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Durante dez anos eu me empenhei em denunciar as mazelas de Carlos Nuzman. Fiz tudo que estava ao meu alcance. Acompanhei pari passu suas atividades no Comitê Olímpico Brasileiro. Denunciei, divulguei, propalei, publiquei, investiguei, escrevi ao Ministério Público Federal diversas vezes, fui ao Senado Federal, colaborei com parlamentares que pretendiam instalar uma CPMI Olímpica (o que acabou por nunca ser instalada), ajudei competentes jornalistas  a elaborar matérias demolidoras contra o presidente do COB. Comuniquei-me com frequência com diversos membros do Comitê Olímpico Internacional (“COI”), sendo que vários deles, antigos amigos de nossa família, deram-me ouvidos. Municiei o COI com vasta documentação. Embora em alguns instantes eu parecesse ser uma voz isolada rodeado por pessoas iludidas pelo discurso ufanista da canalhice, nunca deixei de acreditar nas palavras de Gandhi, que disse “Houve tiranos, assassinos … E, por um tempo, eles parecem invencíveis. Mas, no final, sempre caem. Pense sempre nisto.”.

Eu tenho plena convicção de que minha perseverança colaborou para a derrocada de Carlos Arthur Nuzman do mundo do esporte. Fui, ao longo do tempo, lido e ouvido.

Fui atleta. Venho de uma família de atletas. Meus filhos e meus sobrinhos são atletas.  Tenho a honra e o privilégio de ser neto de um dos maiores expoentes do Olimpismo do Brasil, Major Sylvio de Magalhães Padilha que, com erros e acertos, mas sempre com paixão e honestidade, criou as bases do esporte e da educação física no Brasil. Ainda como atleta olímpico mundialmente destacado, meu avô criou a estrutura do esporte de massa em nosso país, nos idos da década de quarenta (www.sylviodemagalhaespadilha.com.br) . De lá para cá, a verdade é que pouco de diferente foi feito. Como sempre alertava meu avô, “se o esporte não caminhar com a educação, não funciona”. Como muitos dizem, “a educação física no Brasil pode ser dividida antes e depois de Padilha” . E foi seguindo de perto seu trabalho, conhecendo sua história, que incorporei definitivamente o esporte em minha vida. O Movimento Olímpico é, antes de qualquer coisa, uma filosofia de vida, que preconiza a união dos povos por meio do desporto e que pela prática da atividade física podemos nos tornar cidadãos melhores. Tento ter o Olimpismo como minha filosofia de vida.

Conheci Carlos Nuzman muito cedo, quando eu ainda era criança e ele presidente da CBV. Muito cedo fui aprendendo a observar o esporte, o comportamento das Confederações, as personalidades de seus dirigentes. Havia muitos que admirava, enquanto outros, nem tanto. Em 1.979 Nuzman, democraticamente, almejou a presidência do Comitê Olímpico Brasileiro. Tinha todo direito de ser candidato, até porque naquela época o estatuto da entidade era democrático e estava longe de ser o “ato institucional anacrônico” que ele enfiou goela abaixo das Confederações, a partir de 1.996. Nuzman perdeu a eleição para meu avô. Acompanhei todo aquele processo muito de perto. Alguns podem achar que minha rejeição a Nuzman remonta ao fato dele ter se oposto a meu avô, no COB. Não é nada disso. Acompanhei de perto aquela eleição e seus bastidores. Nuzman achava, desde aquele tempo, que o dinheiro era capaz de resolver qualquer questão. No COB, efetivamente, não era. Nuzman estava errado. Meu avô nunca permitiu estripulias com o dinheiro Olímpico, que na época era bem raro. Nuzman fez uma campanha sórdida, pérfida, nauseabunda e repulsiva. Insistiu nos mesmos métodos asquerosos nos anos subsequentes, porém sequer conseguiu por de pé sua candidatura. Veio assumir o COB, apenas em 1.996, em um cambalacho jurídico feito no estatuto, entre ele e André Richer, pelo qual no meio do mandato trocariam de posições, isto é, Richer passaria para a vice-presidência e Nuzman assumiria a presidência. Um casuísmo que envergonhou o Movimento Olímpico brasileiro. Foi ali, naquele momento, com aquele imoral conluio estatutário, que Nuzman tornou-se presidente do COB. Nuzman nunca disputou uma eleição para o COB. Nos ciclos seguintes, apenas encarregou-se de intimidar as Confederações com ameaças de estrangulamento financeiro e impunha-se como candidato único. Notem que todas as eleições que Nuzman disputou com alguém, posteriormente, perdeu. Nuzman concorreu por duas vezes ao Comitê Executivo do COI e uma vez à presidência da ODEPA. Perdeu as três. Foram as únicas vezes que Nuzman teve que enfrentar concorrentes. Nunca logrou êxito.

