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Dia 05 de outubro o esporte brasileiro dará vários passos atrás. Haverá eleição no Comitê Olímpico Brasileiro e, embora não conte com a simpatia de várias Confederações, Carlos Nuzman, o nosso Pajé Olímpico, figura como único candidato.

Nesse quadriênio as relações de Nuzman com as Confederações sofreu arranhões. A forma abusiva e autoritária desagradou diversos presidentes. No início do ano, uma reunião havida na sede do COB, Nuzman exasperou-se e crticou abertamente a performance de algumas modalidades. Nuzman alegava que dava às Confederações todas condições e estas não apresentavam resultado. Foi uma reunião tensa. Já prevendo o fracasso olímpico, Nuzman tentou jogar a conta nas costas das Confederações, como se ele próprio não tivesse nada com isso. Nesse dia, Nuzman deixou a reunião irritado, fez faniquito, não cumprimentou os representantes das Confederações.

O desagrado com Nuzman foi tanto que algumas Confederações engendraram um movimento oposicionista. Reuniram-se, por mais de uma vez, cerca de dez Confederações, para discutir alternativas à Nuzman. Os encontros deram-se no Clube Marimbás, no Rio. As Confederações ensaiaram o lançamento da candidatura de Ary Graça, para uma transição tranquila. Ary não se fez de rogado e não desautorizou as Confederações rebeladas trabalharem seu nome para o COB.

Nuzman, ao saber das reuniões de oposição, tratou de convocar uma reunião na sede do COB para tratar de um determinado assunto, inventado por ele. A verdade é que Nuzman queria reunir as Confederações e, cara a cara, solicitar o apoio à sua reeleição. E foi assim que, nessa reunião convocada para outro propósito, de sopetão, Nuzman tirou da cartola um lista de apoio à sua candidatura, a qual fez com que os presidentes, constrangidos, assinassem. Dias mais tarde, Nuzman chamou Ary Graça ao Comitê e dele cobrou apoio público à sua reeleição. Ary, que viria a ser contemplado com a presidência da Federação Internacional de Volleyball, emprestou seu apoio a Nuzman. Depois constatou-se que, por um período, Ary estava com um pé em cada canoa.

Meses mais tarde, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Eric Malesom, lançou sua candidatura de oposição, que foi solenemente ignorada por Nuzman, como se haver oposição fosse um insulto, uma desfaçatez.

Espero que a Assembleia Geral do COB, no dia 5 de outubro, às 11h30min., não seja mera formalidade. Será excelente se as Confederações, mesmo aquelas que votarão em Nuzman, estimulem o debate, exponham novas ideias, exijam mudanças, tracem novos rumos.

A reeleição de Nuzman é horrorosa para o esporte do Brasil, sem dúvidas. Mas, então, que as Confederações façam com que esse momento triste do nosso Olimpismo seja menos penoso ao Brasil.

Será fundamental que a grande imprensa esteja presente e que faça a Nuzman as perguntas necessárias.

Lars Grael pede “gestão esportiva mais democrática, plural e transparente”

 

José Cruz

Sobre a decisão do governo de adiar para depois dos Jogos Rio 2016 a implantação de critérios que democratizem a gestão do esporte, recebi a seguinte mensagem do velejador Lars Grael, que integra o grupo Atletas pela Cidadania.

Recuar, jamais!

Esta é posição do movimento Atletas pela Cidadania diante a um eventual recuo do Ministério do Esporte na posição de condicionar investimentos públicos para as confederações com um dispositivo que limite os mandatos dos coronéis do esporte.

Seria a hora de fincarmos a bandeira por um modelo de gestão esportiva mais democrática, plural e transparente.

As entidades de administração do desporto são entidades de direito privado, sim, mas representam um bem público nacional que é o esporte, no caso Olímpico e Paralímpico. Vivem e se abastecem de investimentos majoritariamente públicos. Nada mais natural e democrático que nossos dirigentes tenham noção de transitoriedade. Seria uma grande contribuição do Ministro Aldo Rebelo para o futuro do esporte brasileiro.

Usar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 como reféns, do “não se pode acabar agora com um trabalho encaminhado para estes eventos globais”, não serve!

 Os bons presidentes de confederações poderão terminar seus mandatos, e se forem bons, serão capazes de eleger um sucessor. Outros que se perpetuam por décadas perceberão a necessidade de separar o público do privado. Separar o pessoal do institucional. O esporte é de todos. É este novo modelo de governança que a sociedade anseia.

