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Não acho que futebol tem a ver com pátria. Aliás, só os boçais acham. Mas já estou de saco cheio da cartolagem nefasta, de ex-jogadores interesseiros, de políticos demagogos, da imprensa desfrutável e dos empresários malandros que, para tentar ocultar os graves desmandos que estão ocorrendo por conta da organização da Copa do Mundo, querem demonizar os críticos e colar-lhes sobre as testas a alcunha de anti-brasileiros.

Reparem como às portas da Copa das Confederações estão aumentando as manobras desse rebotalho futebolístico para criar no Brasil a repugnante ideia de que para o bem geral da nação a hora é de todos brasileiros darem as mãos para apoiar a seleção brasileira. Que o importante é levantar a Copa e todos os problemas estarão superados. Dá vontade de vomitar.

Costumo dizer que ao final de 2.016, a soma da Copa do Mundo com a Olimpíada será o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Não tenham dúvidas disso, assim como não acreditem que esses estádios caríssimos que indecentemente estão espalhando pelo País serão de alguma utilidade para o povo brasileiro após a Copa. Aliás, antes mesmo de a Copa acabar, a maioria deles já será “elefantes brancos”.

A questão olímpica ainda está na penumbra porque as mazelas do futebol ofuscam as demais. Mas o escândalo da construção do campo de golfe na Barra da Tijuca já dá o tom do que será a aventura olímpica brasileira.

Como os patifes do futebol utilizam do ardil de demonizar os críticos das mutretas da organização da Copa, talvez a única forma de contra-atacá seja
fazê-los provar do mesmo veneno. Então que a seleção vire pátria e que, na esteira dessa simbiose, ela leve uma sonora surra de seus oponentes, daquelas bem dadas, que elimine a tal da “amarelinha” logo na primeira fase. Afinal, no frigir dos ovos, que diferença fará para sua vida, leitor, se o Brasil ganhar, ou perder a Copa? Nenhuma.

Com a “seleção canarinho” sumida do mapa logo na primeira fase, talvez as atenções do povo voltem-se exclusivamente para descortinar as sacanagens que esses organizadores de Copa do Mundo estão fazendo e que a eles haja punições exemplares, de forma que, a partir de então, o futebol brasileiro seja radicalmente oxigenado a ponto de que possamos voltar a, tranquilamente, torcer pela nossa seleção.

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Julian Aoki Romero teve que recorrer à Lei da Transparência para fazer com que fissem tornados públicos os contratos entre a entidade e os Correios. Quando esses documentos vieram ao conhecimento público, Julian esquadrinhou como o dinheiro público dos Correios eram gastos e vimos uma série de investimentos mal feitos. É óbvio que se essas entidades querem esconder como gastam o dinheiro público que recebem, é porque tem coisa errada. O princípio que deveria prevalecer é o da transparência. Mas o que os cartolas fazem é justamente o contrário. Morrem de medo de que as contas venha ser do conhecimento do povo.

O Comitê Olímpico Brasileiro faz questão de ser opaco, de não revelar como gasta o volumoso dinheiro público que jorra em seus cofres. Eu vivo pedindo ao COB que divulgue a sua folha de pagamentos. Quero saber quanto ganham os seus diretores contratados mais graduados, que são pagos com dinheiro do povo. Eles não mostram e têm muito receio que alguém descubra. E sabem por que? Porque certamente há aberrações, descalabros de tal ordem que deixaria o Brasil, principalmente a Presidenta da Repúplica, extremamente surpresa. Ela viria que muitos funcionários do COB recebem bem mais que ela e seus Ministros. E todos são pagos com dinheiro da mesma origem, público.

O COB também tem medo de revelar quanto ganham seus consultores estrangeiros, também pagos com dinheiro público, tais como aquela empresa EKS e aquele outro, o norte-americano Steven Roush. E, mais, esses consultores são contratados sem licitação pública.

