A Origem Romântica do Esporte Olímpico Brasileiro.

O esporte do Brasil cresceu com base em uma geração que se desenvolveu e consolidou seu espírito sob a influência de uma aura romântica gerada em fins do século dezenove e que teve em Coubertin o símbolo de uma figura doutrinadora e de excepção, atraindo e cristalizando consciências que se mantiveram até meados do século seguinte.

Essa geração permitiu a revelação de valores extraordinários. Não sei se todos conhecem a história do marinheiro Adalberto Cardoso na Olimpíada de 1.932, em Los Angeles. Como essa viagem aos Jogos da X Olimpíada entrou para o nosso folclore, pois, como se sabe, parte da nossa delegação não ficou em Los Angeles, local do torneio, tendo ido para São Francisco, é curioso mencionar a forma pela qual Adalberto Cardoso, que estava entre os atletas que foram para esta última cidade, acabou participando da prova dos dez mil metros. Pois bem, sem recursos e sem apoio de ninguém, Adalberto decidiu tentar a sorte. Assim, viajando a pé, ou pedindo carona a motoristas de automóveis, camihões, ou outros meios de tranaporte, Adalberto venceu a distância de 400 quilômetros que separa as duas cidades, chegando ao estádio Olímpico poucos minutos antes do início da prova. A ela concorreu, chegando em último lugar. O público, tendo sido informado de sua história, aplaudiu-o calorosamente e a imprensa qualificou-o como “Homem de Ferro”.

Não menos relevante será mencionar que espírito da Carta Olímpica influenciou profundamente aquela geração, assegurando aos valores de então o respeito à disciplina e sujeitando-os a todos os sacrifícios possíveis, sem a obsessão da pecúnia. Entre muitos, destacaríamos a presença das guarnições do Remo nos treinamentos a que se submetiam nas águas dos rios, ou do mar, fazendo-o madrugada alta e, para isso, fazendo os barracões de barcos dos respectivos clubes como moradia, de modo a permitir-lhes o comparecimentos aos locais de trabalho na hora convencional.

Esses exemplos aí citados evidenciam a incompatibilidade de duas épocas, porque hoje tais fatos não se registrariam, pela razão pura e simples de que, atualmente, o esporte é encarado como figura representativa de uma nação, valorizando-a em função  da sua conduta nos torneios que participa e não mais como meio de lazer e diletantismo, como ocorria no passado.

Por isso, os princípios que presidem as nossas delegações Olímpicas não podem desconhecer os valores filosóficos que nortearam nossos heróis do passado, sem os quais, nunca teríamos atingido os patamares que, hoje, nos permitem ampliar nossos horizontes esportivos.

Adalberto Cardoso, os pioneiros Remadores e tantos outros que entregaram suas vidas ao desporto nacional, merecem lugar de destaque no hall da fama de nossos corações. Conhecer as nossas origens atléticas, respeitá-las, preservá-las, divulgá-las é uma referência constante para quem milita no esporte.

 

Categorias olimpismo

Um comentário em “A Origem Romântica do Esporte Olímpico Brasileiro.

  1. Eduardo Henrique De Rose maio 25, 2020 — 12:28 pm

    Excelente o teu comentário, recordando nossos primeiros heróis olímpicos. Um abraço

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