Home

Hoje recebi um amigo europeu que, quando vem ao Brasil, costuma visitar-me. Ele é muito ligado a uma importante Federação Internacional de uma modalidade olímpica.

Disse-me sobre os rumores que há sobre o descredenciamento do Ladetec, o único laboratório de controle antidopagem até então reconhecido pela WADA no Brasil. Estranha-se que, mesmo após o Ladetec ter sido beneficiado com alguns milhões de dinheiro público para realizar melhorias, continuou cometendo erros grosseiros, banais, infantis, inaceitáveis. Tão inaceitáveis que outra alternativa não restou à WADA senão descrendenciá-lo.

O Brasil, sede dos Jogos Olímpicos de 2.016, está vivendo uma ansiedade enorme por ganhar medalhas em seu território e evitar um fiasco de consequências terríveis. Esse fato estaria estimulando a utilização do doping por pessoas inescrupulosas. E o Ladetec teria recebido pressões de tal ordem que estariam sujeitos a errar nos controles, como comprovadamente ocorreu.

Essa equação teria feito acender a luz vermelha na WADA que, seguindo sua política de endurecer o combate ao doping, descrendeciou o Ladetec. Assim, os exames dos nossos atletas serão feitos no exterior.

O descredenciamento do laboratório russo, País dos Jogos Olímpicos de inverno, em Sochi, teria ocorrido por motivos semelhantes.

Pode ser uma teoria de conspiração. Ou pode ser uma história com muito sentido, com começo, meio e fim.

Andrew Parsons foi eleito Vice-Presidente do Comitê Paraolímpico Internacional. É um cargo de prestígio que demonstra o respeito que goza entre seus pares. As eleições para os Comitês Executivos dos Comitês Olímpico e Paraolímpico Internacional são disputadas. Não é fácil vencer. Daí a relevância do feito atingido pelo Andrew.

Como já escrevi aqui, tenho simpatia por Andrew Parsons que também é o Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro. Desde que assumiu a presidência da entidade, pôs em prática uma política de transparência e arejamento daquele Comitê. Democratizou os estatutos, limitou reeleições, expandiu o diálogo com o meio esportivo e deu realmente voz e poder aos atletas. Não teve medo de mudar. E os resultados do Brasil melhoraram.

Quando se compara Andrew e o Comitê Paraolímpico Brasileiro com Nuzman e o Comitê Olímpico Brasileiro, as diferenças são gritantes. Andrew e o Comitê Paraolímpico deixam Nuzman e sua turma no chinelo.

Até hoje, portanto, os seguintes desportistas brasileiros foram membros das entidades máximas do Olimpismo mundial:

Dr. José Ferreira dos Santos, membro da Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional;

Major Sylvio de Magalhães Padilha, membro da Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional por três mandatos e também seu Vice-Presidente; e

Agora Andrew Parsons.

Carlos Nuzman candidatou-se a membro da Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional por três vezes. E perdeu todas.

Nuzman, certamente, está tremendo de inveja do Andrew. Quem o connhece sabe que é isso mesmo!

Matéria de Jornal 1.936 Padilha e Kovacs

Uma das promessas da patota que organiza a aventura Olímpica brasileira é o que Rio de Janeiro teria quartos de hotéis suficientes para abrigar dirigentes, árbitros, oficiais e o turistas que virão para a Cidade em 2.016. Um dos pontos críticos da campanha, apontados nos relatórios do Comitê Olímpico Internacional (“COI”), era justamente a precariedade hoteleira, a falta de quartos para hospedar tanta gente. A patota olímpica foi assertiva em dizer que seriam construídos hotéis suficientes para atender à demanda do caderno de encargos do COI e receber confortavelmente aqueles que nos visitariam.