O COB tenta enganar o Brasil dizendo que seu dinheiro não é público. É, sim. O COB vive de dinheiro público da Lei Piva, da renúncia fiscal e de repasses de verbas do orçamento, como repasses que recebe diretamente do Ministério do Esporte. De patrocínio privado, é irrelevante.

Se Você é quem paga as contas do COB, deveria ter o direito de saber exatamente quanto ganha aquela gente que trabalha lá. Se eles não mostram é porque têm medo.

Vitória da Disciplina.

abril 25, 2013

Todos sabem que aos Jogos Olímpicos de 1.936, em Berlin, o Brasil enviou duas delegações, uma da CBD e outra do COB, que havia sido criado no ano anterior.

O Comitê Internacional Olímpico não admitiu a briga entre a CBD e o COB e exigiu que as equipes se unificassem, sob pena de ninguém competir. Nesse clima, os atletas brasileiros viveram os dias que antecederam a inauguração dos Jogos.

Meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, recordista sulamericano nos 400 e 110 metros sobre barreiras, inegrava a equipe do Brasil. Ele me contava que a grande maioria dos atletas brasileiros, achando que não competiriam, trocavam as noites calmas na Vila Olímpica por noitadas em Berlin. O argumento deles era que não iriam competir mesmo e, ainda que o fizessem, não teriam nenhuma chance. Então que aproveitassem Berlin.

Meu avô, disciplinado que sempre foi e comprometido com o País que o enviara a Berlin para representá-lo, desde que chegou à Alemanha, não arredou o pé da Vila. Sua rotina era treinar, alimentar-se e descansar, procurando-se manter calmo, como retratam jornalistas que cobriram aquele certame Olímpico.

O resultado veio. Foi o primeiro atleta da América do Sul a atingir uma final olímpica em atletismo, ficando em quinto lugar e, mais uma vez, quebrando o recorde sulamericano.

Três anos mais tarde, em 1.939, ganhou da Helms Atlhetic Foundation o troféu de melhor atleta do mundo.

Pena que em 1.940 e em 1.944, a Guerra privou o mundo dos Jogos Olímpicos.

Texto do Professor Henrique Nicolini, publicado na GazetaEsportiva.Net

http://www.gazetaesportiva.net/blogs/henriquenicolini/2013/04/24/respeito-a-memoria-do-esporte/

24 de abril de 2013 – 15:36

Recebemos nesta semana um e-mail do advogado Alberto Murray Jr manifestando a sua revolta contra a atual administração da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo. Ele passou pelo Conjunto Esportivo do Ibirapuera e verificou que as placas de inauguração do ginásio de esportes e da pista de atletismo com o nome de seu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha, haviam sido removidas. Ele considerou isso uma afronta e uma desconsideração a Sylvio de Magalhães Padilha, bem como à memória desportiva de São Paulo.

Pessoalmente, achamos que jamais o titular da pasta estadual deixaria, após as reformas, de restituir aqueles marcos aos seus devidos lugares, numa ação de respeito a um dos mais importante de seus antecessores.

Com 67 anos de crônica esportiva, acompanhei cada etapa da luta para que o Conjunto tivesse a configuração atual.

O Conjunto foi construído aos poucos, com cada unidade respondendo a uma luta específica, tentando solucionar problemas também específicos do nosso esporte que vinham acontecendo no decurso de sua longa gestão.

A primeira obra foi a do ginásio, que permitiu a São Paulo receber os grandes eventos internacionais, solvendo uma das grandes carências de nossa cidade. Depois foi construída a pista, que em sua primeira edição era conjugada com o Velódromo. Depois ganhamos uma piscina olímpica e o edifício dos alojamentos permanentes do Projeto Futuro da Rua Manoel da Nóbrega, onde tiveram abrigo durante o período de treinamento atletas que se transformaram em campeões olímpicos.

O Conjunto foi implementado com outras instalações, como o ginásio poliesportivo da Rua Abílio Soares, quadras descobertas e restaurantes.

