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Caro Presidente Lula,

Vou seguir seu exemplo e deixar de lado a linguagem empolada. Em seus discursos, V. Exa. é o primeiro a dizer que temos que falar de modo que o povo entenda. Estou de acordo. Vou direto ao ponto, com palavras de fácil compreensão. Assim todo mundo entende.  Escrevo do alto da autoridade de minha militância, desde os quinze anos, em favor do seu partido que, quando foi criado, era a grande esperança de se ver algo “diferente de tudo o que tem aí”. Votei em V. Exa. Decepcionei-me. Hoje não lhe dou meu voto nem mais para representante de bairro. Não é preconceito. É pós conceito mesmo. Não engulo vê-lo andando de braços dados com o que de mais abjeto há na política brasileira. Causa-me náuseas vê-lo aliado ao que de pior existe no esporte brasileiro, gente que, enquanto V. Exa. não era o Presidente da República, execrava o seu nome, a elite insensível, que tinha horror a um operário de esquerda. Eu sei porque via e ouvia os comentários a seu respeito. E discordava deles

Presidente, hoje soube que o Comitê Olímpico Brasileiro está tentando censurar, com ameaças de ações judiciais, a Professora e Educadora Kátia Rúbio, da Universidade de São Paulo. Se V. Exa. não souber quem é a Professora Katia Rubio, peça ao seu plantel de assessores que faça uma busca na internet e lhe informe. Trata-se de uma das mais brilhantes e conceituadas Educadoras na área do esporte e olimpismo do Brasil, também muitíssima respeitada no exterior. Como poucas vezes se vê na história deste País. A Professora Katia Rubio, dona de vasta obra que alia a educação ao esporte, publicou seu mais recente Livro que se chama, EDUCAÇÃO, ESPORTE E VALORES OLÍMPICOS.

Pois bem, o Comitê Olímpico Brasileiro deseja ver a mais recente Obra da Professora fora das prateleiras, o que constitui um atentado à cultura e ao olimpismo. A alegação do Comitê Olímpico é de que as expressões “Olimpíadas”, “Olímpicos” e afins são de sua exclusiva propriedade em decorrência da Lei Pelé. Ora Presidente, venhamos e convenhamos, a Constituição Federal, que condena a censura, está acima de qualquer lei de ocasião. Ademais, se formos seguir a interpretação que o Comitê Olímpico Brasileiro quer dar à questão, somente poderão fazer gols olímpicos aqueles que dele receberem autorização. Não fosse a atitude do Comitê Olímpico Brasileiro algo que nos remetesse a um passado político de trevas, o pleito e seus argumentos seria de nos fazer gargalhar.

Eu e minha Equipe nos encarregaremos da Defesa da Professora que não se intimida com esse tipo de ameaça.

O importante aqui não é a essência jurídica da questão, mas o ato de censurar, próprio da ditadura que tanto o molestou. Censurar o pensamento universitário é coisa do Médice, do Idi Amin, do Papa Doc, do Franco, do Salazar e de um monte de imbecis que tanto mal fizeram à história da humanidade.

Quero ver quem terá peito de defender a tentativa de censura do Comitê Olímpico Brasileiro. Qual Confederação — mesmo aquelas três que são bajuladoras de plantão — terá coragem de, publicamente, dizer que o Comitê Olímpico Brasileiro está correto ao tentar banir do conhecimento público o Livro da Professora Katia Rubio? Nem V. Exa., que anda tão contente com o programa nacional de massificação do esporte irá enfileirar as suas trincheiras ao lado deles dessa vez.

O que pretendem fazer os nossos pajés olímpicos com os Livros que querem ver fora das estantes? Talvez nossos caciques olímpicos irão queimá-los no campo do Engenhão e, ao redor da fogueira de vaidades, dançar até que uma chuva torrencial alague os escaninhos do Tribuinal de Contas da União, aonde descansam os processos do Pan Americano 2.007.

Presidente, tentar banir Livros pelo simples fato de , talvez, o autor não rezar pela cartilha de alguém, é algo que deve ser combatido a todo custo.

