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Nuzman assumiu o COB em 1.995 com um intuito claro, de realizar eventos, nada muito além disso. Ele começou com os Festivais Olímpicos de Verão, ao longo da orla do Rio de Janeiro.  Dai foi fazendo alguns eventos maiores, organizou os Jogos da Odesur, Panamericanos e, finalmente, atingiu seu ápice com os Jogos Olímpicos. Ouvi algumas vezes de gente do esporte que o “COB transformou-se em um órgão somente organizador de eventos.”.

Tudo mais eram apêndices do objetivo final de sediar eventos. Se esse era o objetivo da gestão Nuzman, ele teve sucesso em sua empreitada. Começou sua gestão organizando torneios de verão na beira da praia e chegou ao fim sediando Jogos Olímpicos. Se era isso que ele queria, ele conseguiu. Em um país carente de esporte massificado, essa política seguida pelo COB foi equivocada. Principalmente quando se vê que a gestão Nuzman fracassou em atrair investimentos privados para suas ações. Nuzman escorou-se, fundamentalmente, em dinheiro público.  E, por isso, teria a obrigação de fazer a contrapartida social, o que não ocorreu.

Se ao realizar Jogos Olímpicos Nuzman atingiu o apogeu de seus anseios e de sua plataforma, seria chegada a hora dele sair. O modelo Nuzman esgotou-se, deu o que tinha que dar. Entretanto, ele insistiu em ficar mais quatro anos sob o pretexto de que quer “prestar contas”. É óbvio que Nuzman tem que prestar contas. Mas essa obrigação continuaria existindo fosse ele presidente do COB, ou não.  As contas do Co-Rio ainda levarão anos até serem avaliadas, auditadas e concluídas. E Nuzman é –  e será – pessoalmente responsável por elas.

Se pensasse no esporte Olímpico do Brasil, Nuzman deveria ter tido a grandeza de deixar o COB e aceitar que seu modelo de gestão teve seu ciclo e que, hoje, ele tem muito pouco a contribuir.

O esporte Olímpico brasileiro está em  um patamar de dificuldades maior do que estava nos anos que antecederam os Jogos Olimpicos no Brasil. Basta conversar com técnicos e com atletas.

Nuzman deveria dar espaço a gente nova, com novas ideias, dinamismo, para empreender um novo modelo de gestão.

Nuzman Está Sumido.

fevereiro 26, 2017

Notem como Carlos Nuzmam anda sumido. Desaparecer é o oposto da personalidade dele.

Nuzman está estrategicamente quieto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o mundo questionam severamente o legado negativo que os Jogos Olímpicos deixaram para o Rio. O presidente do COB e do Co-Rio sabe que se puseram a cabeça de fora, será vigorosamente cobrado sobre as promessas que fez de que a aventura Olímpica carioca colocaria o Rio e o Brasil em outro patamar de desenvolvimento. Foi com esse discurso que ele pretendeu sensibilizar os brasileiros que sediar o certame Olímpico valeria a pena. E, também, foi assim que ele convencia os membros do COI a arriscar e dar à América do Sul o direito de sediar sua primeira Olimpíada. Nada do que Nuzman prometeu aconteceu.  Nuzmam também tem medo que essas cobranças públicas lhe possam atrapalhar sua campanha à presidência da ODEPA. Por isso, Nuzman vive o estágio “esqueçam-me por um tempo”.

Em conversas privadas Nuzman tem falado que a questão do legado não é atribuição dele. Que a culpa dessa lambança é, antes de tudo, da Prefeituta Municipal do Rio e, em seguida, dos governos do Estado e Federal. Nuzman tem sustentado que a ele caberia, somente, organizar o evento (Co-Rio 2016) e preparar a delegação brasileira  (COB). Esse é um argumento cínico. Faz parte dos Comitês Olímpicos Nacionais e Comitês Organizadores, sempre, trabalhar o legado Olímpico. E no Brasil,  particular, Nuzman foi dos que mais bradavam os benefícios do legado.

 

Nunca investiu-se tanto no esporte nos oito anos que antecederam os Jogos Rio 2.016. Da mesma forma, nunca investiu-se tão errado. A intenção do governo e da cartolagem nunca foi massificar e democratizar a prática esportiva. Tampouco criar uma política de Estado para o esporte do Brasil, desde a base. O dinheiro que foi injetado nesse segmento serviu, em primeiro lugar, para satisfazer os anseios megalômanos de gente preocupada, apenas, em realizar grandes eventos. Nada além disso.

