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Se A Moda Pega.

maio 27, 2015

A ação da polícia suíça e do FBI hoje no aconchego luxuoso da FIFA é um marco histórico no esporte. As estripulias dessa cartolagem já eram mais do que sabidas e comprovada. A impressão que se tinha é que os czares da bola passariam impunes, sob aquela argumentação boçal de que “a FIFA é uma entidade privada e ninguém tem nada com isso”. Os que mais tinham certeza da impunidade eram os próprios dirigentes que, sempre arrogantes, dissimulados, zombavam da imprensa quando perguntas mais dura lhes eram endereçadas. Hoje, esses voluntários da bola viram que não é bem assim. Estão em maus lençois. E a coisa está apenas iniciando. Não é suficiente Blatter dizer que apoia as medidas para achar que daqui para frente tudo será igual. A FIFA é, sim, uma entidade de direito privado. Mas seus administradores não podem cometer crimes. Se um desvia dinheiro de outro, mesmo que em relação eminentemente privada, há crime de apropriação indébita.

Pelo que se tem lido, as razões que levaram os barões da FIFA para atrás das grades são práticas criminosas praticadas por outras modalidades, por outras entidades, de alcance internacional. Essa questão da cessão de direitos de transmissão de competições desportivas devem ser investigadas com muita profundidade. Hoje, o esporte mundial é uma indústria de corrupção, que passa por empresas de fachada, licitações fraudadas, pagamentos de propinas, atravessadores que enriquecem do dia para noite.

Ao Andrew Jennings, o jornalista investigativo inglês, incansável, é devida grande parte dos louros do que aconteceu hoje na Suíça.

No Brasil, recentemente, Lúcio de Castro, outro combativo jornalista investigativo, fez uma série de matérias provando desmandos na Confederação Brasileira de Vôlei.

Se a moda de investigar o esporte pega!

Deve ter muita gente com muito medo que isso aconteça.

Tomara que o Brasil também queira aderir a onda dessas investigações.

Até hoje, os sucessivos governos brasileiros apenas foram lenientes com os caprichos da FIFA.

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Por Alberto Dines

Do Observatório da Imprensa

O valente jornalista Juca Kfouri, que desde a sexta-feira (15/5) está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, recuperando-se de complicações decorrentes de uma cirurgia, sofreu no domingo (17) um covarde ataque do médico & cartola Walter Feldman, atual secretário-geral da CBF, nobre e honestíssima entidade esportiva que tantas alegrias tem proporcionado ao cidadão brasileiro.

Na nobilíssima página 3 da Folha de S.Paulo – ultimamente engajada em promover disputas e fazer barulho a qualquer preço – o celebrado colunista foi atacado pelo esculápio com a clara cumplicidade do jornal, ciente de que o seu colaborador encontrava-se hospitalizado.

O texto “Paixão e rancor” é medíocre, maroto, apequenado, rasteiro, desprovido de qualquer atributo intelectual que justifique a privilegiada exposição. Juca Kfouri é um gigante do jornalismo brasileiro e não apenas do jornalismo esportivo. Nunca fugiu ao debate, enfrenta com reconhecida galhardia – e sempre com muita graça – todos os tipos de desafetos. Mas não se pode esperar que ainda na UTI tenha condições de tourear este bode enfezado.

A “nova” CBF tão ardentemente defendida pelo ex-deputado federal e servidor de tantos patrões é idêntica à velha CBF. Isto está claro. A reportagem de capa da presente edição de CartaCapital(nº 850, de 20/5), “CBF: barco furado”, denuncia exatamente este continuísmo.

A Fifa também sendo questionada, seus dirigentes deveriam estar no xilindró, mas comporta-se com um mínimo de decência. Não é este o paradigma adotado pela nova leva de cartolas nativos. O espírito mafioso persiste, intacto.

