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Henrique Nicolini.

agosto 14, 2017

Morreu hoje o professor Henrique Nicolini, dos mais influentes jornalistas esportivos que o Brasil já produziu. Nicolini foi dos primeiros jornalistas a sair da chata mesmice do futebol e dedicar-se ao estudo e à cobertura dos esportes olímpicos. Era o mais antigo funcionário da Fundação Casper Líbero. Seus artigos sobre outros esportes quebravam a monocultura do futebol. Os aficcionados por esportes olímpicos não deixavam de acompanhar suas materias na Gazeta Esportiva e, mais recentemente, na sua versão digital, autor que era do Blog “Além dos Fatos”. Nicolini era professor de natação e presidiu, por duas vezes, a Federação Paulista da modalidade. Colaborou com a organização dos Jogos Panamericanos em São Paulo, em 1.963. Cobriu vários Jogos Olímpicos, Panamericanos e outros certames esportivos de relevância. Era o presidente honorário do Panathlon Club do Brasil. Chefiou com denodo e brilhantismo a assessoria de imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro durante a gestão do Major Sylvio de Magalhães Padilha. Em 1.988, teve papel essencial para que o Brasil levasse a delegação completa aos Jogos Olímpicos de Seoul, uma vez que a verba disponível pelo governo (de um teste da loteria eaportiva) não era suficiente. Nicolini utilizou de seu prestígio pessoal para obter a verba complementar junto à Philips do Brasil. Importante ressaltar que Nicolini fez isso por amor ao Olimpismo e nunca ganhou nehuma recompensa financeira por esse ato. Nicolini era daquelas pessoas da época em que o esporte era coisa de gentlemen.

Neste link, o exemplar curriculum de Henrique Nicolini

https://blogs.gazetaesportiva.com/henriquenicolini/henrique-nicolini/

E aqui o relato de Nicolini sobre sua participação na questão da Philips nos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1.988:

https://blogs.gazetaesportiva.com/henriquenicolini/2011/07/18/dirigentes-de-ontem-e-de-hoje-iii-a-remuneracao-de-uma-amizade/

Por Laurete Godoy

PARA FICAR NA HISTÓRIA

      O dia 5 de agosto de 2017, marcou a história do esporte, com dois grandes acontecimentos.

Londres – um estádio inteiro colocou-se de pé, para aplaudir a despedida do  jamaicano Usain Bolt. A flecha da Jamaica abandonava as pistas do atletismo que o viu brilhar, durante vários anos, com o fulgor de mais de mil estrelas. Lá, Bolt foi rei absoluto de provas de velocidade. Todos que com ele competiram, brigavam pela medalha de prata, porque o ouro sempre era do mesmo dono. Na despedida veio o bronze, mas ele continuou rei do estádio.

Nos ombros, entrelaçadas, as bandeiras da Jamaica e da Grã-Bretanha. Abraços, fotos, carinhos, afagos e a volta olímpica retardaram o momento do abandono definitivo. Aquelas pernas rápidas estavam, com vagar, dizendo adeus à pista sintética, percorrida velozmente, por tantas vezes, ao longo da vitoriosa carreira.

Grande e emocionante despedida! Conhecidos, desconhecidos, familiares e pessoas do mundo inteiro, ali estavam, prestigiando o Campeonato Mundial de Atletismo. Londres foi palco da grande festa do adeus de Usain Bolt. O gesto característico, o raio, os aplausos, o sorriso permanente, a despedida de um rei. A linda manifestação foi o coroamento de uma carreira gloriosa. Parabéns Usain Bolt! Parabéns, Garoto da Jamaica!

Paris – um estádio inteiro colocou-se de pé, para aplaudir a apresentação do brasileiro Neymar Júnior. Aplausos e o melodioso cantar de Neymar, Neymar, marcaram a chegada do astro do futebol ao Paris Saint-Germain Football Club.  O Parque dos Príncipes recebeu, com pompas e circunstâncias, o garoto do Brasil que, naquele momento, foi transformado em rei da França. Até a Torre Eiffell vestiu-se de verde e amarelo, para saudar o jovem santista que, antes de entrar em campo, já se transformara em ídolo do PSG. Um contrato milionário, fogos, música, alegria, aplausos, esperança, crianças, a volta olímpica e a camisa atirada para o público, marcaram a tarde do festivo sábado parisiense.