O que o Comitê Olímpico Brasileiro quer fazer é um atentado contra a cultura e contra o olimpismo. 

Alberto Murray Neto

ONG Sylvio de Magalhães Padilha – Pela Ética E Pela Transparência No Esporte Olímpico Brasileiro

Carlos Nuzman,

Estou perplexo. Não me apavoro porque sei enfrentá-lo de igual para igual. Mas temo pelos mais desasistidos.

Tomei conhecimento de que esse Comitê Olímpico, através de seus Advogados (contratados com licitação pública?), ameaça e intimida com promessa de ação judicial a Educadora e Professora da Universidade de São Paulo, Katia Rubio, em virtude da edição de sua mais recente Obra, EDUCAÇÃO, ESPORTES E VALORES OLÍMPICOS.

Ora, aonde estamos? Aonde Você quer chegar? Censurar Livros de conteúdo eminentemente acadêmicos é afrontar a Constituição Federal, que está acima de qualquer lei outra em vigor no País. Abortar a livre manifestação dos meios acadêmicos remonta às mais tétricas lembranças da história do Brasil.

Você sabe quem é Katia Rubio, seu curriculum e o que ela representa para o Olimpismo do Brasil? Se não sabe, tente informar-se.

O que pretende fazer com a produção acadêmica que não cair em seu gosto? Vai queimar Livros no campo do Engenhão, construído com dinheiro do povo carioca e brasileiro e cujas contas ainda são objeto de investigação?

Agora a coisa passou realmente dos limites.

Não somente iremos defender a Professora Katia contra as suas incursões, como levaremos o caso ao Comitê Internacional Olímpico e às instâncias nacionais de Defesa dos Direitos Humanos e de combate à censura.

Não se esconda atrás de medidas judiciais cuja intenção seja calar pessoas. Debata olho no olho. Você fugiu de mim quando fomos convidados a debater no Senado Federal. Já fugiu, também, de outros debates com Jornalistas. Seja corajoso. Não imponha suas vontades na marra. Eu não tenho medo de Você. Mas talvez outros possam ter, porque serão retaliados.

Reflita sobre o que fizeste desta vez. Está querendo a censura de uma Obra acadêmica, produzida por uma das mais brilhantes cabeças pensantes do Brasil sobre o Movimento Olímpico.

Por isso, em nome da democracia, solicito que deixe de tomar qualquer atitude, judicial, ou extra judicial, contra a Professora e Educadora Katia Rubio. Você, assim, atenta não somente contra ela. Mas agride a cultura e o Olimpismo do Brasil.

Alberto Murray Neto
ONG Sylvio de Magalhães Padilha
Por Um Esporte Ético e Transparente

OAB/SP No. 104.300

Katia Rubio é uma das mais festejadas e respeitadas educadoras olímpica do País, ao lado de Laurete Aparecida de Godoy e tantas outras celebridades do mundo acadêmico. Professora da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo, Kátia também atua como psicóloga do esporte, possui uma série de Livros publicados e uma folha exemplar de serviços prestados para o desenvolvimento do Brasil nessa área. Katia é conferencista sobre o tema Olímpico no Brasil e no exterior.

Seu mais recente Livro chama-se “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”. Uma Obra necessária para quem ensina e dedica-se ao tema.

Pois bem, o Comitê Olímpico Brasileiro está processando a Professora Kátia Rúbio em razão dessa magnífica Obra.

Sei lá o que leva os Pajés Olímpicos a processar Kátia Rubio pela publicação de um Livro absolutamente de conteúdo acadêmico.

Seja lá quais forem as razões dessa gente, essa ação é extremamente preocupante. Assemelha-se às mais sangrentas das ditaduras, em que todos aqueles que não rezam pela cartilha do chefe estão fadados à perseguição. A atitude do COB é deplorável e merece preocupação, pois atenta contra a liberdade de expressão. É uma tentativa de intimidação e controle da produção acadêmica.

