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Lí agora que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou a liminar que dava direito à chapa de oposições candidataram-se à presidência e vice-presidência do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Claro que cabem recursos e o mérito da ação sequer foi julgado.

Nuzman tem muito medo de enfrentar oposições e alterou o estatuto do COB de modo que se tornasse mais uma peça da estrutura ditatorial que ele enfia goela abaixo das Confederações, técnicos e atletas. O estatuto do COB é tão anacrônico que é quase impossível que chapas de oposição concorram. O prazo para inscrição de chapas da eleição que ocorrerá no final do ano era abril, ou seja, antes dos Jogos Olímpicos, quando Nuzman tinha pleno controle dos repasses do dinheiro público que o COB recebe. Esse é ponto contestado na ação judicial. Mas como se não bastasse, o mesmo estatuto reza que qualquer chapa deve ser apresentada por, pelo menos, dez Confederações, que deve subscreve-la. Isso também é uma manobra para coibir Confederações inclinadas a apoiar a oposição a fazê-lo, com receio de retaliações. Mas pior de tudo é a cláusula do estatuto que diz que para ser candidato a presidência e vice-presidência do COB, o indivíduo deve ter sido eleito para um dos poderes da entidade e nele estar por, pelo menos, cinco anos. Ou seja, é necessário ter sido eleito com o candidato da situação para algum poder do COB e nele estar por, pelo menos, dois mandatos, já que cinco anos, na prática, significam dois mandatos, uma vez que cada um é de quatro anos.

No momento em que o Brasil luta para revigorar e democratizar suas estruturas, o COB ainda faz parte daquele Brasil velhaco, uma verdadeira capitania hereditária, comandada, hoje, por alguém que o meio esportivo rejeita, que é o indesejável Carlos Arthur Nuzman. Notem o escândalo que é. Enquanto a Constituição Federal permite que todo e qualquer brasileiro no gozo de seus direitos seja candidato a Presidente da República, o estatuto que o velho Nuzman impôs ao COB não permite o mesmo para a presidência daquele órgão. E o COB tem seus caixas abastecidos por vasto dinheiro público. Acho, inclusive, que esses artigos do estatuto do COB são inconstitucionais.

Desse jeito, com essa gente que usa os caros e o estatuto em benefício próprio, esqueçam que o esporte do Brasil irá melhorar. Ou o Governo Federal e o Ministério Público entram de sola na questão, ou o esporte vai continuar nas mãos dessa turma.

Os pontos realmente fracos das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos foram os discursos de Carlos Nuzman, presidente do Comitê Organizador. Nuzman fez pronunciamentos recheados de clichês. Não passou nenhuma mensagem sobre o esporte e o Movimento Olímpico. Tentou fazer “voz de momento histórico” quando bradava genialidades como “Acredite no seu sonho” e “Viva o Rio”. Também não deveria ter gritado “O melhor lugar do mundo é aqui”. É deselegante com os povos de todo mundo que estavam reunidos no Maracanã e com os bilhões de expectadores que viam pela televisão. Foram frases de efeito para não ser vaiado. Espera-se mais de alguém que foi atleta olímpico e que acumula as presidências do COB e do Co-Rio.

Mas Nuzman guardou suas pérolas para as entrevistas que daria depois. Nuzman disse que dinheiro de empresa estatal não é dinheiro público. É de onde, então? Espera-se mais de um advogado que diz militar na profissão e tirar daí a fonte de renda para seu sustento. São conceitos elementares de direito. Se dinheiro de estatal não é público,  seria curioso Nuzman explicar o que são recursos públicos.

Nuzman também esmerou-se em dizer que um fator relevante para “entregar Jogos como o que eu entreguei” é estar a tanto tempo no poder. Essa frase é típica dos bufões ditadorezinhos latino-americanos, em que os acontecimentos confundem-se com a própria pessoa, vaidosa, que não reconhece méritos de mais ninguém. É o Rei Sol. desde que Nuzman assumiu a presidência do COB, há vinte e um anos, o Comitê Olímpico dos Estados Unidos está no seu sétimo presidente. E nem por isso os Estados Unidos deixaram de seguir como a maior potência olímpica do planeta e realizar grandes eventos, inclusive Jogos Olímpicos. Enquanto o mais poderosos Comitê Olímpico do mundo dá demonstrações de quão salutar é a democracia e a alternância de poder, o cartola do Brasil segue, atrasado, dizendo que “O Rei Sou Eu”.

O Brasil precisa, urgentemente, renovar as suas estruturas de administração esportiva.