Neymar, espero que com sua genialidade nos campos, você devolva, por inteiro,  aquela fantástica aclamação. Por favor, em sua nova casa, encante o mundo com suas pedaladas, corridas, dribles, com assistências certeiras,  chapéus, cabeçadas e fazendo muito gols, para alegria dos amantes do futebol, não apenas dos torcedores do Paris Saint-Germain, mas de todo o planeta azul. Apesar das agressões que, por certo você irá sofrer, procure ser um bom exemplo dentro e fora do estádio. Sei que será difícil, mas seu público merece isso…

Que Deus o  proteja, Neymar Júnior, que já foi Garoto da Vila Belmiro e hoje é do mundo inteiro. Que sua estrada seja brilhante e sua trajetória repleta de glórias. Para que, daqui a vários anos, quando for despedir-se dos campos de futebol, você consiga receber do público internacional, uma calorosa e expressiva manifestação,  idêntica à que foi proporcionada a Usain Bolt.  Por coincidência, na mesma data em que você inciou sua vida esportiva no Paris Saint-Germain. Parabéns, Neymar! Parabéns Garoto do Brasil!

Por Usain Bolt e por  Neymar Júnior, pela linda e emocionante página que escreveram, o primeiro despedindo-se das pistas de atletismo e o segundo, apresentando-se ao novo clube de futebol, acredito que o dia 5 de agosto de 2017, deva passar para a História do Esporte Mundial.

 

Laurete Godoy  é pesquisadora e escritora

 

Um ano após a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2.016, reporto-me ao artigo que publiquei na FOLHA DE SÃO PAULO em 03 de outubro de 2.009. Avaliem se, na conta final, os Jogos Olímpicos foram bons para o Rio e para o Brasil vis-a-vis a gastança pública
TENDÊNCIAS/DEBATES

A escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 é uma boa notícia para o Brasil?

