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Robert Helmick E O COI.

setembro 13, 2017

Robert Helmick era dos mais poderosos dirigentes do esporte olímpico mundial. Em meados dos anos 80 assumiu a presidência do Comitê Olímpico dos Estados Unidos e, pouco depois, foi cooptado membro do COI nos Estados Unidos. Tido como advogado brilhante, sua carreira no COI foi meteórica. Logo foi eleito membro da Comissão Executiva da entidade e, em seguida, Vice-Presidente. Era também um dos Vice-Presidentes da Organização Desportiva Panamericana. Bom articulador, sua maior ambição era suceder Samaranch. E trabalhava com afinco para esse objetivo. Tudo indicava que Robert Helmick seria um candidato natural e fortíssimo para suceder Samaranch. Ele trabalhava abertamente para isso.

Pois no apogeu de sua carreira como dirigente esportiva, quando realmente estava na crista da onda, Helmick foi acusado de utilizar seus cargos no esporte para a angariar serviços para o seu escritório de advocacia. Chegou a oferecer serviços jurídicos para empresas de televisão interessadas em adquirir do COI os direitos televisivos dos Jogos Olímpicos. Ou seja, fazia uma espécie de advocacia administrativa, utilizava de seu prestígio olímpico para captar clientes, em flagrante conflito de interesses.

Com essas acusações, Helmick foi levado ao Conselho de Ética do COI. Defendeu-se como pode. O Parecer do Conselho de Ética foi pela expulsão de Helmick da entidade, entendendo que ele havia ferido de morte os ideais e a ética olímpica.

No dia 03 de dezembro de 1.991, o Comitê Executivo do COI estava reunido em Lausanne, na Suíça, preparado para julgar o destino de um dos mais influentes dirigentes olímpicos daquele momento. Não houve julgamento. Naquela madrugada, Helmick foi até a suite de Samaranch e empurrou por debaixo da porta sua carta de renúncia. Ele sabia que seu destino estava selado. Com a renúncia de Robert Helmick, o COI houve por bem bani-lo do Movimento Olímpico, impedindo-o de participar, ou frequentar, qualquer atividade esportiva. Helmick sumiu do mapa. Mesmo seus amigos mais próximos no COI não tinham notícias dele. Escreviam e ele não respondia. Sua queda e desaparecimento foram muito mais rápidos que sua ascenção. O caso Helmick foi o primeiro grande e rumoroso processo de expulsão de um membro poderosíssimo do COI. E as acusações que contra ele pesaram foram de tráfico de influência e advocacia administrativa. Algo muito distante de compra de votos, pagamentos e recebimentos de propinas.

Robert Helmick morreu no completo ostracismo olímpico, aos 66 anos, vítima de um derrame cerebral, em 05 de abril de 2.003. O COI ignorou solenemente.

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