Rescaldo Olímpico

agosto 21, 2016

Os Jogos Olímpicos do Rio foram bons, com mais acertos do que erros. Equívocos estruturais foram sendo corrigidos, na medida do possível, durante as competições. Claro que não se pode comparar com os Jogos de Pequin (cujo dinheiro disponível criou uma opulência até desnecessária), ou com Londres (cuja estrutura da cidade proporciona, por si só, maiores facilidades de locomoções para os turistas, para locais além do Parque Olímpico). Mas dentro das dificuldades pelas quais o Brasil e o Rio passam (estado de calamidade pública), o hospitaleiro povo carioca soube receber o mundo com competência. Jogos Olímpicos são legais, especialmente para quem gosta de esportes. Quando a organização começa a titubear, o COI toma as rédeas e faz as intervenções necessárias para que as coisas caminhem. E assim foi feito no Rio, quando políticos e cartolas imprevidentes bateram cabeças. O COI colocou gente no Co-Rio em caráter permanente. E os Jogos sairam.

Jogos Olímpicos não são lucrativos. São uma festa magna. E cabe à cidade sede vender positivamente sua imagem ao mundo durante o período em que todas as atenções estiverem voltadas para ela. Acho que o Rio soube vender bem essa imagem. A questão é, agora, voltando à realidade, manter os esforços para a manutenção dessa imagem.

No campo esportivo, a participação brasileira foi razoável se compararmos com o vultoso dinheiro público investido. Nunca o Estado brasileiro investiu tanto dinheiro nos esportes olímpicos como nesse ciclo. Os resultados melhoraram, mas não na mesma proporção dos investimentos públicos. Em Atlanta 96 cada medalha olímpica brasileira custou R$ 4.4 Milhões de dinheiro público. Em Londres 12 cada medalha olímpica brasileira custou a bagatela de R$ 123 Milhões. Vamos ver quanto cada medalha terá custado no Rio 2016. E debater se a gestão desse dinheiro está sendo bem gerido e de forma transparente pelos cartolas.

Tenho muito receio do que pode acontecer com o esporte no Brasil a partir de amanhã. Todos os projetos de investimentos no esporte olímpico terminavam com o fim dos Jogos. Estatais e o governo já anunciaram cortes drásticos de investimentos. As Confederações já manifestam suas preocupações. Vários atletas também. E o esforço deles não poderá ter sido em vão.

Esses Jogos Olímpicos deixam, mais uma vez, evidente que o Brasil está muito longe de ter uma política esportiva de Estado para democratização e massificação do esporte. O povo mais pobre e a população em geral está muito longe de ter pleno acesso a prática do esporte, como questão de saúde pública e educação. Apenas doze por cento das escolas públicas do Brasil seguem tendo algum espaço para praticar esportes. Nesses quesitos, nesses quatro anos, apesar de muito dinheiro público investido, o Brasil não avançou um metro sequer. Se amanhã, inspirados no brilhante Isaquías Queiróz, crianças desejarem iniciar a prática da canoagem, certamente terão muita dificuldade em começar esse esporte, por falta de locais. O mesmo acontece com muitas outras modalidades. Não há acesso fácil ao esporte no Brasil.

Que o maior legado desses Jogos Olímpicos sejam a certeza de que o Brasil somente será uma potência olímpica quando realizar a política de massificação do esporte, para da quantidade tirar a qualidade. Que a prática da educação física integre a grade escolar com a mesma relevância de outras disciplinas. Que os professores de educação física sejam valorizados e bem remunerados, pois são eles que trabalham na base da pirâmide.

Que as autoridades constituídas exijam do Co-Rio 2.016 rigorosa prestação de contas do dinheiro público que lhe foi repassado. Há muita controvérsia sobre isso que tem que ser esclarecida.

Que a grande imprensa esportiva não volte a falar de Olimpismo somente daqui a quatro anos e que não debata, no futuro, somente a medalha de ouro do futebol.

Que a medalha de ouro do futebol não arrefeça as investigações na CBF. Que a medalha de ouro do vôlei não desvie a atenção das gravíssimas comprovadas denúncias feitas pelo jornalista Lúcio de Castro quanto ao pagamento de comissões indevidas na Confederação Brasileira de Vôlei. Que a Polícia Federal siga com as investigações.

Que as Confederações desportivas promovam profundas alterações em suas estruturas e, como consequência, renovem as pessoas que, há décadas, comandam o Comitê Olímpico do Brasil e fazem aquela entidade parecer ter um fim em si mesma. É necessária uma renovação profunda naquele Comitê, com gente mais jovem, dinâmica, com ideias novas e em que os atletas passem efetivamente a ter poder de mando e não funções cosméticas. De 1.996 até hoje o Comitê Olímpico do Brasil, ditatorial, tem apenas um presidente. O mais poderoso Comitê Olímpico do mundo, o norte-americano, democrático, teve sete presidentes.