NÃO

Uma grande hipocrisia

ALBERTO MURRAY NETO

A DECISÃO do Comitê Olímpico Internacional foi indigna. Mais do que isso, foi hipócrita. Tentaram fazer história à custa do desespero dos pobres. Não acredito que haja no COI alguém que ignore os gravíssimos problemas sociais do Brasil.
Se essa pessoa existe, não merece estar lá. Ou melhor, merece, sim.
Quem achou que fez história ao “dar os Jogos à América do Sul, em razão de seu caráter universal”, não pensou no movimento olímpico. Pensou em si mesmo e nos próprios interesses. Daí a hipocrisia.
O Brasil e o Rio são carentes de tudo. Não há escolas, hospitais, moradia, transporte público, alimentação para os pobres, luz elétrica, saneamento básico, esporte etc. As pessoas continuam morrendo de sede, de frio, de bala perdida etc. O Rio é a porta de entrada para o Brasil, o que nos dá visibilidade no exterior. A cidade tem tido a má sorte de, há anos, ser maltratada por políticos incompetentes e mal-intencionados.
Se alguém acha que daqui a sete anos o Rio estará livre dos traficantes de droga e dos tiroteios, que o trânsito será fantástico, que haverá hospitais de qualidade, escolas públicas de excelente nível para todas as crianças, praças esportivas populares espalhadas pela cidade, pessoas morando condignamente, só para citar alguns exemplos, escolha uma bela praia e espere deitado. Para não se cansar.
Nada, rigorosamente nada vai mudar. A baia da Guanabara, por exemplo, vai permanecer um dos locais mais poluídos do mundo. Bela, mas de cheiro insuportável. Uma coisa, na cabeça dessa gente, é certa: o povo, pobre povo do Rio de Janeiro, que se lixe!
Tudo isso é assunto que deverá ser acompanhado de perto. Sei que gente boa do Rio criou algumas ONGs para fiscalizar o uso do dinheiro público.
Que elas trabalhem muito e façam o papel que os organizadores não terão coragem de fazer.
Que essas ONGs escancarem os números, as licitações públicas e quem estará por trás de cada empresa vencedora -isso quando houver a tal licitação. Que o TCU e o Ministério Público não se apequenem e cumpram o seu papel constitucional.
População carioca, assim que a festança acabar, cobre, fique de olho. Não se deixe enganar. Quero ver a patota olímpica fazer em sete anos o que já deveria ter sido feito há mais de 20.
Ainda assim, acho que os atuais administradores do esporte olímpico devem sair. A renovação, salutar em quaisquer circunstâncias, deve ser feita com muito mais razão, até para dar maior transparência ao que ocorrerá à partir de agora. Se permanecerem os mesmos, o final da história já se sabe. Basta ver o Pan e multiplicar por mil o tamanho do escândalo.
Que venha a lei que limita as reeleições indefinidas, já valendo para os atuais mandatários. Já que o COI cometeu essa ignomínia, que se ponha gente do bem para administrá-la.
Nada do que foi escrito e falado sobre a candidatura por quem a ela se opôs é inútil. Tudo, agora com muito mais razão, deverá ser aplicado e observado. A doutrina olímpica da honestidade vai sempre prevalecer.
Venceram, pela coragem do que disseram, tantos e tantos nomes da imprensa, do esporte e da sociedade civil criticando essa manobra olímpica. Que todos continuem seu belo trabalho de fiscalização, agora redobrado.
As obras olímpicas serão muito mais caras, haverá denúncias, escândalos, atrasos nas construções e, acima de tudo, não vão entregar o que prometeram.
Aqueles que gravitam no entorno do movimento olímpico brasileiro vão ficar ouriçados. Viva a agência de turismo! Bravo para a corretora de seguros! Estupendo para a empresa que comercializa os ingressos! E a empresa de marketing esportivo, que vibre muito! As construtoras vão dividir a fatia do bolo? Vai ter construtora falida reerguendo-se à custa desse projeto megalômano? Haverá licitações públicas? Os fornecedores de serviços terão que contratar “consultorias” de terceiros estranhos ao negócio?
Disseram aos brasileiros e aos cariocas que os Jogos Olímpicos seriam a solução dos seus problemas. “Olimpiator Tabajara”, seus problemas acabaram. O Nuzman agora vai virar o “Seu Creysson”.


ALBERTO MURRAY NETO , 43, advogado, é árbitro da Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha.

Estamos encerrando o semestre e o Ministério do Esporte ainda não definiu o pagamento do Bolsa Atleta deste exercício. Pior ainda que não pagar e não dizer nada e manter os atletas em compasso de dúvida. E essa expectativa que se cria nos atletas é desesperadora. A Bolsa Atleta deveria ser paga no início do ano, para fazer sentido na preparação dos atletas.

Bolsa Atleta está muito longe de ser uma política de Estado para o desenvolvimento do esporte, em todos os seus níveis. Bolsa Atleta não massifica, nem democratiza a prática do esporte. Não tornará o país uma potência esportiva.

Mas o Bolsa Atleta serve para ajudar pontualmente atletas que, por seus esforços e pelos resultados atingidos no ano anterior, contam com esse valor para participar de uma competição internacional, renovar seu material de treinamento, ou seja, fazer algo que, sem esse pagamento, não poderia. Quando o atleta adquire, por méritos, nos campos de esporte, o direito ao Bolsa Atleta, conta com essa quantia no seu orçamento no ano seguinte, para fazer a sua programação. Há de se ter claro que a enorme maioria dos atletas das seleções de base das modalidades olímpicas tem pouquíssima, ou nenhuma ajuda. E que, como me referi acima, o Bolsa Atlea os ajuda pontualmente. A falta desse pagamento atrapalha o planejamento dos atletas. Entendo que a economia está em frangalhos, que o Brasil vai mal e que não há dinheiro disponível. Mas será mais honesto e transparente por parte do Ministério do Esporte, se for esse o caso, expor de maneira clara que não haverá pagamento do Bolsa Atleta. O que não é correto é “embarrigar” a questão e manter os atletas em constante estado de apreensão.

