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No link abaixo, mais uma brilhante matéria da Jornalista Gabriela Moreira, na ESPN Brasil, sobre relações entre a Federação Internacional de Vôlei, seu Presidente, Ary Graça Filho e seu genro, Bruno Beloch.

 

http://espn.uol.com.br/noticia/634356_com-nova-empresa-genro-de-ary-fatura-em-toda-a-america-com-entidades-que-recebem-verba-da-fivb

O Ministério Público Federal divulgou notícias estarrecedoras sobre suposto engendramento de esquema criminoso na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”), lesando a entidade, atletas, técnicos e o erário público. A CBDA tem seus cofres abastecidos por dinheiro público, da Lei Piva (repasses do Comitê Olímpico do Brasil), dos Correios e repasses do Ministério do Esporte.

O que causa espanto é o silêncio estarrecedor do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) e do Ministério do Esporte. Essas entidades são responsáveis pelos destinos dos desportos no Brasil e não podem se omitir. Por muito menos, o COB interveio violentamente em algumas Confederações. Talvez porque fossem Confederações de oposição e a CBDA não seja.

Por enquanto as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público são indícios (por isso o nome “Indiciados”). Mas são indícios tão forte que dão, sim, ensejo à ação que o próprio Ministério Público propõe em face da CBDA, em que pede, liminarmente, o bloqueio dos bens da Confederação e dos demais investigados, bem como a destituição do presidente Coaracy Nunes. Faz bem o Ministério Público em ajuizar essa ação, pois o que está sendo investigado é um bem comum, patrimônio público, pois, reitere-se, a CBDA vive de dinheiro do povo.

A Procuradora responsável pelo caso é a Eminente Dra. Thamea Danelon Valiengo e o processo leva o número 0020642-46.2016.403.6100. Quem quiser acompanhá-lo poderá fazê-lo no website da Justiça Federal da 3ª Região.

Esses movimentos que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm feito são a esperança de que mudanças profundas podem ocorrer na estrutura do Olimpismo brasileiro.

A nota divulgada pela CBDA é duvidosa. Diz a Confederação que as ações da Polícia Federal e no Ministério Público são parte de “um complô eleitoral para beneficiar a oposição. E que o assunto deveria estar no MP do Rio de Janeiro”. Patético essa nota da CBDA. Em primeiro lugar, não é crível que a Polícia Federal e o Ministério Público se prestariam ao papel de movimentar suas estruturas por causa de uma eleição em Confederação desportiva. Isso achincalhar com a Polícia Federal  e com o Ministério Público. Em segundo lugar, ao dizer que o processo deveria ir para o MP do Rio, a CBDA acha que no Rio o processo não teria o rigor necessário? Claro que não. A nota da CBDA é péssima.

Também não acho crível que outros aliados políticos de longa data dos dirigentes da CBDA, de outras instâncias esportivas, não tivessem conhecimento disso.

O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (“CBAt”), Antônio José Martins Fernandes, o Toninho, foi reeleito hoje para mais quatro anos de mandato, por unanimidade. esse será seu segundo e último mandato, já que nova legislação em vigor não permite reeleições.

Toninho é uma pessoa competente, que conheço há muitos anos. Tem preocupação permanente com a massificação do atletismo na escolas e, com sua equipe, é autor de um bom projeto nesse sentido que foi apresentado ao Governo Federal e para a qual a CBAt , sob seu comando, dá todo suporte necessário. Ele é consciente que o atletismo somente vai alavancar quando for francamente generalizado nas escolas do Brasil.

Toninho também soube, em seu primeiro mandato, corrigir rumos na CBAt e colocar o atletismo de novo nos trilhos. Os resultados da equipe no Rio 2.016 mostram isso.

Desejo boa sorte ao Toninho.

Eleições Na CBDA

setembro 8, 2016

As eleições na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”) ocorrerão em breve. Aparentemente, as regras do pleito ainda não estão claras e a situação que utilizar a falta de informações em seu benefício. O candidato da situação é Ricardo Moura. A oposição está representada por Miguel Carlos Cagnoni, que preside a Federação Paulista.

Ainda que durante os longos anos que o atual grupo político está no poder tenham surgido atletas importantes nas modalidades aquáticas, está claro que é chegada a hora de renovar. A manutenção das mesmas pessoas na CBDA pode colocar em risco avanços que foram conquistados. Isso ficou evidente nesse ciclo Olímpico que se encerrou no Rio 2.016.

É saudável que pessoas novas assumam os destinos da CBDA, com ideias renovadas, para enfrentar esse novo ciclo Olîmpico, que será muito difícil. E que também ajude a massificar os desportos aquáticos.

Miguel Cagnoni é um bom presidente da Federação de São Paulo. É uma pessoa correta e que tem experiência no assunto. Tem bom trânsito com técnicos e atletas e pode contar com a confiança das demais Federações estaduais.

O Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) anunciou, hoje, que o superintendente de esportes, Marcus Vinícius Freire, deixa o Comitê Olímpico do Brasil. Nunca saberemos as razões reais de tal rompimento, na medida em que, aparentemente, vinha cumprindo bem as suas funções. Marcus Vinícius foi superintendente de esportes por oito anos, cargo esse remunerado, pois que nessa condição era funcionário do COB. Antes disso, ele foi Membro da Assembleia Geral da entidade por dez anos, posição essa sem remuneração.

Há alguns anos, quando a pressão para que Nuzman deixasse o COB aumentou, foram veiculadas várias matérias na imprensa, com declarações de atletas, inclusive, mencionando que Marcus Vinícius seria um bom nome de consenso para a sucessão. Foi ressaltado, na ocasião, que Marcus Vinícius era simpático às Confederações, entendia do assunto e era competente. Aqueles elogios públicos à Marcus Vinícius despertaram a ira vaidosa de Nuzman. Nuzman ficou furioso com aquelas matérias. Não muito tempo depois Nuzman retirou Marcus Vinícius da Assembleia Geral do COB e o contratou como empregado do órgão, dando-lhe a função que ocupou até hoje. Ao retirar Marcus Vinícius como Membro da Assembleia Geral e contratá-lo como funcionário, Nuzman eliminou qualquer possibilidade de candidatura. A condição de funcionário remunerado do COB tirou de Marcus Vinícius, estatutariamente, condições de postular a presidência.

Nuzman também não poderia, simplesmente, dispensar os serviços de Marcus Vinícius. Era o meio de um ciclo Olímpico e não poderia haver uma ruptura definitiva.  Marcus Vinícius era peça relevante para o projeto do COB.

Talvez, agora, encerrado o ciclo Olímpico de 2.016, Nuzman tenha decidido que o ciclo de Marcus Vinícius Freire na entidade também tenha acabado.

Vale lembrar que antes de assumir a sua função remunerada no COB, Marcus Vinícius Freire foi diretor da AON Seguros no Brasil. A AON Seguros era quem fazia os seguros do COB.

A prisão do sócio principal da SB Marketing, Sérgio Borges, acusado de fraudar licitações em Confederações esportivas e desviar dinheiro repassado pelo Ministério do Esporte pode ser a ponta do novelo de lã, que vale ser desenrolado.

Sérgio Borges não é neófito nos negócios do esporte. Ele já foi homem de extrema confiança de Ary Graça Filho e ocupou um cargo importante da Confederação Brasileira de Volleyball (“CBV”). A mulher de Borges, Maria Aparecida, conhecida como Cida, foi secretária particular de Ary Graça, desde a época em que ele presidia o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (“IBEF”). Ou seja, a relação entre o mandatário do vôlei mundial com os Borges vem de longa data.

Graça, por sua vez, faz parte do mesmo grupo político que comanda a CBV há quarenta anos, dinastia que começou com Carlos Arthur Nuzman, passou por Ary Graça e agora está com o tal Toroca (acho que é isso, Toroca).

As Confederações de Taekwondo e Tiro Esportivo não são as únicas entidades esportivas que contrataram os serviços da SB Marketing.

Se as autoridades policiais e o Ministério Público aprofundarem as investigações, poderão, talvez, conferir que os tentáculos da SB Marketing estão nas mais altas estruturas de administração do esporte nacional. Poderá ser o começo da reviravolta que tantos esperam.

Lí agora que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou a liminar que dava direito à chapa de oposições candidataram-se à presidência e vice-presidência do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Claro que cabem recursos e o mérito da ação sequer foi julgado.

Nuzman tem muito medo de enfrentar oposições e alterou o estatuto do COB de modo que se tornasse mais uma peça da estrutura ditatorial que ele enfia goela abaixo das Confederações, técnicos e atletas. O estatuto do COB é tão anacrônico que é quase impossível que chapas de oposição concorram. O prazo para inscrição de chapas da eleição que ocorrerá no final do ano era abril, ou seja, antes dos Jogos Olímpicos, quando Nuzman tinha pleno controle dos repasses do dinheiro público que o COB recebe. Esse é ponto contestado na ação judicial. Mas como se não bastasse, o mesmo estatuto reza que qualquer chapa deve ser apresentada por, pelo menos, dez Confederações, que deve subscreve-la. Isso também é uma manobra para coibir Confederações inclinadas a apoiar a oposição a fazê-lo, com receio de retaliações. Mas pior de tudo é a cláusula do estatuto que diz que para ser candidato a presidência e vice-presidência do COB, o indivíduo deve ter sido eleito para um dos poderes da entidade e nele estar por, pelo menos, cinco anos. Ou seja, é necessário ter sido eleito com o candidato da situação para algum poder do COB e nele estar por, pelo menos, dois mandatos, já que cinco anos, na prática, significam dois mandatos, uma vez que cada um é de quatro anos.

No momento em que o Brasil luta para revigorar e democratizar suas estruturas, o COB ainda faz parte daquele Brasil velhaco, uma verdadeira capitania hereditária, comandada, hoje, por alguém que o meio esportivo rejeita, que é o indesejável Carlos Arthur Nuzman. Notem o escândalo que é. Enquanto a Constituição Federal permite que todo e qualquer brasileiro no gozo de seus direitos seja candidato a Presidente da República, o estatuto que o velho Nuzman impôs ao COB não permite o mesmo para a presidência daquele órgão. E o COB tem seus caixas abastecidos por vasto dinheiro público. Acho, inclusive, que esses artigos do estatuto do COB são inconstitucionais.

Desse jeito, com essa gente que usa os caros e o estatuto em benefício próprio, esqueçam que o esporte do Brasil irá melhorar. Ou o Governo Federal e o Ministério Público entram de sola na questão, ou o esporte vai continuar nas mãos dessa turma.

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