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“Em Respeito à Memória do Esporte Brasileiro”, pelo Professor Henrique Nicolini.

abril 24, 2013

Texto do Professor Henrique Nicolini, publicado na GazetaEsportiva.Net

http://www.gazetaesportiva.net/blogs/henriquenicolini/2013/04/24/respeito-a-memoria-do-esporte/

24 de abril de 2013 – 15:36

Recebemos nesta semana um e-mail do advogado Alberto Murray Jr manifestando a sua revolta contra a atual administração da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo. Ele passou pelo Conjunto Esportivo do Ibirapuera e verificou que as placas de inauguração do ginásio de esportes e da pista de atletismo com o nome de seu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha, haviam sido removidas. Ele considerou isso uma afronta e uma desconsideração a Sylvio de Magalhães Padilha, bem como à memória desportiva de São Paulo.

Pessoalmente, achamos que jamais o titular da pasta estadual deixaria, após as reformas, de restituir aqueles marcos aos seus devidos lugares, numa ação de respeito a um dos mais importante de seus antecessores.

Com 67 anos de crônica esportiva, acompanhei cada etapa da luta para que o Conjunto tivesse a configuração atual.

O Conjunto foi construído aos poucos, com cada unidade respondendo a uma luta específica, tentando solucionar problemas também específicos do nosso esporte que vinham acontecendo no decurso de sua longa gestão.

A primeira obra foi a do ginásio, que permitiu a São Paulo receber os grandes eventos internacionais, solvendo uma das grandes carências de nossa cidade. Depois foi construída a pista, que em sua primeira edição era conjugada com o Velódromo. Depois ganhamos uma piscina olímpica e o edifício dos alojamentos permanentes do Projeto Futuro da Rua Manoel da Nóbrega, onde tiveram abrigo durante o período de treinamento atletas que se transformaram em campeões olímpicos.

O Conjunto foi implementado com outras instalações, como o ginásio poliesportivo da Rua Abílio Soares, quadras descobertas e restaurantes.

Cada melhoramento marcou cada época, todos com verbas de orçamento e nenhuma negociata. O arquiteto Ícaro de Castro Mello era funcionário do DEFE e fez todos os projetos. Nos primeiros tempos, não havia nem a Secretaria de Esportes, tudo era feito pelo DEFE (Departamento de Educação Física e Esportes do Estado de São Paulo).

Padilha começou a lutar pelo Conjunto desde a conquista da extensa área em que ele se encontra. Foi uma longa e vitoriosa negociação com o II Exército e a Prefeitura.

Tudo que existe no Conjunto é obra de Padilha, que também acrescentou ao seu currículo o Conjunto da Água Branca: um ginásio poliesportivo, a primeira piscina coberta do país e um edifício para a sede das federações estaduais que ocupavam o espaço gratuitamente e estão sendo expulsos pela atual administração. Não havia este foco argentário que, infelizmente, hoje restringe a ocupação destas instalações construídas com o dinheiro do povo e o progresso da própria prática esportiva.

Ainda antes de sermos jornalista, há mais de setenta anos, vimos Padilha levando governadores de Estado (no fim da década de 30 e início da de 40) para lá assistir a competições de atletismo.

Padilha merece mais do que a recolocação de duas placas (deveriam ser muito mais!). Se houver uma verdadeira justiça, quando terminar esta prolongada reforma, precisaria ser erguido um busto para ele.

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