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O Brasil Está No Caminho Certo Para 2.016? Abaixo Artigos Publicados No Jornal O Povo, De Fortaleza. Há Duas Visões.

agosto 21, 2012

OLIMPÍADA

 

SIM – Mesmo antes do Rio de Janeiro conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, um novo ciclo no esporte brasileiro já havia iniciado. Mais precisamente em 2003, com a criação do Ministério do Esporte. Depois de anos de batalha em busca da consolidação de políticas públicas para o esporte nacional, a criação do ministério abriu um novo horizonte de possibilidades para o desenvolvimento do setor. O avanço pôde ser percebido com as inúmeras conferências nacionais sobre o tema e o surgimento de programas federais de capilaridade.

A existência de uma Secretaria Nacional de Esportes de Alto Rendimento contribuiu para criação de diversos programas de estímulo à atividade atlética, à infraestrutura desportiva das cidades e aos financiamentos, como o Bolsa Atleta. Este sistema de financiamento ao esporte foi reforçado com a lei Agnelo/Piva e a lei de incentivo que, em parceria com a iniciativa privada, aumentou o quantitativo de recursos investidos no setor.

Na atual Cidade Olímpica, três vetores formam a base das políticas públicas do município do Rio de Janeiro: esporte educacional, de participação e de rendimento. Enquanto o município financia, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) coordena a parte técnica do projeto em parceria com as Confederações Brasileiras Olímpicas e demais entidades esportivas. Assim, os atletas selecionados trabalham com uma equipe multidisciplinar e recebem bolsa mensal. O COB também atua na compra de materiais e equipamentos para a prática do esporte e logística para viagens e competições financiadas pela Prefeitura.

Dentre os investimentos de base necessários para formar um atleta, o Rio, além da prática esportiva nas escolas, oferece 20 Vilas Olímpicas situadas em diferentes zonas da cidade, sendo três em fase de construção, como forma de ampliar o acesso ao esporte. Nestes equipamentos podem ser praticadas 28 modalidades olímpicas como natação, judô, futebol, basquete, vôlei e atletismo.

 

“O avanço pôde ser percebido com o surgimento de programas federais”

Romário Galvão

Secretário Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro

 

NÃO – A participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres foi ruim. Não por inaptidão dos atletas, que atuaram no limite de suas possibilidades. Os resultados foram fracos em face do volume brutal de dinheiro que foi injetado no esporte de alto rendimento. Em mais de dez anos de Lei Agnelo Piva, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) arrecadou mais de R$ 10 bilhões, sem contar os repasses que recebeu do Ministério do Esporte.

Não seria justo analisar a performance do País com base exclusivamente em uma Olimpíada. Londres 2012 é um reflexo das políticas equivocadas que foram adotadas no Brasil ao longo da década pelo COB e pelas autoridades públicas. O Brasil não tem se saído bem em certames olímpicos sucessivos.

É inadmissível que os resultados brasileiros sigam sendo os mesmos da época em que o esporte vivia à míngua. Pior, neste ciclo olímpico houve involução. O número de finais disputados pelo Brasil reduziu-se de 41 para 35. O Governo Federal, como grande financiador do esporte olímpico, tem o dever de investigar a razão de tantos malogros.

E não basta apenas trocar os dirigentes. Há de se modificar os conceitos que norteiam a administração do COB. Além disso, o governo tem que encarar o esporte como uma questão de Estado e estabelecer políticas de base para o segmento, envolvendo escolas, universidades e Forças Armadas. O Ministério do Esporte não pode mais ser preenchido por políticos que desconhecem o assunto.

E que o Brasil não se iluda, porque para 2016 não há mais tempo para modificar a estrutura e seguirá dependendo do esforço individual de valores esporádicos. Precisaremos de 15 anos para construir uma geração olímpica vencedora. Se não houver mudança de mentalidade, não adianta injetar dinheiro porque os resultados em 2016 serão a mesmice que temos observado ao longo de repetidos ciclos, muito aquém das possibilidades de um país de 200 milhões de habitantes.

 

“Se não houver mudança de mentalidade, não adianta injetar dinheiro”

 

Alberto Murray Neto

Advogado e ex-membro do COB e da Corte Arbitral do Esporte

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One Response to “O Brasil Está No Caminho Certo Para 2.016? Abaixo Artigos Publicados No Jornal O Povo, De Fortaleza. Há Duas Visões.”


  1. Simplesmente lapidar!!!!!

    A verso oficial, quase uma obra de fico, usando de meias verdades!! A verso real, mostrando a pura e dura realidade!

    Me faz lembrar (novamente e sempre) um terceto de Mrio Quintana. Um estranho terceto, para uma estranha realidade:

    “Que estranha nau que no demanda aos portos, Com mastros de marfim e velas de prata, Porm apinhada de meninos mortos….”

    Grande abrao,

    Lauter

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