A Entrevista de Nuzman.

Ontem Carlos Arthur Nuzman deu entrevista aos excelentes repórteres da Folha de São Paulo, Edgard Alves e Paulo Roberto Lauand Conde. Por melhor que sejam os entrevistadores, como aqui é o caso, de Nuzman nunca extrai-se muita coisa. Perguntas objetivas não têm as mesmas respostas. Ele costuma responder o que quer, fugindo do tema central, daquilo que efetivamente a sociedade quer e necessita saber, principalmente de um indivíduo que tem em suas mãos a responsabilidade de gerir um brutal orçamento proveniente de dinheiro público. Nuzman não foge à regra da maioria dos políticos que, quando entrevistados, agem da mesma maneira.

Um ponto chamou minha atenção, entretanto. Quando indagado sobre o superfaturamento de 1.000% dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro em 2.007, disse Nuzman que isso se deu porque, no meio do caminho, ele levou ao governo a ideia da candidatura olímpica. E, por isso, tinham que caprichar no evento, motivo pelo qual as obras ficaram mais caras. Nuzman, agora, mudou o discurso. Antes falava que qualquer obra tinha o chamado “orçamento flexível”, ou seja, os preços inicialmente previstos nunca eram aqueles que se viam ao final. Roque Citadini, Conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo e homem ligado ao esporte até fez boa piada, na época, ressaltando que Nuzman era o criador do conceito novo do “orçamento flexível” e, pior, feito com dinheiro do povo.

Nuzman não disse em sua entrevista à Folha, ontem, que a grande maioria das obras e serviços atrasaram muito, em alguns casos sendo consideradas de caráter emergencial. E que por esse motivo, como é natural, tudo ficou muito mais caro a ponto de o orçamento inicial explodir em 1.000%.

E se o argumento de Nuzman estivesse correto, isto é, se os Jogos Panamericanos foram caríssimos porque tinham que ter jeito de Olimpíada para fomentar a futura candidatura é de indagar-se aonde está o legado. Fosse isso, muito pouco teria que ser construído para as Olimpíadas. E o que se viu foi exatamente o oposto. Quase todas as obras olímpicas terão que ser construídas e o pouco que sobrou do Panamericano é subutilizado. Isso sem falar no velódromo, também caríssimo, que em vez de servir para a Olimpíada, conforme apregoa Nuzman em sua entrevista, foi completamente destruído para o erguimento de um novo, ainda mais dispendioso.

Meu palpite segue sendo o mesmo. Assim como a Copa, os Jogos Olímpicos, agora sob supervisão intensa do COI, vão sair de forma satisfatória, mas por um custo altíssimo para o povo brasileiro. E depois disso, teremos aí espalhados pela cidade mais uma porção de elefantes brancos, que poderiam estar a serviço do esporte social. Mas que não estarão.

O Brasil gastará com os Jogos Olímpicos, um evento de quinze dias, o orçamento anual da cidade de São Paulo. Isso nos cálculos atuais, sem contar os “orçamentos flexíveis” que certamente veremos.

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