O COB tem um setor cultural, que não faz nada de interessante. Publica um monte de bobagens, livros de gente ligada a eles, mal escritos e que acabam encalhando nas prateleiras. Eu os leio por puro dever de ofício. Tem uma parceria com a editora Casa da Palavra (cujo contrato nunca foi revelado), que se presta a, unicamente, na área dos esportes, editar escritos chapa branca, ou que não firam a “filosofia de trabalho” do grupelho que toma conta do nosso olimpismo.

Os acadêmicos, a Universidade de São Paulo, a imprensa, os desportistas devem unir-se para, veementemente, repudiar esse ato autoritário do COB. Se não houver forte reação, aonde vamos parar?

Censura é coisa séria, mas muito séria mesmo. Este Blog solidariza-se com a Educadora e a Professora Kátia Rúbio.

A ONG DA KARINA

janeiro 28, 2010

"Comunista Rainha do dinheiro"

ONG do PC do B recebe mais verba do que prefeitos de SP
Maior doadora da campanha da ex-jogadora de basquete Karina, que dirige a ONG, foi uma empresa que mantém contrato com a instituição
Uma ONG ligada ao PC do B recebeu do Ministério do Esporte mais recursos do que 12 Estados ou todas as prefeituras paulistas contempladas pela pasta no ano passado. O ministério é controlado pela sigla desde o início do governo Lula.
A ONG Bola pra Frente, que recebeu R$ 8,5 milhões em 2008 do governo, é dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, eleita, em Jaguariúna (SP), vereadora pelo PC do B, no ano passado, com 642 votos. O partido elegeu outro vereador na mesma cidade com o mesmo número de votos, contra nenhum nas eleições anteriores.
A verba do Ministério do Esporte é repassada por meio do Programa Segundo Tempo, que promove práticas esportivas com alunos no período em que eles não estão em aula.
A ONG promoveu uma licitação para escolher a fornecedora de alimentos por dois anos. O valor do contrato é de R$ 4,4 milhões e a vencedora foi a RNC Comércio de Produtos Alimentícios e Artigos Esportivos. Essa empresa foi a maior doadora da campanha de Karina em 2008, responsável por 54,3% dos R$ 28,5 mil arrecadados pela candidata. Em média, cada voto recebido por Karina custou R$ 44.
Para comparação, cada voto dado ao prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), custou R$ 7,85 e para a sua adversária Marta Suplicy (PT), R$ 8,57. "Todas as doações são legais e declaradas", diz Karina.
Ganhadores ou perdedores, os quase 380 mil candidatos a prefeito e vereador gastaram cerca de R$ 2,2 bilhões nas eleições passadas, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Foram R$ 17 por eleitor.
Repasses
O ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, visitou a ONG em abril de 2008.
Somando-se todos os valores repassados por meio do Segundo Tempo para os Estados de Acre, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins chega-se a um total de R$ 8,3 milhões. Somando-se os repasses para 23 prefeituras paulistas no último ano, o total foi de R$ 5,35 milhões.
A sede da ONG fica na casa de Karina, enquanto a sede administrativa está em uma sala no centro da cidade. A vereadora diz que não alterou o endereço da sede por conta das correspondências.
Segundo o balanço de 2008, as despesas da instituição somaram R$ 7,5 milhões, custo de R$ 418 anuais por aluno.
O gasto com pessoal totalizou R$ 1,82 milhão. As despesas operacionais somaram R$ 4,3 milhões, entre elas R$ 132,5 mil com combustível e lubrificantes e R$ 3,33 milhões com refeições e lanches para os alunos.
TCU
O TCU (Tribunal de Contas da União) já fez duras observações sobre repasses do programa Segundo Tempo. Mas citou apenas uma vez a Bola Pra Frente, elogiando o trabalho.
