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Em anos recentes o Movimento Olímpico viveu três momentos cruciais:

1. O massacre sofrido pela delegação de Israel em Munique, em 1.972 alterou significativamente o que se pretendia com a realização dos Jogos Olímpicos. Viu-se que aquilo que deveria ser um evento de esporte e congraçamento, para unir os povos, estava na alça de mira do terrorismo internacional.  Até Munique a segurança, definitivamente, não era questão crucial nos Jogos Olímpicos. Os Jogos de Montreal, em 1.976 chamaram a atenção até dos mais experientes pelo forte esquema de segurança, coisa que nunca havia ocorrido antes. Quem viu Jogos Olímpicos até 1.972 teve oportunidade de assistir algo que nunca mais viria a ocorrer.

2. Os Jogos de Montreal deram enorme prejuízo, não obstante sua fantástica organização. A cidade passou décadas pagando as vultosas dívidas deixadas pelos Jogos Olímpicos. Os Jogos de 1.980 foram realizados em Moscou, sob a ditadura comunista da União Soviética, em que o Estado não poupou recursos para usar o certame esportivo para propagandear o regime. Nunca se soube ao certo quanto custaram os Jogos Olímpicos de Moscou. Mas dinheiro não faltou. Para os Jogos de 1.984 não havia cidades interessadas em sediá-los. O desastre financeiro de Montreal tinha chamado atenção para o risco econômico que representava organizar Jogos Olímpicos. Los Angeles surgiu como uma opção negociada pelo COI, sob o comando de Samaranch. Los Angeles impôs condições ao COI para aceitar realizar os Jogos. Foi o inicio do profissionalismo. O COI começava a se afastar do dogma do amadorismo. Os Jogos de Los Angeles, em 1.984, deram lucro para a Cidade. Foi um ponto crucial na história do Movimento Olímpico.

3. A decisão do COI de escolher, em uma tacada só, as cidades sedes para os Jogos de 2.020 e 2.024 é sintoma do esgotamento de um sistema. Acabou-se a era em que profusão de cidades lutavam entre si para angariar os votos dos membros do COI que lhe assegurariam o direito de sediar Jogos Olímpicos. Houve um momento em que o número de cidades interessadas em sediar os Jogos Olímpicos era tão grande, que o COI expandiu a forma de escolha. Em vez de irem todas as cidades para votação, passou a ter uma comissão avaliadora do COI que já eliminava as cidades menos tecnicamente capacitadas. Isso acabou, encolheu. O gigantismo dos Jogos Olímpicos, as exigências dos padrões das instalações esportivas, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e outras tornaram caríssimos os investimentos necessários para organizá-los. As populações das cidades manifestaram-se contra as candidaturas, que minguaram. Quando o COI escolhe Paris e Los Angeles, ao mesmo tempo, para sediar os Jogos de 2.024 e 2.028, faltando apenas definir quem vai primeiro é um reconhecimento expresso do fim de um modelo.

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