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Eduardo Paes, o “Nervosinho” e falastrão, é acusado de ter recebido R$ 15 Milhões em propina pelas obras Olímpicas. Ao se comprovar tal fato, compreende-se perfeitamente porque o ex-prefeito ficou tão feliz com o legado. Afinal, se os Jogos não resolveram os problemas do Brasil, como a patota havia prometido, serviu, pelo menos, para solucionar as questões pontuais de muita gente. Para eles, o legado da Olimpíada foi magnífico.

A esta altura, a notícia de mais um provável escândalo de proproções olímpicas já corre o mundo. E faz os habitantes das cidades candidatas realmente refletirem se vale a pena sediar Jogos Olímpicos. Ainda que nesses casos que vêm sendo descobertos, a corrupção esteja diretamente ligada a agentes brasileiros, isso afeta a imagem global do movimento olímpico.

Reitero que no dia em que o Rio de Janeiro foi escolhido sede dos Jogos Olimpicos , em que as pessoas comemoravam nas areias de Copacana, os políticos e a cartolagem celebravam o fim dos problemas brasileiros, eu escrevi artigo no jornal Folha de São Paulo afirmando que tudo aquilo era uma grande hipocrisia.

E de fato era.

Há muito que o esporte olímpico mundial passou por uma devassa. As acusações comprovadas de compra de votos para a escolha dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City, ainda na gestão Samaranch, levaram o COI a passar por relevantes transformações. O COI vem tentando se mostrar transparente a fim de recuperar e manter sua credibilidade. No Brasil, o esporte olímpico nunca foi investigado como deveria, apesar de várias denúncias bem fundamentadas que já foram publicadas por competentes jornalistas investigativos. Acho que pelo fato de o Rio ter sido escolhido sede doa Jogos de 2.016, houve um pacto velado para não expor ao mundo as mazelas do nosso esporte, pelo que esse segmento foi poupado. Após os Jogos do Rio, considerando os bilhões de Reais de dinheiro público despejados  no evento, com legado insignificante e com a regressão absoluta do patamar esportivo do Brasil, está é a hora de investigar.

Claro que há Confederações sérias, com bons presidentes, que estão corrigindo erros do passado para galgar condições melhores. Mas ainda há muitas Confederações velhacas, que não perceberam que o Brasil não comporta mais atitudes autoritárias, mesquinhas, opacas, como se estivessem acima da lei. Desde o final do certame olímpicos, algumas Confederações já entraram na linha de tiro das autoridades. O petardo mais eficaz, até agora, foi na CBDA, cuias suspeitas de ilicitudes já vêm de longe. Certamente a CBDA não é um caso isolado. Há Confederações que agem em conluio. Vejam a reportagem de Lúcio de Castro, que comprovou documentalmente que a CBV era responsável, perante o Ministério do Esporte, a controlar as contas da CBDA. Há muito mais do que isso, obviamente. É necessária uma rigorosa devassa na cadeia olímpica de poder em nosso país. Lembrem-se, também, que Sérgio Borges, da SB Promoções, segue preseo e era o consultor de várias Confederações. Antes disso, ele ocupou um cargo muito importante na diretoria da CBV e sua mulher foi secretária particular de Ary Graça.  É preciso entar de vez no emaranhado das relações í lntimas entre os promotores do esporte olímpico nacional. É necessário desmontar essa espinha dorsal que, há tantos anos, recebe uma imensidão de dinheiro governamental e o tem administrado tão mal e com transparência quase zero.

 

Carlos Arthur Nuzman não tem parado no Brasil. Segue em intensas viagens pelo Caribe, em busca de votos para a presidência da Odepa. Ao que parece, até o momento, o apoio dos países da América Central a Nuzman é baixo. A região tem seus próprios candidatos e costuma votar em bloco.

De qualquer forma, Nuzman deveria desistir de tentar presidir a Odepa. O projeto de legado Olímpico que Nuzman, Sergio Cabral e Eduardo Paes propuseram ao mundo fracassou. O próprio presidente do COB e do Co-Rio disse que o esporte olímpico do Brasil regrediu anos anos noventa. Muitas Confederações vivem um caos financeiro como nunca antes visto na história deste país. Atletas e técnicos estão desasistidos e preocupados com o futuro. Confederações importantes sairam das páginas esportivas dos jornais para ocupar as policiais. Há uma crise moral gravíssima no esporte olímpico do Brasil. O Co-Rio 2.016 está afundado em dívidas. Nuzman não deveria abandonar o barco agora. Deveria tratar de cuidar do quintal de casa e arrumar a bagunça que ele mesmo ajudou a criar. E, ainda, para presidir a Odepa, Nuzman teria que ter tido êxito em suas funções locais, o que seguramente não ocorreu. Nuzman deveria ter a humildade de deixar a disputa pela Odepa. Não tem estatura para o cargo.

Há algumas semanas escrevi aqui que Carlos Nuzman estava sumido. Escrevi, também, que a sua intenção em presidir a ODEPA é uma maneira de sair do centro das atenções do Brasil. Após as prisões havidas na CBDA, Nuzman segue omisso e isso é inaceitável. Nuzman é o dono do cofre dos recursos públicos oriundos da Lei Piva, repassados às Confederações. Cabe ao Comitê de Nuzman controlar com rigor as contas das Confederações. Nuzman sempre disse que os números de suas Confederações eram rígidamente conferidas. Essa afirmação do presidente do COB tem mostrado-se falsa.

