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O tênis argentino sempre produziu bons atletas, que tiveram destaque no cenário mundial. A brilhante recente vitória na Copa Davis despertou no governo daquele país a vontade de massificar essa modalidade. Foi anunciado pelo Governo Federal que a prática do tênis passará a ser obrigatória nas escolas. Ou seja, todo aluno argentino terá no seu curriculum escolar o tênis como atividade obrigatória. Isso fará com que um número enorme de crianças tenham acesso a essa modalidade.

O mais importante dessa boa iniciativa é que tendo contato com o esporte, as crianças serão mais saudáveis, tomarão gosto pelo exercício físico e levarão vários benefícios ao longo de suas vidas. Mas, evidentemente, que com a massificação dessa modalidade, surgirão novos e bons valores que brilharão nas quadras do mundo. Da quantidade, a Argentina tirará a qualidade de bons tenistas.

A solução do esporte está nas escolas. Se o governo tiver vontade política de fomentar a prática massificada do esporte, será óbvio que se terá uma nação mais saudável, com cidadãos melhores e que talentos serão descobertos e burilados.

A cada dólar investido no esporte, economizam-se três na saúde, a longo prazo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde.

Esporte de base é uma questão de Estado, de saúde pública. E deve ser prioridade dos governos.

Apenas uma empresa privada participou da licitação para gerir o Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca. Ainda assim, a empresa, construtora SANERIO, não logrou êxito porque está em recuperação judicial e, de acordo com a comissão licitante, não entregou os documentos necessários que a habilitariam a participar do certame. Assim sendo, não há mais ninguém interessado em gerir o Parque Olímpico da Barra.

Ao gestor privado do Parque Olímpico caberá desmontar a Arena do Futuro e, no local, construir quatro escolas públicas municipais, além das outras exigências publicadas no edital. Se não houver gestor privado, é muito possível que aquele local fique subutilizado e que as promessas feitas pelos gestores olímpicos e pelos políticos locais, de que não se transformaria em um elefante branco, não sejam cumpridas.

Existe a possibilidade real de que, por falta de recursos (com o Rio quebrado), o belo Parque Olímpico venha a ser um local mau conservado e, em não muito tempo, nos faça lembrar das instalações olímpicas de Atenas 2.004 que, poucos anos após os Jogos, estavam destruídas, caindo aos pedaços, com mato alto. Hoje, Atenas usa parte daquelas instalações como campos de refugiados. Devemos lembrar que a Grécia enfrentou uma crise econômica muito severa.

Um dos grandes debates que antecederam os Jogos Olímpicos no Rio foi o seu legado. O Co-Rio 2.016 e a Prefeitura juravam que não teríamos elefantes brancos. Eu fui um daqueles que questionaram essa afirmação dos organizadores. O plano de utilização das instalações após os Jogos deveria ter sido tão firme como foi a organização da própria Olimpíada. E eu não via isso ocorrendo. Todos os projetos de legado das instalações olímpicas me pareciam frágeis.

Gastou-se com as instalações olímpicas muito dinheiro público. E com dinheiro do povo não se brinca. Não basta simplesmente dizer, agora, que o “projeto de legado não deu certo por causa das condições econômicas do país”.

Existem no Rio milhares de crianças que não têm qualquer acesso ao esporte. É inaceitável que, após despejarem tanto dinheiro público para construir praças de esporte, essa situação não mude. É necessário que o Estado, os dirigentes do esporte, façam, urgentemente, um plano de utilização do Parque Olímpico, para massificar a prática esportiva, colocando-o à disposição das escolas públicas do Rio e da população em geral.

O Basquete do Brasil.

novembro 23, 2016

O que aconteceu com as seleções brasileiras de basquete nos Jogos Olímpicos já era um prenúncio do estado de calamidade que se tornaria a Confederação Brasileira de Basquete (“CBB”). O time masculino era bom e tinha condições de ter feito melhor papel. O feminino, embora sem tantos talentos amadurecidos, também poderia ter se saído melhor. Mas por melhores que sejam nossos atletas, a desgraça administrativa que se encontrava a CBB os afetaria, como de fato verificou-se. Assim, o vexame do basquete brasileiro nos Jogos do Rio tem sua maior culpa fora das quadras.