De acordo com a ONG, são atendidas 18 mil crianças em cidades do interior paulista. O dinheiro do ministério é responsável por 81% da receita total.
Karina argumenta que, além do TCU, a CGU (Controladoria Geral da União) também elogiou o trabalho da ONG. Apresenta ainda auditorias feitas nas contas da instituição.
Sobre a filiação ao PC do B, diz que procurou o partido mais ligado a esportes e que todos os seus projetos na Câmara são ligados ao tema. Sempre que questionado sobre o Segundo Tempo, o Ministério do Esporte diz que ligações partidárias não são consideradas.
Fonte: Folha de São Paulo
Ex-pivô Karina vira "rainha do dinheiro" do Ministério do Esporte
Após deixar as quadras, a ex-pivô de basquete Karina Rodrigues virou recordista para o Ministério do Esporte. Ela é coordenadora-geral da ONG Bola pra Frente, entidade que mais recebe repasses da pasta do ministro Orlando Silva, excluindo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a Confederação Brasileira de Futsal – lembrando que, em 2008, o COB foi o responsável pela delegação brasileira nas Olimpíadas e a Confederação organizou, no ano passado, a Copa do Mundo da Fifa.
Nos últimos dois anos, Karina recebeu, pela Bola pra Frente, R$ 8,5 milhões para realizar o programa Segundo Tempo, que abre as escolas para a prática esportiva. O valor supera o que entidades de 12 estados, somadas, receberam para realizar a mesma ação governamental, no mesmo período.
Levantamento feito pela ONG Conta Abertas usando o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal) mostra que o Ministério do Esporte manda para Acre, Amapá, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins, conjuntamente, R$ 8,4 milhões para o Segundo Tempo.
O mesmo estudo aponta que apenas os estados de Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo recebem, individualmente, mais que os R$ 8,5 milhões da Bola pra Frente. Baseada em Jaguariúna, na região de Campinas, a ONG é responsável, ainda, por mais da metade de toda a verba dedicada a São Paulo (R$ 16,7 milhões).
"A distribuição me parece distorcida. De 131 entidades beneficiadas, a esmagadora maioria (112) recebeu menos de 1% do total dispendido (pelo Ministério do Esporte). Dezenove entidades receberam, cada qual, mais de 1% do total. Essas, no agregado, receberam um total de 79,5% de todo o dinheiro. Ou seja, um desequilíbrio patente", afirmou, por e-mail, Cláudio Webber Abramo, diretor executivo da ONG Transparência Brasil, que analisou tabelas de gastos do Ministério a pedido do UOL.
Com tanto dinheiro circulando, a Bola pra Frente já foi alvo de investigações do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União. Nenhum deles encontrou irregularidades. Um detalhe, porém, foge da esfera dos números: a ONG que mais recebe do Ministério dos Esportes é controlada por uma vereadora do PC do B, o mesmo partido de Orlando Silva.
A defesa de Karina para essa crítica é simples: "Em 2003, começamos com 400 crianças. Hoje, temos 18 mil. E temos núcleos em várias prefeituras. É um projeto suprapartidário. Temos prefeitos de toda a sopa de letrinhas, PT, PSDB, DEM", afirma a ex-pivô, eleita em Jaguariúna, no ano passado, com 642 votos.
Segundo seu site, a Bola pra Frente trabalha em 16 cidades da região de Campinas. Nenhuma delas é comandada pelo PC do B – o prefeito reeleito de Ibaté, Zé Parrella, cumpriu seu primeiro mandato pelo partido, mas atualmente faz parte do PSDB. Os 16 municípios são comandados por oito partidos diferentes. As legendas mais representadas são o PSDB (Conchal, Ibaté e Iracemápolis) e o PPS (Holambra, Jaguariúna e Santo Antonio de Posse).