Desde o fim dos Jogos Olímpicos, várias Confederações têm estado em palpos de aranha com o TCU, o MP e a Justiça. A CBDA é apenas mais uma. Também não se pode olvidar do Sérgio Borges, da empresa SB, que segue preso e que, além de ter ocupado um relevante posto na CBV, passou a ser parceiro de negócios de diversas Confederações. Como se já não bastasse o fiasco que foi o legado olímpico brasileiro, estão vindo à tona desmandos financeiros em várias modalidades. Carlos Arthur Nuzman segue impávido, como se nada estivesse ocorrendo de muito ruim no esporte nacional. No caso de Coaracy Nunes, este sempre foi um dos mais próximos aliados de Carlos Nuzman na Assembleia Geral do COB. Fiz parte dessa Assembleia por cerca de doze anos e constatei, na prática, que Coaracy Nunes era da “tropa de choque” de Nuzman, junto com Roberto Gesta de Melo e Ary Graça. Eram os quatro muito unidos.

Ao silenciar diante de tantos escândalos, Nuzman faz como o avestruz, enfiando a cabeça no buraco enquanto finge não ver a derrocada moral do esporte olímpico do Brasil.

Nuzman tem que se pronunciar e anunciar medidas. A fuga para a ODEPA mostra que não tem estatura de estadista para liderar o movimento olímpico do Brasil.

A prisão dos principais diretores da CBDA vale uma medalha de ouro. Há muito que essa gente vem esbanjando desfaçatez e dando de ombros para os atletas e técnicos. Sob o argumento de que a CBDA é uma entidade de direito privado, fizeram estrepulias que arrebentaram com as finanças, projetos, imagem e credibilidade dos desportos aquáticos. A CBDA é uma entidade de direito privado, mas nem por isso pode cometer ilícitos, sob pena de lhe serem imputados crimes de interesse público. Se um ente privado “A” subtrai algo de outro ente privado “B”, comete crime de furto e será julgado por tal ato. Não interessa que sejam duas partes particulares. Além disso, a CBDA recebe dinheiro público.

A Operação Águas Claras, bem conduzida pela Polícia Federal é exemplificativa. Os dirigentes do esporte não podem achar que estão acima das leis. Não estão impunes.

Há muito mais o que se investigar e punir no esporte olímpico do Brasil. As peripécias financeiras da CBDA e de outras Confederações escancaram que o tão decantado rigor e exigências na prestação de contas pelas entidades superiores são falhos, ou coniventes. É preciso investigar aqueles que sempre foram aliados de primeira hora desses que, hoje, estão em palpos de aranha.

O olimpismo do Brasil faz um lobby fortíssimo. Mas isso começa a desmoronar.

A nova CBB, administrada pelo atleta e empresário Guy Peixoto, anunciou que vai adotar para as seleções nacionais a lendária camisa listrada verde e amarela. Pode parecer uma medida irrelevante, mas não é. Os atletas que vestiram a camisa listrada são responsáveis por três medalhas Olímpicas, dois títulos mundiais e muitas outras conquistas que mantiveram o basquete brasileiro, por cerca de quarenta anos, dentre as maiores potências do planeta. A camisa de listras verticais representa um basquete vencedor e popular, de uma época em que os jogos lotavam ginásios e eram transmitidos ao vivo pelo rádio. O basquete brasileiro decaiu tanto, que para reerguê-lo não são necessários apenas bons projetos, mas, também, resgatar a sua autoestima. A gerarão atual de jogadores e o público que gosta desse esporte têm que ter conhecimento do seu glorioso passado. Tenho a impressão que nem todos os jogadores da atual geração conhecem bem a história de conquistas do nosso basquete. Essa história não pode, nunca, ser esquecida e será o alicerce para o futuro. A “velha e nova” camisa é o símbolo de união entre o passado vitorioso e o futuro de reerguimento. A CBB também colocará em seu escudo uma alusão aos três títulos mundiais, com trêa estrelas douradas.

O esporte olímpico do Brasil vive crise profunda, financeira e moral. E curioso que isso ocorre ato contínuo aos Jogos Olímpicos realizados em nosso país. Os investimentos públicos e privados no esporte olímpico diminuiram significativamente. Muitas Confederações estão na alça de tiro das autoridade. E o pior de tudo é que a maioria dos atletas perdeu seus benefícios, enfrenta dificuldades, está desempregada e não vislumbra caminhos melhores no futuro próximo. Tudo exatamente ao contrário do que prometeu o COB quando lançou a candidatura do Rio de Janeiro para sediar o certame Olímpico.

Pois hoje o COB promoveu seu convescote chamado Prêmio Brasil Olímpico, sempre com muita pompa. Justíssimo homeangear os atletas, que são a razão de tudo isso existir. Mas melhor ainda seria dar a esses mesmos atletas um futuro promissor.

Enquanto os atletas e técnicos têm suas verbas cortadas e seus planos vilipendiados, enquanto Confederações vivem na penúria, o COB dá uma festa suntuosa, como muito luxo, esbanjando dinheiro.

É necessário que o COB, transparentemente, divulgue quanto custou o prêmio Brasil Olímpico, discrimine quanto gastou com cada ítem e se houve licitação pública.Trata-se de dinheiro público, cuja finalidade precípua deveria ser a preparação dos atletas.

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