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A enorme maioria dos atletas não está satisfeita com a forma como é gerido o esporte no Brasil. Apesar de o esporte olímpico receber muito dinheiro público, quase nada chega a eles, que são a única razão de tudo isso existir. Os atletas gastam dinheiro que não têm para tentar manter-se na ribalta, na luta por condições melhores e resultados de nível elevado.

Basta olhar os números que facilmente verifica-se que mais de 50% do dinheiro público destinado às entidades diretivas do desporto nacional acabam ficando nas burocracias das próprias entidades, gastos administrativos e não vai ao técnico e ao atleta.

Como o esporte tende a ser um meio muito autoritário, em que a cartolagem faz de suas modalidades feudos de si próprios e de seus apaniguados, os atletas, com medo de perder o pouco que têm, sofrem em silêncio as agruras dos desmandos administrativos.

Se os atletas estivessem unidos para reclamar sobre tudo aquilo que está errado, expondo e protestando de forma veemente, tenho certeza de que eles mudariam as coisas.

Lembremo-nos de que Nelson Nastas só foi defenestrado da presidência da Confederação Brasileira de Tênis quando os atletas tomaram uma atitude radical e correta, fizeram greve, deixaram de entrar em quadra e, até mesmo, recusaram convocações para servir à seleção brasileira na Copa Davis.

Há outros casos em que equipes e atletas rebelaram-se contra cartolas e os atletas, unidos, sempre venceram.

Claro que sempre haverá os atletas desfrutáveis, os bajuladores, que si, que têm ambições políticas nebulosas. Mas esses são minorias e mal vistos por seus pares. São facilmente identificados.

Os atletas devem consciência de sua força e capacidade de mudar, permanecer unidos, mobilizados. Fazendo assim, eles vão mudar muitas das coisas contras quais, hoje, reclamam de forma recorrente.

 

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http://espn.uol.com.br/post/578557_escritorio-de-advogado-com-quem-nuzman-pularia-do-precipicio-recebe-r-188-mi-da-rio-2016?utm_content=buffer90b5c&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

Em mais uma excelente matéria publicada no portal da ESPN Brasil, a jornalista Gabriela Moreira descortinou quanto ganham os advogados contratados pelo Co-Rio 2.016.

Vejam o link acima.

Os valores são exorbitantes. Muito acima do mercado. Muito mesmo. Além disso, esses advogados são contratados sem licitação. O Co-Rio certamente irá dizer que “trata-se de dinheiro dos patrocinadores, portanto, privado”. Não interessa de onde venham os recursos, as regras de governança corporativa devem ser sempre observadas. Será que patrocinadores privados gostam que seu dinheiro seja investido sem regras claras de transparência? Não afirmo que os escritórios de advocacia contratados não têm competência para realizar bons serviços. O fato é que existem no Rio de Janeiro muitos outros escritórios que também são  aptos a prestar os mesmos serviços e, tenho certeza, por preços compatíveis com o mercado.

Os princípios da boa fé, da transparência, da isonomia, impõem que aqueles exercem cargos de alta visibilidade pública, devem governar de acordo com as mais rígidas normas de governança corporativa. Vejam que o escritório bem mais remunerado da lista (recebe cerca de R$ 18 milhões) tem como sócio, conforme atestado pelo próprio presidente do Co-Rio 2.016, um de seus mais íntimos amigos. E que esse escritório se presta não somente a atender demandas do Co-Rio 2.016, mas trata de questões pessoais do mandatário que inclui, mas não se limita,  a processar jornalistas (as ações contra jornalistas são fadadas ao insucesso, como se vê, porque nada mais são do que tentativa de impor censura).

Ássim, os patrocinadores do Co-Rio 2.016 deveriam auditar a entidade para verificar se o dinheiro que lá colocam é bem administrado, se os prestadores de serviços são contratados com isonomia e pagos a preços de mercado, além, claro, de prestar bons serviços.

Parabéns, Gabriela Moreira, por mais essa matéria. A da semana passada, de que o Co-Rio paga segurança privada ao presidente e a sua família também foi muito elucidativa.

