões ao Comitê Olímpico Internacional, ou nos restará lamentar a escolha.

O Brasil tem nomes excelentes para o cargo, acima de qualquer suspeita, muito melhores do que aqueles que Nuzman pretende tirar do bolso do colete.

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