Cada melhoramento marcou cada época, todos com verbas de orçamento e nenhuma negociata. O arquiteto Ícaro de Castro Mello era funcionário do DEFE e fez todos os projetos. Nos primeiros tempos, não havia nem a Secretaria de Esportes, tudo era feito pelo DEFE (Departamento de Educação Física e Esportes do Estado de São Paulo).

Padilha começou a lutar pelo Conjunto desde a conquista da extensa área em que ele se encontra. Foi uma longa e vitoriosa negociação com o II Exército e a Prefeitura.

Tudo que existe no Conjunto é obra de Padilha, que também acrescentou ao seu currículo o Conjunto da Água Branca: um ginásio poliesportivo, a primeira piscina coberta do país e um edifício para a sede das federações estaduais que ocupavam o espaço gratuitamente e estão sendo expulsos pela atual administração. Não havia este foco argentário que, infelizmente, hoje restringe a ocupação destas instalações construídas com o dinheiro do povo e o progresso da própria prática esportiva.

Ainda antes de sermos jornalista, há mais de setenta anos, vimos Padilha levando governadores de Estado (no fim da década de 30 e início da de 40) para lá assistir a competições de atletismo.

Padilha merece mais do que a recolocação de duas placas (deveriam ser muito mais!). Se houver uma verdadeira justiça, quando terminar esta prolongada reforma, precisaria ser erguido um busto para ele.

Logo após os Jogos Olímpicos de Londres a patota do Comitê Olímpico Brasileiro deu uma entrevista em que glorificava a performance esportiva do Casaquistão, vencedor de seis medalhas de ouro. Em 12 de agosto de 2.012 o repórter Bruno Freitas publicou uma matéria no UOL, em que um dirigente do nosso Comitê dizia que o modelo do Casaquistão deveria ser seguido e que investiriam em esportes individuais.

O nosso caro diretor do COB quer comparar o Brasil com o Casaquistão! E, pior, importar o modelo deles para cá!. O Casaquistão é um país pequeno, com população baixa e pouca diversidade racial, o que torna difícil criar bons atletas em diversas modalidades, sobretudo nas de esportes coletivos. Daí resolveu investir, basicamente, em uma única modalidade, o levantamento de peso, em que são craques e de onde garimparam quatro medalhas em Londres 2.012. Isso é o que o Casaquistão pode fazer.

O Brasil é um País de extensão territorial continental, com população enorme, diversidade de raças abundante, climas e regiões distintas, enfim, um manancial de onde podem surgir excelentes atletas, em várias modalidades. Bastaria fazer as coisas corretamente. Quando o COB diz que vai seguir o modelo do Casaquistão, está deixando claro que a intenção não é massificar o esporte para daí tirar a qualidade. O COB quer é contar medalhas, uma visão tosca, mesquinha, limitada e burra do esporte. Ou seja, na visão do nosso COB, vale pegar uma modalidade, injetar milhões e milhões de Reais (dinheiro público, claro), para conseguir ganhar algumas medalhas de ouro a mais e …. viva …. aparecer no quadro com mais ouros que o …. Casaquistão.

Mas o fato é que o COB, desde Londres, não fez uma coisa, nem outra. Os esportes individuais permanecem sem maior incentivo, com o Levantamento de Peso, para citar o exemplo do próprio COB, lutando para reorganizar a sua Confederação. E o Arthur Zanetti, astro de um esporte individual (aqueles que o COB disse que iria incentivar), campeão olímpico e mundial, querendo ir embora do Brasil, cheio que está das promessas não cumpridas dos políticos e da cartolagem.

O COB deveria saber que o Brasil, naturalmente, reúne as melhores condições para, em trabalho de longo prazo, criar equipes esportivas competitivas fortes, em quase todas as modalidades. E que isso acontecerá naturalmente, no futuro, quando os maiores incentivos forem dados para a base, na escola, dando às crianças desse grande País acesso à prática do desporto. E observar os destaques, de forma que possam ser incentivados e burilados, para chegarem em idade adulta podendo competir de igual para igual com as maiores potências (inclusive com o Casaquistão, no Levantamento de Peso).

