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Mais surpreendente que as mazelas e estripulias que os cartolas da Confederação Brasileira de Basquete (“CBB”) fizeram com as finanças da entidade, é o silêncio da comunidade daquela modalidade e demais autoridades esportivas. O grande jornalista Lucio de Castro, que já desnudou a questão do vôlei, agora traz uma série de denúncias estarrecedoras sobre administração do basquete nacional. Não é a toa que, se dependesse da CBB nem mais basquete teríamos no Brasil. Não fosse a liga independente, formada pelos clubes, esse esporte estaria completamente aniquilado. Não que ele esteja bem. Mas a liga, NBB, ainda é algo que se sustenta. Tirando isso, na larga maioria dos Estados do País, o basquete inexiste, principalmente o feminino, jogado à sua própria sorte. Não há formação de base, não há campeonatos, não há nada. Mas dinheiro, como se vê, isso há. E os cartolas se refastelam com isso. Gastam com viagens e mordomias em família. Escandaloso.

Muito curioso o silêncio da comunidade esportiva. O Comitê Olímpico Brasileiro, que com base na Lei Piva repassa verba pública para a CBB, não diz nada. O Ministério do Esporte, também repassador de dinheiro governamental, fica calado. As Federações (muitas delas provavelmente beneficiárias da gastança desenfreada) não abrem o bico. Os clubes não se manifestam. Tampouco a Liga. o TCU e a CGU é bem provável que nem saibam o que é basquete e que a CBB se abastece de dinheiro público, do COB, do Ministério e das estatais. E, pior, os atletas, assistem a tudo isso passivamente. Na medida em que esses não se revoltam, não tomam providências, passam a ser cúmplices. Será que não há nenhuma pessoa corajosa no meio do basquete que levante a voz, com vigor, contra esses desmandos? Não é possível que todos se acovardem.

O basquete do Brasil é repleto de glórias, títulos mundiais, medalhas olímpicas, pan-americanas, sul-americanas e que no passado sempre esteve entre as quatro, ou cinco, maiores forças do mundo. Foi o basquete que mostrou ao mundo brasileiros ilustres como Amaury Pasos, Wlamir Marques e todos os demais de sua geração e das que vieram depois. Foi o basquete brasileiro que fez o primeiro dirigente do nosso País a ser presidente de uma Federação Internacional. Antônio dos Reis Carneiro foi presidente da Federação Internacional de Basquete (FIBA) de 1.960 a 1.968 e, respeitadíssimo mundialmente, entrou para o hall da fama da modalidade.

Quando poderíamos imaginar que o nosso basquete, de tantas glórias e ensinamentos, estaria entregue a essa gente de hoje, que não está preocupada com o esporte, mas com o glamour e as benesses pessoais.

Com tudo isso, o COB deveria agir, o governo federal deveria imediatamente suspender os repasses de quaisquer verbas públicas e os atletas deveriam fazer greve e recusar convocações para as seleções nacionais, enquanto essa patota não cair fora. Foi assim que firam os atletas do tênis quando, cheios da administração do Nelson Nástas, resolveram que ele tinha que pegar o cainho da roça. E ele pegou.

Que o Ministério do Esporte é inútil, todos já sabem. Que os Ministros que passam por lá não entendem nada de esporte, também. Em vez de ser um órgão fomentador de políticas de massificação da prática esportiva, serve apenas para repassar dinheiro.

Já sabia que era uma exigência do partido desse Ministro de Plantão, George Hilton, receber o Ministério do Esporte com “porteira fechada”, para poder, talvez, fazer e desfazer as traquinagens que lhe desse na telha. Desde que o George Hilton assumiu, temos visto, aos poucos, o aparelhamento do Ministério. Isso não é privilégio dele. Todos os Ministros anteriores entregaram cargos a apaniguados, entendessem, ou não, de esporte.

Também já sabia que agora, perto do final do ano, na medida em que os contratos com os terceirizados do Ministério fossem vencendo, os novos já seriam feitos com gente da relação do Partido. Também soube que alguns cargos importantes dentro do ministério já estão ocupados por correligionários políticos do George Hilton. Tudo isso é a prova de que esses Ministros que se sucedem nos cargos não possuem políticas de Estado para o Esporte, mas apenas planos partidários, cuja duração é o tempo de permanência deles no cargo.

Que o Ministério do Esporte sempre foi um joguete nas mãos dos políticos, portanto, já era notório. Mas, ainda assim, a demissão sumária do Ricardo Leyser me pegou de surpresa. Não imaginei que faltando poucos meses para os Jogos Olímpicos, iriam sacar do cargo alguém que está no Ministério desde 2.003 e à frente de muitos projetos intrinsicamente ligados à realização do evento. Gostem, ou não, do Ricardo Leyser, sacá-lo às portas dos Jogos Olímpicos pode ser uma temeridade. Certamente Hilton e sua turma não têm nenhuma condição, competência, de estar à frente de projetos importantes ligados à organização da Olimpíada.

Aguardemos o que mais vem por aí.

A Imagem de Um Esporte Limpo.

novembro 10, 2015

Curitiba - Bi Campeão Brasileiro de Florete

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