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Esporte E Política.

fevereiro 27, 2011

Reza a Carta Olímpica que o esporte deve estar desvinculado da política. Muito bem. É importante, porém, interpretar o que signfica esse princípio no mundo de hoje.

Dizer que esporte e política não se imiscuem não quer dizer que o Comitê internacional Olímpico, Federações Internacionais e Comitês Olímpicos Nacionais devam tolerar regimes autoritários, que desrespeitam os direitos humanos.

As entidades que promovem o desporto e os atletas deveriam ser exemplos, referências para a sociedade. Se uma das atribuições do esporte é possibilitar a paz entre os povos, deveria sê-ló, também, repudiar regimes autoritários. A influência que o esporte exerce sobre as pessoas é enorme. Se as entidades representativas do esporte mundial também cuidassem de colocar o peso de sua influência a serviço da democracia, seria excelente.

Mas não é incomum vermos dirigentes e atletas de braços dados com tiranos, seja homenageando-os por um motivo torpe qualquer, seja levando seus selecionados para disputar amistosos em Países autoritários, o que acaba servindo de propaganda para um regime duro.

Não deixar que a política interfira no esporte é, por exemplo, rechaçar pressões dos governantes para que um Comitê Olímpico Nacional boicote Jogos Olímpicos. Os Comitês Olímpicos de cada País não podem deixar que governos os utilizem como braço político. Mas nem por isso os Comitês Olímpicos devem bajular todo e qualquer governo.

Não concordo quando a FIFA promove algum torneio em nação de regime autoritário. Discordo quando a CBF marca um amistoso em Países que vilipendiam os direitos humanos e cujo jogo passa a ser cortina de fumaça para que o ditador do momento encubra a falta de democracia e as carências do povo.

O Comitê Internacional Olímpico, as Federações Internacionais e os Comitês Olímpicos Nacionais deveriam utilizar a força do esporte para denunciar regimes que torturam pessoas, onde há censura. Deveriam fazer parte do seleto grupo de entidades internacionais que lutam incansavelmente pelos direitos dos cidadãos.

Há De Se Combater O Doping.

fevereiro 26, 2011

Não concordo com o depoimento dado pelo advogado de Marília à ESPN Brasil, no programa Histórias do Esporte, com relação ao doping. Claro que há hipocrisia no esporte. Mas não é sob o argumento de “que todo mundo usa, então libere-se”, que podemos admitir a prescrição das substâncias dopantes. Não é verdade que os médicos fisiologistas prescrevem essas substâncias “para o bem dos atletas”. As cifras que envolvem o esporte são muito altas. Quando um atleta, com a conivência de sua equipe multidisciplinar, utiliza- se do doping, o faz para ganhar mais dinheiro. Nada além disso. Hoje, o tráfico internacional de doping é tão maléfico quanto o de outras drogas. É caso de polícia.

Também não acho que o doping com acompanhamento médico eleva a performance da competição, proporcionando um espetáculo melhor, mais bonito.

O doping deve ser combatido, utilizando-se de todos os aparatos possíveis. O esporte dever ser, sim, sinônimo de saúde. O combate ao doping dever ser efetivo e punir todos aqueles que fazem parte da cadeia de interesses. Na grande maioria das vezes, não é somente o atleta usuário que deve receber as sanções. Até o doping chegar a ele, há uma seqüência de gente que, com interesses financeiros, torna o tráfico internacional do doping possível.

Em vez de liberar o doping, que definitivamente não faz bem à saúde e visa exclusivamente dinheiro, há de se intensificar, sem hipocrisias, o combate a ele.

O sumário do programa inédito Histórias do Esporte, na ESPN Brasil. Extraído do sítio da internet. Não percam!

“Os bisbilhoteiros repórteres Roberto Salim e Marcelo Gomes mostrarão os desvios de dinheiro público em benefício do PC do B, partido do Ministro do Esporte, o olímpico Orlando Silva Jr; a teimosia do milionário presidente da confederação de atletismo, Roberto Gesta Melo, no trono há somente 23 anos; e um pedido para a liberação do doping.”