"Minha ligação com o partido do ministro não ajuda. Pelo contrário. Em nenhum momento tivemos privilégios, só mais pressão e controle. Mas eu duvido que alguma ONG tenha os balancetes na internet, como nós temos", continua.
Questionado pela reportagem, Orlando Silva também negou favorecimento. Segundo ele, o projeto é grande e recebe mais verba do que outros municípios porque algumas cidades da região têm problemas jurídicos que impedem o repasse de verbas.
"O que acontece é que diversos municípios do interior não conseguem a ter acesso a financiamentos porque têm dívidas com o Estado e a União. Então o ‘Bola pra frente’ faz esse meio de campo. Recebe a verba e aplica seu projeto em diversos municípios. É um programa muito interessante. Eu mesmo já fui ver de perto", explicou Silva.
Sede da ONG, Jaguariúna vive uma situação inusitada. Somando os repasses governamentais para ações no município, a cidade recebe, no total, R$ 17,5 milhões. Disso, 48 % vão para a entidade de Karina e apenas 28% para a prefeitura – que não realiza o Segundo Tempo.
Para o secretário de finanças do município, Vágner Brito, a divisão de custos é normal. "A ONG lida com um projeto muito maior do que Jaguariúna. Por mais que eu tente, não teria como gastar tanto. Além disso, o município trabalha com pessoal próprio, funcionários. Não precisa de verba do governo federal".
KARINA: "SERIA MAIS FÁCIL SE EU NÃO FIZESSE PARTE DO PC DO B"
Conhecida por sua garra dentro do garrafão, a argentina Karina chegou ao Brasil na década de 90, lutou para ganhar cidadania brasileira, mas não defendeu a seleção por veto da Fiba. No fim da carreira, virou atleta-dirigente, em Campinas e Jundiaí, onde foi responsável por equipes com patrocínio de multinacionais, e se envolveu em polêmicas, sempre criticando a administração do esporte. Tentou jogar até 2004. Desde então, passou a se dedicar à ONG e se aproximou da política. Hoje, aos 37 anos, é vereadora em Jaguariúna.
Você é vereadora pelo PC do B e a ONG que coordena é recordista em repasses de um Ministério comandado pelo partido. Você não vê problema nisso?
Acho que não. A preocupação que os críticos têm é que o projeto possa ter um enfoque político, mas essa argumentação cai por água abaixo quando você olha para as cidades em que trabalhamos. Temos núcleos em cidades de vários partidos. Se a natureza fosse política, só teríamos prefeituras da base aliada (do governo). Quando comecei, a única prefeitura do PC do B com que trabalhávamos era Ibaté. Hoje, o prefeito mudou para o DEM e ainda assim continuamos o projeto.
Pertencer ao partido ministro ajuda?
Pelo contrário. Só traz mais pressão. Seria muito mais fácil se não tivesse essa ligação. Sofremos fiscalização da Controladoria da União, do Ministério Público, do TCU, com denúncias anônimas. E até agora, não foram feitas críticas, apenas elogios. Eu até faria uma aposta. Não existe outra ONG no país que receba dinheiro público e publique os balancetes na internet como nós fazemos.
Quando você se filiou ao PC do B?
Há dois ou três anos. Eu era filiada ao PP. Eu sempre tive vida ativa política e me identifiquei com os planos do partido para o esporte. É direito de todo cidadão se identificar com uma causa. Eu, apesar de ser naturalizada, sempre sonhei em ver o Brasil realizando grandes eventos. Já tivemos o Pan no Rio, vamos ter a Copa do Mundo em 2014 e, quem sabe, as Olimpíadas de 2016.
Fonte: UOL

Tânia Monteiro, Felipe Recondo e Tatiana Fávaro ESTADÃO DE HOJE Terça-Feira, 21 de Abril de 2009
O Ministério dos Esportes repassou para a organização não-governamental Bola Pra Frente R$ 8,5 milhões em 2008, o terceiro maior volume de recursos transferidos pela pasta para "entidades privadas sem fins lucrativos". Os dados constam de relatório levantado pela ONG Contas Abertas, publicado pelo jornal Correio Braziliense. A Bola Pra Frente só perdeu no ranking de repasses para o Comitê Olímpico Brasileiro (R$ 28,7 milhões) e a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (R$ 24,9 milhões), responsável pela organização do mundial da modalidade em Brasília e no Rio, no ano passado.

Localizada em Jaguariúna, no interior de São Paulo, a entidade é beneficiada pelos recursos milionários do programa Segundo Tempo, criado para "democratizar o acesso à prática e à cultura do Esporte". A ONG é dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, eleita vereadora em 2008 e filiada ao PC do B, partido do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que admite ter pretensões políticas para 2010. O valor recebido pela Bola Pra Frente corresponde à metade do que recebeu todo o Estado de São Paulo e é maior do que a soma do que o ministério transferiu para outras 12 unidades da Federação no ano passado.

O repasse para ONGs pelo Ministério dos Esportes, especialmente do programa Segundo Tempo, já foi alvo de investigações no Tribunal de Contas da União (TCU). Relatório aprovado pelo plenário do TCU no final de março alertava para a falta de critérios objetivos estabelecidos pela pasta para a escolha de entidades beneficiadas.

"A utilização de critérios não institucionalizados para seleção dos proponentes gera subjetividade na escolha das entidades que executarão o programa e representa risco de realização de convênios com instituições que não possuem capacidade técnica e administrativa para executá-lo", relatou o TCU.

Entre as irregularidades apontadas estão execução incompleta de convênio, repasse para entidades sem capacidade técnica e operacional para o cumprimento das metas acertadas e assinatura de convênio sem considerar as diretrizes operacionais do Segundo Tempo. As falhas evidenciam, segundo o TCU, a precariedade na análise por parte Ministério dos Esportes da capacidade técnica das entidades.

Apesar das críticas, a Bola Pra Frente foi elogiada em uma das análises do Tribunal de Contas, em 2006. Técnicos avaliavam a execução de propostas previstas no programa. E disseram ter como modelo o fornecimento de uniformes para crianças beneficiadas. "Uma boa prática foi observada nos núcleos do Bola Pra Frente – Escolinha de Basquete da Karina. Por meio de parcerias com empresas, foi possível disponibilizar o uniforme completo às crianças, com shorts, bonés e tênis", diz ata aprovada em plenário.

De sua sede no centro de Jaguariúna, que ocupa duas salas alugadas por R$ 900 ao mês, a ONG Pra Frente Brasil (cuja denominação social é Bola Pra Frente) lidera trabalhos para 18 mil jovens entre 7 e 18 anos, em ao menos 60 escolas e centros comunitários de 15 municípios no Estado – Artur Nogueira, Batatais, Ibaté, Iracemápolis, Itapira, Itaquaquecetuba, Jaguariúna, Marília, Morungaba, Osvaldo Cruz, Pedreira, Santo Antonio de Posse, Sumaré, Taboão da Serra e Tuiuti.

Coordenadora-geral da ONG, Karina informou que a entidade possui 350 empregados, é fiscalizada semestralmente pelo Ministério Público de São Paulo e recebe anualmente fiscais da Controladoria Geral da União (CGU) e do TCU. Além disso, presta contas à Receita Federal e ao Ministério da Justiça, por possuir título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). "Só a CGU ficou 23 dias acompanhando nosso trabalho e não fez nenhum apontamento de erro ou irregularidade", reagiu.

Segundo ela, o crescimento do repasse ocorreu gradualmente, em reconhecimento da qualidade do serviço prestado à sociedade. "Fomos reconhecidos como exemplo de transparência na CPI das ONGs."

Embora tenha sido eleita vereadora pelo PC do B e reconheça que o ministro Orlando Silva tem pretensões políticas para quando deixar o cargo, Karina disse que o trabalho é apartidário. "Temos prefeituras de todos os partidos políticos", afirmou. "Além disso, chegaram a dizer que tinha dinheiro da ONG na minha campanha. Não tinha. Eu joguei basquete 25 anos, se não tivesse dinheiro para fazer uma campanha para 642 votos seria demais." A campanha custou, segundo prestação de contas, R$ 28 mil.

deu no correio braziliense
A preferida do Ministério do Esporte
ONG coordenada por vereadora do PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, recebeu R$ 8,5 milhões em 2008 via Programa Segundo Tempo. Valor supera a quantia repassada, no mesmo período, a entidades de 12 estados

De Izabelle Torres:

Uma organização não-governamental (ONG) localizada em Jaguariúna, no interior paulista, recebeu sozinha R$ 8,5 milhões, em 2008, por meio do Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte. O valor é metade do que recebeu todo o estado de São Paulo e maior do que a soma que a pasta transferiu para outras 12 unidades da Federação no mesmo período. Coincidência ou não, a ONG Bola pra Frente é coordenada pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, que no ano passado foi eleita vereadora pelo PCdoB: partido do ministro Orlando Silva. Com os milhões em mãos para realizar ações sociais, Karina não apenas conseguiu se eleger mas também tem dado uma força aos planos políticos do ministro, que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010 e precisa contar com os votos do interior paulista.