Este observador já serviu de testemunha de defesa de Juca Kfouri em vários processos e ficará honrado se convidado para novas missões. Mas não se sente habilitado a falar em nome de umexpert do porte de Juca.

Desprovido de qualquer fair-play e esportividade, Walter Feldman não perde por esperar.

Tags : Alberto Dines CBF Juca Kfouri Observatório da Imprensa Walter Feldman

Um Apelo Ao Bom Senso.

maio 14, 2015

A comunidade da vela, no Brasil e no exterior, está muito preocupada com a realização das regatas olímpicas na Baía da Guanabara. O que o lugar tem de bonito, tem de poluído. Uma das definições de Olimpismo é que ele representa a união do esporte, da cultura e do meio ambiente. Nessa ótica, realizar a competição olímpica de vela na Baía da Guanabara é ir na contra mão do movimento olímpico, pois é prestigiar um lugar sujo e cujas autoridades não tomaram, ao longo dos anos, nenhuma providência para despoluir.

É sabido que Búzios possui das melhores raias do mundo, um lugar agradável, perto do Rio em que se poderia organizar uma excelente competição de vela olímpica, que agradaria muito os atletas dessa modalidade. É extremamente comum que as competições olímpicas de vela não sejam realizadas na cidade sede dos Jogos, justamente por não possuírem, em muitas vezes, local apropriado. Os organizadores procuram dar aos atletas as melhores condições de competição, buscando um lugar que seja bom para velejar. E a cidade sede Rio de Janeiro tem isso, que é Búzios. Não se pode entender porque as autoridades governamentais e os cartolas insistem em manter a competição na Baía da Guanabara.

Os seguidos alertas que vêm sendo dados pelos atletas da vela e pelos dirigentes dos outros países, bem como por médicos sanitaristas, não são desprovidos de conteúdo. Velejar em alto nível de rendimento na Baía da Guanabara pode ser tecnicamente péssimo para o melhor desempenho do barcos e pode ser perigoso para a saúde dos atletas. Os paliativos que o Comitê Organizador quer fazer são o nefasto “jeitinho brasileiro”, tão indesejável em qualquer circunstância.

O dossiê de candidatura do Rio 2.016 prometeu despoluir a Baía da Guanabara. Essa é mais uma promessa não cumprida. E realmente não há nenhuma razão justa para se manter alí a competição olímpica de vela. Ao menos que tais razões não sejam de conhecimento público.

Ví certo grau de ufanismo exagerado com as medalhas conquistadas pelos excelentes ginastas brasileiros na etapa brasileira da Copa do Mundo de Ginástica. Claro que as medalhas devem ser comemoradas e os atletas brasileiros cumprimentados. Mas é muito importante que a imprensa que cobre esse tipo de evento explique muito bem do que se trata.

Uma etapa de Copa do Mundo é apenas uma competição de uma série que acontece ao logo do ano, que é chamada de Copa do Mundo. O que aconteceu no Brasil, neste final de semana, foi uma das fases da Copa do Mundo. Não tem nada a ver com o Campeonato Mundial de Ginástica.

Nas estapas da Copa do Mundo o nível das provas são bem mais fracos do que o Campeonato Mundial e dos Jogos Olímpicos. Para as etapas da Copa do Mundo, não vão os principais atletas e, como ocorreu aqui no Brasil, muitas vezes países importantes na modalidade sequer enviam competidores.

É muito importante dar esse tipo de informação. Isto porque como no Brasil existe a monocultura futebolística, o sujeito ouve dizer que o atleta ganhou a Copa do Mundo de Ginástica, logo pensa no futebol e compara com a Copa do Mundo de Futebol. Sai por aí dizendo que o brasileiro foi campeão mundial de ginástica em solo brasileiro.

A ginástica brasileira vai poder mesmo medir forças com as grandes potências no Campeonato Mundial de Ginástica, em outubro deste ano e, claro, nos Jogos Olímpicos do ano que vem.

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