Pois há poucos dias, mais uma das máscaras das mentiras propagadas pelo Co-Rio 2.016 caiu. Anunciou a patota que foram contratados navios transatlânticos que durante o período da Olimpíada ficarão atracados no porto e que servirão de hotel. Não é a primeira vez que isso ocorre. Em Atenas 2.004 também foi assim. A Grécia, igual ao Brasil, sofria com falta de infraestrutura e para dar conta de realizar os Jogos Olímpicos, deu um “tapa geral”. E é isso que o Brasil fará também, até porque por melhores que sejam as intenções dos grupos vencedores das privatizações dos aeroportos, apenas para citar um exemplo, não há tempo hábil para reformulá-los adequadamente até 2.016, como fizeram Pequim e Londres. No caso de Londres, o terminal da British foi amplamente reformulado.

O problema nem é a contratação de navios para servir de hotéis. Essa é até uma solução paliativa razoável para quem não tem outra alternativa, embora o COI não aprecie esse tipo de coisa. O grande problema são as mentiras que os organizadores do Co-Rio 2.016 vêm contando desde a época da campanha. São promessas que sabíamos que não seriam cumpridas, que faziam parte do engôdo olímpico do discurso fácil de políticos e cartolas nem um pouco comprometidos com as necessidades precípuas do Brasil.

Até 2.016, quantas mentiras mais teremos? Quantas máscaras mais vão cair das caras dessa patota olímpica? E que implicações isso terá para o Brasil?

Eu avisei, do princípio, que isso tudo seria uma temeridade, ainda mais nas mãos trêmulas dessa gente.

A Matriz de Responsabilidade.

novembro 20, 2013

Com a posse do General Fernando Azevedo e Silva na presidência da Autoridade Pública Olímpica (“APO”), a ordem dos escalões superiores é que seja estabelecida a matriz de responsabilidade e o orçamento dos Jogos Olímpicos de 2.016. Ou seja, quanto a aventura olímpica brasileira vai custar ao Brasil e quem pagará o que.

Até hoje, mais de três anos após acescolha do Rio como sede olímpica, os nossos “organizadores de plantão”, leia-se Co-Rio, Estado do Rio e Prefeitura batem cabeças também nesse ponto. Aliás, nem acho que esses entes tenham muito interesse em estabelecer parâmetros financeiros. É melhor deixar, para eles, deixar o barco das finanças correr solto.

Mas a Presidência da República e as chamadas Ministras da Casa querem dar um jeito nisso. Sabe o Governo que a incompetência olímpica dos gestores poderá ter influência muito negativa nas eleições do ano que vem. O governo Dilma poderá ser acusado de conivente com a irresponsabilidade financeira daqueles que, até então, estavam isoladamente encarregados de estabelecer o orçamento olímpico. É muito dinheiro público em jogo para que um governo que tentará a reeleiçào possa confiar esse orçamento àqueles mesmos caras que tão grotescamente fizeram as contas do Panamericano Rio 2.007 explodir em cerca de 1.000%. Por isso que a Presidenta Dilma assumiu pra si a questão e resolveu intervir diretamente, nomeando o General para a APO.

Com isso, os poderes de Nuzman estão cada vez mais trêmulos. E ele, quase que nocauteado pela Presidenta, já está torcendo para sua derrota no ano que vem e tentar retomar o campo perdido.

ALBERTO MURRAY NETO: Uma grande hipocrisia

TENDÊNCIAS/DEBATES:

A escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 é uma boa notícia para o Brasil? NÃO