Faço um cumprimento especial ao atletismo do Brasil que, em quatro anos, conseguiu por o esporte nos trilhos e obter resultados bem mais expressivos em número de simifinais e finais. Ainda há muito o que fazer. Mas após trinta anos, o futuro do atletismo pode voltar a sorrir.

Que o fim desses Jogos Olímpicos sejam o início de uma era mais alviçareira para o esporte do Brasil, de renovação.

O Vôlei do Brasil

agosto 17, 2016

Devemos sempre lembrar que o comando do vôlei do Brasil está há quarenta e um anos nas mãos do mesma fêudo político. Começou com Nuzman na década de setenta, que entregou o bastão para o seu parceiro Ary Graça. Ato contínuo, passou o poder a esse que está aí agora e que já ocupava cargos de direção na CBV desde a era Nuzman (se não me engano o atual presidente da Confederação atende pela alcunha de Toroca, ou algo parecido). Somente mais recentemente, Nuzman desentendeu-se com Ary Graça, que bateu cabeças com o tal Toroca. E, enquanto presidente da Federação Internacional, Ary Graça, como vingança, tem fustigado o vôlei brasileiro sempre que possível. Brigas internas à parte, é o mesmo grupo de pessoas, com interesses comuns, que há tantos anos comanda com mãos de ferro o vôlei do país. Isso é muito ruim para o esporte.

Depois de tantos anos, é natural e esperado que essa estrutura de poder, arcaica, esteja ruindo. Não faz muito tempo que o jornalista Lúcio de Castro esquadrinhou e comprovou condutas administrativas reprováveis que são, ainda, objeto de investigação por parte das autoridades brasileiras. Quando Lúcio de Castro fez a denúncia, o correto teria sido essa turma da Confederação renunciar.

Essa administração longeva e viciada da CBV, por melhores que sejam os técnicos, jogadores e jogadoras, acaba refletindo negativamente nas seleções.

O vôlei precisa de uma renovação nas suas estruturas de poder. Esse esporte produz muita gente boa que pode assumir a CBV e oxigenar a entidade. Basta querer e ter coragem.

Minha Relação Com João Havelange.
março 19, 2012
Lí agora na internet que João Havelange está internado em estado grave, fruto de uma infecção generalizada. Quando eu era ainda muito garoto, Havelange ainda não tinha netos, ele vinha a São Paulo, passava em minha casa, levava-me para passear e só me devolvia à noite. Havelange, João, ou o “Princês”, como minha avó Yvonne o chamava, sempre teve conosco relação familiar muito próxima. Ele e meu avô conheceram-se nos campos do esporte do Fluminense, na década de trinta. Quando meu avó foi à sua primeira olimpíada como atleta, em 1.932, defendia o escudo do tricolor carioca. Mais ou menos na mesma época em que meu avô, militar, foi transferido para o 4 Batalhão de Caças da Infantaria, no bairro de Santana, em São Paulo, Havelange
também muda-se para a capital paulista, para trabalhar como advogado trabalhista da Viação Cometa. Ambos passaram a defender o Clube Espéria, uma das potências esportivas da época, meu avô, o Capitão Padilha, no atletismo e Havelange na natação. Em 1.936 ambos integraram a delegação nacional que foi aos Jogos Olímpicos de 1.936, na tenebrosa Alemanha nazista. Meu avô era o então recordista sulamericano dos 110 e 400 metros sobre barreiras e, em Berlin,
tornava-se o primeiro atleta do continente a atingir uma final olímpica nessa modalidade. Havelange era o campeão brasileiro dos 1.500 metros nado livre. As carreiras como dirigentes também seguiram caminhos próximos, embora cada qual tivesse métodos absolutamente opostos de administrar certas coisas. Meu avô, em 1.939, é nomeado diretor do Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo e, ao mesmo tempo em que ainda era atleta de destaque mundial, empenhou suas atividades em programas de massificação do esporte. Na mesma época Havelange assumia a diretoria de natação do Espéria e, em seguida, a presidência da Federação Paulista de Natação. O tempo passou. Havelange tornou-se presidente da CBD. Meu avô assume a presidência do COB, também mais ou menos na mesma época. Ambos
chegaram ao COI com apenas um ano de diferença. Meu avô é eleito vice – presidente do COI, enquanto Havelange é eleito presidente da FIFA.
Como já ressaltei, havia entre os dois divergências profundas na forma de administrar as coisas do esporte. Um olimpistas puro, amador, meu avô nunca admitiu que do esporte se tirasse qualquer proveito financeiro. Mesmo tendo ocupado os cargos mais importantes da estrutura do esporte mundial, meu avô, Major Padilha, morreu em 2.002 recebendo seus proventos de militar reformado do exército brasileiro e aposentadoria como professor aposentado de educação física do Estado de
São Paulo. Sua preocupação era com o esporte educação. Havelange, por sua vez, transformou a FIFA em um das maiores multinacionais do planeta, cujo PIB era equiparado ao de muitos países. Em 1.970 Havelange insistiu muito que meu avô fosse ao México chefiando a equipe que viria a ser tri campeã mundial. Assim como inúmeras vezes Havelange convidou meu avô a integrar o Comitê Executivo da FIFA. O Major Padilha, sempre com educação, recusou tudo isso. Por razões de foro íntimo preferia não se envolver nas coisas do futebol. Mantinha-
se ligado, exclusivamente, aos chamados “esportes amadores”, ou “olímpicos”. Não obstante as diferenças que pautavam a forma de administrar o esporte, meu avô e Havelange nunca deixaram de ser amigos. Havelange tem uma qualidade importante, que é ser leal às suas amizades, desinteressadas, mesmo com aqueles que porventura discordem dele em muita coisa. Quando meu avô, em uma reunião da Comissão de Elegibilidade COI teve um acidente vascular cerebral, Havelange imediatamente cancelou toda a sua agenda internacional e dirigiu-se ao Hospital Universitário de Lausanne, para vê-lo e emprestar sua amizade. Essa relação próxima, respeitadas as diferenças ideológicas, fez com que eu também tenha convivido de maneira próxima com Havelange e sua sempre amável mulher, Anna Maria. O casal é meu padrinho de casamento. Convidei-os para meus padrinhos pela amizade que sempre nos dispensaram. E não porque tive quaisquer outros interesses, até porque, além de realmente não tê-los, minha condição pessoal e profissional prescidem desse tipo de artifício. Nunca escondi dele, nas incontáveis vezes em que conversamos sobre esporte, o que acho, o que penso e como entendo que o esporte deva ser. Mesmo em minhas críticas mais ásperas, Havelange deixou de ser cordial comigo. Não me afasto um milímetro sequer de minhas posições claras sobre as coisas do esporte. Da mesma maneira como prezo bastante a amizade que João e Anna Maria Havelange sempre nos dispensaram.