A entidade atualmente está em outros 15 municípios vizinhos, e grande parte das inaugurações e festas do esporte promovidas por ela conta com a presença de Orlando Silva. De acordo com dados levantados pela Associação Contas Abertas a pedido do Correio, o valor embolsado pela entidade em 2008 — em apenas duas parcelas, uma paga em janeiro e outra em maio — supera o montante que o Ministério do Esporte repassou para todas as entidades do Acre, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Pará, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. Esses estados, juntos, receberam R$ 8,3 milhões. Na lista de beneficiados pelo Segundo Tempo, a ONG de Jaguariúna é a terceira colocada. Perde apenas para o Comitê Olímpico Brasileiro, que recebeu R$ 28 milhões, e para a Confederação Brasileira de Futebol de Salão, que foi beneficiada com R$ 24,9 milhões.

Os municípios onde a ONG preferida do ministro tem se instalado possuem características em comum que pouco justificam o volume de recursos transferidos. As 16 cidades têm Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) — que mede o nível de desenvolvimento utilizando como critérios números referentes à educação, longevidade e renda — superior a 0,7, o que é considerado positivo, visto que o índice varia de zero a um. Além disso, a soma dos habitantes de todos os municípios chega a pouco mais de 1 milhão. O número é quase cinco vezes menor do que a população de Santa Catarina.

Em Americana, Segundo Tempo é xadrez
Um dos projetos beneficiados pela injeção de dinheiro na região de Campinas é também o mais curioso. O Segundo Tempo prevê que as entidades contempladas ensinem, no mínimo, três modalidades, entre elas duas coletivas como o futebol, vôlei, basquete ou handebol, e uma individual. Na cidade de Americana, a entidade responsável por isso é a Federação Paulista de Xadrez.

De acordo com José Alberto Ferreira, o motivo para o programa federal ser tocado por sua entidade e não pela secretaria municipal de esportes, como seria natural pensar, é a logística mais simples. “Para garantir o funcionamento da maneira como o Segundo Tempo precisa é muito mais complicado para uma prefeitura assumir as ações do que uma entidade sem fins lucrativos, como a Federação”.

O argumento de José Alberto é baseado na burocracia necessária para contratação de funcionários por órgãos públicos. O "Escola Total", nome que o Segundo Tempo ganhou no município, por exemplo, precisa de 70 coordenadores e 140 monitores com vínculo empregatício com a entidade que toca o projeto. A regra é do Ministério do Esporte.

Para a secretaria municipal realocar profissionais ou concursar pessoas para preencher as vagas seria impossível. “Eu tenho 215 contratados. Você imagina a prefeitura tendo de contratar e pagar tudo isso? É uma estrutura superior ao dobro do que existe lá na Secretaria de esportes”, diz o dirigente, explicando que algumas das 310 vagas são ocupadas por monitores que fazem turno dobrado.

A reportagem do UOL Esporte esteve em alguns núcleos, conversou com moradores e crianças. E constatou que o xadrez está longe da preferência de quem vai às aulas. “Eu acho o projeto muito bom. A criançada corre bastante, aprende esportes e não fica à toa”, elogiou dona Maria Alice Silva, moradora do Bairro Antônio Zanaga, na periferia de Americana. Seu filho, Júlio, de 10 anos, andava de bicicleta pela rua com a camisa do projeto. “Eu gosto mais quando tem futebol. Dos outros esportes, nem tanto. Mas ensinam de tudo. Vôlei, basquete. Até xadrez”.
JOSÉ CRUZ: PROGRAMA JÁ É INVESTIGADO
O UOL Esporte nos traz mais uma radiografia suspeita do projeto Segundo Tempo. Suspeita pela forma como o Ministério do Esporte repassa os recursos, através da Federação de Xadrez, e não pela Prefeitura conveniada.

