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Foi anunciado que a prefeitura do Rio de Janeiro comprará 547 mil ingressos dos Jogo Olímpicos e Paraolímpicos, para doar a servidores municipais, alunos da rede pública municipal de ensino e pessoas portadoras de deficiências. A matéria está, hoje, no UOL e é assinada por Vinícius Konchinski.

Algumas questões devem ser observadas sobre esse tema:

A iniciativa da prefeitura do Rio é boa. Muito importante que o acesso aos Jogos Olímpicos sejam democratizados e que pessoas que não poderão comprar ingressos devido ao elevado custo, estejam presentes nessa grande festa que, em boa parte, eles estão pagando. Um dos mais importantes legados olímpicos é mensagem que o esporte pode deixar para a população do Rio e do Brasil. Isso é importante para criar a mentalidade olímpica e esportiva no Brasil.

Entretanto, nota-se que, com exceção dos jogos finais mais importantes, a maioria das competições, pelo menos até o momento, não tiveram ingressos vendidos como era esperado. O Comitê Olímpico Internacional (“COI”) não gosta que imagens de televisão mostrem muitas cadeiras vazias nas competições olímpicas. E faz a recomendação de que, se ingressos encalharem, os organizadores locais deem um jeito no assunto. Lembrem-se de quem em Londres, essa questão foi abordada pelo COI, pelos organizadores e pela imprensa especializada. Assim, inclino-me a crer que, embora boa, a iniciativa da prefeitura do Rio não é de moto próprio. Tivessem os ingressos sido vendidos a contento, não me parece que teriam feito essas doações. De qualquer modo, muito bom que pessoas terão acesso a esse momento único que são os Jogos Olímpicos.

Outro ponto muito bem levantado pelo sempre coerente José Cruz, é o fato que o Poder Público deveria ganhar esses ingressos e não compra-los. Isto porque o Poder Público deu isenções fiscais bilionárias ao COI. Ainda citando José Cruz, um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, ainda não votado, constatou que a Cidade/Estado do Rio de Janeiro deixará de arrecadar R$ 38 bilhões em tributos, por conta dessas isenções para realizar os Jogos Olímpicos. São isenções concedidas entre 2.009 e 2.016. Por essas e outras é que o Estado, aos poucos, vai quebrando e deixando de pagar os salários dos aposentados, ou deixar de adquirir itens básicos para a saúde, habitação, educação, transporte e segurança, que afetam diretamente a vida do cidadão. Por isso, argumenta José Cruz, com sabedoria, que esses ingressos deveria ter sido doados ao Poder Público e esse item deveria ter feito parte e ter sido negociado na lei que concedei isenções ao COI.

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Nunca tinha ouvido falar de Leonardo Picciani até que a questão do impeachment tomou vulto. Acho que ele não era, de fato, um político de projeção nacional. Como articulador do impeachment achei que a postura do Deputado Picciani não foi correta. Foi dúbio desde o princípio. Ao mesmo tempo em que liberou a bancada do PMDB para votar  pelo impedimento, ele próprio votou contra. Ou seja, fez jogo duplo. Não gosto de quem atua assim, ainda que essa postura seja natural no mundo em que vivem os políticos.

Sobre esportes, pesquisei e não achei nada que o ligue a esse segmento. A não ser o fato de que uma empresa de sua família forneceu material para obras relacionas aos Jogos Rio 2.016.

Ou seja, mais uma vez, o Ministério do Esporte tem como chefe um político que não guarda nenhuma relação com o assunto. Isso não o impede, entretanto, de fazer alguma coisa boa, a começar pela escolha da sua equipe.

Se o novo Ministro quiser realmente fazer algo pelo esporte, deve, finalmente, focar seus esforços na elaboração de uma política de estado para o setor, visando a sua massificação e democratização, levando-o para as escolas públicas.

Ministério do Esporte não deve servir para ser mero órgão repassador de dinheiro e nem organizador de grandes eventos.

Esporte é questão de educação e saúde pública, antes de qualquer coisa.

Como este governo, ao menos até o momento, é interino, dependerá de boas ações para ficar. O novo Ministro não tem muito tempo para apresentar ao Brasil seu plano de ação.

Minha Relação Com João Havelange.