Uma vez obtido o direito de sediar os Jogos Olímpicos, com muito medo de passar uma solene vergonha em casa, a ordem foi que todos os incentivos, recursos, energias e iniciativas fossem dedicados ao altíssimo rendimento, com o objetivo de ganhar o maior número de medalhas possíveis. Quiseram fazer em menos de oito anos aquilo que não fizeram em vinte. A base ficou ainda mais desasistida. São pouquíssimas as modalidades em que os jovens atletas têm, de suas Confederações, algum tipo de auxílio. Normalmente nas categorias de base é cada um por sí. Quem as sustentam são os clubes e as famílias.

Passados os Jogos Olímpicos, os próprios dirigentes organizadores reconhecem que não houve planejamento de longo prazo. Hoje, muitos atletas estão desempregados, sem benefícios e perspectivas.  E, com eles, seus técnicos e membros das equipes multidisciplinares.

Se em vez de investir bilhões em grandes eventos esportivos tivessem injetado parte nisso na formação e massificação de atletas, levar a prática do desporto a todas as escolas públicas do país, planejar, com honestidade e transparência, estaríamos, atualmente, em condições muito melhores. Uma geração olímpica se forma em cerca de três ciclos. A partir daí, com uma estrutura de esporte solidificada, o Brasil poderia ter começado a pensar em sediar Olimpíada.

No Brasil, a patota olímpica errou feio e quis começar a construção da casa pelo telhado.

Mais matérias estão sendo veiculadas no exterior e no Brasil demonstrando o descaso do Brasil com os bilhões gastos na realização dos Jogos Olímpicos. Nosso país está servindo como exemplo daquilo que não deve ser feito por qualquer outro que intencione sediar o certame olímpico.

O curioso é que os organizadores dos Jogos desapareceram. Aqueles mesmos que diziam que o Rio de Janeiro e o Brasil seriam outros após o Rio 2.016 estão acanhados, mesquinhos, raquíticos, sorrateiros escondidos, não dizem nada. Aqueles que bradavam que criticar a aventura olímpica carioca era  antipatriótico, estão quietinhos.

O que essa gente fez com o Brasil (e com o esporte brasileiro) é gravíssimo. Não pode passar batido, como muitas das mazelas nacionais que o tempo faz apagar das memórias e das manchetes.

Cartolas, políticos, Comitê Olímpico do Brasil, Co-Rio 2.016, Autoridades Olímpicas Municipal e Federal devem ser chamados em audiência pública, convocada pelo Ministério Público Federal e Estadual do Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos à população. Devem explicar porque as grandiosas promessas que fizeram nunca aconteceram e porque toda construção que foi feita está mal cuidada, não utilizada, tendendo a virar ruína, como ocorreu em Atenas, em que o que sobrou das instalações olímpicas são o retrato fiel de um dos grandes erros cometidos por aquele país. As mesmas autoridades têm que explicar à nação se existe algum programa sólido e realista de utilização daquelas instalações, de caráter social, que sirvam para democratizar e desenvolver o esporte, saúde, educação, cultura e meio ambiente.

Aqueles que prometeram mudanças significativas, para melhor, no Rio e no Brasil após os Jogos Olímpicos não podem passar impunes. Mentiram, foram incompetentes. Não têm mais condições de exercer cargos de comando esportivo. Estão desmoralizados Devem ser processados pelos Ministério Público.  Há um jogo de empurra, cada entidade, cada cartola, cada político, dizendo que a questão do legado não é com eles. É, sim, pois antes da festa estavam todos unidos e cada qual querendo parecer mais responsável que o outro.

E que não se diga que o legado olímpico é o BRT e VLT, bem como algumas pinturas de prédios no centro da Cidade. A conta ficou muito cara para tão pouco.

A mídia nacional e internacional têm repercutido o desastre que tem sido o legado olímpico brasileiro. Parece que o impacto negativo dessa aventura frustrada tem sido maior no exterior que aqui no Brasil. Em nosso país, são tantos os problemas, que a questão olímpica, muito séria, é tratada em segundo plano. Não deveria.

