Home

José Trajano Quinhões.

abril 29, 2017

                   JOSÉ TRAJANO QUINHÕES

José Trajano é uma figura polêmica. Embora seja considerado autoritário por muitos que trabalharam sob seu comando (já ouvi, até, que ele discriminava mulheres na ESPN. E me reservo ao direito de não revelar as fontes), tem um bom faro jornalístico, mesmo sem nunca ter se formado no ofício.

Desde que as organizações Disney entenderam que não havia mais espaço para o conservadorismo de José Trajano em suas empresas de comunicação, ele esbraveja contra a multinacional que lhe deu a maior oportunidade de trabalho da vida, inclusive financeira. Ora, as empresas têm direito de contratar e demitir como desejarem. Se José Trajano envelheceu, se a excelente Disney achou por bem trocá-lo por profissionais mais jovens e dinâmicos, é opção da empresa e ninguém tem nada com isso. O máximo que podemos fazer é gostar, ou não, da decisão. Acho incorreto José Trajano esculhambar com as organizações Disney somente agora. Soa apenas como mera vendeta. Não soa verdadeiro.
José Trajano tornou-se das vozes mais conservadoras da crônica esportiva. Trajano é saudosista (o que é até compreensível em face da idade e das lembranças e reminiscências que ficaram num passado longínquo). Não é necessariamente ruim ser conservador. Isso não é uma crítica a José Trajano. É, apenas, uma constatação. Cada um é o que acha que deve ser, com liberdade soberana. Mas o conservadorismo do velho e bom José Trajano talvez já não encontre mais espaço nos meios de comunicação porque os jovens expectadores, ávidos por novidades, não tenham interesse no que ele tem a dizer, quando, abruptamente, interrompe um colega de bancada para dizer, rispidamente, que o bom era “a geral do velho velho Maraca”. Ou que legal era o “seo fulano de tal, massagista no ameriquinhinha nos anos 60”.
Enquanto jornalistas jovens e dinâmicos tratam de questões modernas, o antigo jornalista insiste em defender, sempre, idéias de meados do século passado, políticos que tiveram alguma relevância na década de 50 do século anterior, estruturas esportivas (“o velho Maraca”) que são inadmissíveis nos dias de hoje. Ora, o que é ruim no atual Maracanã não é a arquitetura do estádio. O que é deplorável no novo e bonito estádio foi a roubalheira desenfreada para fazê-lo. Sustentar em uma bancada que “a geral é que é boa porque no meu tempo de criança eu ía lá e era assim, era a minha segunda casa” é algo que soa respeitosamente patético e inútil para um público jovem que sequer sabe o que é “geral” em estádio de futebol. E que quando sabe,  ou vê imagens muito antigas da tal “geral”, fica indignado com o tratamento desumano que era dado aos torcedores. São comentários assim que fazem o jovem telespectador, consumidor voraz de notícias de futebol, mudar de canal e ir para o concorrente. Largar o velho em busca do novo. E foi assim que a boa ESPN Brasil perdeu ainda mais espaço para a Sportv e foi superada pela FOX Sports. Natural que a direção da empresa queira mudanças.
José Trajano tem o rigoroso direito de defender suas posições políticas. Isso é bom para o debate, por mais conservadoras que elas sejam. Trajano é politicamente muito conservador, resistente à mudanças. Mas José Trajano deve ter consciência que, querendo, ou não, sua figura era indissociável das organizações Disney e, ao sustentar idéias que para a esmagadora maioria dos brasileiros são antipáticas e atrasadas, ele prejudicava a imagem de seu empregador. Trajano pode – e deve – seguir falando. Mas é direito da Disney rescindir seu contrato. Simples assim, para ambas as partes. Órgãos de mídia não são casas de caridade.
No Canal Ultrajano o velho jornalista faz o que quer. Lá, hoje, acredito ser seu lugar. Está confortável nesse papel. Embora de audiência traço para a grande massa (apenas eu e mais uns irrelaventes 2.000 expectadores assistimos, em média), ele está à vontade para dizer o que bem entende, do jeito que desejar, aparecer no vídeo de bermudas, bebendo, despenteado, ou seja, ninguém tem nada com isso.
O que lamento em José Trajano é que ontem, dia de manifestações, ele incentivou e gracejou com a violência. Isso não se faz. José Trajano propagou o ódio e a intolerância ao aplaudir os fascistas que agrediram Marcelo Madureira trabalhando em frente à Alerj. Trajano incentivou que vândalos agressores fossem à casa de Michel Temer quebrar patrimônio público e intimidar pessoas. Se a patrulha marchasse em direção à casa do próprio José Trajano, ou de algum jornalista da velha guarda, teria sido um ato de barbaridade. Mas na casa de Michel Temer, Trajano aplaude. São coisas assim, feitas ao longo do tempo, que fizeram que José Trajano fosse perdendo eco, principalmente entre a massa de jovens que querem saber de esportes e estão conectados na televisão para isso. E televisão é, além de qualidade, transparência e dinamismo, audiência. Quando os consumidores começam a mudar de canal é porque tem algo errado.
José Trajano é pontualmente censor. Impediu-me, desde ontem, de seguir debatendo com ele em sua página de Facebook. Hoje só posso ver e compartilhar o que ele publica. Isso é próprio do caudilhismo dos anos 50 que ele aprecia e defende (não tiro dele o direito de ser assim). Sempre debati com o velho Trajano em alto nível. Tenho enorme respeito pelo seu passado. Vejo que entre tantos comentários na página do Canal Ultrajano, a maioria é de críticas, há gente que o chama de “velho babão”, “gagá”, “complacente com a corrupção dos amigos dele” e, até, injustamente, de “ladrão do povo”. Todas expressões vistas em sua Linha do Tempo. Eu nunca faltei com respeito. Nunca faltarei. Talvez eu incomode mais que aqueles que o xingam de “velho enganador” (outra expressão que está lá), porque minhas considerações têm conteúdo e são mais difíceis de contra argumentar. Mas, enfim, a censura é parte da intolerância e do ódio, tão em voga nos dias de hoje.
ALBERTO MURRAY NETO
Anúncios