Hugo Chávez, o ditador da Venezuela, utiliza os instrumentos da democracia para perpetrar a sua própria tirania. Chávez ignora os poderes constituídos da república toda vez que as leis o impedem de fazer aquilo que quer. Passa por cima do Congresso e do Judiciário e governa na base dos plebiscitos. Diz ele que o contacto direto com o povo lhe dá legitimidade para executar suas estrepolias. Se o povo diz sim em um plebiscito, que se danem os demais poderes da república, pensa Chávez. Isso chama-se democracia direta. E é muito comum em países de ditaduras populistas. É um desrespeito flagrante à Constituição. Ora, se o Congresso eleito pelo voto popular diz não ao executivo, isso deve ser respeitado. No momento em que o chefe do executivo ignora o papel constitucional do Congresso, dá de ombros para os representantes do povo e governa por plebiscitos, os mais elementares princípios da democracia são ofendidos. Geralmente os chefes de estado recorrem a esse artifício quando conseguem, maleficamente, aproveitando-se da miséria alheia manipular o pensamento e as atitudes de uma gente que se lhe torna servil. O chefe de estado passa a ter a sua própria clientela. Em países desenvolvidos e democraticamente estáveis, cada esfera de poder é respeitada de acordo com as suas atribuições constitucionais.

Guardadas as devidas proporções, o que tem ocorrido na Confederação Brasileira de Atletismo é essa famigerada tal de democracia direta. Utilizando-se de mecanismos da democracia, construiu-se um sistema polticamente forte, de um homem só, que muda o estatuto quando e como quiser. E que tem a seu serviço uma clientela débil de projetos e que depende de seu talão de cheque para sobreviver. Isso é muito ruim para a democracia. É péssimo para o desenvolvimento sustentado dos Atletas e do esporte de uma maneira geral.

A nota divulgada pela assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) diz que a assembléia geral da entidade aprovou, hoje, alteração estatutária que estabelece o limite de uma reeleição para o presidente e vice, assim como o voto por escrutínio secreto.

As pessoas evoluem. Darwin constatou isso há muito tempo. As mudanças acima são positivas. Talvez fruto da evolução natural da espécie?

A mesma assembléia geral aprovou, entretanto, a antecipação das eleições para fevereiro de 2.012 e posse para fevereiro do ano seguinte. Que bobagem é essa? Segundo Gesta de Melo, um ano é prazo suficiente para uma transição tranqüila. Haja tempo. Talvez fruto da involução da espécie?

Gesta de Melo está há 24 anos no poder. Durante seu longo mandato, tem recebido polpudas quantias de dinheiro público, da Caixa Econômica Federal e dos repasses da Lei Piva. Porém, o que o atletismo evoluiu nessas mais de duas décadas foi quase nada se comparado com o montante de dinheiro que abarrotou os cofre da CBAt. Gesta de Melo fez péssima administração. Uma única medalha de ouro. Nada muito diferente da época em que o atletismo não tinha recursos.

Curioso que, justamente ao apagar das luzes, Gesta de Melo faz aprovar aquilo que sempre repudiou durante seu reinado, voto secreto e limite de reeleições. Que fique bem claro que Gesta de Melo não fez isso porque é bonzinho, ou porque tomou alguma pílula de democracia.

A verdade é que Gesta de Melo sabe que, apesar de muito dinheiro disponível, a participação do Brasil em Londres 2.012 será, mais uma vez, sofrível. E que ele será, de novo, severamente criticado. Ao acenar com essas medidas democráticas, Gesta de Melo tenta, de alguma forma, amainar as críticas que terá que enfrentar após os Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem. Gesta de Melo quer desviar, um pouco, as atenções dos seus 24 anos de má administração.

Sobre a antecipação da eleição, um absoluto casuísmo e contra senso. Os estatutos dessas entidades que recebem dinheiro público não são a casa da mãe Joana. Não podem ficar a mercê das manobras de bastidores da cartolagem. A antecipação da eleição e a posse somente após um ano, é o que Gesta de Melo precisa para apontar seu sucessor.

Sobre o limite de reeleições, tomara que isso não seja uma manobra para deixar a porta aberta para que Gesta de Melo volte ao poder.

Nenhum ditador sai do poder porque é bonzinho. Sai porque a situação fica insustentável para eles. Fracasso atrás de fracasso e em algum momento o povo rebela-se.

Autoridade olímpica terá poderes reduzidos

Caio Junqueira e Paulo de Tarso Lyra | Valor

23/02/2011 7:46Text Resize

 BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff cedeu aos apelos do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), e do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e diminuiu os poderes da Autoridade Pública Olímpica (APO) e da empresa pública Brasil 2016, órgãos que vão trabalhar na organização da Olimpíada de 2016.

O novo texto negociado com o relator, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que chegaria ao Congresso ainda ontem, vai retirar da APO e da empresa a possibilidade de “contratar, manter ou executar obras e serviços referentes à carteira de projetos olímpicos”, conforme descrito no texto original da medida provisória 503. Na prática, Dilma reduziu os poderes do provável ocupante da APO, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do principal aspirante ao comando da Brasil 2016: o ministro dos Esportes, Orlando Silva, do PCdoB.

