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Hoje o Ministério do Esporte e a Prefeitura de São Paulo anunciaram a reforma da pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (“COTP”). Ótima notícia. O COTP é dos melhores centros esportivos que há no Brasil e merece ser sempre bem tratado, para que possa servir não apenas ao alto rendimento, mas à massificação da prática esportiva na cidade. Espera-se que com a reforma da pista São Paulo passe a ter mais uma boa opção para também receber competições internacionais.

O outro anúncio, também feito hoje é iguamente muito bom. Serão construídas seis novas quadras de basquete em parques públicos de São Paulo. Sempre defendi que a Prefeitura construísse quadras poliesportivas em pontos da Cidade e que elas ficassem abertas em horários alternativos, ou mesmo que funcionassem vinte e quatro horas ao dia. Na medida em que esses espaços públicos esportivos ficarem abertos até mais tarde, com boa iluminação, segurança, vestiários, com professores de educação física estimulados e remunerados, servirão como uma opção excelente para que pesssoas, famílias, tenham a prática da atividade física como opção atraente. Alguém que chegar em casa após o trabalho, poderá dirigir-se às quadras públicas de esporte para exercitar-se. Isso ocorrerá naturalmente se essa opção for dada à população e, ao mesmo tempo, haja nos bairros campanhas de incentivo para que as pessoas pratiquem esportes e utilizem esses espaços. Em vez de chegar do trabalho e sentar no sofá para assistir televisão, ou ir ao botequim da esquina, as pessoas poderiam ir às praças de esporte. A iniciativa é muito boa. Mas não pode parar por aí. Que se construam muitas quadras públicas de esporte em São Paulo. E que se incentive a população a utilizá-las. Isso também é uma forma se política pública de massificação e democratização do esporte.

José Trajano dos Reis Qunhões anuncia que amanhã, ao meio dia, entrevistará Lula da Silva. Ótima oportunidade para perguntar ao ex-presidente muita coisa que segue engasgada na garganta de gente boa que sonhou com a implantação de uma política de Estado para o esporte brasileiro e, ao contrário, foi obrigado a engolir Copa do Mundo de futebol e Jogos Olímpicos, bilhões de recursos públicos depejados em obras faraônicas e superfaturadas, que resultaram em um dos piores escândalos financeiros da história do Brasil. Não tivesse Lula da Silva dado azo às idéias megalômanas e deturpadas de Ricardo Teixeira e Carlos Nuzman, hoje, viveríamos uma situação esportiva muito melhor.  Há de se perguntar a Lula da Silva porque ele optou por dar às mãos a essa cartolagem, em vez de aliar-se àqueles que tinham ideias claras de massificar o esporte, democratizá-lo, torná-lo acessível aos mais pobres. Há de se perguntar porque Lula da Silva caminhou ao lado de políticos como Sérgio Cabral e tantos outros que utilizaram os eventos esportivos para negociatas escusas.  Lula da Silva elitizou o esporte, gastou muito dinheiro público em obras que estão envoltas em graves escândalos de corrupção e que nada de bom deixou para o povo. O governo Lula da Silva foi o que mais investiu no esporte e, ao mesmo tempo, o que mais errado investiu, quando fez a opção pelo alto rendimento e nada mais. Passada a Olimpíada, o esporte vive situação de penúria e muitos atletas enfrentam enormes dificuldades. Tudo aquilo que Lula da Silva e seus asseclas prometeram ao mundo do esporte nunca ocorreu. E que Lula da Silva não tenha o desplante de dizer que Bolsa Atleta é projeto para o Esporte Olímpico, porque definitivamente não o é. Bolsa Atleta ajuda, pontualmente, um atleta, ou outro. Mas está longe de ser programa estatal de desenvolvimento, massificação, democratização e planificação esportiva de base. Até porque o Bolsa Atleta atua na camada de cima.

Espero que a entrevista de José Trajano não seja, apenas, um rito de celebração laudatória, como muito se vê por aí. Que ele tenha coragem de perguntar o que deve.