Carlos Arthur Nuzman foi o primeiro candidato a ser eliminado nas eleições presidenciais da Organização Desportiva Panamericana (“ODEPA”). Entre os três pretendentes ao posto, Jose Joaquin Puello (República Domenicana), Neven Ilic (Chile) e Nuzman, o brasileiro foi o primeiro a sair fora da disputa. Na rodada final, Ilic venceu Puello por um voto. A fragorosa derrota de Nuzman é sintomática, da péssima imagem que o esporte brasileiro deixou ao mundo após os Jogos Olímpicos. As pessoas no exterior com as quais troco impressões são unãnimes em ressaltar que o Brasil regrediu esportivamente após o Rio 2.016, essencialmente por duas razões: (a) o legado esportivo, econômico e financeiro foram desastrosos. Não havia planejamento algum; e (b) inúmeros casos de corrupção envolvendo políticos ligados è organização dos Jogos Olímpicos e entidades esportivas relevantes, incusive, com prisões de dirigentes que sempre foram aliados importantes do Comitê Olímpico do Brasil.

Puello é uma pessoa que tem feito muito pelo esporte. É um dirigente respeitado. Mas, assim como Nuzman, representa um passado que, talvez, a nova geração queira modificar. Nuzman teve seu ápice ao realizar os Jogos Olímpicos do Rio. Feito isso, seu melhor caminho deveria ter sido a aposentadoria de cargos executivos, permanecendo, apenas, como membro honorário do COI, que o é desde que fez 70 anos. Ilic parece-me ser uma crença no novo. Integra uma nova geração de dirigentes e promete modernizar as estruturas da ODEPA.   Os organismos esportivos tendem a ser conservadores. Por isso a eleição na ODEPA tem um significado especial. No conceito da sucessão de mandatos na administração esportiva, é como se alguém “tivesse furado a fila”.

Nuzman, pessoalmente, nunca logrou êxito em suas eleições internacionais. Quis presidir da Federação Internacional de Vôlei e nem candidato conseguiu ser. Foi sempre derrotado por Ruben Acosta em suas pretensões. Perdeu duas eleições para o Comitê Executivo do Comitê Olímpico Internacional e nas outras oportunidades sequer conseguiu viabilizar seu nome como candidato. Agora foi derrotado para a ODEPA. No campo da política, Nuzman perdeu uma eleição para Deputado Estadual no Rio, em que foi candidato pela ARENA (partido que deu sustentação à ditadura). No COI, Nuzman sempre foi escolhido para comissões honoríficas, sem muito signficado prático. Há Comisões no COI que são criadas justamente para dar cargos e acomodar pessoas, nada além disso. Esse posto para o qual Nuzman foi indicado nesta semana, de membro da Comissão de Coordenação de Tokyo 2.020 também é praxe, honorífico e não dará a ele qualquer poder executivo. Os organizadores dos Jogos Olímpicos anteriores costumam ser indicados para integrar a Comissão de Coordenação dos Jogos subsequentes. Não há nada demais nisso.

A mensagem que sai da eleição da ODEPA é que há uma ruptura com lideranças antigas e que a imagem do esporte brasileiro não anda nada boa no exterior.

Convido a todos, mais uma vez, a visitar o website de Sylvio de Magalhães Padilha, no endereço http://www.sylviodemagalhaespadilha.com.br .

Mostra a história desse grande atleta e dirigente olímpico brasileiro e internacional, o livro de autoria do jornalista Caetano Carlos Paoilo, “Padilha, Quase Uma Lenda”, o filme dirigido por Marcelo Muller, “Padilha, Uma Vida Olímpica”, fotografias de sua trajetória e do acervo Olímpico.

Nos últimos dez anos nunca o Governo Federal investiu tanto no esporte olímpico. E nunca investiu tão mal. Eu sempre disse isso. E a prova está aí, hoje, palpável, inquestionável, lamentável, de tal forma que o esporte regrediu 20 anos. Se o Estado tivesse investido na construção da base esportiva 1/10 do que injetou, nesses anos todos, no alto rendimento e na preparação para os Jogos Olímpicos, estaríamos em condições muito melhores. As escolas públicas pelo Brasil afora seguem sem praças de esportes, sem aulas de educação física, com professores mal remunerados. O povo segue sem acesso à prática de esportes. As competições de base nas grande maioria dos esportes continuam sendo patéticas, sem gente, o que significa que não houve desenvolvimento de novas modalidades, que seguem sendo desconhecidas da esmagadora maioria dos brasileiros. Não se criou uma mentalidade olímpica. O Brasil não avançou um metro na questão olímpica. Pelo contrário, como afirmou recentemente o Pajé Olímpico, presidente do COB, “voltamos aos anos 90”. Portanto, imaginem se nesses dez anos que se passaram um pouquinho desses bilhões tivessem sido investidos na consecução de uma política de esportes de Estado para o esporte brasileiro, em vez desse devaneio que foram os Jogos Olímpicos Rio 2.016. Não é função do Estado, ainda mais em um país pobre, financiar o esporte de alto rendimento. O Estado pode assessorá-lo, auxiliá-lo, mas nunca financiá-lo. Esporte é questão de educação e saúde pública. Por isso que os esforços e recursos devem ser investidos majoritariamente, sempre, nos alicerces.

Suspeitas na CBV Confederação Brasileira de Vôlei. Matéria da Agência Sport Light, de Jornalismo Investigativo. Vejam no Link Abaixo:

http://agenciasportlight.com.br/index.php/2017/04/19/exclusivo-dinheiro-publico-ia-para-cbv-e-voltava-para-dirigentes/

Hoje reuniu-se em Brasília a Comissão de Esportes da Câmara Federal para debater a questão dos Desportos Aquáticos. Como não poderia deixar de ser, a conversa entre parlamentares e pessoas do esporte não se restringiu à CBDA e abrangeu todo sistema olímpico do Brasil, falido, mal administrado e nas mãos dos mesmos senhores feudais há muitos anos. O COB e a maioria das Confederações são capitanias hereditárias que necessitam de urgentes mudanças. O Deputado Arnaldo Jordy, do PPS/PA, sugeriu a instauração de uma CPI para investigar o esporte olímpico. Isso já deveria ter acontecido há muito tempo. Mas o poderoso lobby do olimpismo no nosso Parlamento tem impedido essa CPI. Em 2.008 estive no Senado Federal, acompanhado de grandes personalidades do esporte. Fizemos um amplo debate. Saímos de lá com assinaturas suficientes para instalação de uma `CPMI olímpica. Dias depois a iniciativa foi abafada pelo lobby olímpico, sob o pretexto fajuto de que isso atrapalharia a candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos de 2.016. Deu no que deu. Escândalos clamorosos, o esporte nacional regrediu pelo menos 20 anos e repleto de escândalos.

A CPI é muito necessária. Mas não é suficiente. É preciso uma política de Estado para o esporte nacional, que se inicie na base, percorrendo todas as etapas, até o alto rendimento. Uma política desapegada de partidos políticos que usam o Ministério do Esporte como caça níquel e trampolim político para outros cargos. Esperamos uma reforma ampla. E que seja feita com gente nova. Não adianta vir com os mesmos que estão aí, Nuzmans e sua turma, pois foram esses que nos levaram à situação de calamidade absoluta que o esporte vive hoje.  Esses cartolas antigos têm que pedir demissão. É necessário, ainda, que o Ministério Público Estadual e Federal criem forças tarefas especiais para investigar e combater as falcatruas no esporte.

Abaixo o vídeo de hoje do Alex Pussieldi, o Coach, na Câmara Federal. Na sequência desse vídeo estão vários outros, de atletas e pessoas do esporte que também estiveram hoje em Brasília D.F. pedindo mudanças no esporte.

 

As colaborações premiadas que estão sendo divulgadas pela imprensa, com autorização do Supremo Tribunal Federal, mostram que os corruptores compraram, além de políticos e diretores de estatais, frei, índios, sindicalistas, sequestradores e traficantes.

Será que o segmento do esporte, que nos últimos anos movimentou bilhões de dinheiro público, ficou fora disso?

Ainda que, por enquanto, os motivos das prisões na CBDA e das investigações em outras confederações desportivas não tenham vinculação com a colaboração premiada da empreiteira é conveniente que as autoridades atentem para esse segmento.

O esporte foi, na última década, uma relevante indústria no cenário econômico brasileiro.

%d blogueiros gostam disto: