Home

A prisão de políticos importantes de Brasília (dois ex governadores, um ex vice governador e o atual assessor especial da Presidência da República) é mais um relevante marco na apuração das gritantes irregularidades que ocorreram nas obras para a Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Especialmente no caso do estádio de Brasília, a existência da roubalheira era patente. Ao longo desses anos, coube à Polícia Federal angariar provas para deflagrar a operação de hoje. É uma ação exemplificativa da Polícia Federal. As investigações sobre as mazelas do esporte não podem – e não irão – terminar por aí. Há muito mais a ser desvendado, apurado, desnudado e explicado.

A prisão desses políticos de Brasília, que ajuda na limpeza do Brasil, particularmente no estádio de Brasília, merece um reconhecimento especial ao excelente trabalho do Jornalista José Cruz. Por anos, José Cruz investigou e escreveu sobre as suspeitas de propina nas obras do Mané Garrincha, sempre com precisão e trazendo elementos muito sólidos que, seguramente, deram suporte para os trabalhos das autoridades.

Recentemente foi noticiado na imprensa que o Congresso Nacional articulava-se para a criação de uma CPMI Olímpica, para investigar toda a estrutura do esporte olímpico do Brasil, a aplicação dos recursos, prestação de contas, a longevidade dos dirigentes no poder e tudo mais. Essa iniciativa teve como ponto de partida a ida de atletas, técnicos e dirigentes ao Congresso, debater a delicadíssima condição da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, em que seus principais dirigentes estão presos. A CMPI dos Esportes Olímpicos é muito necessária. Há oito anos eu estive na Comissão de Esporte e Educação do Senado Federal discutindo a debilidade administrativa dos esportes olímpicos. Saímos de lá com número suficiente de assinaturas para a instauração do esporte Olímpico. Dias depois a CMPI foi sufocada por duas razões:  o fortíssimo lobby que os esportes olímpicos exercem no Congresso e o escândalo dos chamados Atos Secretos do Senado, que envolviam diretamente o seu presidente, José Sarney. O esporte ficou, mais uma vez, relegado ao plano secundário. Hoje, o esporte olímpico está em condições muito piores, a perplexidade é muito maior. Mas a investigação do esporte olímpico, em vista de tantas outras desonras, pode, novamente, ser relegada. Por isso que é muito importante que todos fiquem atentos para que os Deputados e Senadores interessados em desnudar os meandros do Olimpismo no Brasil não deixem de levar adiante esse ato. O esporte, assim como os outros segmentos no Brasil, também deve estar recheados de coisas erradas.

Nos links abaixo estão a minha participação no Senado Federal:

https://youtu.be/N5bDm0BgrnU

https://youtu.be/56t-1Dudzl8

https://youtu.be/8-HKMorfYkE

Parabéns ao Club Athletico Paulistano por estar na final da NBB. É um campeonato muito difícil, equilibrado, com excelentes equipes e treinadores. O Paulistano apostou em uma equipe jovem e talentosa, com competente comissão técnica, conduzida pelo Gustavinho, sempre muito concentrado no jogo. A diretoria do Club também merece os aplausos, assim como a gerência de esportes, na pessoa do Charles Eide, que dão todas as condições para que essa modalidade esteja sempre cumprindo seus objetivos. É um motivo de muito orgulho para o Paulistano e para o basquete de São Paulo os resultados dessa brilhante equipe. Não posso deixar de registrar um fato deselegante ocorrido quase no final da partida, em que um indivíduo vestido com a camisa do Paulistano cuspiu em alguém do banco do Vitória. A televisão flagrou o ato e mostrou repetidas vezes. Não sei se essa pessoa é associada do Club. Se for, merece ser punida pela direçã do Paulistano e, também, pela NBB. Essa atitude não representa o esporte, não representa o simpático torcedor do Paulistano e muito menos o espírito de congraçamento do desporto. Nada – nada mesmo – justifica uma cusparada em alguém. Parabéns aos diretores do Paulistano que providenciaram a imediata retirada dessa pessoa do ginásio. Viva a NBB, o basquete e o esporte.

http://espn.uol.com.br/noticia/494905_lado-b-das-olimpiadas-atleta-e-dirigente-major-peitou-getulio-maluf-e-ditadura

