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Silêncio Diante dos Escândalos no Basquete Brasileiro é Surpreendente.

novembro 26, 2015

Mais surpreendente que as mazelas e estripulias que os cartolas da Confederação Brasileira de Basquete (“CBB”) fizeram com as finanças da entidade, é o silêncio da comunidade daquela modalidade e demais autoridades esportivas. O grande jornalista Lucio de Castro, que já desnudou a questão do vôlei, agora traz uma série de denúncias estarrecedoras sobre administração do basquete nacional. Não é a toa que, se dependesse da CBB nem mais basquete teríamos no Brasil. Não fosse a liga independente, formada pelos clubes, esse esporte estaria completamente aniquilado. Não que ele esteja bem. Mas a liga, NBB, ainda é algo que se sustenta. Tirando isso, na larga maioria dos Estados do País, o basquete inexiste, principalmente o feminino, jogado à sua própria sorte. Não há formação de base, não há campeonatos, não há nada. Mas dinheiro, como se vê, isso há. E os cartolas se refastelam com isso. Gastam com viagens e mordomias em família. Escandaloso.

Muito curioso o silêncio da comunidade esportiva. O Comitê Olímpico Brasileiro, que com base na Lei Piva repassa verba pública para a CBB, não diz nada. O Ministério do Esporte, também repassador de dinheiro governamental, fica calado. As Federações (muitas delas provavelmente beneficiárias da gastança desenfreada) não abrem o bico. Os clubes não se manifestam. Tampouco a Liga. o TCU e a CGU é bem provável que nem saibam o que é basquete e que a CBB se abastece de dinheiro público, do COB, do Ministério e das estatais. E, pior, os atletas, assistem a tudo isso passivamente. Na medida em que esses não se revoltam, não tomam providências, passam a ser cúmplices. Será que não há nenhuma pessoa corajosa no meio do basquete que levante a voz, com vigor, contra esses desmandos? Não é possível que todos se acovardem.

O basquete do Brasil é repleto de glórias, títulos mundiais, medalhas olímpicas, pan-americanas, sul-americanas e que no passado sempre esteve entre as quatro, ou cinco, maiores forças do mundo. Foi o basquete que mostrou ao mundo brasileiros ilustres como Amaury Pasos, Wlamir Marques e todos os demais de sua geração e das que vieram depois. Foi o basquete brasileiro que fez o primeiro dirigente do nosso País a ser presidente de uma Federação Internacional. Antônio dos Reis Carneiro foi presidente da Federação Internacional de Basquete (FIBA) de 1.960 a 1.968 e, respeitadíssimo mundialmente, entrou para o hall da fama da modalidade.

Quando poderíamos imaginar que o nosso basquete, de tantas glórias e ensinamentos, estaria entregue a essa gente de hoje, que não está preocupada com o esporte, mas com o glamour e as benesses pessoais.

Com tudo isso, o COB deveria agir, o governo federal deveria imediatamente suspender os repasses de quaisquer verbas públicas e os atletas deveriam fazer greve e recusar convocações para as seleções nacionais, enquanto essa patota não cair fora. Foi assim que firam os atletas do tênis quando, cheios da administração do Nelson Nástas, resolveram que ele tinha que pegar o cainho da roça. E ele pegou.

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