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Hoje o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (“STJD”) da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”) emitiu singela nota absolvendo a nadadora Etiene Medeiros do caso de doping, alegando não ter havido dolo, ou culpa da atleta. Agora a CBDA terá que notificar a Federação Internacional de Natação (“FINA”) dessa decisão que, por sua vez, poderá acatar a decisão, ou recorrer à Corte Arbitral do Esporte (“CAS”), na Suíça. O CAS é a entidade máxima da Justiça Desportiva.

A tendência da FINA, se considerarmos casos similares, é recorrer ao CAS. Se houver recurso ao CAS, a decisão final de um processo como esse leva, em média, um ano. Se isso acontecer, Etiene Medeiros estará fora dos Jogos Olímpicos. A única possibilidade seria o CAS predispor-se a realizar um julgamento relâmpago e haver um julgamento favorável à Etiene antes dos Jogos Olímpicos. Isso não é normal ocorrer. Mas há raras exceções, como no caso de Cesar Cielo, antes do mundial da China.

No mérito, embora não tenha conhecimento dos elementos que constam dos autos do processo, a jurisprudência majoritária do CAS é pela condenação da atleta. Há casos idênticos, inclusive de atletas brasileiros, que ingeriram medicamentos para asma e que foram condenados pelo CAS por não terem seguido as regras da WADA, quais sejam, comunicar com antecedência as autoridades antidopagem e solicitar autorização prévia para administração da droga. As regras antidoping são rígidas e o entendimento do CAS costuma ser diferente da nota emitida, hoje, pelo STJD da CBDA.

A regra geral é que o atleta é objetivamente responsável por tudo que entra em seu organismo. E deve ter todo cuidado para que, se for fazer uso de substância considerada dopante por razões de saúde,npedir prévia autorização às autoridades do setor.

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Matéria completa de Lúcio de Castro, no link abaixo

As conexões brasileiras do “Senhor dos Anéis”

 

 

No dia seguinte em que o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2.016, há sete anos, escrevi um artigo na Folha de São Paulo em que dizia que o “COI tinha feito uma grande hipocrisia” e que “Nuzman não era o Seo Creysson”, em alusão ao personagem do Casseta e Planeta, das Organizações Tabajara, cujo bordão era “Os seus problemas acabaram”. Por mais que eu achasse que a historinha que o comitê de candidatura do Rio havia vendido ao mundo fosse uma falácia, nunca poderia ter imaginado que, às portas dos Jogos Olímpicos, a situação do Brasil e do Rio de Janeiro fossem estar em situação calamitosa.

O Comitê Olímpico Internacional (“COI”) está arrependidíssimo de ter confiado os Jogos Olímpicos ao Rio de Janeiro. Nem mesmo Athenas, cuja preparação foi periclitante, criou tantos embaraços ao COI. Nesta semana a entidade máxima do Olimpismo já alertou que o Rio 2.016 estará longe da organização de Pequim 2.008 e Londres 2.012. Os jornais europeus est[á, diariamente, publicando artigos sobre as falhas da organização. 150 cientistas de alto renome entregaram à Organização Mundial da Saúde uma petição, muito bem fundamentada, explicitando porque os Jogos do Rio deveriam ser adiados, ou transferidos. Ontem, um pesquisador da história olímpica mostrou-se preocupado com a possível fragilidade das construções olímpicas do Rio, ressaltando que, entregue às pressas, não são seguras.

o Rio e o Brasil passam por um de seus piores momentos. O Brasil, nesses sete anos, viveu séria crise de corrupção, em que muitos políticos e empreiteiros foram presos. O país também mergulhou em um dos piores cenários econômicos de sua história, com recessão e volta da inflação. O Rio tem sido vítima de desmandos decorrentes da gestão temerária de um prefeito horroroso. Os cariocas dizem que o trânsito está caótico, a cidade está envolta em atos diários de violência, estupros, assaltos, tiroteios. A cidade está imunda As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Há indícios fortíssimos de crimes cometidos em obras para os Jogos Olímpicos, como a do tal Porto Maravilha. Atletas da Vela reclamam, há sete anos, das condições nefastas da Baía da Guanabara. No fim de semana passada, atletas da Vela que virão ao Brasil, mais uma vez, disseram-se muito descontentes com as condições das raias de Vela. Como se não bastasse, o Brasil está sofrendo com a epidemia de Zica que, naturalmente, coloca muito medo em atletas e turistas que pretendem – ou pretendiam – vir ao Brasil para os Jogos Olímpicos. As estatísticas mostram que o governo e o comitê organizador já vislumbram um número muito reduzido de turistas que virão assistir ao certame Olímpico. o Brasil não tem sido capaz de combater o mosquito do Zica vírus. E isso está afetando diretamente os Jogos Olímpicos. Uma das obras feitas para os Jogos Olímpicos não resistiu a uma onda mais forte e matou duas pessoas, gerando, com mais força, um clima de desconfiança à capacidade do Brasil e do Rio em fazer as coisas bem feitas. Nesses 7 anos, o estádio do Engenhão, aonde serão as provas de atletismo, ficou a maior parte do tempo fechado, com o perigo de o teto desabar.

Procurem na internet vídeos e declarações oficiais de sete anos atrás, em que Cabral, Paes, Nuzman e outros afirmavam, categoricamente, que quando chegássemos aos Jogos Olímpico, o Rio de Janeiro e o Brasil estariam muito melhores. Nada disso ocorreu. Pelo contrário, a situação é muito pior. Os Jogos Olímpicos colocaram o Brasil em evidência mundial, mas serviram para fazer uma terrível propaganda do país, uma vez que, mais do que nunca, as mazelas e incompetência dos políticos e cartolas foram claramente expostas. Mais uma vez, ficou claro para o mundo que o Brasil é o país da imprevidência, do tal jeitinho.

Acho que durante os Jogos, nos 15 dias de celebração esportiva, dentro desse péssimo cenário, o glamour das competições e a maquiagem de última hora farão que as mazelas sejam, na medida do possível, superadas pela festa. E quem estiver no Rio, espera-se vai se divertir. Mas os Jogos duram 15 dias. Na hora em que a chama Olímpica se apagar, os atletas e os poucos turistas que virão ao Rio irão embora e sobrará para os cariocas e para os brasileiros administrar toda essa lambança, dar algum destino aos “elefantes brancos”, pagar a conta.

Essa aventura Olímpica brasileira pode ter resolvido os problemas de alguns, mas certamente não os fez com relação ao Brasil e ao Rio.

Eu estava certo. O Nuzman não era mesmo o Se Creysson. Seus problemas não acabaram, com os Jogos Olímpicos Tabajara.

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