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Taça Correio da Manhã, em 1.929, no Rio de Janeiro, mostra o atleta do Fluminense, Cadete Sylvio de Magalhães Padilha, em seu início de carreira. Na época já era recordista brasileiro dos 100 metros rasos. Reparem na assistência da competição, lotada, com homens de terno, gravata e chapéu.

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Wlamir Marques e Sylvio de Magalhães Padilha - Olimpíada de Tokyo - 1.964

Wlamir Marques conta uma história interessante sobre esse fato. Diz o Mestre Wlamir que um dia antes do desfile foi com meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, ao ensaio das delegações, no estádio Olímpico. Wlamir notou que, no ensaio, ao passar em frente à tribuna em que estaria o Imperador do Japão, aqueles atletas que portavam as bandeiras de seus países as abaixavam, em sinal de respeito. Wlamir indagou ao meu avô: “Major, devo abaixar a bandeira brasileira também?”. A resposta veio direta: “Wlamir, a bandeira brasileira não se curva para ninguém.”. Wlamir diz que aquilo nunca lhe saiu da cabeça e que aquelas palavras foram o fio condutor da medalha Olímpica que o basquete brasileiro obteve naqueles Jogos.

Capa do Programa IIICampeonato Brasileiro deAtletismos

Sylvio de Magalhães Padilha

É certo que a maioria das Confederações desportivas que compõem a assembleia geral do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) querem ver o Nuzman e a turma dele pelas costas. E isso não é de hoje. Mas também é correto que, mesmo em face dos gravíssimos fatos apurados pela operação Unfair Play, uma tragédia anunciada, às Confederações falta coragem para agir. Pelo estatuto do COB, dez Confederações podem convocar uma assembleia geral. Essa assembleia geral seria essencial para que fossem discutidas alternativas para o massacrado olimpismo brasileiro.

Entendo que como a fonte do Ministério do Esporte secou, as Confederações dependem exclusivamente dos recursos públicos da lei Piva, cujos repasses são controlados pelo COB, de forma unilateral e autoritária. E as Confederações têm medo de possíveis retaliações que podem advir de qualquer movimento considerado subversivo pelo Pajé Olímpico.

Mas acima de qualquer coisa, está a ética no esporte. Eu sempre escrevi que essa gestão do COB era temerária e tinha um fim em si mesma. E é isso que está ocorrendo. Mesmo com a queda de Nuzman, o Movimento Olímpico do Brasil continuará. E as Confederações precisam agir. Muitas delas foram eleitas sob o manto da renovação. Então essa é a hora desses novos dirigentes mostrarem a que vieram. A falta de ação e manifestação das Confederações é constrangedora e dá a impressão que são cúmplices da esbórnia financeira da casa matriz. As Confederações vivem de dinheiro público e o esporte olímpico do Brasil deve satisfações à sociedade.

Faltam líderes e referências no esporte brasileiro. Não é possível que não haja ninguém que possa tomar a frente dessa discussão.

O cachorro está morto. Basta enterrá-lo. Daí talvez haverá líderes de ocasião. Soará falso.

 

 

 

https://ve.radiocut.fm/audiocut/detras-del-deporte-020917-entrevista-con-alberto-murray-abogado-ex-integrante-del-cob/

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Robert Helmick E O COI.

setembro 13, 2017

Robert Helmick era dos mais poderosos dirigentes do esporte olímpico mundial. Em meados dos anos 80 assumiu a presidência do Comitê Olímpico dos Estados Unidos e, pouco depois, foi cooptado membro do COI nos Estados Unidos. Tido como advogado brilhante, sua carreira no COI foi meteórica. Logo foi eleito membro da Comissão Executiva da entidade e, em seguida, Vice-Presidente. Era também um dos Vice-Presidentes da Organização Desportiva Panamericana. Bom articulador, sua maior ambição era suceder Samaranch. E trabalhava com afinco para esse objetivo. Tudo indicava que Robert Helmick seria um candidato natural e fortíssimo para suceder Samaranch. Ele trabalhava abertamente para isso.

Pois no apogeu de sua carreira como dirigente esportiva, quando realmente estava na crista da onda, Helmick foi acusado de utilizar seus cargos no esporte para a angariar serviços para o seu escritório de advocacia. Chegou a oferecer serviços jurídicos para empresas de televisão interessadas em adquirir do COI os direitos televisivos dos Jogos Olímpicos. Ou seja, fazia uma espécie de advocacia administrativa, utilizava de seu prestígio olímpico para captar clientes, em flagrante conflito de interesses.

Com essas acusações, Helmick foi levado ao Conselho de Ética do COI. Defendeu-se como pode. O Parecer do Conselho de Ética foi pela expulsão de Helmick da entidade, entendendo que ele havia ferido de morte os ideais e a ética olímpica.

No dia 03 de dezembro de 1.991, o Comitê Executivo do COI estava reunido em Lausanne, na Suíça, preparado para julgar o destino de um dos mais influentes dirigentes olímpicos daquele momento. Não houve julgamento. Naquela madrugada, Helmick foi até a suite de Samaranch e empurrou por debaixo da porta sua carta de renúncia. Ele sabia que seu destino estava selado. Com a renúncia de Robert Helmick, o COI houve por bem bani-lo do Movimento Olímpico, impedindo-o de participar, ou frequentar, qualquer atividade esportiva. Helmick sumiu do mapa. Mesmo seus amigos mais próximos no COI não tinham notícias dele. Escreviam e ele não respondia. Sua queda e desaparecimento foram muito mais rápidos que sua ascenção. O caso Helmick foi o primeiro grande e rumoroso processo de expulsão de um membro poderosíssimo do COI. E as acusações que contra ele pesaram foram de tráfico de influência e advocacia administrativa. Algo muito distante de compra de votos, pagamentos e recebimentos de propinas.

Robert Helmick morreu no completo ostracismo olímpico, aos 66 anos, vítima de um derrame cerebral, em 05 de abril de 2.003. O COI ignorou solenemente.

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