Os principais jornais europeus dedicaram-se ao assunto do Zika vírus e puseram em dúvida a capacidade do governo brasileiro em controlar o que chamam de “epidemia”. Inexoravelmente que as matérias jornalísticas referem-se, ainda, aos Jogos Olímpicos, que serão no Rio de Janeiro em agosto. Não importante jornal francês escreveu, na capa, que depois do Ebola, Sars e H1N1 vem o Zika.

É curioso ver como alguns brasileiros sentem-se indignados, ofendidos, quando um atleta, ou alguém, veicula a possibilidade de não vir aos Jogos Olímpicos com medo da doença. Essas pessoas deveriam voltar sua revolta para os governos, incapazes de debelar a moléstia. É muito natural que estrangeiros não queiram vir a um país em que estarão sujeitos a contrair o Zika. Garanto que esses brasileiros indignados também não viajariam para os locais de foco de Ebola no auge da epidemia.

É necessário que as autoridades brasileiras deixem de “mimimi” e deem respostas positivas e concretas de que as delegações estrangeiras poderão vir ao Brasil com tranquilidade, mostrando, de forma transparente, quais as medidas eficazes que estão tomando para controlar a proliferação do vírus. Dizer, por exemplo, que “em agosto é inverno no Rio e o mosquito desaparece” não dá conforto e segurança a ninguém. Apenas reforça a ideia de que o Brasil é o país da imprevidência, que conta apenad com a sorte e que, além disso, não há nada sendo feito.

O Brasil perderá muito, sim, sem atletas norteamericanos, quenianos e de qualquer outra nacionalidade, que porventura deixem de vir aos Jogos Olímpicos. Se for necessário, o Brasil deve pedir ajuda internacional. Isso não diminui ninguém.

Em 1.975, pouco tempo antes dos Jogos Panamericanos que seriam em São Paulo, o governo federal mandou que eles fossem cancelados em virtude da epidemia de meningite na cidade. Embora a meningite tenha realmente assolado São Paulo naqueles meses, o verdadeiro motivo do governo federal para ordenar o cancelamento dos Jogos Panamericanos foi a falta de dinheiro. Mas para não abalar a imagem do Brasil no exterior, para não dizerem que era falta de verba, usaram a meningite como desculpa. Agora a situação é diferente. Dinheiro públicp para evento esportivo de grande porte é o não falta. Ou o Brasil dá respostas efetivas de que está tomando as medidas corretas para combater o Zika, ou podemos ter defecções importantes nos Jogos Olímpicos.

Com alguns grupos, os governos até podem fazer acordos para não molestar a cidade durante os quinze dias de Jogos Olímpicos. Com os mosquitos, esse tipo de acordo é impossível.

 

Ví uma matéria de um jornalista american, com imagens contudentes da sujeira da Baía da Guanabara, desafiando os membros do COI a mergulharem no local com suas famílias. O jornalista ainda diz que fazer a competição de Vela naquele local é um atentado contra a saúde dos atletas.

Com exceção dos políticos locais e cartolagem dos Jogos, todos sabem que fazer a Vela Olímpica na fétida Baía da Guanabara é péssimo. Afeta, também, a performance dos atletas. Os dirigentes do Brasil acham que navegar por aquelas águas imundas facilitará os velejadores do país a ganhar medalhas, porque estão acostumados com isso. Já ouvi várias vezes velejadores brasileiros dizendo que isso é falso.

Eu acho que manter a Vela na Baía da Guanabara fazia parte de um compromisso com empreendimentos imobiliários naquela região da cidade. Não tinha a ver com esporte. Tinha a ver com política e com negócios.

É comum em Jogos Olímpicos que a Vela seja feita fora da cidade sede, sendo levada para algum local próximo, que proporcione melhores condições para os atletas. Perto do Rio há Búzios, uma das melhores raias de Vela do mundo, que poderia abrigar essa modalidade. Pena que não será lá a competição.

A Baía da Guanabara será mais uma promessa não cumprida do Rio 2.016. Mais legado que não virá, uma vez que não haverá um metro cúbico sequer de despoluição.

Farão, apenas, uns paliativos nos dias de prova para que os atletas não se atrapalhem muito com a imundice e torcer muito para que as condições climáticas, de ventos e marés ajudem.

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