Uma geração de bons atletas olímpicos se constrói em doze, dezesseis anos, depois que uma nação tem estruturada a sua política nacional de esportes, massificando a sua prática. O COB não quer ou, pior ainda, não sabe disso. A visão estreita do COB sobre esporte é limitada a contar medalhas. Se é assim, então que acabem com todos os esportes e invistam om milhões e milhões de dinheiro público que recebem em uma, ou duas modalidades, somente. E se ganharam dez medalhas de ouro estrão, finalmente, à frente do Casaquistão. Que política esportiva é essa?

E o Aldo Rebelo? Esse depois de Londres, saiu dizendo que o Brasil adotaria o modelo esportivo da Inglaterra. Revejam entrevistas da época. Duvido que o Aldo Rebelo tenha ideia do sistema esportivo da Inglaterra.  De qualquer forma, não apenas não adotou o modelo inglês no Brasil, como não adotou coisa alguma. O Brasil continua sem política de Estado para o esporte. E o curioso e que o Ministro entendedor de esportes, quando esteve neste mês na audiência pública na Câmara Federal, pediu que os Deputados integrantes da Comissão de Esportes da Casa enviassem ao seu ministério sugestões para a criação de uma política de esportes. Esse Ministério de Esporte existe há muitos anos, há pelo menos nove está nas mãos do mesmo Partido e somente agora o Ministro Aldo Rebelo pede sugestões aos Deputados para criar o modelo esportivo brasileiro? Ministro, que dizer que V. Exa. não tem modelo? Além de vistoriar campos  de futebol superfaturados, o que V. Exa. fez esse tempo todo no Ministério? E seus antecessores, do seu e dos demais Partidos? Não fizeram nada? Para que servem os seus assessores? Não tem V. Exa. um projeto nacional para o esporte do Brasil?! É vergonhoso! É ultrajante! É a prova cabal, inafastável de que esse é um Ministério político, mero repassador de dinheiro, sem planos para a Pasta.

Ah, e já ia esquecendo. Ontem o Ministro Aldo Rebelo assinou um acordo de cooperação desportiva entre o Brasil e o Azerbaijão, que fica lá perto do Casaquistão. Enquanto piscinas fecham, pistas de atletismo são demolidas, velódromos destruídos, atletas desalojados e nossa estrela olímpica quer ir embora, o Ministério do Esporte assina um acordo de cooperação com o Azerbaijão.

Vamos combinar o seguinte: A patota do COB vai para o Casaquistão fazer um estágio de cem anos. E o Minstro Aldo e seus assessores para o Azerbaijão, pelo mesmo período. E que abram espaços para gente séria, inteligente e comprometida com uma política nacional de esportes voltada para a massificação.

Ontem à noite foi o pai de Arthur Zanetti que, no Sports Center, desnudou a condição paupérrima de treinamentos que seu filho enfrenta. Hoje foi o próprio campeão olímpico que, no Esporte Espetacular, na Globo escanrarou a realidade do esporte brasileiro. Se para um campeão olímpico e mundial já é difícil a vida de atleta no Brasil imaginem para os demais.

É absolutamente revoltante ver que cifras milionárias jorram dos cofres do governo para as polpudas contas do Comitê Olímpico e Confederações e que esse dinheiro não chega a quem deve chegar, aos atletas e seus técnicos.

Aonde vai parar tanto dinheiro, Aldo Rebelo e Carlos Nuzman? Outro dia lí no jornal a declaração de um cartola de determinada Confederação que 40% do que recebe é gasto na manutenção da entidade. É muito. De qualquer forma, o que eles fazem com os outros 60%? Os atletas dessa modalidade continuam treinando e competindo no exterior às próprias expensas. Nem uniforme têm.

