Home

Hoje Faz Um Ano Que O Comitê Olímpico Brasileiro Tentou Censurar A Professora Kátia Rubio. Abaixo O Texto Que Ela Publicou Em Seu Blog.

janeiro 28, 2011

BLOG DA KATIA RUBIO

Por dentro da Psicologia e dos Estudos Olímpicos

Atos e fatos para lembrar, mas não necessariamente comemorar
28.01.2011 | Comente.

Hoje esse blog faz um ano!!
Seria um bom motivo para comemoração não fosse o fato dele ter nascido como desdobramento de uma arbitrariedade. Sendo assim, fico na dúvida entre comemorar e refletir sobre o passado e o futuro.
Como trabalho com memória e história oral quero deixar registrada minha lembrança sobre esse episódio para que no futuro ele não seja lembrado como uma situação que gerou muita polêmica, mas que não passou de um mal entendido.

Há exatamente um ano eu recebia uma notificação extra-judicial do Comitê Olímpico Brasileiro determinando que eu recolhesse meu livro Esporte, educação e valores olímpicos pelo uso, SEM AUTORIZAÇÃO, da palavra “olímpicos” na capa. O passo a passo dessa história pode ser visto nesse blog, inclusive com as cópias de todos os documentos recebidos e enviados.

Em alguns momentos penso que esse episódio está perdido em minha história. Em outros parece que foi ontem. Não vou discutir a arbitrariedade porque na época várias pessoas me ajudaram a gritar a plenos pulmões sobre isso, entre eles Alberto Murray Neto, Juca Kfouri, José Cruz, no Brasil, Barbara Schausteck, Wanderley Marchi Jr., companheiros da ALESDE, Andrew Jennings, na Inglaterra, Gustavo Pires, em Portugal, apenas para citar os mais próximos. Laercio Pereira do CEV, que me deu esse blog de presente.Sem contar os muitos colegas dos Estudos Olímpicos por esse mundo afora como Andy Miah da Inglaterra, Holger Pröess, da Alemanha e meus queridos Profs. Roland Renson, da Bélgica e Horacio Capel, da Espanha, que pautaram o tema em diferentes fóruns internacionais. Do ponto de vista concreto vejo a questão como a extrapolação do poder de determinar quem pode ou não estudar, pesquisar, divulgar, publicar um tema tomado como valor universal, na concepção de Pierre de Coubertin. Para quem estuda o Olimpismo e suas transformações ao longo do último século bem sabe o quanto as questões comerciais e materiais alteraram a ordem das coisas no mundo olímpico, transformando os valores também em objeto de consumo e não de reflexão e análise.

Há também o outro lado da questão que não é da ordem do material, mas do sensível.

Falo daquela sensação amarga de viver uma espécie de terror ao longo dos 7 dias que o processo durou. Da impressão de pequenez e fragilidade diante de uma instituição poderosa e onipotente capaz de dobrar as colunas mais rígidas de nossa sociedade. Do terror pelo sofrimento das pessoas mais próximas e queridas que nada entendiam sobre o que estava acontecendo. Da voz trêmula de meu pai perguntando se eu corria mesmo o risco de ser processada e presa e, juntamente com minha mãe, assistir ao programa do Juca, na ESPN, e perguntar ao final se aquilo tudo tinha mesmo acabado. Curioso perceber que para essas lembranças o tempo parece não ter passado. Tudo parece ter ocorrido ontem, muito embora eu desejasse acreditar em mim mesma quando digo que tudo passou. Talvez tenha passado sim, mas a lembrança permanece viva.
Sigo em frente, pesquisando, publicando sobre temas olímpicos. Tenho uma predileção pela história de todos aqueles que marcaram seu tempo e seu grupo social com algum feito diferenciado, seja ele micro ou macro. Acredito na capacidade de transformação desse mundo por conta da determinação de quem se envolve com o que acredita. Por isso estudo a história dos atletas olímpicos, de cada um deles, em diferentes momentos da história, tenham eles conquistado medalhas ou não.

E credito que continuarei a fazê-lo após 2012, 2016, 2020, independente do local onde os Jogos Olímpicos irão acontecer, de quem será o diretor da EEFE, o presidente da República ou do COB. O tema olímpico permanecerá ao alcance de todos aqueles que tiverem interesse, e compromisso, por desvendá-lo.

E sobre a determinação em seguir e perseguir nossos ideais, sou levada a acreditar que esse (ou aquele) episódio provou que independente do tamanho ou da força de uma instituição o compromisso com os valores é uma força capaz de agregar, multiplicar e transformar. Por isso sigo adiante.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: