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Muitas Medalhas Não Significam Que O Brasil Terá Resolvido A Questão Esportiva.

agosto 5, 2014

Quando se criticava, com razão, a gestão de Ricardo Teixeira na CBF muita dizia que na gestão dele o Brasil ganhou dois títulos e um vice-campeonato mundial, como se isso fosse um salvo conduto para administrações desastrosas. A CBF não existe para ganhar títulos mundiais, mas para, antes de tudo, organizar o futebol brasileiro em bases sólidas, democráticas, com campeonatos corretos e respeito aos jogadores e torcedores. Ganhar Copas do Mundo funcionavam como meras cortinas de fumaça que escondiam o descalabro do futebol. É o que s vê hoje, com clubes falidos, público ínfimo e nível técnico cada vez mais fraco.

Traçando um paralelo, o Comitê Olímpico Brasileiro parece que se dará por satisfeito se o Brasil estiver entre os dez países mais bem colocados em números de medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 2.016. Acho difícil isso acontecer. Mas ainda que assim ocorra, que os brasileiros não se deixem enganar achando que os sérios problemas do nosso esporte estarão resolvidos. Pelo contrário, essa política elitista adotada pelo nosso Comitê Olímpico e pelo Governo Federal, de investir recursos públicos maciços em poucos atletas de alto rendimento, está prejudicando o futuro esportivo do País.

Com receio de dar um vexame olímpico em casa, o Comitê Olímpico Brasileiro e o Governo Federal estão apostando naqueles atletas e equipes que podem subir ao pódio, deixando totalmente esquecidas as categorias de base. A maioria das delegações nacionais infantis e juvenis, em quase todas as modalidades, que deixam o Brasil para competir no exterior o fazem com os atletas pagando as despesas do próprio bolso, sem apoio algum devsuas Confederações e do Comitê Olímpico Brasileiro. E isso é péssimo. Uma geração forte de atletas olímpicos é formada em cerca de doze anos. Por isso é necessária uma visão de longo prazo e não imediatista. Há receio no meio esportivo do que pode ocorrer com o esporte após os Jogos Olímpicos de 2.016, já que as gerações futuras estão completamente desasistidas. A “política” esportiva adotada pelo Governo Federal e pelo Comitê Olímpico Brasileiro é um desistímulo para o jovem atleta permanecer competindo. Eles conseguem suas vagas nas seleções nacionais nos campos de esporte e, na hora de representarem o Brasil em competições no exterior, se não tiverem dinheiro não vão.

Isso sem falar no esporte escolar, completamente desestruturado, em um País em que apenas 12% das escolas públicas, aproximadamente, têm praças de esportes e, mesmo assim, em condições muito precárias.

Os Ministérios do Esporte e da Educação devem conversar entre si e, sob a batuta da Presidência da República, estabelecer uma política de Estado, de longo prazo, para massificar o esporte brasileiro. Temos, hoje, muito dinheiro público investido no esporte, porém mal gerido. E por órgãos que batem cabeça, porque não há uma clara definição de que papel cada um deles exerce no sistema desportivo nacional.

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