Eu me sinto na obrigação de carregar o legado que meu avô deixou para o esporte. É uma questão pessoal. Sinto isso. Sou assim. Nuzman no COB representava tudo aquilo que sempre desacreditei no esporte. Sua preocupação era, em primeiro lugar, usar o cargo para promoção pessoal. Além disso, não tinha atenção alguma com a construção da base do esporte, com a massificação. Sim, o COB tem essa obrigação, na medida em que passou a receber vasto dinheiro público, pelo que teria a obrigação de dar à sociedade a contrapartida, preocupando-se em democratizar o acesso à prática do desporto. Isso passava ao largo das ideias de Carlos Nuzman. Em 1.996 Nuzman convidou-me para integrar a assembleia geral do COB. Sem nenhum tipo de acordo com ele, ou seja, mantendo minha independência, aceitei. Um antigo membro do COB alertou-me: “Não pense que Nuzman o quer no COB porque ele acha que Você pode contribuir. Pelo contrário, ele acha que Você é alguém que pode tirar o cargo dele, então ele lhe quer ter por perto”.  Notei que as assembleias do COB eram um mero referendo de tudo que já  havia sido anteriormente definidos por Nuzman e um grupo muito pequeno de assessores, pessoas, aliás, com as quais absolutamente não concordava. A palavra das Confederações eram tolhidas e nas poucas vezes em que ví algum presidente discordar de alguma coisa, foi recebido com grosserias. O medo de se expressar imperava entre as Confederações. O receio de retaliações era gigantesco. O presidentes sabem que eu tenho razão.

A preparação para os Jogos Panamericanos Rio 2007 foi um deboche completo, uma demonstração do indesejável capitalismo de compadrio. Tudo era feito em benefício de um grupo seleto de empresários e políticos amigos. Gravitavam em torno do COB e do Comitê Organizador agências de turismo, agentes intermediários, construtoras, empresas de marketing esportivo, bancos, corretoras de seguros, call centers. O esporte era o que menos interessava. Licitação de verdade era algo que não existia para aquela gente, aquela cúpula minúscula que controlava uma enxurrada de dinheiro público. Basta ver os Votos do TCU que se infere que os Jogos Panamericanos tornaram-se dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. A conta final saiu 1.000% mais cara para o povo brasileiro. Eu denunciei tudo aquilo, posso dizer, diariamente. Nunca desisti.

Lutei contra a realização dos Jogos Olímpicos no Rio. Assim o fiz por razões ideológicas e práticas. Ideológicas porque acredito fielmente que em uma nação cujo povo é carente de boa alimentação, moradia, segurança, saúde, transporte, esporte para todos e tudo mais, despender dinheiro público para realizar uma grande festa que não traria nenhum benefício, seria uma inversão de valores. Conheço, modestamente, o Olimpismo como poucos. Sou um estudioso da matéria. Nunca acreditei no discurso oficial, ufanista, populacho de que os Jogos Olímpicos seriam a salvação do Rio e do Brasil. Pelo contrário, considerando, ainda, que os organizadores dos Jogos Olímpicos seriam os mesmos que dirigiram os Jogos Panamericanos, minha crença era que o certame Rio 2016 significaria mais um ato de corrupção abundante e que agravaria a situação do País e da Cidade. Mais uma vez eu tinha razão. Basta observarem o que ocorreu e tudo que vem sendo descoberto com as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. A malandragem começou na compra de votos e alastrou-se pelas diversas obras que foram feitas às custas do dinheiro do povo brasileiro, superfaturadas, objeto de propinas. E o esporte não avançou um metro sequer após os Jogos Olímpicos. Pelo contrário, a crise financeira e moral do esporte levou as Confederações e os atletas à condição de insegurança e o futuro que se vislumbra é absolutamente incerto. Não obstante hoje tenhamos um novo presidente do COB que demonstra boas intenções, ele terá um trabalho dificílimo pela frente.

