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Abaixo O Texto De Carlos Martins Intitulado “Remo no País do Futebol”.

julho 30, 2014

TEXTO DE CARLOS MARTINS

Remo no País do Futebol.

Por Carlos Martins

Depois do vexame do futebol na Copa de 2014, vamos torcer pelas Olimpíadas 2016.
A desastrosa atuação do futebol do Brasil não chegou a ser uma tragédia, mas podemos dizer que abalou o ufanismo futebolístico. Afinal, sete a um não deixa dúvidas nem permite individualizações. Muita coisa tem que mudar, mas infelizmente os nossos dirigentes, com honrosas exceções, são incapazes de formular propostas para o futuro, por que antes de se interessar por esporte, se interessam por política, interesses pessoais ou por se manter no poder.
O desastre na Copa talvez sirva para melhorar a gestão dos esportes no Brasil. Os economistas Mark Skidmore, da Universidade de Wisconsin, e Hideki Toya, da Universidade de Nagoya, analisaram 89 países entre 1960 e 1990 e concluíram que, em longo prazo, desastres podem levar ao crescimento. Primeiro se recebe ajuda para se reconstruir. Nesse momento há entrada de investimentos. Quem já havia perdido a competitividade desaparece, mas outros emergem mais eficientes. Isso porque o desastre força a atualização. É como uma destruição criativa. Os pesquisadores descobriram que os desastres levariam sociedades a investir mais em pessoas e menos em coisas materiais.
O vexame do futebol nos obriga a lembrar do remo nas próximas Olimpíadas. Afinal, Botafogo, Flamengo e Vasco, são clubes de regatas que surgiram no Rio de Janeiro na época em que o remo despertava o maior interesse. Ainda hoje o que acontece com o departamento de futebol nesses clubes pode refletir no departamento de remo. Mas, como o remo não desperta a mesma atenção de antigamente, alguns dirigentes do remo são esquecidos ou se isolam imaginando que já sabem tudo. Alguns não gostam de críticas.
O saudoso jornalista João Saldanha já dizia em 1963 que os clubes de futebol tinham estrutura arcaica e obsoleta: -“As bases dos clubes são muito frágeis, a partir de um modelo viciado que se mantém graças aos talentos individuais”. Raros são os exemplos de uma equipe construída, desde a base, dentro de um mesmo clube. Em 2009, assim que o Rio de Janeiro foi escolhido para o local das Olimpíadas apelamos para que a Confederação de Remo liderasse um grande mutirão no Brasil de olho nas Olimpíadas, a exemplo do que fez a China e a Grã-Bretanha, com ajuda de clubes, escolas, universidades, instituições militares etc. Como falta pouco tempo certamente não faltará desculpas. Perdemos o bonde?
– “A renovação do remo no Brasil praticamente não existe. Eu percebo isso quando chego nas competições e noto que nunca vi os atletas argentinos antes. Enquanto nós brasileiros somos sempre os mesmos. Só agora que a Confederação Brasileira está começando a se planejar” – destacou Fabiana Beltrame, o maior nome na história do remo do Brasil, em entrevista dia 26/7/2014 para o site Globo esporte.
Numa conta rápida, o Brasil tem uma população maior que a Argentina e o Uruguai, mas enquanto cada um dos nossos queridos vizinhos já ganhou quatro medalhas olímpicas, o Brasil até hoje não ganhou nenhuma.
Infelizmente não podemos dizer que o esporte no Brasil é organizado. É mais fácil dizer que o esporte no Brasil é explorado. As Confederações e Federações, em diversas modalidades, com honrosas exceções, funcionam como parasitas do esporte.
Assim como aconteceu na Copa, quando se gastou bilhões de reais em obras, o governo acaba de divulgar que gastará 600 milhões de dólares (R$ 1,3 bilhão) neste ciclo olímpico. Quem controlará a aplicação desses recursos? Recentemente o Tribunal de Contas da União criticou a falta de transparência sobre os gastos e questionou o fato da Matriz de Responsabilidades Olímpica não dispor de qualquer informação detalhada.
Segundo estudo do jornal Estadão, publicado esta semana, a dívida líquida dos clubes é de 5,682 bilhões de reais. Não dá para dizer que não circula dinheiro nos clubes. Um projeto de lei em andamento na Câmara dos Deputados, se aprovado, diz que os clubes serão punidos esportivamente e os dirigentes, responsáveis pela má gestão financeira dos clubes, serão responsabilizados.
Como aconteceu no Pan2007 e agora na Copa2014, provavelmente teremos muitas despesas em obras (superfaturadas?), mas qual será o legado para o desenvolvimento do esporte nacional? No caso do remo, por exemplo, falam das obras nas arquibancadas e na raia da lagoa Rodrigo de Freitas. Não se fala de investimento em remo nas escolas, nas universidades, nas cidades, remo como ferramenta de educação, contra as diferenças de gêneros, inclusão social etc. Quando acabar as Olimpíadas, o remo do Brasil continuará como está hoje.
Pouco antes de começar a Copa2014, a Colômbia apresentou em fórum realizado no Brasil um Plano decenal, até 2024, utilizando o esporte como ferramenta de transformação social para lutar contra o preconceito, a violência, a desigualdade e para desenvolver a juventude colombiana.
Enquanto isso aqui, onde serão as Olimpíadas 2016, os presidentes do Vasco, Flamengo e Botafogo, os maiores clubes de remo, não se manifestam nem fazem nada contra a ocupação do Estádio de Remo da Lagoa pelo Shopping Lagoon, no local onde poderia ser o Centro de Treinamento do Remo do Brasil. Como no futebol, antes do vexame na Copa, os presidentes devem pensar que não falta nada ao remo do Brasil.

Carlos Martins

Visite e divulgue: http://www.remo2016.com.br

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