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Nuzman Faz Setenta Anos.

março 15, 2012

Em 17 de março de 2.012, Carlos Nuzman fará setenta anos. Aparte dos festejos que ocorrerão, normais ao completar essa idade, setenta anos tem para ele um significado especial. E para o Brasil, também.

Pela regra vigente da Carta Olímpica, o Nuzman setentão terá que abandonar o seu posto de membro do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”). A regra olímpica estabelece que ele se afaste de suas funções na entidade no final do ano calendário, isto é, nos extertores de 2.012. Poderá ele, a critério do CIO, tornar-se membro honorário. Isso lhe dará o direito de assistir às sessões, mas não de votar, ser votado, participar de comissões, nem exercer qualquer função executiva enquanto membro da assembléia geral do organismo. Poderá manifestar-se nas assembléias, quando assim solicitado pelo presidente. Não há nenhum demérito em ser membro honorário do CIO. Pelo contrário, se conseguir, será bom para ele.

É sempre bom lembrar que Nuzman nunca foi membro efetivo, nato, do CIO. Nuzman chegou ao órgão na esteira das mudanças que foram inseridas no estatuto e foi membro na quota de quinze membros
escolhidos dentre os presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais. Se deixasse o COB, mesmo antes de fazer setenta anos, Nuzman teria que ter, também, deixado o CIO. Durante seu período como membro do CIO, Nuzman tentou por duas vezes eleger-se membro do seu Comitê Executivo. Perdeu as duas. Em outras tantas tentou manobrar nos bastidores sua candidatura. Mas avaliando que teria outras derrotas, sequer chegou a concorrer. Em uma das derrotas de Nuzman, a sua assessoria de imprensa utilizou-se daquele método de “mentir contando sempre a verdade”. Ao perder uma das eleições para o Comitê Executivo do CIO, o sítio do COB, na internet, estampou “Nuzman Ganha Medalha de Prata no CIO”. Foi a genial fórmula que ele e seus assessores encontraram para anunciar que Nuzman perdera a eleição, ficando em segundo lugar, de onde tiraram a idéia da tal “medalha de prata”. Quem clicasse em cima do título da matéria e a lesse por completo, entenderia o que se passara. Quem lesse somente o título, acharia que Nuzman ganhara uma medalha de prata qualquer. Sua segunda tentativa para eleger-se membro do mesmo Comitê Executivo foi dias antes do início dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2.004. Desta vez tentou esconder a derrota, a qualquer custo. Tentou abafar a notícia. Não conseguiu. No mesmo dia, Juca Kfouri deu a notícia no seu programa de rádio CBN Esporte Clube. Em seguida, vários outros órgãos de imprensa repercutiram, para o infortúnio de Nuzman. Perder eleição também não é demérito. Não deveria ele tentar ocultar esse tipo de notícia. Em Copenhagen, na mesma sessão que escolheu o Rio de Janeiro para ser sede olímpica em 2.016, Nuzman tentou manobrar nos bastidores para mudar os estatutos do CIO, de forma que pudesse permanecer na plêiade mesmo após completar setenta anos. Um casuísmo que foi rechaçado por Jacques Rogge.

Com a saída de Nuzman e a recente renúncia de Havelange, o CIO ficará sem nenhum representante no Brasil. E para o país cuja importante cidade sediará a competição olímpica em 2.016, não é bom essa lacuna. E nem o CIO quererá que seja assim. Em algum momento, não muito
distante, o CIO escolherá quem será seu novo representante no Brasil. Tem muita gente brigando de foice pelo posto, embora todos neguem.

No Movimento Olímpico, pelo estatuto, não é o país que tem o seu representante no CIO. É justamente ao contrário. O CIO é quem escolhe os seus representantes em cada país. São os Embaixadores do Movimento Olímpico em cada país.

Tomara que o novo nome seja alguém que o Brasil goste respeite. E que seja uma efetiva renovação com relação a essa cúpula desgastada que há muitos anos vem administrando o nosso esporte olímpico.

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2 Responses to “Nuzman Faz Setenta Anos.”

  1. Julian Romero Says:

    Deparei-me com essa breve notícia no diário Lance! do dia 16:

    Mario Vázquez Raña deixa o COI
    Q Após 40 anos como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), o mexicano Mario Vázquez Raña, de 79 anos, deixou a entidade.
    Quando completasse 80 anos, Ra- ña, obrigatoriamente, teria de deixar o cargo no COI, segundo regra estabelecida na Carta Olímpica.
    Recentemente, o mexicano foi re- eleito presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA), cargo que ocupa desde 1975. O mandato de Raña vai até 2016.

    Agora fiquei em dúvida: o limite é 70 ou 80?

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    • O Vasquez não ficou 40 anos no COI. A informação está errada. Ele foi admitido no COI em 1.991. O limite de idade é assim: quem entrou até 1.965 tem o cargo vitalício; quem entrou entre 1.966 e 1.999 sai com 80 anos; e quem entrou a partir do ano 2.000 tem que sair com 70 anos.

      Veja lá no website do CIO que tem a Carta Olímpica e as regras estão todas lá. Estou à disposição para outras informações.

      Obrigado.

      Abraços.

      Alberto.

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