Qual o motivo de ser a federação de xadrez, e não a de atletismo, de natação ou de vôlei? Que critérios foram adotados para a escolha dessa “barriga de aluguel”?

O Segundo Tempo é um programa do governo federal que exibe resultados expressivos, com mais de 1 milhão de crianças atendidas. Mas não há comprovação confiável, pois o Ministério do Esporte carece de pessoal para fiscalizar quem usa o dinheiro.

Por isso mesmo, acumulam-se denúncias de que algumas entidades usam alunos fantasmas em suas prestações de contas. O Segundo tempo é alvo de várias investigações da Polícia de Combate ao Crime Organizado, inclusive, por suspeitas de desviar dinheiro para ONGs ligadas ao PC do B, partido do ministro Orlando Silva. UOL

Postado por by Mauricio às 03:01

Plebiscito.

janeiro 28, 2010

Eu sugiro que o Comitê Olímpico Brasileiro conduzisse, de forma ampla e democrática, um grande plebiscito para definir as questões fundamentais do esporte olímpico nacional. Distribuição de verbas e seus critérios, democratização de estatutos, continuidade da atual gestão, limites de reeleições, apoio às bases, dentre outros. Não vale consultar apenas Atletas desfrutáveis. A consulta tem que ser ampla, representativa, com voto secreto, abrangendo Atletas de todos os níveis e categorias, Técnicos, Professores de Educação Física, Jornalistas do ramo, o esporte militar e outros. Acho que o Comitê Olímpico Brasileiro tem medo da repercussão e dos resultados de algo assim.

PS 1 – Mais um verão e a Cidade de São Paulo sofre com os alagamentos decorrentes das chuvas torrenciais. Isso é assim há anos e governante após governante, o assunto não se resolve. Ou é incompetência, ou falta de vontade política de encarar a questão de frente.

  Por José Cruz, em seu Blog – http://blogdocruz.blog.uol.com.br/

21/01/2010

As contas secretas do Pan

 

         O Tribunal de Contas da União realizou ontem a primeira sessão plenária de 2010. Ao contráriodo Legislativo, o trabalho de fiscalização das contas públicas começa bem mais cedo.

         Porém, da extensa pauta não constavam processos relativos à análise dos gastos nos Jogos Pan-Americanos de 2007. E há mais de 10 processos na fila.

          Ocorre que a maioria desses documentos estão em “Tomada de Contas Especial”, isto é, uma nova análise, mais rigorosa, detalhadíssima, para que não fiquem dúvidas sobre irregularidades identificadas na primeira fase ou se afaste de vez tais suspeitas. Trabalho minucioso que demanda tempo e rigor técnico.

         É preciso esperar, pois o propósito ao acompanhar o trabalho não é o de incriminar gratuitamente este ou aquele servidor. Mas que se tenha uma avaliação insuspeita sobre o uso dos recursos públicos no bilionário evento. 

Estranho 

         Porém, estamos às vésperas dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, acolhedora cidade mexicana de memoráveis jogos da Seleção Brasileira, tricampeã mundial, em 1970.

         Isso quer dizer que entramos no terceiro ano da realização do Pan do Rio de Janeiro sem que se conheçam dados oficiais sobre o uso do dinheiro público.

         Que o TCU demore em sua análise, até entendemos. Mas que o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador silenciem é incompreensível.  

Dúvidas

         Ficam as dúvidas: por que o relatório de prestação de contas do Comitê Organizador não se torna público?

 Por que tal documento é restrito a poucas autoridades oficiais?

 Quanto custou, de fato, o evento carioca?

 Quanto gastaram os governos Municipal, Estadual e Federal?

 O material legado está sob a responsabilidade de quem?

 Quem herdou o quê dos bens adquiridos, tanto para a administração como parte técnica – as competições, em si?

 Quanto foi a receita com a venda de ingressos, a comercialização de imagens e produtos etc?

 Enfim, peço algo demais? Não creio. 

 Mesmo porque, manter em mistério o balanço geral do Pan faz crescer a curiosidade sobre o seu conteúdo.

 Por José da Cruz às 11h16

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