E essa é realidade do nosso esporte. Aldo Rebelo até parece ser um sujeito boa praça, bom contador de histórias, daqueles que podem encantar em mesa de bar. Mas de esporte ele não entende nada. Sua participação no Roda Viva e na audiência pública na Câmara Federal foram constrangedoras. O fato é que o govermo loteia ministérios e o esporte coube ao PC do B. Então o Partido põe no cargo qualquer um. Antes do Rebelo foi o Orlando Silva, horroroso, que saiu em meio aos escândalos do pífio e inútil Programa Segundo Tempo. E antes do Orlando o deprimente Agnelo Queiróz. Todos políticos e inúteis.

Carlos Nuzman não está nem aí para a base do esporte. Ele é um dos grandes culpados pela situação de penúria dos nossos atletas e técnicos. Nuzman não tem interesse e nem coragem de estabelecer com as Confederações uma política de distribuição de verbas que efetivamente cheguem aos técnicos e atletas. À Nuzman não interessa fazer bem aos atletas, mas contentar Confederações que formam a assembleia geral do COB. Nuzman é outro inútil, que está pondo em sério risco a continuidade do esporte olímpico após 2.016.

Rebelo e Nuzman não conversam com a base, não sabem de suas necessidades. Arthur Zanetti, se tiver boas propostas, tem mesmo que deixar o Brasil. A vida do atleta é curta e ele tem que aproveitar as boas oportunidades que surgem, de treinamento e financeiras. Zanetti é campeão olímpico. Ele não precisa dessa cartolagem inútil do Brasil. É a cartolagem e os políticos que precisam de Zanetti. Por isso o nosso medalha de ouro deve mandar Rebelo e Nuzman plantar batatas e ir em busca de coisas melhores.

E isso não vale apenas para Zanetti. Todo atleta brasileiro que quiser progredir e ser tratado com dignidade deve ir embora do Brasil. O COB acha que dar dignidade a um atleta é dar-lhe um troféu naquele Prêmio Brasil Olímpico que, aliás, é mais um ralo enorme pelo qual, também inutilmente, vazam recursos públicos.

Enquanto o Brasil não tiver uma política esportiva de Estado, enquanto essa cartolagem estiver à frente do COB, enquanto os políticos estiverem mais preocupados com as eleições do que com o esporte, vamos permanecer nesse marasmo. Todo atleta com potencial olímpico que converso, daquelas modalidades menos badaladas, vivem com dificuldades e têm severas críticas ao Ministério do Esporte e ao Comitê Olímpico. Tomara que, agora, com a voz forte da família Zanetti, outros também reclamem publicamente. Que não tenham medo de serem retaliados.

Rebelo e Nuzman deveriam ter vergonha de tratarem o campeão olímpico Arthur Zanetti com tanto descaso. O que essa cartolagem gosta é daquela musiquinha piegas “sou brasileiro com muito orgulho …”. Orgulho é o cacete. Orgulho do que? Do Rebelo? Do Nuzman?

Eles são inúteis.

20/04/2013 – 03h00
Pan de São Paulo, 50, tem mais patrimônio vivo do que Rio-2007
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MARCEL MERGUIZO
PAULO ROBERTO CONDE
DE SÃO PAULO

Cinquenta anos depois, São Paulo usa mais os espaços esportivos que foram palco dos Jogos Pan-Americanos que realizou do que o Rio de Janeiro, sede em 2007.

Ginásios, estádios e piscinas usados na capital paulista continuam à disposição de atletas de alto rendimento, são aproveitados por categorias de base, recebem público privado –como Pinheiros e Paulistano– ou são abertos à população.

A organização do Pan de 1963 se valeu de estruturas privadas e públicas já existentes para realizar o evento. A única construção, de fato, foi a Vila dos Atletas. Hoje, é o Crusp (Conjunto Residencial da USP), que abriga estudantes da universidade.

Jogos Pan-Americanos de São Paulo em 1963

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Reprodução
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Reprodução da capa da Folha de 21 de abril de 1963, na qual era noticiada a bertura do Pan de São Paulo no dia anterior
O Rio também construiu uma Vila, por R$ 189 milhões. Os apartamentos foram vendidos à população e hoje sofre com falhas estruturais.