O superintendente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”), Ricardo Moura, deu entrevista muito ruim ao Sportv. Indagado sobre os resultados da natação do Brasil, que foram abaixo das expectativas, em face do vultoso investimento de dinheiro público havido na modalidade, o dirigente esquivou-se  da pergunta da pior maneira possível. Afirmou ele que “o maior legado dos Jogos era o calor humano”,  referindo-se à torcida e apontando para as arquibancadas.

Segundo publicou o sempre correto José Cruz, a CBDA recebeu cerca de R$ 83 Milhões nesse ciclo Olímpico, fundamentalmente de dinheiro estatal. Por isso, com muito mais razão, Ricardo Moura deve ser transparente e atacar a questão de frente, prestando todas explicações necessárias. Afinal de contas, Ricardo Moura administra dinheiro do povo. Se a única coisa que ele tem a dizer é que o “legado é o calor humano”, fica evidente que ele não tem condições de comandar a Confederação, coisa que deseja fazer assim que Coaracy Nunes se aposentar, nos próximos meses. O discurso vazio, escamoteado, mambembe, de Ricardo Moura mostra rigoroso despreparo para estar nessa posição.

Não estou aqui exigindo medalhas. Estou, sim, pedindo que Ricardo Moura preste contas de sua gestão, recheada de muito dinheiro público, que promova amplo debate para saber o que foi feito certo e o que não foi.

Torcida e calor humano não sugam R$ 83 Milhões de dinheiro público.

Pior ainda é que a CBDA não publicou em seu website os balanços financeiros dos dois últimos exercícios, o que contraria a lei.

A entrevista de Ricardo Moura é mais uma prova contundente de que é necessária ampla renovação nos quadros que comandam os desportos aquáticos do Brasil.

A entrada do Parque Olímpico da Barra está repleta de cambistas. Isso é ilegal, mancha a imagem dos Jogos e perturba os expectadores que compraram ingressos.

A ação dos cambistas é descarada. Eles não hesitam em abordar as pessoas, em várias línguas, oferecendp ingressos. Se ajem assim, é porque devem achar que estão impunes.

É muito curioso que o Co-Rio, tão ciosos de seus direitos, pelo menos até agora, não faça nada.

Enquanto os cartolas olímpicos do Brasil preocupam-se em cercear entidades que querem fazer exposições olímpicas, deixa os cambistas atuarem com ampla liberdade. Há algo muito contraditório nessa postura, que merece ser investigado.

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