Deve ser lembrado que para justificar a aventura olímpica carioca, políticos e cartolas da ocasião fizeram uma série de promessas ao povo brasileiro, especialmente garantindo que, após os Jogos Olímpicos, o Brasil estaria em outro patamar esportivo, muito melhor que o anterior. E que para isso, foram gastos mais de R$ 30 Bilhões. O que se vê, hoje, é justamente o inverso. As instalações olímpicas que ainda não foram destruídas, desmontadas, estão deterioradas, sem uso. Os atletas de alto rendimento tiveram vários de seus incentivos reduzidos, ou cortados. Técnicos de alto renome deixaram o Brasil. A base esportiva segue inexistindo. Não existe política de Estado para o esporte brasileiro. As camadas mais pobres seguem sem acesso ao deporto. Professores de Educação Física permanecem trabalhando em condições precárias. Empresas eliminaram drasticamente seus incentivos ao esporte.

Não foi por falta de aviso. Muita gente que conhece profundamente a questão esportiva alertou que as promessas feitas antes dos Jogos Olímpicos Rio 2.016 eram um engodo. Que os organizadores estariam produzindo uma manada de elefantes brancos, que n]ão havia projeto de longo prazo para o esporte nacional, que o certame olímpico brasileiro tinha um fim em si mesmo e que o importava para aquela gente era o evento em si, os negócios que poderiam ser gerados a partir dele e nada além disso.

A única luz que vemos no fim do túnel de alguns movimentos oposicionistas em algumas Confederações, que podem ser o embrião de alguma mudança. De toda forma, enquanto os governos municipais, estaduais e federal não tiverem o esporte como prioridade, como questão de saúde, educação e lazer, antes de tudo, será muito difícil mudar as coisas.

Os organizadores dos Jogos Olímpicos deveriam ser questionados pelos poderes públicos pelos bilhões utilizados e para um legado negativo.

Em 03 de outubro de 2.009, quando o Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos, eu escrevi um artigo na Folha de São Paulo chamado “Uma Grande Hipocrisia”. O link está aí para que quiser ler, ou reler.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0310200909.htm

Outra eleição que se avizinha é a da Confederação Brasileira de Basquete (“CBB”). A luz no fim do túnel é a Chapa Transparência, de oposição, que tem como candidato a presidente Guy Peixoto.

Desde que a Chapa foi lançada, vem recebendo apoio de ilustres personagens do basquete e do esporte. A cada dia vemos nomes importantíssimos do basquete dando seu voto de plena confiança a Guy Peixoto e sua seleta equipe.

As administrações recentes da CBB levaram a modalidade à ruína absoluta. Não somente pelos péssimos resultados obtidos pelas seleções principais, mas, também, por ter desestruturado, de forma calamitosa, as categorias de base, principalmente no feminino. Como se não bastasse, a situação financeira da CBB é alarmante e recheada de histórias mal contadas.

Neste momento delicado do basquete brasileiro, a melhor “força tarefa” que poderá existir será eleger, democraticamente, Guy Peixoto para a presidência da CBB e dar-lhe crédito e apoio para colocar em prática sua plataforma renovadora.

Que as Federações estaduais e as Associação dos Atletas tenham consciência plena de que a manutenção da situação atual, ou qualquer “força tarefa” autoritária, que venha imposta pelos escalões superiores, pode ser o golpe de misericórdia no basquete brasileiro.

Que o colégio eleitoral tenha responsabilidade para votar na oposição, para resgatar as láureas de um esporte tão premiado no Brasil.

Em uma manobra que não consultou os atletas, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”) nomeou a sua “Comissão de Atletas”. Colocou como presidente da plêiade o festejado nadador Thiago Pereira. Com isso, ele adquire direito de voto  nas eleições presidenciais na CBDA.

Em decorrência de seu competente trabalho e perseverança, Thiago Pereira está consagrado como atleta. Hoje, seu prestígio é tamanho que precisa muito pouco da CBDA para sua carreira. Seus patrocínios independem da chancela da CBDA.

Da forma em que foi escolhido presidente da Comissão de Atletas e em vista de recentes declarações que deu, suspeita-se que o voto de Thiago Pereira nas eleições para a CBDA será para a chapa da situação. Thiago tem que se lembrar que não vota por ele, mas pelos atletas das quatro modalidades olímpicas aquáticas. A maior parte deles, jovens que desejam mudanças nos rumos que comandam essas modalidades. Se Pereira é, hoje, um atleta vitorioso, deve ter em mente que a maioria ainda não o é. E que para chegar lá, esses ainda são os que necessitam de estrutura moderna e transparente na CBDA.

Thiago Pereira deve refletir muito seu voto. Avaliar se deseja estar ao lado da atual gestão da CBDA, ou se quer ser reconhecido entre aqueles que promoveram mudanças que realmente representam os anseios de quem ele, na Comissão de Atletas, representa.

Os atletas estarão de olho no voto de Thiago Pereira.

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