Devemos seguir o exemplo a partir da cúpula do esporte, o Comitê Olímpico Internacional, que por iniciativa de seu presidente, o velejador Jacques Rogge, alterou o estatuto do COI permitindo apenas uma reeleição, já a partir de seu próprio mandato.

No Brasil, algumas entidades esportivas adotaram espontaneamente este conceito, como o Comitê Paralímpico Brasileiro.

 Não queremos cartolas, queremos gestores e que sejam profissionalizados.

 Queremos que atletas, treinadores e árbitros tenham direito ao voto.

O lobby das confederações poderá atropelar este movimento pela democracia no esporte.Podemos até perder esta batalha, mas ganharemos a guerra, por que a causa é certa. Defender a tirania da cartolagem, é indefensável.

Esperar por 2017, seria incorrer num equívoco histórico.

Lars Schmidt Grael

 

Quem já leu hoje o Blog do Juca Kfouri viu que o excelente jornalista esquadrinhou os caminhos do roubo dos documentos secretos de Londres 2.012, por parte de funcionários demitidos do Rio 2.016.

Juca deu nome aos bois. Apontou responsáveis, como agiram e que fim levaram. Não fosse o jornalismo competente do Juca, toda essa trama estaria embaixo dos carpetes da luxuosa sede do Co-Rio.

Gravíssimo atentar para o fato de que essa prática deplorável de surrupiar documentos confidenciais de terceiros não é novidade para aquela gente. Em 2.006 violaram arquivos secretos da empresa suíça EKS, contratada pelo Co-Rio, sem licitação pública, para trabalhar na preparação dos Jogos Panamericanos de 2.007. Aliás, eu já denunciei a contratação irregular da EKS, sem licitação, quando fui ao Senado Federal.

O que se comprova é que o crime de violar propriedade intelectual de terceiros é continuado, contumaz. Se fazem isso com arquivos de computador, imaginem o que devem fazer em outros setores.

A transparência no Co-Rio é nenhuma, dessa gente paga com recursos públicos.

Não há mais razão para o governo federal não intervir no Co-Rio, varrer de lá aquela cúpula incompetente e salvar a boa imagem da Olimpíada brasileira.

Vocês leram no blog do excelente Juca Kfouri (http://blogdojuca.uol.com.br/2012/09/carta-de-uma-funcionaria-demitida-do-rio-2016/)a carta que a Renata Santiago enviou ao Nuzman. Pois é, a Renata era uma funcionária antiga do COB, responsável e leal ao trabalho. Na carta Vocês notam a profinda decepção da Renata, dizendo que não corrompeu nenhum arquivo secreto e, ainda pior, foi forçada a assinar sua carta de demissão.

E a Renata não fez nada mesmo. Não tem qualquer responsabilidade sobre a pirataria que o Co-Rio promoveu nos computsdores londrinos. A questão é que quando o Co-Londres descobriu que havia sido roubado, violado, vilipendiado, usurpado, Sebastian Coe foi duro com Nuzman e dele exigiu providências imediatas, sob pena de processá-lo. Nuzman, contam interlocutores
do COB, ficou absolutamente atônito. Acostumado a mandar, desconcertou-se quando ouviu as duras reprimendas que lhe foram desferidas ao telefone. Nuzman não tinha outra opção que não oferecer a Sebastian Coe algumas cabeças. Elegeu dez, curiosamente, um número redondo.

Ocorreu o que normalmente ocorre no Brasil. A corda estourou do lado bem mais fraco. Nuzmam pensou que ao entregar cabeças aos britânicos, estaria livrando a própria. Enganou-se. O assunto não estava exaurido e, até o momento, muito longe de ser esgotado. De verdade, alguém acha que a Renata iria piratear arquivos secretos do Comitê de Londres? Evidentemente que não. E o que Nuzman também não contava é que a Renata — talvez outros mais — trouxessem o assunto ao público. Ninguém é idiota de achar que a Renata e seus colegas demitidos fariam tamanho absurdo. Não é assunto da competência deles. E, seguramente, tarefa tão sórdida e espinhosa, secreta, não seria, nunca, entregue a esses funcionários.

