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Estamos encerrando o semestre e o Ministério do Esporte ainda não definiu o pagamento do Bolsa Atleta deste exercício. Pior ainda que não pagar e não dizer nada e manter os atletas em compasso de dúvida. E essa expectativa que se cria nos atletas é desesperadora. A Bolsa Atleta deveria ser paga no início do ano, para fazer sentido na preparação dos atletas.

Bolsa Atleta está muito longe de ser uma política de Estado para o desenvolvimento do esporte, em todos os seus níveis. Bolsa Atleta não massifica, nem democratiza a prática do esporte. Não tornará o país uma potência esportiva.

Mas o Bolsa Atleta serve para ajudar pontualmente atletas que, por seus esforços e pelos resultados atingidos no ano anterior, contam com esse valor para participar de uma competição internacional, renovar seu material de treinamento, ou seja, fazer algo que, sem esse pagamento, não poderia. Quando o atleta adquire, por méritos, nos campos de esporte, o direito ao Bolsa Atleta, conta com essa quantia no seu orçamento no ano seguinte, para fazer a sua programação. Há de se ter claro que a enorme maioria dos atletas das seleções de base das modalidades olímpicas tem pouquíssima, ou nenhuma ajuda. E que, como me referi acima, o Bolsa Atlea os ajuda pontualmente. A falta desse pagamento atrapalha o planejamento dos atletas. Entendo que a economia está em frangalhos, que o Brasil vai mal e que não há dinheiro disponível. Mas será mais honesto e transparente por parte do Ministério do Esporte, se for esse o caso, expor de maneira clara que não haverá pagamento do Bolsa Atleta. O que não é correto é “embarrigar” a questão e manter os atletas em constante estado de apreensão.

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O nadador olímpico e ex-Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, Luiz Lima, deu excelente entrevista à Rafael Valesi, da Veja, que Você pode ler aqui http://veja.abril.com.br/complemento/entrevista/luiz-lima.html

Luiz Lima foi mais um excelente quadro que passou por essa Secretaria, que já abrigou nomes com a excelência de Lars Grael e Paula. Todos nomes de primeira grandeza do esporte nacional, que fizeram boas gestões. Ocorre que, ao final, por sobre eles acaba prevalecendo a “política viciada”, tão bem detalhada por Luiz Lima em sua entrevista.

As Pastas ministeriais não deveriam ser objeto de barganhas políticas. Pode talvez ser utópico, mas cada qual deveria ser entregue a técnicos conhecedores das matérias que estivessem sob suas jurisdições. Não é isso que vê. É fácil identificar políticos profissionais que parecem experts em tudo, geniais, que ora estão no Esporte, depois passam pela Casa Civil, de lá para a Defesa, esquentam a cadeira da Ciência e Tecnologia e assim por diante. Ao mesmo tempo em que querem fazer crer que entendem de tudo, a realizada é que não são especialistas em nada. São políticos, apenas, que se alimentam desses cargos que, malogradamente, ocupam. Tampouco adianta esses políticos ministros cercarem-se de competentes técnicos se estes não puderem agir livremente e por em prática as suas boas ideias. Os técnicos servem, na maioria das vezes, para servir de escudo aos ministros políticos. Os ministros políticos usam os nomes dos competentes técnicos para lhes dar um pouco de estofo. Mas os mantêm de mãos atadas,  sob estrita vigilância, para que não ousem sair do círculo vicioso da velha política. Percebam que bons quadros, de reconhecida boa reputação pública, raramente ficam por muito tempo em qualquer governo.

E esse foi, mais uma vez, o caso do competente Luiz Lima à frente da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento. Quis inovar, oxigenar, modificar as estruturas velhacas do esporte, sempre em prol dos atletas e o que lhe sobrou foram intimidações de cartolas sem escrúpulo, pressões negativas daqueles que há tantos anos se servem do esporte. Na hora em que precisou do apoio político do Ministro da Pasta para levar adiante as suas ideias, não o teve. Parabéns Luiz Lima. E que siga transformando a sociedade por meio de suas ações esportivas e educacionais que há tanto tempo pratica.