Com a mudança, a APO e a Brasil 2016 serão responsáveis apenas pelas articulações entre a União, os Estados e os municípios e pelo repasse de recursos da União aos entes federativos, mediante assinatura de convênios. Outra alteração se refere ao tamanho da APO. Antes, sua estrutura contava com 484 cargos, com salários entre R$ 5 mil e R$ 22 mil. No novo desenho, os cargos são reduzidos para 171.

 “A essência do projeto é o enxugamento da estrutura”, disse ontem o relator da medida provisória, após se reunir com os ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Orlando Silva.

 O deputado Daniel Almeida informou que o novo texto trará mudança, também, no Conselho de Governança da APO. Originalmente seriam cinco representantes da União, dois dos Estados e dois dos municípios, além de um do comitê olímpico, um da sociedade civil e um da APO. Agora serão três da União, um do Estado e um do município, sendo que os outros postos serão mantidos.

Assim, Meirelles – que é o nome indicado pelo governo para a APO – passa a responder a um conselho formado por representantes do governo federal, do governo do Rio e da prefeitura do Rio. A Autoridade Olímpica perdeu a capacidade de licitar e de executar as obras, funções que caberão aos governo federal e estadual e a prefeitura do Rio.

 As mudanças na Medida Provisória 503 foram acertadas na tarde de ontem entre Palocci, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, Orlando Silva e o relator da MP na Câmara, deputado Daniel Almeida.

A aprovação da MP na Câmara, porém, pode ser facilitada com essas mudanças. Ontem a oposição ameaçou obstruir as votações no plenário alegando haver um comportamento contraditório do governo em relação à APO. “O governo em uma semana faz cortes no Orçamento e não quer dar um reajuste maior para o salário mínimo, na outra quer criar cargos e uma autarquia inchada”, reagiu o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O líder do DEM, ACM Neto (BA), disse que o partido aguardaria a chegada do novo texto para ver se ele está mais enxuto.

Meirelles não quis comentar as alterações. Disse apenas que vai examiná-las.

 

Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt)

Manaus, quarta-feira 23 de fevereiro de 2011.

Uma reeleição

Assembleia também aprova voto secreto

 Assembleia da CBAt aprova limitação de mandatos a uma reeleição

Votação acontecerá sempre por voto secreto

 MANAUS – A Assembleia Geral da Confederação Brasileira de Atletismo, reunida nesta quarta-feira 23, em Manaus, aprovou mudanças estatutárias por proposta da Presidência da Entidade.

 Foi aprovado que Presidente e Vice-Presidente poderão ser reeleitos apenas uma vez. Também se decidiu que a eleição se dará por voto secreto e que as Assembleias Ordinárias anuais da CBAt acontecerá sempre na segunda sexta-feira de fevereiro.

Ainda foi aprovada a antecipação da eleição do próximo Presidente para a Assembleia Geral de 2012, com a posse na Assembleia de 2013 (sempre na segunda sexta-feira de fevereiro). A proposta teve o voto de 38 dos 41 presentes – 27 Federações, cinco clubes, oito medalhistas olímpicos, um representante dos treinadores e um dos árbitros (votaram contra os representantes do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Distrito Federal). “Essa decisão é importante para fazer uma boa transição”, disse Gesta.

“Este é mais um momento especial”, falou o Presidente Roberto Gesta de Melo. “É importante que nossa Assembleia conte com a essência do esporte, ou seja, os atletas que elevaram o nome do País, os medalhistas olímpicos. Assim, não temos apenas os 27 presidentes das Federações filiadas, mas os atletas, os clubes que mais pontuaram no Troféu Brasil, além de representantes dos treinadores e dos árbitros”, lembrou o Presidente.

“E tudo o que fazemos, obedece aos pontos estabelecidos pelo IV Fórum Atletismo do Brasil, que reuniu mais de 150 atletas, treinadores e dirigentes, em São Paulo”, concluiu o dirigente.

E nesta quinta-feira 24 os membros da Assembleia Geral terão encontro com secretários de esporte. Na ocasião, a Confederação apresentará o projeto MiniAtletismo, para crianças de 7 a 12 anos, uma forma de levar a prática esportiva à Escola.

Assessoria de Imprensa da CBAt – Benê Turco/João Pedro Nunes/Maiara Batista

Telefone: (11) 7151-9434

E-mail: bene@cbat.org.br

Site: www.cbat.org.br

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