Ao longo da vida e em minhas andanças pelo mundo já vivi inúmeras situações com Carlos Nuzman, constrangedoras, daquelas que geram o sentimento mais profundo de vergonha alheia. Nuzman parecia sentir inveja de si próprio. Era capaz de tudo para parecer ser o que nunca foi. Eu ví, fui testemunha ocular, de tantas e tantas passagens que o faziam ser uma personalidade ridícula no exterior. Os mais antigos membros do COI, pessoas respeitadas no mundo Olímpico, compartilhavam do meu pensamento.

Carlos Nuzman sempre foi pernicioso ao esporte. Que não se fale que ” apesar de tudo, ele fez muito porque trouxe a Olimpíada para o Brasil”. Isso é compactuar com a corrupção. E isso é inaceitável. Não há um só ato eventualmente tido como positivo que possa justificar a corrupção. A peita, o aliciamento, a sedução desvirtuada, a desvirtuação de caráter para atingir seus objetivos são afrontas indesculpáveis.  Durante minha batalha, recebi diversos apoios velados de muitos atletas e algumas Confederações. Sempre compreendi perfeitamente que ambos, atletas e presidentes, não tinham liberdade para falar publicamente o que pensavam. Mas isso me fazia saber que, ao cair o ditador, haveria gente capaz para levar adiante o projeto Olímpico do Brasil. Nunca exigi heroísmo de ninguém.

Tem muita gente boa no esporte. No COB há muita gente competente. A questão agora é renovar a credibilidade do nosso Movimento Olímpico e fazê-lo ser,  novamente, a reserva moral do esporte nacional.

Eu tinha razão. Sempre ataquei Carlos Nuzman calcado em fatos, conhecimentos, informações e provas. Eu estava certo. Nuzman foi preso, renunciou ao COB, será banido do COI e nunca mais participará de nada relativo ao mundo dos esportes.

Eu seguirei minha luta, defendendo meus ideais Olímpicos e resguardando a memória e o legado de meu avô, o anjo da guarda do esporte brasileiro, como certa vez me disse a querida e competente Professora Kátia Rubio, de quem tenho o privilégio de ser amigo e admirador.

Por isso ajudei a derrubar Carlos Arthur Nuzman.

 

Hoje o Comitê Olímpico do Brasil (“COB”), que passará a aceitar, também, novamente, a nomenclatura de Comitê Olímpico Brasileiro, apresentou sua proposta de alteração estatutária. Inicialmente vale cumprimentar os integrantes dessa Comissão que, em pouco tempo, trabalharam com afinco para  exibir à sociedade a nova moção de regência do Movimento Olímpico Brasileiro. Não é fácil, depois de mais de duas décadas de absolutismo, em que os presidentes de Confederações e os atletas tinham medo de expressar suas opiniões, modificar a estrutura. A minuta estatutária ainda irá passar pelo crivo da assembleia geral, no próximo dia 22 de novembro. Por isso, é possível que ainda existam modificações no texto final.

 

De qualquer forma, avanços significativos foram observados, principalmente quando qualquer brasileiro com mais de dezoito anos, “ficha limpa”, poderá ser candidato a presidente e vice-presidente do COB, desde que apresentados por somente três membros da assembleia geral. A participação de um número maior de atletas na assembleia geral, com peso de voto equivalente aos dos presidentes de Confederações também é um progresso. Não apenas o presidente da Comissão de Atletas terá voz e voto na assembleia geral, mas todos esses membros, que serão livre e democraticamente eleitos por seus pares. O voto de Confederações não valerá mais que o voto dos atletas e vice-versa. Atuarão todos em condições de igualdade. A desvinculação do Conselho Fiscal da chapa presidencial é outra medida correta. É cristalino que os membros do Conselho Fiscal devem ser eleitos independentemente do presidente e vice-presidente, para que possam atuar com rigorosa liberdade e isenção para fiscalizar as contas do COB. A instituição de um Conselho autônomo de ética, nos moldes do Comitê Olímpico Internacional, também era uma regra há muito tempo indispensável. É crucial que os integrantes desse Comitê de Ética sejam escolhidos por critérios técnicos e que tenham plena liberdade para exercer suas funções. O Conselho de Administração passa a ter uma função das mais relevantes. Note que a minuta do novo estatuto elimina a “Presidência” como um dos poderes do COB e, em seu lugar, passa a existir o Conselho de Administração que, além de presidentes de Confederações e atletas, contará com dois membros independentes, que poderão ser quaisquer pessoas da sociedade. Embora o regime siga sendo presidencialista, este Conselho de Administração terá a função de determinar as diretrizes do COB e, de forma essencial, estabelecer as especificações de uso do dinheiro público da Lei Piva.

 

No curto espaço de tempo, foi feito o que era possível. Há de se considerar que o estatuto deve seguir as regras da Carta Olímpica, sem o que ele não é aprovado pelo COI e, dessa forma, o COB seguiria suspenso pela entidade. Vale notar o que diz o artigo 28.3 da Carta Olímpica, que foi seguido para a modelagem da assembleia geral e do Conselho de Administração, que assim está redigido:

 

”  A maioria votante de um CON e do seu órgão executivo deve ser constituída por votos expressos pelas federações nacionais referidas no número 1.2 acima ou pelos seus representantes. Em questões relativas aos Jogos Olímpicos, apenas são considerados os votos emitidos por tais federações nacionais e pelos membros do órgão executivo do CON. Mediante aprovação da Comissão Executiva do COI, um CON pode igualmente incluir, na sua maioria de votos e no voto em temas emitidos pelos membros do COI referidos no número 1.1 acima e pelos antigos atletas no seu País a que se faz referência no número 1.3 acima.”

 

Eu lutei bravamente durante dez anos para que houvesse alterações profundas nos princípios que norteiam o Movimento Olímpico do Brasil. Tive minhas razões para isso. Ao final, o desfecho mostrou que eu estava certo. Nunca deixei de acreditar que haveria o início de uma nova era. Se tudo que está sendo criado em teoria funcionar na prática, com pessoas competentes e honestas, com o verdadeiro sentimento Olímpico, vamos fazer do nosso Movimento Olímpico, outra vez, a reserva moral do nosso Esporte.

Volto ao tema do novo estatuto do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Novas regras, modernas e democráticas, espera-se, serão aprovadas na assembleia geral ainda em novembro. Atletas terão participação ativa no novo modelo, com voto igual aos dos presidentes das Confederações e aos dois membros do Comitê Olímpico Internacional (“COI”) no Brasil. A proposta de estatuto está sendo cuidadosamente elaborada, que está ouvindo diversos segmentos do esporte e de maneira que, sobretudo, esteja de acordo com todas as regras da Carta Olímpica.

 

Para que o novo modelo de administração dê certo é importante não fomentar a “luta de classes”, como se atletas estivessem de um lado e presidentes de confederações de outro. Se a mentalidade for essa, ficaremos empacados em discussões grosseiras, perdendo a chance de dar o grande passo transformador do esporte. Na nova assembleia geral do COB, é importante que cada integrante vote com independência e de acordo com as suas convicções. Que os debates sejam amplos e renovados, que cada um se sinta plenamente confortável para expor suas ideias, sem receio de retaliações. Isso vale para presidentes de Confederações e para atletas. Não podemos partir do princípio que haverá deliberações em bloco, dos atletas votando sempre juntos, ou dos presidentes de Confederações votando constantemente unidos, uns contra os outros. A assembleia geral do COB não é o Congresso Nacional, assim como os grupos dos atletas e dos presidentes de Confederações não são partidos políticos. É plenamente errada essa visão dicotômica e maniqueísta de dividir a plêiade do órgão maior do nosso Movimento Olímpico em grupos pré-definidos. A democracia cabal em assembleias gerais de órgão desportivos pressupõem  a independência de seus integrantes. Inclusive porque, vários presidentes de Confederações foram, ou ainda são atletas e não seria correto argumentar o contrário.

 

O importante é que todas as Confederações também modernizem suas estruturas, que estejam bem representadas por pessoas competentes e que os atletas em atividade elejam seus melhores quadros para integrar a assembleia geral do COB. O esporte não comporta luta de classes, quando há democracia na sua gestão.

 

 

A ONG Atletas pelo Brasil promoveu seminário para tratar dos “Novos Horizontes para o Esporte do Brasil”. O representante do Ministério do Esporte afirmou que se as mudanças no Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) não forem significativas irão suspender os repasses do dinheiro público oriundo da Lei Piva.

Acho curioso que, somente agora, o Ministério do Esporte levante a voz para clamar por transparência no Movimento Olímpico do Brasil. Há muitos anos têm sido publicadas denúncias consistentes sobre gestão temerária no COB na administração anterior. E o estatuto anacrônico está em vigor faz tempo. Ou seja, o Ministério do Esporte já deveria ter se manifestado muito antes. De qualquer forma, preferível agora do que nunca.

O Ministério do Esporte está correto ao pedir mudanças no COB. Mas tem que saber que não tem autoridade legal para suspender os repasses da Lei Piva. O dinheiro público que o COB e as Confederações recebem da Lei Piva é decorrente de lei federal e não da vontade do Ministério do Esporte. Dinheiro da Lei Piva não tem a mesma natureza jurídica de repasses feitos pelo Ministério do Esporte, que ocorrem por meio de convênios. Portanto, a suspensão dos repasses da Lei Piva ao COB e às Confederações somente poderia ocorrer se houvesse alterações na legislação federal em vigor, ou alguma medida judicial.

A Comissão Estatuinte do COB segue trabalhando e, ao que parece, os avanços na proposta do novo estatuto serão significativos e seguirão as determinações da Carta Olímpica. Acredito que depois de anos de escuridão, o Movimento Olímpico do Brasil voltará a ter novas boas perspectivas. No momento em que o COB modernizar suas estruturas, as Confederações e Federações que ainda não o fizerem serão instadas a seguir o mesmo caminho. E em pouco tempo teremos uma estrutura renovada no esporte.

Caberá aos gestores fazer com que essa nova estrutura gere bons frutos para o nosso Movimento Olímpico e que volte a ser a reserva moral do esporte.

A Comissão Estatuinte do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) segue avançando em seus trabalhos. Na quarta-feira passada contou com a valorosa contribuição das sugestões apresentadas pelas ONGs Atletas pelo Brasil e Sou do Esporte. O debate é sempre salutar e ouvir as sugestões de pessoas tão competentes ajudará muito na redação final.

Grande parte das sugestões levadas pelas duas respeitadas entidades à Comissão Estatuinte do COB já constavam das propostas da própria Comissão, tais como a ampliação do colégio eleitoral, com maior participação de atletas, fim das cláusulas de barreira para as candidaturas, criação de um Comitê de Ética independente. Conselho Fiscal também eleito de forma independente. Conselho de Administração para gerir, com a diretoria, recursos da Lei Piva e outras questões. Há outros pontos relevantes trazidos pelas duas entidades. Mas, na grande maioria deles, as boas ideias da Atletas pelo Brasil e Sou do Esporte são coincidentes com o que a Comissão Estatuinte já tinha em mente.

Uma vez ampliado o Colégio Eleitoral/Assembleia Geral, com maior participação dos atletas em atividade, sou favorável a que todos os integrantes dessa Assembleia tenham direito a um voto, com peso igual, sem distinção entre eles. Membros natos, presidentes de Confederações e atletas terão direito a um voto cada, em condições rigorosamente iguais. E, nesse contexto, cada membro da Assembleia Geral votará de forma independente, de acordo com a sua consciência, com absoluta liberdade. Não acho que haverá “bloco das Confederações” versus “blocos dos Atletas”. Até porque, dentre presidentes de Confederações, há vários que já foram atletas. E uma vez atleta, sempre atleta.

O atual presidente, Paulo Wanderley, foi atleta e técnico de judô. Os três últimos presidentes do COB foram atletas Olímpicos, Sylvio de Magalhães Padilha (finalista Olímpico em atletismo), André Gustavo Richer (remo) e Carlos Arthur Nuzman (vôlei). Vários de seus diretores estatutário também foram atletas. A questão central para se propor novos rumos ao COB não reside no fato dele ser gerido por atletas. Há atletas bons e atletas ruins em gestão. Assim como há não atletas bons e não atletas ruins em administração. O fundamental é que democratizar as estruturas e que os cargos sejam ocupados por pessoas competentes e honestas, sejam elas atletas Olímpicos, ou não.

Esse será o grande desafio do novo COB, reunir gente competente para gerí-lo, de forma transparente e democrática, em que Confederações e atletas em atividade sintam-se plenamente confortáveis para expor suas ideias, cada qual com direito a um voto na assembleia geral, sem qualificação de quórum para ninguém e que possam dialogar, sem medo de retaliações, com a diretoria executiva.

Quero reiterar, finalmente, uma proposta que há muito defendo, qual seja, levantar a clásula de sigilo de todos os contratos do COB. O presidente Giulite Coutinho fazia isso na CBF. Não há razão para que as entidades esportivas tenham seus contratos sob sigilo.

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