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Na análise técnica que a comissão de avaliação do COI fez das cidades candidatas aos Jogos Olímpicoa de 2.016, o Rio de Janeiro ficou na quinta colocação, atrás de Doha. Assim, o Rio teria ficado fora da rodada final de votação, nao tivesse Doha se recusado a alterar a data programada para os Jogos. Em virtude do calor. Doha queria fazê-los em outubro, enquanto o COI exigia agosto. Como Doha não acatou a solicitação do COI, acabou sendo desclassificada e o Rio galgou a quarta colocação, adquirindo, assim, o direito de ir à rodada de votações, que aconteceria meses depois, na Dinamarca.

Durante muito tempo as publicações especializadas mantinham o Rio como a candidatura tecnicamente mais fraca. Era o azarão do grupo. O único apelo que o Rio tinha para mostrar aos membros do COI era o fato de, pela primeira vez, levar os Jogos Olímpicos para a América do Sul.

Em um dado momento as mesmas revistas especializadas detectaram no seio do COI uma tendência  favorável ao Rio, mas ainda assim o consideravam uma candidatura tecnicamente fraca. Do ponto de vista técnico, realmente, os programas das demais cidades eram bem superiores ao do Rio de Janeiro.

Se o COI quiser investigar as acusações feitas pela imprensa francesa, um bom ponto será fazer a cronologia dos fatos e observar porque, de uma hora para outra, o Rio saiu da condição de azarão, sem que nenhuma alteração substancial tenha havido no seu projeto, anteriormente reprovado pela mesma entidade que, ao final, deu-lhe a vitória.

Será necessário observar se algum fator externo contribuiu para isso.

 

Investiguem o Rio 2.016.

março 4, 2017

O Le Monde e  o New York Times são publicações competentes e respeitadas.  Ambos jornais repercutem a acusação de compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos Olímpicos de 2.016. A acusação envolve Lamine Diack, afastado da presidência da IAAF por corrupção.  Ou seja, Lamine Diack não tem bons antecedentes.

Ao COI não cabe ignorar essas denúncias, mas apurá-las com máximo rigor. Foi a partir de denúncias similares que, após a eleição de Salt Lake City para os Jogos Olimpicos de Inverno, em 2.002, comprovou-se um grande escândalo de corrupção no COI envolvendo eleições olímpicas.

Os patrocinadores do COI também devem exigir que seja feita investigação, preferencialmente conduzida por entidades independentes.

O Movimento Olímpico está, mais uma vez, em cheque.

Hoje o Le Monde, jornal respeitadíssimo, levanta suspeita de corrupção na eleição do Comitê Olímpico Internacional (“COI”), que deu ao Rio o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2.016. Hoje, um colega advogado alemão me pergunta se o povo brasileiro vai assistir passivamente a destruição do legado olímpico no Rio, após tanto dinheiro público despejado ali.

Parte do “legado olímpico” do Brasil pode estar no exterior, sob a forma de Convênios, edificações e incentivos esportivos a outros países. Durante a campanha para os Jogos Olímpicos 2.016, os organizadores brasileiros fizeram várias viagens não oficiais para países da África e do Oriente Médio. Digo não oficiais, porque o COI não permite que os  representantes das Cidades candidatas façam visitas frequentes aos membros votantes. Então, as viagens que eram feitas assim o eram em “caráter pessoal”, sem registros oficiais. Muitas vezes os deslocamentos eram feitos de carro de um país ao outro, para não haver registros de aquisição de passagens aéreas. As agendas de viagens constavam dos registros internos do Itamaraty. Ministros e autoridades brasileiras estiveram várias vezes em países do continente africano, para “fomentar o esporte naquela região.”

Durante o período de campanha olímpica, seria de bom alvitre investigar os Convênios que autoridades brasileiras assinaram com países da África, para incentivo do esporte na região, que contemplaria, entre outras coisas, construções de prédios. Há de se investigar, entre muitas outras coisas, com que recursos foi construído o prédio em que, atualmente, funciona a sede do Comitê Olímpico de Moçambique. Seria muito bom investigar, ainda, se para dar roupagem de legalidade aos incentivos olímpicos, o BNDES, de alguma forma, participou dos negócios.