Ocorre que a bancarrota da CBB não aconteceu do dia para noite. Muito já se falava e muito já se sabia do debacle daquela Confederação. O correto teria sido corrigir os rumos da modalidade muito antes, de tal forma a não deixar chegar a esse ponto. Chega a ser irônico que, logo após os Jogos Olímpicos em casa, esse esporte, quando deveria estar em plena ascensão, chega ao seu pior momento.

Antes dos Jogos Olímpicos não era interessante para os dirigentes expor publicamente as mazelas administrativas do desporto brasileiro. Por isso, todas as suas falhas, que não eram poucas, foram sendo camufladas, escamoteadas, como se no país Olímpico tudo corresse às mil maravilhas. O efeito foi péssimo. Não apenas o basquete, mas outras modalidades, estão em palpos de aranha.

A solução do basquete brasileiro, que por muitas décadas militou entre os maiores do mundo, existe, mas não será a curto prazo. É um caminho longo a percorrer. A suspenção imposta pela FIBA é vexatória, porém necessária.

No basquete brasileiro existem pessoas muito competentes, principalmente entre os antigos atletas. A solução, portanto, começa pela renovação completa das pessoas que ultimamente dirigiram a CBB. É necessário reunir um Conselho de Notáveis, com atletas, antigos atletas  e dirigentes competentes e bem intencionados, porque daí, certamente, sairão ideias boas para retomar os rumos desse esporte tão magnífico e que tantos louros já deu ao Brasil.

Alberto Murray Olímpico

Em resposta o papai Sérgio Cabral eu poderia escrever aquilo que, hoje, muita gente lhe atribui. “Um sambista aposentado que esqueceu o seu passado e que se acomodou como papai de político. E ainda pensa que é o tal.” O tal Cabral.

Mas eu me recuso a pensar assim. Já ví o papai Cabral ser severamente criticado, por passar a mão na cabeça do filho, quando este alia-se ao que há de pior na política nacional. Mas entendo perfeitamente a sua situação. Ser pai está acima da condição de cidadão brasileiro e, sobretudo, da capacidade de continuiar crítico das nossas mazelas sociais e esportivas, como sempre foi. Vai sempre lamber a cria. Isso, acho eu, vale para todos.

Nunca tinha ouvido falar do Cabral filho. Quando ouvi seu nome na política, dei-lhe um voto de confiança, justamente por causa do pai. Pensei que viesse por aí algo novo, para arejar a…

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Como político brasileiro é corrupto, demagogo e irresponsável, não se pode deixar nas mãos deles ter o bom senso de administrar níveis de gastos. Tem que ter uma regra, em tese, imutável. Daí a necessidade da PEC. A consequência do cenário da PEC é fazer dinheiro sobrar e começar a reduzir a dívida pública, que é imensa. Reduzir dívida, entretanto, não dá voto. Portanto, ninguém o faz. E o efeito negativo disso é incalculável, ano após ano. Além de diminuir a dívida em si, diminui o custo da dívida pública. O País começa a se comportar melhor fiscalmente. O Brasil paga, hoje, de juros, cerca de R$ 0.5 Trilhão ao ano. Ora, com a redução drástica da dívida pública, daria para fazer umas 50 copas e olimpídas por ano. (não que seja a favor disso. É apenas um exemplo prático e fácil de entender). Se abaixar a dívida e reduzir os juros a 9%, 10% ao ano, em cinco anos o Brasil economizará cerca de R$ 150/200 Bilhões todos os anos. Sabem quanto se gasta em saúde e educação no Brasil por ano? R$ 200 Bilhões, aproximadamente. Pondo os país nos eixos, tudo isso vai melhor com o tempo. O grande problema é que se deixar livre a gastança nas mãos dos políticos, qualquer um deles, o gasto público não vai parar de crescer nunca. Gastar significa voto na próxima eleição. Enquanto que pagar dívida é dar dinheiro para o sucessor gastar e se reeleger. Por isso, repito, a necessidade de se ter a meta fiscal, em tese imutável. A racionalidade dessa PEC é a mesma da lei de responsabilidade fiscal. Não deixar político ruim, demagogo e corrupto tomar decisão de seguir gastando. Põe um cabresto nele. O ponto principal dessa PEC é pagar a dívida pública, que se tornou insutentável, que quase quebrou o Brasil. A União Federal deve R$ 3.3 Trilhões, mais ou menos. Não se paga da noite para o dia. Esse ajuste leva tempo e é necessário. Se sobrar dinheiro, em dez anos fica mais fácil aprovar exceções para gastar (a PEC prevê isso). Essa medida é absolutamente necessária. Senão o País quebra de vez. e com quebradeiras quem, sempre, vai sofrer mais é o pobre. Quem tem mais dinheiro sempre dá um jeito de se virar, incluindo, mas não se limitando a ir embora daqui.