A DECISÃO do Comitê Olímpico Internacional foi indigna. Mais do que isso, foi hipócrita. Tentaram fazer história à custa do desespero dos pobres. Não acredito que haja no COI alguém que ignore os gravíssimos problemas sociais do Brasil. Se essa pessoa existe, não merece estar lá. Ou melhor, merece, sim. Quem achou que fez história ao “dar os Jogos à América do Sul, em razão de seu caráter universal”, não pensou no movimento olímpico. Pensou em si mesmo e nos próprios interesses. Daí a hipocrisia. O Brasil e o Rio são carentes de tudo. Não há escolas, hospitais, moradia, transporte público, alimentação para os pobres, luz elétrica, saneamento básico, esporte etc. As pessoas continuam morrendo de sede, de frio, de bala perdida etc. O Rio é a porta de entrada para o Brasil, o que nos dá visibilidade no exterior. A cidade tem tido a má sorte de, há anos, ser maltratada por políticos incompetentes e mal-intencionados. Se alguém acha que daqui a sete anos o Rio estará livre dos traficantes de droga e dos tiroteios, que o trânsito será fantástico, que haverá hospitais de qualidade, escolas públicas de excelente nível para todas as crianças, praças esportivas populares espalhadas pela cidade, pessoas morando condignamente, só para citar alguns exemplos, escolha uma bela praia e espere deitado. Para não se cansar. Nada, rigorosamente nada vai mudar. A baia da Guanabara, por exemplo, vai permanecer um dos locais mais poluídos do mundo. Bela, mas de cheiro insuportável. Uma coisa, na cabeça dessa gente, é certa: o povo, pobre povo do Rio de Janeiro, que se lixe! Tudo isso é assunto que deverá ser acompanhado de perto. Sei que gente boa do Rio criou algumas ONGs para fiscalizar o uso do dinheiro público. Que elas trabalhem muito e façam o papel que os organizadores não terão coragem de fazer. Que essas ONGs escancarem os números, as licitações públicas e quem estará por trás de cada empresa vencedora – isso quando houver a tal licitação. Que o TCU e o Ministério Público não se apequenem e cumpram o seu papel constitucional. População carioca, assim que a festança acabar, cobre, fique de olho. Não se deixe enganar. Quero ver a patota olímpica fazer em sete anos o que já deveria ter sido feito há mais de 20. Ainda assim, acho que os atuais administradores do esporte olímpico devem sair. A renovação, salutar em quaisquer circunstâncias, deve ser feita com muito mais razão, até para dar maior transparência ao que ocorrerá a partir de agora. Se permanecerem os mesmos, o final da história já se sabe. Basta ver o Pan e multiplicar por mil o tamanho do escândalo. Que venha a lei que limita as reeleições indefinidas, já valendo para os atuais mandatários. Já que o COI cometeu essa ignomínia, que se ponha gente do bem para administrá-la. Nada do que foi escrito e falado sobre a candidatura por quem a ela se opôs é inútil. Tudo, agora com muito mais razão, deverá ser aplicado e observado. A doutrina olímpica da honestidade vai sempre prevalecer. Venceram, pela coragem do que disseram, tantos e tantos nomes da imprensa, do esporte e da sociedade civil criticando essa manobra olímpica. Que todos continuem seu belo trabalho de fiscalização, agora redobrado. As obras olímpicas serão muito mais caras, haverá denúncias, escândalos, atrasos nas construções e, acima de tudo, não vão entregar o que prometeram. Aqueles que gravitam no entorno do movimento olímpico brasileiro vão ficar ouriçados. Viva a agência de turismo! Bravo para a corretora de seguros! Estupendo para a empresa que comercializa os ingressos! E a empresa de marketing esportivo, que vibre muito! As construtoras vão dividir a fatia do bolo? Vai ter construtora falida reerguendo-se à custa desse projeto megalômano? Haverá licitações públicas? Os fornecedores de serviços terão que contratar “consultorias” de terceiros estranhos ao negócio? Disseram aos brasileiros e aos cariocas que os Jogos Olímpicos seriam a solução dos seus problemas. “Olimpiator Tabajara”, seus problemas acabaram. O Nuzman agora vai virar o “Seu Creysson”.

Fonte: Folha de S. Paulo, 3.X.09 – MURRAY NETO, 43, advogado, é árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha http://www.espn.com.br/albertomurrayneto

A Última Grande Luta – SMPN

%d blogueiros gostam disto: