Somos Maioria e Podemos ir Mais Longe. Por Alberto Murray Neto .

Não se tergiversa com ética. Não existe meia ética. Não negocio valores. Rejeito permanecer em qualquer ambiente em que os padrões mais rígidos e universais de ética são relativizados. Eu sou assim. Quando vejo sabotarem e ética, eu pulo fora.  Não contem comigo para criar a “ética de conveniência.”

Quando fui eleito, com extrema honra, por considerável maioria de votos, para o cargo de membro do Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”), fiquei extremamente feliz. Junto com meus diletos colegas, coube-nos elaborar o primeiro Código de Conduta Ética do Movimento Olímpico do Brasil. Era – como de fato foi – um documento histórico, um ponto de inflexão no esporte brasileiro. Enquanto trabalhávamos no Código de Conduta Ética, pensava comigo:

“Ora, para que um Código, em que iremos definir o que é ético e o que não é? Ética não deveria necessitar de regras escritas. Ética é fazer a coisa certa sem precisar olhar no livrinho. É fazer o correto quando ninguém está olhando”.

Em 05 de junho de 2.018, o Conselho de Ética do COB promulgava o primeiro Código de Ética do Movimento Olímpico do nosso país. Foi um momento de muito regojizo. Afinal de contas, por mais de dez anos ininterruptos entreguei minha vida à luta contra a corrupção no esporte, de forma franca, aberta, honesta, transparente e consistente, cujas repercussões positivas foram muito além das fronteiras do Brasil. Eu me expus, empenheei-me em uma luta sem quartel que, finalmente, no dia 05 de outubro de 2.017 teve seu ponto mais relevante. Naquele dia, começava a ser desmantelado um gigantesco esquema de corrupção que durante anos assolou nosso esporte. Tinha ciência da minha modesta, mas importante participação nos fatos que, naquela fatídica manhã, assistia pela televisão. O telefone não parava de tocar. Mensagens invadiam meu celular, eram cumprimentos que não paravam de chegar. Gente muito feliz, como se naquele dia o muro de Berlim tivesse vindo abaixo e o futuro voltasse a sorrir para o esporte nacional. Eu estava feliz com a contribuição que houvera dado àquilo.

É natural que quem se beneficiava daquele esquema que, corajosamente, ajudei a desmantelar, não gosta de mim. Não tenho qualquer problema com isso. Ao contrário, eu me envergonharia muito se aquelas pessoas estivessem ao meu lado. Aqueles que se refastelavam com aquele sistema podre, quero distância.

Por dois anos presidi o Conselho de Ética do COB. Também com toda humildade, sei que eu e meus companheiros fizemos um bom trabalho nesse período. Trabalhei bastante. Dediquei-me inteiramente ao Conselho de Ética, dando prioridade às demandas das Confederações, dos Atletas e da sociedade em geral, que esperavam que no esporte fossem criados novos paradigmas. Durante o tempo que estive lá, prezei pela transparência, ao mesmo tempo em que preservei a confidencialidade daquilo que era necessário. Julgamos vários processo éticos, publicamos, transparentemente, os resultados de todos eles. Fizemos Recomendações para aperfeiçoar a governança do esporte. Respondemos à inúmeras questões que nos eram encaminhadas pelo Canal de Ouvidoria. Nos aproximamos dos Atletas, das Confederações e dos fãs do esporte, que passaram a ver esperança no esporte.

Quando eu ví que as coisas deixaram de caminhar corretamente (não por culpa e vontade nossa) não hesitei em sair. Em 09 de janeiro de 2.020 fiz uma Carta Aberta e divulguei-a. Listei todos o fatos que me desagraram. Não pensei duas vezes em pular fora. Não vale a pena seguir adiante em um serviço voluntário, movido a paixão, ao vê-lo sabotado. Não acho que é o cargo que faz o homem, mas justamente o contrário. Por isso, porque tenho luz própria, não me submeteria a algo com o que não compactuo.  A mitologia grega diz que quando os deuses querem destruir alguém, a primeira coisa que fazem é enlouquecer a pessoa. Eu complemento que, para enlouquecer alguém, basta torna-lo vaidoso. E vaidade é algo que não faz parte do meu repertório. Não me inebrio com pompas, viagens e mesuras. Não me vendo por isso e nem por nada.

Ainda bem que a enorme maioria das pessoas que gostam de esporte e querem vê-lo cada vez mais pujante, concordam comigo e eu com elas.

Eu venci uma longa batalha de mais de dez anos, em que ajudei a desbaratar uma quadrilha que jogou o esporte brasileiro em seu pior momento da história. Vocês não imaginam o que passei. Fui perseguido, bisbilhotado, invadido em minha privacidade. Mas nunca duvidei que venceria. Tudo o que eu dizia, denunciava, reclamava, estava certo. Não entro em aventuras, tampouco em ações temerárias.

Por tudo isso que tenho certeza que posso ir além. Nós podemos, juntos, irmos muito mais longe. Porque somos maioria. Pessoas boas. Durante meus dois anos comandando o Conselho de Ética do COB aproximei-me de pessoas muito competentes. Fiz novos amigos. Vi muita gente honesta arregaçando as mangas por um esporte melhor, mais democrático. São Atletas, Dirigentes, colaboradores, imbuídos em seguir um trabalho correto.

Por isso tudo é que não desisto nunca. Somos maioria e o bem sempre vencerá o mal.

Categorias olimpismo

Um comentário em “Somos Maioria e Podemos ir Mais Longe. Por Alberto Murray Neto .

  1. Mauro Roberto Neuber maio 10, 2020 — 3:18 pm

    Parabéns Alberto !!!
    Por essa luta incansável,
    pela ética no esporte, seguindo sempre os passos do seu avô.

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