Algumas sugestões para a política de esporte do prefeito eleito João Doria, que estão em linha com manifestações anteriores que já fiz sobre o tema:

  • a prefeitura municipal deve implementar uma mentalidade esportiva nas escolas públicas, difundir entre alunos, pais e mestres a relevância da prática esportiva com elemento formador de caráter e moral. Isso ocorre promovendo palestras de pessoas ligadas ao esporte, professores, atletas, na rede de escolas públicas municipais, divulgando, também, os princípios do ideal olímpico. Olimpismo é uma filosofia de vida, que pode ser propagada entre todos. Educar por meio do esporte, segundo os pilares do ideal olímpico.
  • as principais ações da prefeitura nesse setor devem concentrar-se no Esporte para Todos, objetivando a massificação da prática atlética. O Estado não deve financiar o esporte de alto rendimento.  Deve assessora-lo, defende-lo, mas não é a prioridade. O esporte de alto rendimento é função da iniciativa privada. A prefeitura deve incentivar o esporte de base, a prática em larga escala, para que da quantidade, posteriormente, retire-se a qualidade.
  • inserir a educação física na grade escolar com a mesma relevância das demais disciplinas. Educação física é tão importante quanto português, matemática, história, ciências, geografia e outras. O professor de educação física não pode ser visto como “professor de segunda classe”. Valorizar o professor de educação física no sistema educacional da prefeitura.
  • certificar-se de que as escolas municipais possuem locais adequados para que boas aulas de educação física sejam ministradas. É importante criar nas crianças o gosto pela prática esportiva. Aulas de educação física dadas em espaços inadequados, não são aulas atraentes e podem gerar na criança desapreço pelo exercício físico.
  • a prefeitura deve firmar convênios com o Estado, com as Forças Armadas, com Universidades, com entidades privadas, como SESI, SESC, que possuem excelentes instalações esportivas, que podem estar à disposição de alunos da rede pública municipal de ensino e da população em geral. A prefeitura deve aumentar a oferta de bons locais para praticar esportes e incentivar a população a fazê-lo.  Dar ao povo o esporte como uma opção concreta de lazer, com bons espaços disponíveis perto do trabalho e de casa. Dar aos alunos a oportunidade de praticar esportes em horários extra aula, oferecendo a eles algum tipo de incentivo na grade escolar. Esses convênios possibilitarão isso, já que aumentarão os locais para praticar esportes.
  • ter vontade política de desenvolver o esporte no município. O esporte não pode ser um apêndice do governo.
  • colocar as praças esportivas do município em funcionamento em horários alternativos, com iluminação e segurança, como foi feito em Nova York.
  • não dissociar o esporte dos demais setores do governo. Esporte é educação, saúde e meio ambiente. Essas Secretarias devem ter ações integradas.
  • Tratar o esporte como questão de saúde pública.
  • manter o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa como um centro para o alto rendimento, mas adequar seus horários para que a população em geral também possa utiliza-lo para praticar esportes.
  • fazer parcerias com a iniciativa privada para melhoria e manutenção das praças públicas de esporte, para que  o povo possa melhor usa-las, com professores capacitados e segurança.

No ano passado fui convidado a estar em uma reunião da LIDE, grupo empresarial coordenado pelo João Doria, para tratar de assuntos ligados à governança corporativa na administração do esporte.  Gostei bastante. Havia muitos atletas, ex-atletas, gente do esporte, empresários, dirigentes, debatendo questões de transparência da administração do esporte brasileiro. Dali saiu uma cartilha que a iniciativa privada somente deverá patrocinar entidades desportivas se essas tiverem regras claras de governança corporativa. Foi uma boa iniciativa.

 

No link abaixo, mais uma brilhante matéria da Jornalista Gabriela Moreira, na ESPN Brasil, sobre relações entre a Federação Internacional de Vôlei, seu Presidente, Ary Graça Filho e seu genro, Bruno Beloch.

 

http://espn.uol.com.br/noticia/634356_com-nova-empresa-genro-de-ary-fatura-em-toda-a-america-com-entidades-que-recebem-verba-da-fivb

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