A execução do serviço da arapongagem tupiniquim veio de cima, de quem talvez tenha um viés de araponga espertalhão. Nuzman entregou a Sebastian Coe cabeças inocentes, quaisquer que fossem, sem dó, nem piedade, pensando, unicamente, em salvar a sua.

Atentem, fiquem de olho, porque o assunto não vai parar por aí.

Ministro Aldo Rebelo, V. Exa. sempre tão preocupado com os valores do Brasil, fiel defensor de lendas nativas como o Saci Pererê e o Curupira, escudeiro da língua portuguêsa, não trate a questão como um assunto privado. A questão é pública, abala a imagem da nação e merece interferência dura do Governo. Tão dura quanto foi a do inglês Sebastian Coe.

24/09/2012 às 19h49 – Declaração do Ministro Aldo Rebelo sobre episódio envolvendo o Rio 2016  

Claro que a nota abaixo é meramente protocolar. Na verdade, aos mais próximos, o Ministro Aldo Rebelo manifesta seu desejo de que, a exemplo da CBF, o COB também passe por mudanças. Percebam que na nota o Ministro menciona celebração de acordo entre os governos do Brasil e do Reino Unido, deixando de lado o Comitê Brasileiro. O Ministro também isenta o governo de culpa, quando ressalta que o fato envolveu duas entidades privadas. Quis ele deixar bem claro que o tal incidente lamentável, ao qual ele se refere, foi arte do Co-Rio 2.016.

” Qual a opinião do senhor sobre a subtração de informações de computadores do Comitê Organizador dos Jogos Londres 2012 por funcionários do Comitê Rio 2016?

O senhor acha que o episódio pode afetar as relações com o Reino Unido?

Trata-se de incidente lamentável, envolvendo duas entidades privadas – os comitês organizadores dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. O Comitê Rio 2016 agiu corretamente ao apurar o incidente, junto com o Comitê de Londres, e punir os autores. O comportamento dessas pessoas foi inaceitável e não expressa a atitude de
confiança e harmonia que tem marcado a cooperação dos dois países na preparação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos sob sua responsabilidade.

O governo do Reino Unido, inclusive, já aprovou a formação de um grupo de trabalho com o governo brasileiro para repassar a sua experiência de organização dos Jogos de Londres, de forma a ajudar o Brasil a enfrentar os
desafios da preparação dos Jogos do Rio 2016.”

O roubo dos arquivos secretos por funcionários do Co-Rio 2.016 não é apenas um caso grave, um assunto sério. É, acima de tudo, um emblema da falta de ética que está arraigada nas estruturas do Brasil. Um sintoma da prepotência de gente que, investida em posição de mando, é tomada por síndrome de pequenos Deuses. E, assim, julgam-se inatingíveis, acima de qualquer lei.

Dessa vezm a megalomania dessa turma atingiu até mesmo o sentimento de impunidade. Acostumados no Brasil a fazerem qualquer tipo de estrepolia sem que nada os atinja, levaram esse conceito para além mar. E quebraram a cara. Conhecendo e estilo deles, certamente acharam que, se fossem pilhados, os inglêses quando muito dariam uma advertência secreta, sem escândalo e que a pajelança olímpica daria um jeito de varrer a sujeira para atrás das cortinas e a vida seguiria sem altercações.

Ao contrário do que imaginaram nossos organizadores olímpicos, os inglêses indignaram-se, jogaram duro, deram uma reprimenda pública, ameaçaram ingressar com processos e, não confiando na palavra do “Brasil Olímpico”, despacharam para cá pessoas de confiança para certificarem-se de que todos os arquivos obtidos ilegalmente haviam sido apagados.

Mas claro que os inglêses sabem que a faxina que fizeram nos computadores do Co-Rio não é garantia de que as informações confidencias não estão espalhadas em pen drives, nas mão dos nossos
respeitáveis e espertos olímpicos. A vinda dos inglêses ao Brasil foi uma demonstração da seriedade com estão tratando o caso e que não confiam na palavra falada e escrita dos nossos compatriotas.

Portanto, ao contrário da nota cínica que o Co-Rio 2.016 emitiu, não se trata de mero caso isolado, sem relevância. O assunto é sério, o Brasil está passando por um vexame internacional e o governo federal tem que intervir.

Ora bolas, não é o COB que adora intervir nas suas Confederações filiadas? Pois que agora sofram a intervenção do poder público, muito necessária nesse momento.

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