A capital fluminense, ao contrário de São Paulo, investiu para fazer um Pan com pretensões olímpicas. O custo chegou a R$ 3,9 bilhões.

Segundo relatório do governo Federal publicado em outubro de 2008, os legados são as oito instalações permanentes construídas e as cinco reformadas no Rio.

Após seis anos, o Engenhão, que custou R$ 380 milhões e foi sede do atletismo no Pan, está fechado por problemas na cobertura. Receberá também as provas de atletismo nos Jogos de 2016.

A piscina do Parque Aquático Maria Lenk, de R$ 85 milhões, recebeu 27 competições entre 2008 e 2012 –para 2013, sete são programados. É gerido pelo Comitê Olímpico Brasileiro há cinco anos e recebe apenas os treinos do Time Brasil, grupo de atletas apoiado pelo COB.

O Parque Aquático Julio Delamare, reformado por cerca de R$ 10 milhões, deve ser demolido e virar estacionamento do Maracanã. O local era usado para treino, escolinhas para crianças e prática esportiva para adultos.

A Arena Olímpica do Rio, casa de basquete e ginástica no Pan, está nas mãos da iniciativa privada e pouco é usada para disputas esportivas. Ela custou R$ 129 milhões.

O Velódromo da Barra, que custou R$ 14 millhões, terá a pista desmontada e levada para Goiânia. Um novo será erguido, por R$ 80 milhões.

Prefeito do Rio à época do Pan, Cesar Maia critica as demolições. “São absurdos. O velódromo foi feito a imagem e semelhança do dos Jogos de Atenas, com a mesma empresa indicada pela confederação internacional como única capaz para fazer a pista”, afirma o hoje vereador (DEM).

Procurado pela Folha, o COB diz que “os Jogos Rio- -2007 representaram a ‘credencial’ para o Brasil conquistar a confiança da comunidade esportiva internacional. Foram peça fundamental na conquista da sede dos Jogos Olímpicos Rio-2016”.

Para o comitê, não é possível comparar as edições brasileiras do Pan-Americano.

Usados no Pan-63, o campo de beisebol do Bom Retiro, os complexos do Ibirapuera, do Pacaembu, o Baby Barioni e o autódromo de Interlagos são usados por atletas e abertos à população.

Hoje, o Rio sofre com a saída de atletas devido ao fechamento de praças esportivas.

São os casos dos ginastas Diego e Daniele Hypolito, do nadador Kaio Márcio e de Natália Falavigna (taekwondo).

“A diferença entre o Pan de São Paulo e o do Rio são os muitos equipamentos construídos, alguns em uso e outros, não. Mas conseguimos trazer a Olimpíada de 2016 porque tínhamos instalações, bem ou mal”, afirma Fernando Telles, 75, quinto nos saltos ornamentais em 1963.

Atleta olímpico e engenheiro, Telles projetou as plataformas de salto do Julio Delamare. “[A demolição] É muito triste, pois é a melhor piscina de saltos do Rio”, diz.
Paulo Carotini, o Polé, 67, foi ouro no polo aquático no Pan, disputado no Palmeiras.

“Hoje a piscina está lá ainda, como a do Pinheiros, onde treinávamos. Infelizmente, no Rio, foi feita muita coisa e muito está sendo derrubado”, afirma o ex-atleta.

O Pan do Rio também teve virtudes. O Maracanãzinho, reformado para 2007 e casa do vôlei nos Jogos de 2016, e o Complexo de Deodoro, também sede da próxima Olimpíada, receberam verba do Ministérios do Esporte e da Defesa e são os exemplos bem-sucedidos.

Deodoro recebeu mais de 250 eventos desde 2007.

De outro lado, o de São Paulo não foi impecável. A organização foi finalizada às pressas, e o velódromo do Ibirapuera já não existe mais.

Ainda assim, 1963 deu lucro. Com a receita do evento, o COB adquiriu sua antiga sede, no centro

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