março 19, 2012

Lí agora na internet que João Havelange está internado em estado grave, fruto de uma infecção generalizada. Quando eu era ainda muito garoto, Havelange ainda não tinha netos, ele vinha a São Paulo, passava em minha casa, levava-me para passear e só me devolvia à noite. Havelange, João, ou o “Princês”, como minha avó Yvonne o chamava, sempre teve conosco relação familiar muito próxima. Ele e meu avô conheceram-se nos campos do esporte do Fluminense, na década de trinta. Quando meu avó foi à sua primeira olimpíada como atleta, em 1.932, defendia o escudo do tricolor carioca. Mais ou menos na mesma época em que meu avô, militar, foi transferido para o 4 Batalhão de Caças da Infantaria, no bairro de Santana, em São Paulo, Havelange
também muda-se para a capital paulista, para trabalhar como advogado trabalhista da Viação Cometa. Ambos passaram a defender o Clube Espéria, uma das potências esportivas da época, meu avô, o Capitão Padilha, no atletismo e Havelange na natação. Em 1.936 ambos integraram a delegação nacional que foi aos Jogos Olímpicos de 1.936, na tenebrosa Alemanha nazista. Meu avô era o então recordista sulamericano dos 110 e 400 metros sobre barreiras e, em Berlin,
tornava-se o primeiro atleta do continente a atingir uma final olímpica nessa modalidade. Havelange era o campeão brasileiro dos 1.500 metros nado livre. As carreiras como dirigentes também seguiram caminhos próximos, embora cada qual tivesse métodos absolutamente opostos de administrar certas coisas. Meu avô, em 1.939, é nomeado diretor do Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo e, ao mesmo tempo em que ainda era atleta de destaque mundial, empenhou suas atividades em programas de massificação do esporte. Na mesma época Havelange assumia a diretoria de natação do Espéria e, em seguida, a presidência da Federação Paulista de Natação. O tempo passou. Havelange tornou-se presidente da CBD. Meu avô assume a presidência do COB, também mais ou menos na mesma época. Ambos
chegaram ao COI com apenas um ano de diferença. Meu avô é eleito vice – presidente do COI, enquanto Havelange é eleito presidente da FIFA.
Como já ressaltei, havia entre os dois divergências profundas na forma de administrar as coisas do esporte. Um olimpistas puro, amador, meu avô nunca admitiu que do esporte se tirasse qualquer proveito financeiro. Mesmo tendo ocupado os cargos mais importantes da estrutura do esporte mundial, meu avô, Major Padilha, morreu em 2.002 recebendo seus proventos de militar reformado do exército brasileiro e aposentadoria como professor aposentado de educação física do Estado de
São Paulo. Sua preocupação era com o esporte educação. Havelange, por sua vez, transformou a FIFA em um das maiores multinacionais do planeta, cujo PIB era equiparado ao de muitos países. Em 1.970 Havelange insistiu muito que meu avô fosse ao México chefiando a equipe que viria a ser tri campeã mundial. Assim como inúmeras vezes Havelange convidou meu avô a integrar o Comitê Executivo da FIFA. O Major Padilha, sempre com educação, recusou tudo isso. Por razões de foro íntimo preferia não se envolver nas coisas do futebol. Mantinha – se ligado, exclusivamente, aos chamados “esportes amadores”, ou “olímpicos”. Não obstante as diferenças que pautavam a forma de administrar o esporte, meu avô e Havelange nunca deixaram de ser amigos. Havelange tem uma qualidade importante, que é ser leal às suas amizades, desinteressadas, mesmo com aqueles que porventura discordem dele em muita coisa. Quando meu avô, em uma reunião da Comissão de Elegibilidade COI teve um acidente vascular cerebral, Havelange imediatamente cancelou toda a sua agenda internacional e dirigiu-se ao Hospital Universitário de Lausanne, para vê-lo e emprestar sua amizade. Essa relação próxima, respeitadas as diferenças ideológicas, fez com que eu também tenha convivido de maneira próxima com Havelange e sua sempre amável mulher, Anna Maria. O casal é meu padrinho de casamento. Convidei-os para meus padrinhos pela amizade que sempre nos dispensaram. E não porque tive quaisquer outros interesses, até porque, além de realmente não tê-los, minha condição pessoal e profissional prescidem desse tipo de artifício. Nunca escondi dele, nas incontáveis vezes em que conversamos sobre esporte, o que acho, o que penso e como entendo que o esporte deva ser. Mesmo em minhas críticas mais ásperas, Havelange deixou de ser cordial comigo. Não me afasto um milímetro sequer de minhas posições claras sobre as coisas do esporte. Da mesma maneira como prezo bastante a amizade que João e Anna Maria Havelange sempre nos dispensaram.

A CHAMA GUARDIÃ DA PAZ

Lauret Godoy*

Na Grécia Antiga ardia em cada casa uma chama perene em honra à deusa Héstia, que foi cortejada por Hélios e Poseidon, mas recusou-os e fez votos de castidade. Por isso recebeu de Zeus a honra de ser adorada em todos os lares, incluída em todos os sacrifícios e era encarada como a divindade do fogo, tomando-se este em seu aspecto benéfico, ou seja, a chama da lareira – “héstia” em grego.

A deusa era cultuada como a guardiã da paz, protetora da família, da moradia estável, das cidades e colônias. “Héstia”, num sentido mais abrangente, fixa e imutável, simbolizava a perenidade da civilização que prosseguia através dos tempos, apesar das lutas e migrações.

Repetindo a tradição que teve início em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, neste ano foi acesa na Grécia a chama sagrada que deverá brilhar durante o transcorrer dos XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna. Conduzida em revezamento, hoje – 3 de maio –, ela chegou ao Brasil, percorrerá diversas cidades e deverá ficar acesa no Rio de Janeiro, até o encerramento da Olimpíada 2016.

Que, a exemplo do que ocorria na Antiguidade Clássica, a chama sagrada cumpra o papel que lhe era atribuído na Grécia Antiga e seja, efetivamente, guardiã da paz na cidade-sede e em nosso país.

Lauret Godoy é escritora, autora do livro

OS OLÍMPICOS, Deuses e Jogos Gregos – Editora MECA.

                       São Paulo, 3 de maio

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