O nadador olímpico e ex-Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, Luiz Lima, deu excelente entrevista à Rafael Valesi, da Veja, que Você pode ler aqui http://veja.abril.com.br/complemento/entrevista/luiz-lima.html

Luiz Lima foi mais um excelente quadro que passou por essa Secretaria, que já abrigou nomes com a excelência de Lars Grael e Paula. Todos nomes de primeira grandeza do esporte nacional, que fizeram boas gestões. Ocorre que, ao final, por sobre eles acaba prevalecendo a “política viciada”, tão bem detalhada por Luiz Lima em sua entrevista.

As Pastas ministeriais não deveriam ser objeto de barganhas políticas. Pode talvez ser utópico, mas cada qual deveria ser entregue a técnicos conhecedores das matérias que estivessem sob suas jurisdições. Não é isso que vê. É fácil identificar políticos profissionais que parecem experts em tudo, geniais, que ora estão no Esporte, depois passam pela Casa Civil, de lá para a Defesa, esquentam a cadeira da Ciência e Tecnologia e assim por diante. Ao mesmo tempo em que querem fazer crer que entendem de tudo, a realizada é que não são especialistas em nada. São políticos, apenas, que se alimentam desses cargos que, malogradamente, ocupam. Tampouco adianta esses políticos ministros cercarem-se de competentes técnicos se estes não puderem agir livremente e por em prática as suas boas ideias. Os técnicos servem, na maioria das vezes, para servir de escudo aos ministros políticos. Os ministros políticos usam os nomes dos competentes técnicos para lhes dar um pouco de estofo. Mas os mantêm de mãos atadas,  sob estrita vigilância, para que não ousem sair do círculo vicioso da velha política. Percebam que bons quadros, de reconhecida boa reputação pública, raramente ficam por muito tempo em qualquer governo.

E esse foi, mais uma vez, o caso do competente Luiz Lima à frente da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento. Quis inovar, oxigenar, modificar as estruturas velhacas do esporte, sempre em prol dos atletas e o que lhe sobrou foram intimidações de cartolas sem escrúpulo, pressões negativas daqueles que há tantos anos se servem do esporte. Na hora em que precisou do apoio político do Ministro da Pasta para levar adiante as suas ideias, não o teve. Parabéns Luiz Lima. E que siga transformando a sociedade por meio de suas ações esportivas e educacionais que há tanto tempo pratica.

Hoje o Ministério do Esporte e a Prefeitura de São Paulo anunciaram a reforma da pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (“COTP”). Ótima notícia. O COTP é dos melhores centros esportivos que há no Brasil e merece ser sempre bem tratado, para que possa servir não apenas ao alto rendimento, mas à massificação da prática esportiva na cidade. Espera-se que com a reforma da pista São Paulo passe a ter mais uma boa opção para também receber competições internacionais.

O outro anúncio, também feito hoje é iguamente muito bom. Serão construídas seis novas quadras de basquete em parques públicos de São Paulo. Sempre defendi que a Prefeitura construísse quadras poliesportivas em pontos da Cidade e que elas ficassem abertas em horários alternativos, ou mesmo que funcionassem vinte e quatro horas ao dia. Na medida em que esses espaços públicos esportivos ficarem abertos até mais tarde, com boa iluminação, segurança, vestiários, com professores de educação física estimulados e remunerados, servirão como uma opção excelente para que pesssoas, famílias, tenham a prática da atividade física como opção atraente. Alguém que chegar em casa após o trabalho, poderá dirigir-se às quadras públicas de esporte para exercitar-se. Isso ocorrerá naturalmente se essa opção for dada à população e, ao mesmo tempo, haja nos bairros campanhas de incentivo para que as pessoas pratiquem esportes e utilizem esses espaços. Em vez de chegar do trabalho e sentar no sofá para assistir televisão, ou ir ao botequim da esquina, as pessoas poderiam ir às praças de esporte. A iniciativa é muito boa. Mas não pode parar por aí. Que se construam muitas quadras públicas de esporte em São Paulo. E que se incentive a população a utilizá-las. Isso também é uma forma se política pública de massificação e democratização do esporte.

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