É possível que alguns países tivessem recebido, de forma antecipada, o legado olímpico que deveria ser dos cariocas e dos brasileiros.

Investiguem!

Nuzman assumiu o COB em 1.995 com um intuito claro, de realizar eventos, nada muito além disso. Ele começou com os Festivais Olímpicos de Verão, ao longo da orla do Rio de Janeiro.  Dai foi fazendo alguns eventos maiores, organizou os Jogos da Odesur, Panamericanos e, finalmente, atingiu seu ápice com os Jogos Olímpicos. Ouvi algumas vezes de gente do esporte que o “COB transformou-se em um órgão somente organizador de eventos.”.

Tudo mais eram apêndices do objetivo final de sediar eventos. Se esse era o objetivo da gestão Nuzman, ele teve sucesso em sua empreitada. Começou sua gestão organizando torneios de verão na beira da praia e chegou ao fim sediando Jogos Olímpicos. Se era isso que ele queria, ele conseguiu. Em um país carente de esporte massificado, essa política seguida pelo COB foi equivocada. Principalmente quando se vê que a gestão Nuzman fracassou em atrair investimentos privados para suas ações. Nuzman escorou-se, fundamentalmente, em dinheiro público.  E, por isso, teria a obrigação de fazer a contrapartida social, o que não ocorreu.

Se ao realizar Jogos Olímpicos Nuzman atingiu o apogeu de seus anseios e de sua plataforma, seria chegada a hora dele sair. O modelo Nuzman esgotou-se, deu o que tinha que dar. Entretanto, ele insistiu em ficar mais quatro anos sob o pretexto de que quer “prestar contas”. É óbvio que Nuzman tem que prestar contas. Mas essa obrigação continuaria existindo fosse ele presidente do COB, ou não.  As contas do Co-Rio ainda levarão anos até serem avaliadas, auditadas e concluídas. E Nuzman é –  e será – pessoalmente responsável por elas.

Se pensasse no esporte Olímpico do Brasil, Nuzman deveria ter tido a grandeza de deixar o COB e aceitar que seu modelo de gestão teve seu ciclo e que, hoje, ele tem muito pouco a contribuir.

O esporte Olímpico brasileiro está em  um patamar de dificuldades maior do que estava nos anos que antecederam os Jogos Olimpicos no Brasil. Basta conversar com técnicos e com atletas.

Nuzman deveria dar espaço a gente nova, com novas ideias, dinamismo, para empreender um novo modelo de gestão.

Nuzman Está Sumido.

fevereiro 26, 2017

Notem como Carlos Nuzmam anda sumido. Desaparecer é o oposto da personalidade dele.

Nuzman está estrategicamente quieto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o mundo questionam severamente o legado negativo que os Jogos Olímpicos deixaram para o Rio. O presidente do COB e do Co-Rio sabe que se puseram a cabeça de fora, será vigorosamente cobrado sobre as promessas que fez de que a aventura Olímpica carioca colocaria o Rio e o Brasil em outro patamar de desenvolvimento. Foi com esse discurso que ele pretendeu sensibilizar os brasileiros que sediar o certame Olímpico valeria a pena. E, também, foi assim que ele convencia os membros do COI a arriscar e dar à América do Sul o direito de sediar sua primeira Olimpíada. Nada do que Nuzman prometeu aconteceu.  Nuzmam também tem medo que essas cobranças públicas lhe possam atrapalhar sua campanha à presidência da ODEPA. Por isso, Nuzman vive o estágio “esqueçam-me por um tempo”.

Em conversas privadas Nuzman tem falado que a questão do legado não é atribuição dele. Que a culpa dessa lambança é, antes de tudo, da Prefeituta Municipal do Rio e, em seguida, dos governos do Estado e Federal. Nuzman tem sustentado que a ele caberia, somente, organizar o evento (Co-Rio 2016) e preparar a delegação brasileira  (COB). Esse é um argumento cínico. Faz parte dos Comitês Olímpicos Nacionais e Comitês Organizadores, sempre, trabalhar o legado Olímpico. E no Brasil,  particular, Nuzman foi dos que mais bradavam os benefícios do legado.

 

Nunca investiu-se tanto no esporte nos oito anos que antecederam os Jogos Rio 2.016. Da mesma forma, nunca investiu-se tão errado. A intenção do governo e da cartolagem nunca foi massificar e democratizar a prática esportiva. Tampouco criar uma política de Estado para o esporte do Brasil, desde a base. O dinheiro que foi injetado nesse segmento serviu, em primeiro lugar, para satisfazer os anseios megalômanos de gente preocupada, apenas, em realizar grandes eventos. Nada além disso.

Uma vez obtido o direito de sediar os Jogos Olímpicos, com muito medo de passar uma solene vergonha em casa, a ordem foi que todos os incentivos, recursos, energias e iniciativas fossem dedicados ao altíssimo rendimento, com o objetivo de ganhar o maior número de medalhas possíveis. Quiseram fazer em menos de oito anos aquilo que não fizeram em vinte. A base ficou ainda mais desasistida. São pouquíssimas as modalidades em que os jovens atletas têm, de suas Confederações, algum tipo de auxílio. Normalmente nas categorias de base é cada um por sí. Quem as sustentam são os clubes e as famílias.

Passados os Jogos Olímpicos, os próprios dirigentes organizadores reconhecem que não houve planejamento de longo prazo. Hoje, muitos atletas estão desempregados, sem benefícios e perspectivas.  E, com eles, seus técnicos e membros das equipes multidisciplinares.

Se em vez de investir bilhões em grandes eventos esportivos tivessem injetado parte nisso na formação e massificação de atletas, levar a prática do desporto a todas as escolas públicas do país, planejar, com honestidade e transparência, estaríamos, atualmente, em condições muito melhores. Uma geração olímpica se forma em cerca de três ciclos. A partir daí, com uma estrutura de esporte solidificada, o Brasil poderia ter começado a pensar em sediar Olimpíada.

No Brasil, a patota olímpica errou feio e quis começar a construção da casa pelo telhado.

Mais matérias estão sendo veiculadas no exterior e no Brasil demonstrando o descaso do Brasil com os bilhões gastos na realização dos Jogos Olímpicos. Nosso país está servindo como exemplo daquilo que não deve ser feito por qualquer outro que intencione sediar o certame olímpico.

O curioso é que os organizadores dos Jogos desapareceram. Aqueles mesmos que diziam que o Rio de Janeiro e o Brasil seriam outros após o Rio 2.016 estão acanhados, mesquinhos, raquíticos, sorrateiros escondidos, não dizem nada. Aqueles que bradavam que criticar a aventura olímpica carioca era  antipatriótico, estão quietinhos.

O que essa gente fez com o Brasil (e com o esporte brasileiro) é gravíssimo. Não pode passar batido, como muitas das mazelas nacionais que o tempo faz apagar das memórias e das manchetes.

Cartolas, políticos, Comitê Olímpico do Brasil, Co-Rio 2.016, Autoridades Olímpicas Municipal e Federal devem ser chamados em audiência pública, convocada pelo Ministério Público Federal e Estadual do Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos à população. Devem explicar porque as grandiosas promessas que fizeram nunca aconteceram e porque toda construção que foi feita está mal cuidada, não utilizada, tendendo a virar ruína, como ocorreu em Atenas, em que o que sobrou das instalações olímpicas são o retrato fiel de um dos grandes erros cometidos por aquele país. As mesmas autoridades têm que explicar à nação se existe algum programa sólido e realista de utilização daquelas instalações, de caráter social, que sirvam para democratizar e desenvolver o esporte, saúde, educação, cultura e meio ambiente.

Aqueles que prometeram mudanças significativas, para melhor, no Rio e no Brasil após os Jogos Olímpicos não podem passar impunes. Mentiram, foram incompetentes. Não têm mais condições de exercer cargos de comando esportivo. Estão desmoralizados Devem ser processados pelos Ministério Público.  Há um jogo de empurra, cada entidade, cada cartola, cada político, dizendo que a questão do legado não é com eles. É, sim, pois antes da festa estavam todos unidos e cada qual querendo parecer mais responsável que o outro.

E que não se diga que o legado olímpico é o BRT e VLT, bem como algumas pinturas de prédios no centro da Cidade. A conta ficou muito cara para tão pouco.

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