Muitas Confederações esportivas estão modernizando seus estatutos, fugindo das estruturas engessadas que as transformaram em verdadeiras capitanias hereditárias. Recentemente, a Vela e o Atletismo fizeram modificações importantes em seus estatutos, democratizando as modalidades. Isso incomoda muito o Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Claro que o COB negará essa afirmação. Mas tenham certeza que esses movimentos inquietam bastante o COB. Quanto mais atrasado, quanto mais conservadora for a carcaça do esporte, mais fácil é para o COB manter o seu status de poder. O estatuto do COB admite que somente aqueles que tiverem sido eleitos para um dos poderes da entidade e que nele permanecerem por, pelo menos, cinco anos (na prática são dois mandatos), podem ser candidatos a presidente e vice presidente. Ou seja, no caso prático atual, somente quem houver sido eleito para um poder do COB na chapa do Nuzman e com ele permanecer no poder por, pelo menos, cinco anos poderá almejar a presidência e vice-presidência do COB. Se a pessoa foi eleita na chapa de Nuzman e com ele permaneceu no poder por cinco anos, evidente que as chances de surgir alguma chapa de oposição são extremamente diminutas. Ou passam a ser nulas, quando o mesmo estatuto obriga que uma chapa, para ser aceita, deve contar com o apoio formal de, pelo menos, dez confederações. Todas essas idiossincrasias olímpicas foram inseridas no estatuto durante a gestão de Carlos Nuzman, temeroso que é de perder o poder. Pudesse qualquer pessoa ser candidata ao COB, como reza a democracia, certo que Nuzman já teria sido defenestrado de lá faz tempo. Nuzman não tem estofo para enfrentar, democraticamente, alguns nomes consagrados da nossa administração desportiva. É anacrônico que uma entidade como o COB, que recebe milhões de dinheiro público por ano, não possibilite que qualquer cidadão brasileiro no gozo de seus direitos possa ser candidato a presidente e vice-presidente.

O COB, ao promover encontros com atletas para debater governança corporativa, finge que quer mudar algo. Faz esses encontros para enganar. Se o COB realmente quisesse promover alguma modernização, proporia, de imediato, uma mudança profunda nas regras estatutárias, tornaria a escolha da Comissão de Atletas por voto direto e não por escolha de Nuzman, faria eleições diretas também para a Academia Olímpica Brasileira e não por escolha pessoal de Nuzman, publicaria no website todos os contratos que assina com terceiros para revelar as cifras envolvidas (não deve haver cláusula de sigilo quando se contrata com dinheiro público) e um monte de outras coisas.

Posso assegurar a Você que o COB torceu o nariz para ótima decisão da Vela, de dar o poder maior da assembleia geral aos atletas e à parte técnica da modalidade. Vai que a moda pega e o COB é forçado a fazer o mesmo. Nuzman tem que sair e da seu lugar a gente com cabeça arejada.

As colunas Radar e de Lauro Jardim, respectivamente da Veja e do Globo noticiam que a Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados aprovou a viagem de onze Parlamentares para Atenas, Barcelona e Londres, de modo que eles conheçam o legado olímpico. Evidentemente que a viagem será paga com dinheiro público (do povão).

Mais uma desfaçatez da Câmara dos Deputados e, principalmente, dos Deputados que se propõem a esse papel ridículo. Ainda que esse tipo de viagem servisse de alguma coisa, este não é o momento de fazê-la. O País está sem dinheiro, reformas relevantes são debatidas, objetiva-se cortar gastos públicos e as Excelências vêm com essa patacoada. Claro que será uma viagem inútil para a finalidade que foi criada e que o passeio desses Deputados não irá alterar em nada a questão do legado olímpico.

Se os Deputados quiserem conhecer mais sobre legado olímpico, há muita gente boa por aqui mesmo que pode discorrer sobre a questão. Não precisa ir passear na Europa para tomar ciência do assunto. E ainda que quisessem ter contato com os organizadores de Barcelona, Atenas e Londres, seria mais barato e prático convidar um representante de cada Cidade para vir ao Congresso Nacional compartilhar suas experiências. Poderiam, inclusive, falar com bem mais gente do que esses onze Parlamentares que irão passear na Europa.

Há de existir uma voz firme na Câmara dos Deputados para acabar com isso e impedir essa vergonhosa viagem. É necessário divulgar os nomes dos onze Deputados que se sujeitam a isso. E, certamente, a viagem não será apenas dos onze. Irão levar parentes e assessores. Isso não pode acontecer.

José Trajano Quinhões.

abril 29, 2017

                   JOSÉ TRAJANO QUINHÕES

José Trajano é uma figura polêmica. Embora seja considerado autoritário por muitos que trabalharam sob seu comando (já ouvi, até, que ele discriminava mulheres na ESPN. E me reservo ao direito de não revelar as fontes), tem um bom faro jornalístico, mesmo sem nunca ter se formado no ofício.