Hoje o Ministério do Esporte e a Prefeitura de São Paulo anunciaram a reforma da pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (“COTP”). Ótima notícia. O COTP é dos melhores centros esportivos que há no Brasil e merece ser sempre bem tratado, para que possa servir não apenas ao alto rendimento, mas à massificação da prática esportiva na cidade. Espera-se que com a reforma da pista São Paulo passe a ter mais uma boa opção para também receber competições internacionais.

O outro anúncio, também feito hoje é iguamente muito bom. Serão construídas seis novas quadras de basquete em parques públicos de São Paulo. Sempre defendi que a Prefeitura construísse quadras poliesportivas em pontos da Cidade e que elas ficassem abertas em horários alternativos, ou mesmo que funcionassem vinte e quatro horas ao dia. Na medida em que esses espaços públicos esportivos ficarem abertos até mais tarde, com boa iluminação, segurança, vestiários, com professores de educação física estimulados e remunerados, servirão como uma opção excelente para que pesssoas, famílias, tenham a prática da atividade física como opção atraente. Alguém que chegar em casa após o trabalho, poderá dirigir-se às quadras públicas de esporte para exercitar-se. Isso ocorrerá naturalmente se essa opção for dada à população e, ao mesmo tempo, haja nos bairros campanhas de incentivo para que as pessoas pratiquem esportes e utilizem esses espaços. Em vez de chegar do trabalho e sentar no sofá para assistir televisão, ou ir ao botequim da esquina, as pessoas poderiam ir às praças de esporte. A iniciativa é muito boa. Mas não pode parar por aí. Que se construam muitas quadras públicas de esporte em São Paulo. E que se incentive a população a utilizá-las. Isso também é uma forma se política pública de massificação e democratização do esporte.

José Trajano dos Reis Qunhões anuncia que amanhã, ao meio dia, entrevistará Lula da Silva. Ótima oportunidade para perguntar ao ex-presidente muita coisa que segue engasgada na garganta de gente boa que sonhou com a implantação de uma política de Estado para o esporte brasileiro e, ao contrário, foi obrigado a engolir Copa do Mundo de futebol e Jogos Olímpicos, bilhões de recursos públicos depejados em obras faraônicas e superfaturadas, que resultaram em um dos piores escândalos financeiros da história do Brasil. Não tivesse Lula da Silva dado azo às idéias megalômanas e deturpadas de Ricardo Teixeira e Carlos Nuzman, hoje, viveríamos uma situação esportiva muito melhor.  Há de se perguntar a Lula da Silva porque ele optou por dar às mãos a essa cartolagem, em vez de aliar-se àqueles que tinham ideias claras de massificar o esporte, democratizá-lo, torná-lo acessível aos mais pobres. Há de se perguntar porque Lula da Silva caminhou ao lado de políticos como Sérgio Cabral e tantos outros que utilizaram os eventos esportivos para negociatas escusas.  Lula da Silva elitizou o esporte, gastou muito dinheiro público em obras que estão envoltas em graves escândalos de corrupção e que nada de bom deixou para o povo. O governo Lula da Silva foi o que mais investiu no esporte e, ao mesmo tempo, o que mais errado investiu, quando fez a opção pelo alto rendimento e nada mais. Passada a Olimpíada, o esporte vive situação de penúria e muitos atletas enfrentam enormes dificuldades. Tudo aquilo que Lula da Silva e seus asseclas prometeram ao mundo do esporte nunca ocorreu. E que Lula da Silva não tenha o desplante de dizer que Bolsa Atleta é projeto para o Esporte Olímpico, porque definitivamente não o é. Bolsa Atleta ajuda, pontualmente, um atleta, ou outro. Mas está longe de ser programa estatal de desenvolvimento, massificação, democratização e planificação esportiva de base. Até porque o Bolsa Atleta atua na camada de cima.

Espero que a entrevista de José Trajano não seja, apenas, um rito de celebração laudatória, como muito se vê por aí. Que ele tenha coragem de perguntar o que deve.

Em anos recentes o Movimento Olímpico viveu três momentos cruciais:

1. O massacre sofrido pela delegação de Israel em Munique, em 1.972 alterou significativamente o que se pretendia com a realização dos Jogos Olímpicos. Viu-se que aquilo que deveria ser um evento de esporte e congraçamento, para unir os povos, estava na alça de mira do terrorismo internacional.  Até Munique a segurança, definitivamente, não era questão crucial nos Jogos Olímpicos. Os Jogos de Montreal, em 1.976 chamaram a atenção até dos mais experientes pelo forte esquema de segurança, coisa que nunca havia ocorrido antes. Quem viu Jogos Olímpicos até 1.972 teve oportunidade de assistir algo que nunca mais viria a ocorrer.

2. Os Jogos de Montreal deram enorme prejuízo, não obstante sua fantástica organização. A cidade passou décadas pagando as vultosas dívidas deixadas pelos Jogos Olímpicos. Os Jogos de 1.980 foram realizados em Moscou, sob a ditadura comunista da União Soviética, em que o Estado não poupou recursos para usar o certame esportivo para propagandear o regime. Nunca se soube ao certo quanto custaram os Jogos Olímpicos de Moscou. Mas dinheiro não faltou. Para os Jogos de 1.984 não havia cidades interessadas em sediá-los. O desastre financeiro de Montreal tinha chamado atenção para o risco econômico que representava organizar Jogos Olímpicos. Los Angeles surgiu como uma opção negociada pelo COI, sob o comando de Samaranch. Los Angeles impôs condições ao COI para aceitar realizar os Jogos. Foi o inicio do profissionalismo. O COI começava a se afastar do dogma do amadorismo. Os Jogos de Los Angeles, em 1.984, deram lucro para a Cidade. Foi um ponto crucial na história do Movimento Olímpico.

3. A decisão do COI de escolher, em uma tacada só, as cidades sedes para os Jogos de 2.020 e 2.024 é sintoma do esgotamento de um sistema. Acabou-se a era em que profusão de cidades lutavam entre si para angariar os votos dos membros do COI que lhe assegurariam o direito de sediar Jogos Olímpicos. Houve um momento em que o número de cidades interessadas em sediar os Jogos Olímpicos era tão grande, que o COI expandiu a forma de escolha. Em vez de irem todas as cidades para votação, passou a ter uma comissão avaliadora do COI que já eliminava as cidades menos tecnicamente capacitadas. Isso acabou, encolheu. O gigantismo dos Jogos Olímpicos, as exigências dos padrões das instalações esportivas, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e outras tornaram caríssimos os investimentos necessários para organizá-los. As populações das cidades manifestaram-se contra as candidaturas, que minguaram. Quando o COI escolhe Paris e Los Angeles, ao mesmo tempo, para sediar os Jogos de 2.024 e 2.028, faltando apenas definir quem vai primeiro é um reconhecimento expresso do fim de um modelo.

Bolsa Atleta em Perigo.

julho 8, 2017

Ontem o jornalista Demétrio Vechioli publicou em sua coluna Olhar Olímpico que o governo federal cortou mais R$ 21 milhões do orçamento do Ministério do Esporte. E, com isso, o programa Bolsa Atleta está em risco. É verdade que dinheiro não nasce em árvore e que há muitos anos a economia do país está destroçada. Cortes são necessários, por uma razão simples: não há dinheiro. E como esporte não é prioridade de governo, é dos segmentos que mais sofrem. De qualquer modo, a redução drástica do orçamento destinado ao esporte e o possível fim do Bolsa Atleta é mais uma evidência inquestionável da falácia que foi o discurso das autoridades no período pré olímpico. Os organizadores sustetavam que após o Rio 2.016 o Brasil estaria em um patamar esportivo muito superior. Acreditou nisso quem não é do esporte. Ao contrário, cerca de um ano após o fim dos Jogos Olímpicos em solo nacional, o esporte brasileiro retroagiu pelo menos 20 anos, atletas estão desempregados, instalações esportivas depauperadas, reduções de patrocínios, escândalos criminosos em Confederações e completa falta de projetos de massificação.

Pagamento de Bolsa Atleta está longe de ser plataforma de Estado para desenvolvimento e massificação desportiva, como questão de saúde pública e educação. Mas é fato que o pagamento do Bolsa Atleta, ajuda pontualmente desportistas que utilizam esses recursos para cobrir despesas de viagens e material de treinamento e competição. O eventual fim do Bolsa Atleta, aliado à falta de projetos do governo, vai prejudicar muitos desportistas. Quem é do esporte sabe disso.

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