Em anos recentes o Movimento Olímpico viveu três momentos cruciais:

1. O massacre sofrido pela delegação de Israel em Munique, em 1.972 alterou significativamente o que se pretendia com a realização dos Jogos Olímpicos. Viu-se que aquilo que deveria ser um evento de esporte e congraçamento, para unir os povos, estava na alça de mira do terrorismo internacional.  Até Munique a segurança, definitivamente, não era questão crucial nos Jogos Olímpicos. Os Jogos de Montreal, em 1.976 chamaram a atenção até dos mais experientes pelo forte esquema de segurança, coisa que nunca havia ocorrido antes. Quem viu Jogos Olímpicos até 1.972 teve oportunidade de assistir algo que nunca mais viria a ocorrer.

2. Os Jogos de Montreal deram enorme prejuízo, não obstante sua fantástica organização. A cidade passou décadas pagando as vultosas dívidas deixadas pelos Jogos Olímpicos. Os Jogos de 1.980 foram realizados em Moscou, sob a ditadura comunista da União Soviética, em que o Estado não poupou recursos para usar o certame esportivo para propagandear o regime. Nunca se soube ao certo quanto custaram os Jogos Olímpicos de Moscou. Mas dinheiro não faltou. Para os Jogos de 1.984 não havia cidades interessadas em sediá-los. O desastre financeiro de Montreal tinha chamado atenção para o risco econômico que representava organizar Jogos Olímpicos. Los Angeles surgiu como uma opção negociada pelo COI, sob o comando de Samaranch. Los Angeles impôs condições ao COI para aceitar realizar os Jogos. Foi o inicio do profissionalismo. O COI começava a se afastar do dogma do amadorismo. Os Jogos de Los Angeles, em 1.984, deram lucro para a Cidade. Foi um ponto crucial na história do Movimento Olímpico.

3. A decisão do COI de escolher, em uma tacada só, as cidades sedes para os Jogos de 2.020 e 2.024 é sintoma do esgotamento de um sistema. Acabou-se a era em que profusão de cidades lutavam entre si para angariar os votos dos membros do COI que lhe assegurariam o direito de sediar Jogos Olímpicos. Houve um momento em que o número de cidades interessadas em sediar os Jogos Olímpicos era tão grande, que o COI expandiu a forma de escolha. Em vez de irem todas as cidades para votação, passou a ter uma comissão avaliadora do COI que já eliminava as cidades menos tecnicamente capacitadas. Isso acabou, encolheu. O gigantismo dos Jogos Olímpicos, as exigências dos padrões das instalações esportivas, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e outras tornaram caríssimos os investimentos necessários para organizá-los. As populações das cidades manifestaram-se contra as candidaturas, que minguaram. Quando o COI escolhe Paris e Los Angeles, ao mesmo tempo, para sediar os Jogos de 2.024 e 2.028, faltando apenas definir quem vai primeiro é um reconhecimento expresso do fim de um modelo.

Bolsa Atleta em Perigo.

julho 8, 2017

Ontem o jornalista Demétrio Vechioli publicou em sua coluna Olhar Olímpico que o governo federal cortou mais R$ 21 milhões do orçamento do Ministério do Esporte. E, com isso, o programa Bolsa Atleta está em risco. É verdade que dinheiro não nasce em árvore e que há muitos anos a economia do país está destroçada. Cortes são necessários, por uma razão simples: não há dinheiro. E como esporte não é prioridade de governo, é dos segmentos que mais sofrem. De qualquer modo, a redução drástica do orçamento destinado ao esporte e o possível fim do Bolsa Atleta é mais uma evidência inquestionável da falácia que foi o discurso das autoridades no período pré olímpico. Os organizadores sustetavam que após o Rio 2.016 o Brasil estaria em um patamar esportivo muito superior. Acreditou nisso quem não é do esporte. Ao contrário, cerca de um ano após o fim dos Jogos Olímpicos em solo nacional, o esporte brasileiro retroagiu pelo menos 20 anos, atletas estão desempregados, instalações esportivas depauperadas, reduções de patrocínios, escândalos criminosos em Confederações e completa falta de projetos de massificação.

Pagamento de Bolsa Atleta está longe de ser plataforma de Estado para desenvolvimento e massificação desportiva, como questão de saúde pública e educação. Mas é fato que o pagamento do Bolsa Atleta, ajuda pontualmente desportistas que utilizam esses recursos para cobrir despesas de viagens e material de treinamento e competição. O eventual fim do Bolsa Atleta, aliado à falta de projetos do governo, vai prejudicar muitos desportistas. Quem é do esporte sabe disso.

Desde que eu era membro da assembleia geral do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”), falo e escrevo que a administração esportiva padece da implantação de regras claras de governança corporativa. As reeleições indefinidas de seus presidentes, contratos de patrocínios celebrados com órgãos públicos sob a cláusula de confidencialidade, não publicação de demonstrações financeiras, falta de licitação e várias outras coisas foram minando a credbilidade de grande parte das organizações desportivas. Muito pouco foi feito para melhorar esse cenário, até que o portal SOU DO ESPORTE lançou um movimento enfático pela implantação e fiscalização de normas de governança corporativa no desporto. O SOU DO ESPORTE passou a avaliar, de forma independente e baseado em critérios técnicos e sólidos, o grau de governança corporativa nas Confederações e no COB. Foi um verdadeiro e necessário chacoalhão na gestão esportiva. As primeiras auferições feitas pelo SOU DO ESPORTE revelaram que o grau de governança no esporte era sofrível. Mas o SOU DO ESPORTE não se ocupou, apenas, em avaliar e criticar as entidades do esporte. Muito mais que isso, o SOU DO ESPORTE passou a publicar orientações sérias pelas quais os organimos do esporte poderiam dar transparência aos seus atos de gestão. Serviu como um tutorial. A partir de então, muitas Confederações, sob novas administrações, foram sensíveis às necessidades de modernização e alteraram significativamente suas formas de gerir. O prêmio SOU DO ESPORTE, anualmente dado às Confederações que melhores práticas de governança têm implementado, tornou-se uma referência em todo Brasil. Leis internas e externas de governança corporativa não têm um fim em sí próprias. Não é algo estático. Pelo contrário, é dinâmico e requer aprimoramentos a cada instante. O SOU DO ESPORTE merece todos os mérito de ter dado o ponta pé inicial nessa questão. É pioneiro no assunto e possui metologia e capacitação técnica para seguir orientando e fiscalizando as entidades esportivas, que recebem muito dinheiro público, para que tenham rigorosa transparência em suas gestões.

Empates no Futebol.

junho 25, 2017

Nos campeonatos de futebol por pontos corridos, tenho a impressão que os jogos ficariam muito melhores se, em empates, em vez de cada time ganhar um ponto, ambos deveriam perdê-lo. Ou seja, empate não seria bom para ninguém e os times buscariam sempre a vitória.

Não é raro jogos tornarem-se modorrentos, porque o ponto que o empate lhes garante é, por exemplo, suficiente para mantê-los no meio das tabelas e livrá-los do rebaixamento, ou classificá-los para algum torneio.

Acho que com essa regra, as disputas ficariam mais ofensivas, os jogos mais abertos, a buca do gol mais intensa, as vitórias mais valorizadas e melhores espetáculos para o público.

Hoje o jornalista Demétrio Vecchioli publicou no UOL matéria em que noticia que o governo federal afastou do debate sobre o legado olímpico o Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) e o Comitê Organizador Rio 2.016.

Leia aqui: https://olharolimpico.blogosfera.uol.com.br/2017/06/20/com-projeto-ignorado-cob-e-rio-2016-sao-excluidos-de-debate-sobre-legado/

Claro que para o melhor aproveitamento do que sobrou da aventura olímpica, o ideal seria que os níveis de governo trabalhassem juntos com o COB, Co-Rio 2016, Confederações, Federações, Ligas, Clubes, atletas e técnicos. Se os três níveis de governo deixaram de fora desse importante debate o COB e o Co-Rio 2016 é porque algo muito ruim está ocorrendo. Esse tipo de atitude não é praxe nas outras cidades que sediaram Jogos Olímpicos. Seguramente, governos e autoridades olímpicas não estão falando a mesma língua. O desentendimento entre eles deve ser grave. É sabido que durante os anos de preparação dos Jogos do Rio, Co-Rio 2016 e Prefeitura Municipal brigaram muito. Quando Eduardo Paes resolveu tomar para si a organização do evento e virar a principal imagem da Olimpíada carioca, o Co-Rio 2016 não gostou. Além de divergências sérias com relação à organização dos Jogos Olímpicos, também houve guerra de vaidades entre eles. Pelo visto, um ano após a Olimpíada, as rusgas prosseguem. Do lado do COB e do Co-Rio 2016, estarem alijados, ao menos por enquanto, das discussões sobre o legado olímpico, ao mesmo tempo em que mostra extremo desprestígio, livra a cara deles quando houver acusações de que o legado olímpico foi inútil e desastrado.

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