Desde que as organizações Disney entenderam que não havia mais espaço para o conservadorismo de José Trajano em suas empresas de comunicação, ele esbraveja contra a multinacional que lhe deu a maior oportunidade de trabalho da vida, inclusive financeira. Ora, as empresas têm direito de contratar e demitir como desejarem. Se José Trajano envelheceu, se a excelente Disney achou por bem trocá-lo por profissionais mais jovens e dinâmicos, é opção da empresa e ninguém tem nada com isso. O máximo que podemos fazer é gostar, ou não, da decisão. Acho incorreto José Trajano esculhambar com as organizações Disney somente agora. Soa apenas como mera vendeta. Não soa verdadeiro.
José Trajano tornou-se das vozes mais conservadoras da crônica esportiva. Trajano é saudosista (o que é até compreensível em face da idade e das lembranças e reminiscências que ficaram num passado longínquo). Não é necessariamente ruim ser conservador. Isso não é uma crítica a José Trajano. É, apenas, uma constatação. Cada um é o que acha que deve ser, com liberdade soberana. Mas o conservadorismo do velho e bom José Trajano talvez já não encontre mais espaço nos meios de comunicação porque os jovens expectadores, ávidos por novidades, não tenham interesse no que ele tem a dizer, quando, abruptamente, interrompe um colega de bancada para dizer, rispidamente, que o bom era “a geral do velho velho Maraca”. Ou que legal era o “seo fulano de tal, massagista no ameriquinhinha nos anos 60”.
Enquanto jornalistas jovens e dinâmicos tratam de questões modernas, o antigo jornalista insiste em defender, sempre, idéias de meados do século passado, políticos que tiveram alguma relevância na década de 50 do século anterior, estruturas esportivas (“o velho Maraca”) que são inadmissíveis nos dias de hoje. Ora, o que é ruim no atual Maracanã não é a arquitetura do estádio. O que é deplorável no novo e bonito estádio foi a roubalheira desenfreada para fazê-lo. Sustentar em uma bancada que “a geral é que é boa porque no meu tempo de criança eu ía lá e era assim, era a minha segunda casa” é algo que soa respeitosamente patético e inútil para um público jovem que sequer sabe o que é “geral” em estádio de futebol. E que quando sabe,  ou vê imagens muito antigas da tal “geral”, fica indignado com o tratamento desumano que era dado aos torcedores. São comentários assim que fazem o jovem telespectador, consumidor voraz de notícias de futebol, mudar de canal e ir para o concorrente. Largar o velho em busca do novo. E foi assim que a boa ESPN Brasil perdeu ainda mais espaço para a Sportv e foi superada pela FOX Sports. Natural que a direção da empresa queira mudanças.
José Trajano tem o rigoroso direito de defender suas posições políticas. Isso é bom para o debate, por mais conservadoras que elas sejam. Trajano é politicamente muito conservador, resistente à mudanças. Mas José Trajano deve ter consciência que, querendo, ou não, sua figura era indissociável das organizações Disney e, ao sustentar idéias que para a esmagadora maioria dos brasileiros são antipáticas e atrasadas, ele prejudicava a imagem de seu empregador. Trajano pode – e deve – seguir falando. Mas é direito da Disney rescindir seu contrato. Simples assim, para ambas as partes. Órgãos de mídia não são casas de caridade.
No Canal Ultrajano o velho jornalista faz o que quer. Lá, hoje, acredito ser seu lugar. Está confortável nesse papel. Embora de audiência traço para a grande massa (apenas eu e mais uns irrelaventes 2.000 expectadores assistimos, em média), ele está à vontade para dizer o que bem entende, do jeito que desejar, aparecer no vídeo de bermudas, bebendo, despenteado, ou seja, ninguém tem nada com isso.
O que lamento em José Trajano é que ontem, dia de manifestações, ele incentivou e gracejou com a violência. Isso não se faz. José Trajano propagou o ódio e a intolerância ao aplaudir os fascistas que agrediram Marcelo Madureira trabalhando em frente à Alerj. Trajano incentivou que vândalos agressores fossem à casa de Michel Temer quebrar patrimônio público e intimidar pessoas. Se a patrulha marchasse em direção à casa do próprio José Trajano, ou de algum jornalista da velha guarda, teria sido um ato de barbaridade. Mas na casa de Michel Temer, Trajano aplaude. São coisas assim, feitas ao longo do tempo, que fizeram que José Trajano fosse perdendo eco, principalmente entre a massa de jovens que querem saber de esportes e estão conectados na televisão para isso. E televisão é, além de qualidade, transparência e dinamismo, audiência. Quando os consumidores começam a mudar de canal é porque tem algo errado.
José Trajano é pontualmente censor. Impediu-me, desde ontem, de seguir debatendo com ele em sua página de Facebook. Hoje só posso ver e compartilhar o que ele publica. Isso é próprio do caudilhismo dos anos 50 que ele aprecia e defende (não tiro dele o direito de ser assim). Sempre debati com o velho Trajano em alto nível. Tenho enorme respeito pelo seu passado. Vejo que entre tantos comentários na página do Canal Ultrajano, a maioria é de críticas, há gente que o chama de “velho babão”, “gagá”, “complacente com a corrupção dos amigos dele” e, até, injustamente, de “ladrão do povo”. Todas expressões vistas em sua Linha do Tempo. Eu nunca faltei com respeito. Nunca faltarei. Talvez eu incomode mais que aqueles que o xingam de “velho enganador” (outra expressão que está lá), porque minhas considerações têm conteúdo e são mais difíceis de contra argumentar. Mas, enfim, a censura é parte da intolerância e do ódio, tão em voga nos dias de hoje.
ALBERTO MURRAY NETO
%d blogueiros gostam disto: